GRANDE ESTREIA: X MEN FÊNIX NEGRA

          Este ano o gênero super herói teve um excelente encerramento com “Vingadores Ultimato”. Esse novo filme dos heróis mutantes, o sétimo da franquia da FOX iniciada em 2000, não trilha o mesmo caminho por muitos motivos: A compra da FOX pela Disney, as refilmagens e adiamentos seguidos, a condensação de uma saga que caberia em uma trilogia dentro de cerca de 1 hora e 53 minutos de projeção e o fato de que é uma segunda adaptação.

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           Em 2006 Bryan Singer trocou o terceiro filme da franquia pela oportunidade de fazer “Superman Returns” para a Warner. Brett Ratner assumiu o comando do terceiro filme da equipe mutante que mistura elementos da saga da Fênix Negra com o arco de história “Surpreedentes XMen” onde cientistas encontram uma possível cura para a mutação genética. Praticamente eram dois arcos que poderiam ser abordados em filmes separados e com seus respectivos atrativos diluídos de tal forma que o resultado acabou sendo desastroso. O curioso é que o roteiro desse capítulo 3, batizado “The Last Stand”, foi escrito pelo mesmo Simon Kinberg que agora assina a história e a direção de “Dark Phoenix”. Parece pouco sensato revisitar a mesma história, insistindo no mesmo erro de aproveitar uma pequena premissa de uma história maior, e uma das melhores vinda dos quadrinhos desses populares heróis criados em 1963 por Stan Lee e Jack Kirby.

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        Para quem é leitor de longa data da Marvel sabe que a natureza dos personagens foi mudada em favor de estrategias do mercado cinematográfico. Mística aparece como a líder da equipe já que Jennifer Lawrence é uma estrela de primeira grandeza nas telas, e assim como a trilogia inicial, resta pouco ou quase nada para Ciclope ou Tempestade, até porque suas inserções no filme anterior “X Men Apocalipse” (2016) foram mal planejadas em um filme cheio de equivocos apesar de trazer no elenco James MacAvoy e Michael Fassbender, excelentes em seus papeis antagônicos de Xavier e Magneto.

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         Sophie Turner (que recentemente também se despediu de sua personagem de “Game of Thrones”) veste bem sua personagem, herdada de Famke Jansen, mas sofre com um roteiro que não aproveita nem 20 por cento da história original, uma saga com todos os elementos atrativos do gênero, que se fosse bem adaptada se iguala a saga de Thanos. Nos quadrinhos o arco começou quando Chris Claremont assume as histórias dos X Men em 1975, a principio com os desenhos de Dave Cockrum, e depois com o artista John Byrne. O que eles fizeram foi explorar todo o potencial de Jean Grey, a primeira heroína mutante, que a principio atendia pelo nome de Garota Marvel. Seus poderes mentais alcançam escala cósmica quando Jean salva os seus companheiros de equipe de uma aventura no espaço quando entra em contato com a força Fênix, uma entidade super poderosa. Transformada na Fênix, Jean salva o universo da destruição total por uma galáxia de neutrons, quando os mutantes são enviados à distante galáxia Shiar. Seu heroísmo acaba levando à premissa de que se o poder corrompe … bom, influenciada pelo Mestre Mental, membro do Clube do Inferno, uma sociedade secreta, Jean vai se tornando cada vez mais descontrolada até finalmente assumir-se como a Fênix Negra. Jean viaja para outra galáxia, mergulha em uma estrela consumindo-a, assim como toda a vida no setor. O que se segue é uma batalha épica aprofundada pelo dilema que questiona se a vida de um é mais importante que a vida de bilhões.

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             Impossível esquecer o impacto do arco de 1980 (Uncanny X Men #129 / #138)  que no Brasil chegou ao seu clímax nas páginas de “Grandes Heróis Marvel #7” , da Editora Abril em fevereiro de 1985. Lembro bem do choque em ver o corpo de Jean sem vida nos braços de seu amado Ciclope. Justamente por ter sido um arco longo os leitores se envolveram de tal forma que era impossível não sentir o pesar de Ciclope ou o desespero de Xavier para tentar salvar sua pupila, devidamente anunciada na época como a maior história de todos os tempos.

