ESTREIAS DA SEMANA: 25 DE AGOSTO

PETS – A VIDA SECRETA DOS BICHOS

The Secret Life of Pets. EUA 2016. Dir: Chris Renaud & Yarrow Cheney. Vozes : Kevin Hart, Albert Brooks, Lake Bell. Vozes Nacionais: Danton Mello, Tiago Abravanel, Luiz Miranda, Tata Weneck. Animação.

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Lembram quando a Pixar imaginou o que seria a vida dos brinquedos de nossas crianças quando não estivéssemos olhando ? Pois é, a Illumination (o mesmo estudio de animação que nos deu “Meu Malvado Favorito”  e “Minions”) faz a mesma pergunta sobre os nossos adoráveis animais de estimação e o resultado é essa bem sucedida animação, custou em torno de US$ 75 milhões e estreou nos Estados Unidos  em Julho último faturando até agora US$ 348,275,380 segundo o site especializado box office mojo. A história mostra uma força tarefa de animais reunida para resgatar dois cães levados pela carrocinha depois de se desentenderem. É o programa ideal para pais e filhos nesse final de semana pós olimpiadas.

ÁGUAS RASAS

(The Shallows) EUA 2016. Dir:Jaume Collet – Serra. Com Blake Lively, Oscar Jaeneda. Drama / Suspense.

aguas rasas

O diretor catalão Jaume Collet Serra já havia chamado minha atenção quando dirigiu Liam Neeson em dois filmes de suspense bem eficientes (Desconhecido, Sem Escalas), sendo  que também é dele o curioso “A Orfã”. Á primeira vista parece que esse “Águas Rasas” vem com a proposta de ser o “Tubarão” da nova geração, mas não se deixa enganar. O filme não tem essa pretensão, mas consegue fazer uso de uma premissa parecida mas equilibrada em um roteiro ágil e dinâmico. Há momentos que vai lembrar também “Mar Aberto”, até porque seus 86 minutos se concentram em uma única personagem, a ex estudante de medicina que se vê cercada por um imenso Tubarão Branco Fêmea (essas são maiores e mais vorazes que os machos) sem ninguém para socorrê-la por estar em uma daquelas praias secretas, no filme no México apesar das filmagens terem sido feitas na Australia. O roteiro de “Águas Rasas” demorou bastante para ser filmado, tendo figurado em 2014 em uma lista de melhores roteiros não filmados até então. Louis Leterrier, diretor de “Truque de Mestre” chegou a se interessar pelo projeto mas caiu por divergências tanto criativas como orçamentárias. O filme de Serra, no entanto, se tornou um sucesso de bilheteria quando lançado nos Estados Unidos em Junho. Seus US$ 17 milhões de custo já se pagaram no mercado interno, um alívio para a Sony em um ano em que projetos audaciosos naufragaram (Caça Fantasmas, Ben Hur etc…). A razão para tanto sucesso é que o embate entre Nancy (Blake Lively, esposa de Ryan Reynolds com quem filmou “Lanterna Verde”) e o Tubarão é mais que físico. A personagem de Lively quer superar o luto pela morte de sua mãe e , sua luta pela sobrevivência ganha contornos psicologicos. Reparem como a gaivota ferida pelo Tubarão e que se refugia da fera em um recife, junto de Nancy, funciona metaforicamente como uma extensão da figura materna ausente e promove um dialogo inusitado que guia a narrativa. Enfim, vale a pena assistir e roer as unhas com o ritmo ágil e eficiente do filme.

CAFÉ SOCIETY

(Café Society) EUS 2016. Dir: Woody Allen. Com Jesse Eisenberg, Kristen Stewart, Steve Carrell, Blake Lively. Comédia Romântica.

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Woody Allen está para completar 80 anos e prova que, assim como o vinho, o tempo lhe faz cada vez melhor. Pode parecer contraditório então afirmar que “Café Society” não é seu melhor trabalho. , mas isso pouquíssimos trabalhos autorais mantem a integridade artistica de Allen. A história é claro traz todas as caracteristicas  do diretor novaiorquino: Seu alter ego agora vivido por Jesse Eisenberg (Lex Luthor de “Batman x Superman”) é um jovem do interior que chega a Hollywood dos anos 30 com sonhos e, se apaixona pela secretaria (Kristen Stewart de “Crepusculo”) de seu tio, produtor (Steve Carrell) de estudio com quem vem a formar um tumultuado triângulo amoroso tendo como pano de fundo a industria cinematografica da época. O filme abriu o Festival de Cannes desse ano mostrando um roteiro inteligente, que ainda conta com a belíssima fotografia de Vittorio Storaro (um mestre) .

NERVE – UM JOGO SEM REGRAS

(Nerve) EUA 2016. Dir: Ariel Schulman & Henry Joost. Com Dave Franco, Emma Roberts, Juliet Lewis. Suspense.

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Dois jovens se envolvem em umm perigoso jogo on-line, levando-a a descobrir que tudo que faz está sendo manipulado e vigiado. Emma Roberts é filha de eric Roberts e sobrinha de Julia Roberts. Já Dave Franco, o irmão mais novo de James Franco.Ambos  emprestam aos seus personagens o frescor de sua juventude e frivolidade em um thriller de ação que embarca no alerta dos jogos on line em um momento que as pessoas parecem hipnotizadas pela caça ao Pokemon. O filme não se aprofunda em discussões, mas desperta um curioso debate para depois de seu fim. Não há profundidade no desenvolvimento dos personagens e não precisa se esforçar muito para descobrir furos que poderiam ser evitados.