         No filme de Simon KInberg a trilha sonora ficou a cargo de Hans Zimmer, que foi responsável pelos temas de Batman, Superman, Homem Aranha e Mulher Maravilha. Zimmer já havia anunciado que não pretendia trabalhar mais com filmes de super herois mas foi convencido por Kinberg a voltar atrás. Curiosamente, o filme acontece no ano de 1992, mesmo ano de lançamento da série animada dos X Men, que fez melhor adaptação da saga da Fênix Negra. Não procurem por Wolverine pois o personagem não é usado já que Hugh Jackman já se aposentou oficialmente do papel depois de Logan (2017). Jessica Chastain faz o papel misterioso, aparentemente tentando influenciar Jean tal qual o Mestre Mental nas hqs originais. O filme será o último da franquia que certamente será rebootada pelo MCU dentro de alguns anos. Por isso, melhor se preparar para a despedida, para a morte de personagens, mas lembrando sempre que de acordo com a lenda, a Fênix renasce das cinzas.

ESTREIAS NO CINEMA: 17 DE JANEIRO

VIDRO

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(Glass) EUA 2019. Dir:M.Night Shymalan. Com James McAvoy, Samuel L.Jackson, Bruce Willis, Sarah Poulson, Anya-Taylor Joy. Ação/Suspense.

Quando assisti “Corpo Fechado” (Infeliz tradução para o original “Unbreakable”, algo como “Indestrutível”) não imaginei que a criativa história do indiano M.Night Shymalan poderia ter algum desdobramento. Então veio o excelente “Fragmentado” e eis que no encerramento surge David Dunn (Willis) apontando a ligação entre os filmes e anunciando o atual “Vidro”. Depois de vários fracassos seguidos (O Último Mestre do Ar, Fim dos Tempos, Depois da Terra), Shymalan retomou sua carreira mostrando que ainda era um bom contador de histórias e mostrando vigor para tratar de uma trama intricada embebida do velho embate do bem contra o mal típica de uma boa história em quadrinho. Depois dos eventos de “Fragmentado”, Kevin (McAvoy) vai parar em um sanatório onde encontra David Dunn (Willis) e Elijah, o Mr.Glass (Jackson), este último fazendo planos e manipulando tudo e todods com propósitos misteriosos. O filme está cheio de referências ao universo das histórias em quadrinhos e nas cenas que mostram lojas de quadrinhos observam-se várias hqs Marvel, além do fato de Samuel L.Jackson ser o Nick Fury e McAvoy ser o Professor Xavier. De qualquer forma, aconselho que se reassista “Corpo Fechado”, e depois “Fragmentado”, antes de se mergulhar no universo compartilhado de “Vidro”, até mesmo antes de julgar o trabalho de Shymalan que já foi chamado de sucessor de Hithcock, e com quem divide o hábito de aparecer em pontas nos filmes que dirige (atentem aqui para o guarda de segurança, e lá está ele). Foram 19 anos entre o primeiro filme e este, um projeto que quase teve Joaquin Phoenix no papel de Kevin Crumb na época em que Shymalan terminara “A Vila”. Bem vindo de volta Shymalan !

COMO TREINAR SEU DRAGÃO 3

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(How to Train Your Dragon :  The Hidden World) EUA 2019.  Dir:Dean Dubois. Com Jay Baruchel, America Ferrera, Gerard Butler, Cate Blanchet, Kit Harrington, Jonah Hill, F.Murray Abraham. Animação.

É impressionante o nível de excelência dessa trilogia, adaptada dos livros de Cressida Cowell. Muito aguardado depois dos eventos do segundo filme em que Soluço (Baruchel) teve que assumir a liderança dos Vikings, o filme atual é o capítulo final na jornada do herói, no processo de amadurecimento da dupla Soluço e Banguella, que aqui encontra uma namorada, uma Fúria da Luz enquanto um novo vilão ameaça a utopia homens e dragões instaurada por Soluço. O filme quase foi lançado ano passado, mas o estúdio Dreamworks encerrou sua parceria de distribuição com a Fox e passou para a Universal.  Preparem os lenços e as lágrimas pois apesar do humor e da ação, o filme finaliza o rito de passagem para essa dupla que conquistou o coração de todos, tendo por isso sido eleito a segunda animação mais aguardada para 2019, perdendo o primeiro lugar somente para “Toy Story 4”.

AMIGOS PARA SEMPRE

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(The Upside) EUA 2019. Dir:Neil Burger. Com Kevin Hart, Bryan Cranston, Juliana Margulies, Nicole Kidman. Drama.

Refilmagem americana do excelente filme francês “Intocáveis” (2011) com Bryan Cranston e Kevin Hart vivendo os papeis que foram de François Cluzet e Omar Sy. Dos mesmos produtores de “À Procura da Felicidade”, o filme de Neil Burger compartilha do mesmo otimismo frente a adversidades que unem pessoas de origens diferentes em torno das quais surge a amizade sincera. Inevitável comparação, a atual versão investe tempo em mostrar o lado dramático de Kevin Hart, mais contido aqui. De forma a impulsionar seu personagem o roteiro guarda algumas diferenças em relação ao Driss de Omar Sy. A história do milionário tetraplégico e de seu leal cuidador é baseado em fatos reais. Philip Pozzo e Abdell Sellou, os verdadeiros protagonistas dessa bela história, já serviram de material até para um documentário francês em 2003. A personagem de Yvonne, que no original foi vivido por Anne Le Ny, também funciona na trama de forma mais dinâmica na pele de Nicole Kidman que conseguiu um feito e tanto quando teve dois de seus filmes tornando-se grandes sucessos de bilheteria simultâneos (“Aquaman” e “Amigos Para Sempre”).

ESTREIAS DA SEMANA: 31 DE MAIO DE 2018

GNOMEU & JULIETA: O MISTÉRIO DO JARDIM

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(SHERLOCK GNOMES) EUA 2018. DIR: JOHN STEVENSON. COM JAMES McAVOY, EMILY BLUNT, CHWIETEL EJIOFOR, JOHNNY DEPP, MICHAEL CAINE. DUBLAGEM BRASILEIRA: DANIEL MACHLINE, ERIKA MENEZES, ALEXANDRE MORENO, GUILHERME BRIGGS. ANIMAÇÃO.

O PRIMEIRO “GNOMEU & JULIETA” DE 2011 FOI MUITO DIVERTIDO, CRIATIVO AO FAZER DE GNOMOS DE JARDIM VERMELHOS E AZUIS REPRESENTAÇÕES SHAKESPEAREANAS AO SOM DE UMA TRILHA POP REPLETA DE SUCESSOS DE ELTON JOHN, TAMBÉM PRODUTOR DO LONGA ANIMADO. AGORA, VÁRIOS DE SEUS AMIGOS GNOMOS ESTÃO DESAPARECENDO E O CASAL PEDE A AJUDA DO DETETIVE SHERLOCK GNOMES (JOHNNY DEPP), QUE EM NOSSA DUBLAGEM GANHOU A EXCELENTE VOZ DE ALEXANDRE MORENO, UM DOS MELHORES DE SUA PROFISSÃO. CLARO QUE OUTROS HITS DE ELTON JOHN SÃO OUVIDOS AO LONGO DA PROJEÇÃO E SERÃO MELHOR APRECIADOS PELOS PAIS DO QUE PELAS CRIANÇAS. A MUDANÇA DE ARES PARA LONDRES E A PRESENÇA DO HOLMES GNOMO TAMBÉM FUNCIONA MELHOR PARA O PÚBLICO FIEL LEITOR DO ELEMENTAR DETETIVE DE CONAN DOYLE, ASSIM PARA ENTENDER MELHOR CERTAS PIADINHAS QUE O PÚBLICO GERAL NÃO VAI. NO FINAL, É OUVIDA A VOZ DE SHAKESPEARE, DUBLADO ORIGINALMENTE POR PATRICK STEWART (CAPITÃO PICARD DE STAR TREK E PROFESSOR XAVIER DE X MEN), MAS RECONHECER SUA VOZ FICA IMPOSSIVEL NAS CÓPIAS DUBLADAS. DE QUALQUER FORMA, É UM PROGRAMA AGRADAVEL PARA A FAMÍLIA ASSISTIR EM MEIO AO CLIMA TENSO DA GREVE QUE TEM ASSOLADO O PAÍS.

NÃO SE ACEITAM DEVOLUÇÕES

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BRA 2018. DIR: ANDRE RAMOS. COM LEANDRO HASSUM, LAURA RAMOS, ZEU BRITTO, MARCELA KHFOURI. COMÉDIA.