BOND 5 1/ 2 : CASSINO ROYALE (1967)

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Se o filme “Cassino Royale” que você conhece é aquele reboot que trouxe Daniel Craig pela primeira vez como James Bond, então precisa conhecer a versão de 1967 que não é oficial mas até que é interessante. Quando Albert  Broccoli & Harry Saltzman compraram os direitos de adaptação dos romances de Ian Fleming, propositalmente deixaram de fora “Cassino Royale”, publicado em 1953, que era a primeira aventura de James Bond. Isso porque o consideraram uma história parada demais, sem muita ação, já que a maior parte da narrativa se desenvolve no interior do referido cassino onde o vilanesco Le Chiffre, planeja ganhar no jogo de Bacará para repor o dinheiro que desviara da organização criminosa da qual era o contador.

1967 era o auge da Bondmania e os direitos de “Cassino Royale” foram parar do produtor Charles K. Feldman. Este tentou fazer um acordo com Broccoli & Saltzman para produzirem juntos o filme, mas estes recusaram.Em 1954 a CBS já havia transformado “Cassino Royale” em um episodio televisivo da série de antologias “Climax” e trazia o ator Barry Nelson no papel de James Bond. A adaptação distorcia bastante a história de Ian Fleming e trazia Peter Lorre como o vilão Le Chiffre, aqui transformado em agente soviético.

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A VERSÃO DA CBS DE 1954

Ciente de que seria impossível competir com o Bond oficial, Feldman decidiu por transformar o filme em uma paródia. Nele, sir James Bond, interpretado por David Niven, é retirado de sua aposentadoria para impedir os planos da diabólica organização SMERSH, dirigido pelo Dr.Noé. Bond convoca vários agentes para desnortear os vilões, inclusive o vilanesco Le Chiffre (Orson Welles). Entre os agentes estão Evelyn Tremble (Peter Sellers) e Vesper Lynd (Ursula Andress). Curiosamente, David Niven, famoso por seu ar de sofisticação e fleuma inglesa foi um dos nomes pensados para interpretar Bond antes que Sean Connery fosse contratado. O clima de galhofa inclui a metalinguagem quando sir James Bond comenta que já existe um outro escossês se passando por ele, clara referência a Connery. Curiosa a escolha de Ursula Andress para Vesper Lynd já que a atriz sueca foi a primeira Bond girl cinco anos antes em “007 Contra o Satânico Dr,No”. Aliás, o elenco inteiro é um achado incluindo Peter Sellers (o inspetor Closeau do clássico “A Pantera Cor De Rosa”), o mítico ator e diretor Orson Welles, a excelente Deborah Kerr – na época dom 46 anos – como outra Bond girl, e o vilão que se revela no final, o misterioso Dr.Noé é na verdade … Jimmy Bond, sobrinho de James Bond, vivido por …. acreditem …. Woody Allen !!! Ainda tem no elenco rápidas participações de outros nomes famosos na época como William Holden, Charles Boyer, Jacqueline Bisset, Jean Paul Belmondo, Peter O’Toole, o próprio John Huston e … sua filha Angelica Huston na ocasião aos 16 anos, fazendo o papel não creditado de assistente da agente Mimi (Kerr).

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O filme foi dirigido a cinco mãos: John Huston dirigiu a sequência de abertura ,a reunião dos chefes de inteligência na mansão de Bond e o episódio que se passa na escócia ; Val Guest dirigiu as cenas do subterrâneo do cassino e outra cenas adicionais ; Robert Parrish dirigiu a sequência do jogo de bacará , Ken Hughes dirigiu o balé no templo e a sequência em Berlim e Joe McGrath dirigiu e as cenas entre Peter Sellers e Úrsula Andress, que incluíram a bela canção “The Look Of Love”, composta por Burt Bacharach e Hal David e cantada por Dusty Springfield.

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Revisto hoje, o filme não faz tanta graça assim, mas diverte pelo elenco e o clima de brincadeira.que na época funcionou pois o filme teve uma bilheteria considerável para um projeto fadado ao fracasso. Não se esqueçam que durante a década de 60 haviam vários filmes de agente secreto que pegavam carona na bondmania: Derek Flint (James Coburn), Matt Helm (Dean Martin), mas nenhum deles foi muito longe. O filme de Feldman ainda conseguiu chamar a atenção o suficiente para ser ao menos indicado ao BAFTA (o Oscar dos ingleses), o Grammy (na categoria de melhor trilha sonora) e o Oscar de 1968 (a canção “The Look of Love”).  Por isso tudo, embora não seja considerado parte oficial da cine-série, esta primeira versão de “Cassino Royale” merece um revisionismo. E ainda prova que o apelo da criação de Ian Fleming sobrevive a várias interpretações.

BOND VOLTA EM ALGUNS DIAS AO BLOG COM “OO7 A SERVIÇO DE SUA MAJESTADE”.