DONO DE UM QUIOSQUE EM GUARUJÁ, QUE VIVE UMA VIDA BOÊMIA, É VISITADO PELA EX-NAMORADA QUE O DEIXA COM A GUARDA DA FILHA ATÉ QUE ELE RESOLVE DEVOLVÊ-LA À MÃE. ENTÃO, ELE COMEÇA A DESPERTAR PARA O SENTIMENTO PATERNO E REPENSA TODA SUA VIDA. REFILMAGEM DO MEXICANO “NÃO ACEITAMOS DEVOLUÇÃO” (2013), QUE JÁ HAVIA GANHADO UMA REFILMAGEM FRANCESA (UMA FAMILIA DE DOIS) EM 2016 ESTRELADO POR OMAR SY. ADAPTADO PARA O HUMOR BEM BRASILEIRO COM HASSUM MAIS CONTIDO DO QUE O HABITUAL COMO FORMA DE CONDUZIR A MISTURA CERTA DE HUMOR E DRAMA.

GRANDE ESTREIA : 17 DE MAIO DEADPOOL 2

            Desde sua primeira aparição em 1991 (The New Mutants #98), o mercenário tagarela Deadpool tem crescido sua popularidade, ganhando espaço muito além do papel de mero coadjuvante dos heróis mutantes da Marvel. Seu estilo debochado, não convencional, dialoga com o leitor quebrando a quarta parede, a barreira imaginária que separa o público da ficção. Nas hqs, e depois no cinema, o público parece ter se identificado com seu tom caótico e demolidor que não se preocupa tanto em salvar o mundo quanto em tirar um sarro de tudo e de todos, até de si mesmo.

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          Quando Fabian Nicieza e Rob Liefield criaram o personagem plagiaram descaradamente o vilão Exterminador da rival DC Comics, seja no visual ou em seu nome Wade Wilson (corruptela de Slade Wilson da outra editora). Desde sua primeira aparição nas hqs, que no Brasil se deu em “X Men” #72 (1994) pela Editora Abril, o personagem se destacou deixando claro que ele pode ser super, mas está longe de ser um herói, conforme afirma no início do primeiro filme de 2016. Deadpool foi o último improvável sobrevivente de um experimento que tenta recriar o  fator cura de Wolverine, do qual aceitou participar por conta de um câncer terminal que o deixa com nada a perder. Sua agilidade e força não o torna um digno defensor da lei, mas faz dele um mascarado aventureiro desprovido do altruísmo típico do gênero, e cujo sucesso se deve justamente por seus deméritos morais e língua assumidamente chula.

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         Tais características estavam completamente ausentes quando Ryan Reynolds apareceu em “XMen Origens: Wolverine” (2009), fosse no visual ou na insanidade desenvolvida depois que seu rosto foi desfigurado no processo que lhe deu poderes. O ator canadense estava, no entanto, planejando um filme do personagem desde 2004, mas a Twentieth Century Fox acabou engavetando o projeto, temerosa pelo conteúdo adulto pretendido. Um filme nesses moldes seria um risco pois reduz o alcance das bilheterias; e assim, Reynolds acabou assinando com a Warner para o papel central de “Lanterna Verde” (Green Lantern) em 2011. Se o filme do herói verde da DC Comics tivesse dado certo, o contrato de Reynolds teria emendado sequências, o que teria atrapalhado bastante um filme do mercenário tagarela da Marvel. Na época, Reynolds declarou que tudo era possível e que assim como Harrisson Ford fazia Han Solo e Indiana Jones, ele poderia também viver dois heróis de estúdios concorrentes. O fato é que o fracasso de “Lanterna Verde” foi bom para que Reynolds retomasse o projeto de fazer Deadpool, e como teria nas mãos um orçamento modesto, estimado em torno de US$58 milhões, as pressões do estúdio seriam menores e dariam a Reynolds controle maior sobre o projeto. O diretor Tim Miller, egresso dos efeitos visuais, faria sua estreia na cadeira, que chegou a ter o nome de Robert Rodriguez atrelado ao projeto.

 

          A trama do filme, lançado em 2016, é narrada em flashback respeitando os elementos que conferiram ao personagem a popularidade nas hqs: violência, mordacidade nos diálogos, metalinguagem, nenhuma pretensão de ser sério e uniforme idêntico aos quadrinhos originais. Em sua história de vingança contra o mutante Ajax (Ed Skrein), responsável pela transformação de Wade, ainda desfilam pela tela a bela Vanessa, garota de programa e amada de Deadpool, papel desempenhado pela brasileira Morena Baccarin. O filme mantém ainda relação com o universo dos heróis mutantes com a presença do herói russo Colossus, através da captura de movimentos do ator Stefan Kapicic, e a cômica e infame tirada de Deadpool sobre o Professor Xavier ser Patrick Stewart e James McAvoy. O roteiro não faz concessões, sobrando até farpas para o filme do Lanterna Verde, e dessa forma se mostra fiel ao material impresso da Marvel com direito à costumeira presença de Stan Lee em uma de suas aparições cameo, desta vez como um MC no clube de strip. Lee virou símbolo da cultura pop, e “Deadpool” atinge em cheio ao público jovem que compareceu em peso às salas de exibição com um lucro acima de US$300 milhões na bilheteria.

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          A sequência veio a ser anunciada antes mesmo da estreia do filme de 2016, que ainda teve o feito de ganhar prêmios como o “Saturn Awards” (2016), prêmio dado aos filmes do gênero fantasia e ficção científica, o “Critics Choice Award” (2016), o “MTV Movie Award” (2016), o “People’s Choice Award” (2016) e outros. A direção do segundo filme ficou com David Leitch (Atômica), ex-coordenador de dublês, depois que Tim  Miller saiu do cargo devido a desentendimentos com Ryan Reynolds. O papel do mutante Cable (nas hqs este é filho de Ciclope e Jean Grey) quase ficou com Brad Pitt, mas foi para as mãos de Josh Brolin, o intérprete de Thanos no recente sucesso “Vingadores: Guerra Infinita”. A presença de Brolin, ator que foi parte do clássico “Goonies” (1985) rende uma piada inevitável do mercenário tagarela que o chama de “Willy Caolho”, referência ao pirata do filme dos heróis mirins do filme de Spielberg. A presença do personagem Cable reforça rumores de que a Fox planeja um filme da “X Force”, equipe mutante liderada por Cable nas hqs. Dos quadrinhos originais o filme ainda traz a mutante Dominó (Zazie Beetz), o vilão mutante Black Tom Cassidy (Jack Kesy) e os retornos de Morena Baccarin e Brianna Hilderbrand como a adolescente Missil. Outro atrativo é a presença do popular ator Terry Crews, sempre reconhecido como o Latrell de “As Branquelas” (2004).  Os bastidores do filme, no entanto,  tiveram uma tragédia: a morte da dublê Joi Harris em Agosto de 2017 em acidente de moto durante as filmagens.

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           O personagem de Reynolds não se permite abater, e o filme retoma o tom jocoso do anterior como no cartaz promocional parodiando o clássico “Flashdance” (1983), e ainda trouxe para a trilha sonora Air Supply, A-Ha, Cher, e a icônica Celine Dion que gravou um divertido videoclipe com a presença do mascarado desbocado. Com orçamento estimado em torno de US$100 milhões para essa segunda aventura, já está previsto um terceiro filme para 2020, o que a julgar pela expectativa do público não será nenhuma surpresa reencontrar esse anti-herói, que como o próprio se auto-define no primeiro filme, é apenas um cara mau que luta contra caras piores ainda. A diversão está garantida, com luzes, câmera, ação e risos.

 

PANTERA NEGRA:A COR DO HEROÍSMO

Na cerimônia de entrega dos Golden Globes deste ano Oprah Winfrey tornou-se a primeira atriz negra agraciada com o prêmio Cecil B DeMille, ocasião que aproveitou para lembrar do impacto da premiação em 1964 quando Sidney Poitier ganhou o Oscar de melhor ator por “Uma Voz nas Sombras”. Era a época da luta pelos direitos civis, um ano depois do histórico discurso “I have a dream” de Martin Luther King, nove anos depois da costureira Rosa Parks ousar dizer não a um ato de segregação racial, e um ano antes do assassinato do ativista Malcom X. Se esses representaram a luta pela igualdade racial no mundo real, faltava um símbolo que trouxesse a questão para o campo da ficção. Coube a Stan Lee e Jack Kirby a criação do Pantera Negra, primeiro super herói das HQs.

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          É verdade que antes do Pantera Negra, já existia o Lothar, braço direito do mágico Mandrake (1934) de Lee Falk, mas a imagem era por demais estereotipada. Em 1947 foi publicado a revista “All-Negro comics” com os personagens Ace Harlem e Lion Man, mas esta ficou restrita ao numero um. Em 1954 ainda houve “Waku, Príncipe dos Batu”, da Timely Comics (Antecessora da Marvel), mas poucas histórias do personagem foram publicadas no título “Jungle Tales”. O Pantera Negra quebrou essas barreiras, pois mostrava um homem negro com super poderes e inteligência extraordinária, herdeiro do trono da fictícia nação africana de Wakanda. Sua primeira aparição foi na edição #52 do “Quarteto Fantástico”, de Julho de 1966, na qual somos apresentados ao príncipe T’Challa, um homem culto (foi educado nas melhores escolas da Europa e América) que precisou superar o desejo de vingança quando seu pai, o Rei T’Chaka foi morto pelo vilão Garra Sônica, que planeja se apoderar do valioso metal Vibranium, existente apenas em Wakanda.

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         Dois meses depois da criação do personagem foi fundado o Partido dos Panteras Negras, grupo extremista que por causa 20 anos confrontou a polícia e demais instituições na luta contra atos racistas. Temendo qualquer associação inicial Stan Lee chegou a rebatizar o personagem de “Black Leopard”, mas não demorou muito para reverter para o nome original. Depois de sua aparição inicial, o personagem ingressou nos Vingadores, levando a ganhar o título “Jungle Action featuring The Black Panther” a partir de 1973.

Pantera Negra no Brasil

    Em 1969 Pelé marcou seu milésimo gol pelo Santos derrotando o Vasco no Maracanã marcando 2 a 1. Era um negro alcançando um marco nos esportes, no mesmo ano em que Grande Otelo venceu como melhor ator no Festival de Brasília por seu papel em “Macunaíma”. Em meio a essas conquistas chegou a nossas bancas a revista “Homem de Ferro & Capitão América” #19 trazendo a história “The Claws of the Panther” originalmente publicada em “Tales of Suspense” #98. Foi o primeiro contato do leitor brasileiro com o príncipe T’Challa. Somente em 1974, a clássica história publicada originalmente no título do Quarteto Fantástico chegaria no Brasil na revista do “Homem Aranha” # 66, pela editora Ebal. Muitos anos depois, o personagem ganhou maior destaque no Brasil quando os heróis Marvel começaram a ser publicados pela Editora Abril a partir de “Superaventuras Marvel” #7 (Janeiro 1983). A Princesa Shuri, a irmã do Pantera Negra só seria conhecida a partir de 2005 quando o escritor Reginald Hudlin e o desenhista John Romita Jr assumiram um novo título para o heroi. Nos quadrinhos T’Challa é voltado para a ciência enquanto Suri é mais voltada para as crenças espirituais de seu povo. No filme os papeis foram invertidos fazendo de Shuri uma inventora e levando T’Challa a dimensão espiritual onde se comunica com seu pai falecido. Outro momento marcante do personagem no Brasil é a história do casamento do herói com a Tempestade dos X Men nas páginas de “Marvel Action” #8 (Agosto de 2007). Mais tarde, a Marvel reverteria tudo separando os personagens.

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Outros Herois Negros

       Com o caminho aberto pelo Pantera, outros super heróis negros seriam lançados: Em 1969 Sam Wilson, o Falcão tornou-se o parceiro do Capitão América, chegando a substituí-lo recentemente. Em meio a Blackexplotation (série de filmes com elenco e equipe essencialmente com artistas negros) surgiu o icônico detetive Shaft, interpretado por Richard Roundtree em 1971, e revivido por Samuel L.Jackson em 2000. Em 1972 a Marvel publicou “Luke Cage Hero For Hire”, que chegou ao Brasil um ano depois pela editora Górrion. Nesta ocasião, enquanto Luke Cage tinha o poder de ser incrivelmente forte e de pele indestrutível, na vida real o boxeador Muhammed Ali suportou 12 assaltos com o maxilar quebrado em luta contra Ken Norton. Em 1979, a DC Comics chegou a publicar a icônica história “Superman Vs Muhammed Ali”. A mesma editora contribuiu com dois personagens de peso: Em 1972 surgiu John Stewart o primeiro Lanterna Verde negro (extremamente popular na animação da “Liga da Justiça”) e em 1977 surgiu Raio Negro que viria mais tarde a ingressar na Liga da Justiça. Entre as heroínas, a Marvel tinha a mutante Tempestade (1975) e a rival DC tinha Vixen (1978) capaz de mimetizar as habilidades de vários animais. Nos anos 80 estrearam a “Capitã Marvel” (1982) e Cyborg (1980) que originalmente fazia parte dos Titãs, e depois foi reformulado para a Liga da Justiça. Um dos personagens mais populares nos anos 90 foi o “Super Choque” (Static), criado pelo roteirista Dwayne McDuffie em 1993, e que chegou a ter uma animação de sucesso na TV. McDuffie juntou-se a vários artistas afro-americanos e criou um universo de personagens negros na editora Milestone.

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          Os quadrinhos contribuíram com uma respeitosa representação étnica, mas devemos nos lembrar que o meio reflete os esforços de artistas desbravadores como a atriz Hattie MCDaniel que foi a primeira negra a ganhar um Oscar (atriz coadjuvante) em 1939 por “E O Vento Levou”, a gravadora Motown quer abriu espaço para artistas como Michael Jackson, Isaac Hayes, Marvin Gaye, ou em tempos mais recentes atores como Samuel L.Jackson, Morgan Freeman, Viola Davis, Idris Elba, Whopi Goldberg, Halle Berry, Denzel Washington entre outros. Sua voz e a nossa são uma só, a de nos lembrar que seja na ficção ou na vida real somos iguais, humanos, e precisamos ser super heróis para vencer o racismo e fazer todo o mundo lembrar que se ébano ou marfim, o equilíbrio real é conviver com as diferenças.

ESTREIAS DA SEMANA: 24 DE NOVEMBRO DE 2017

O CIRCUITO COMERCIAL AINDA ESTÁ SOB O EFEITO DOS HEROIS DC & MARVEL JÁ QUE MUITAS SALAS CONTINUAM A EXIBIR O RECENTE “LIGA DA JUSTIÇA” E OUTRAS AINDA TRAZEM “THOR RAGNAROK”. O FILME QUE REUNE OS SUPERAMIGOS ALCANÇOU NUMERO SURPREENDENTE DE ESPECTADORES NO BRASIL, EMBORA NOS ESTADOS UNIDOS ESTEJA ABAIXO DO DESEJADO PARA PAGAR SEU INFLADO ORÇAMENTO. EM MEIO A OUTROS LANÇAMENTOS MENORES, RECEBEMOS UMA COMEDIA JÁ NO CLIMA NATALINO (PAI EM DOSE DUPLA) E UM SUSPENSE COM MICHAEL FASSBENDER (O MAGNETO DE “XMEN APOCALIPSE) E A BELA REBECCA FERGUSON.

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(Daddy’s home 2) EUA 2017. Dir:Sean Anders. Com Will Farrell, Mark Whalberg, Linda Cardelini, Mel Gibson, John Lihtgow, John Cena,  Alessandra Ambrosio. Comedia.

Vendo os elogios que a crítica em geral tem feito a John Lithgow lembro do ator em papel central na sitcom “Third Rock From The Sun” na década de 90. No papel do pai de Brad (Will Farrell), Lithgow dá um show de comicidade, sendo uma grata adesão ao elenco dessa sequência ao grande sucesso de 2016. Os pais Brad (Farrell) e Dusty (Walbergh) deixaram a rivalidade no final do primeiro filme e se tornaram amigos. Essa amizade está sendo ameaçada por muita confusão quando, no Natal,  a família recebe os avôs Kurt (Gibson) e Don (Lithgow) de personalidades diametralmente opostas. O primeiro é bocudo e machista, enquanto o outro é sensível e emotivo.

BONECO DE NEVE

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(The Snowman) EUA 2017. Dir: Thomas Alfredson. Com Michael Fassbender, J.K.Simmons, Toby Jones, Val Kilmer, Rebecca Fergusob, Chloe Sevigny. Suspense.

Detetive investiga o desaparecimento de mulheres casadas sempre ao cair da primeira neve. Sua única pista é um cachecol deixado em um boneco de neve feito pelo serial killer. Produção de Martin Scorcese, que quase também o dirigiu, mas deixou o projeto para o diretor de “O Espião que Sabia Demais”, de origem sueca. Este é a sétima incursão do detetive Harry Holes (Fassbender), protagonista de uma série de livros de mistério do autor norueguês Jo Nesbo. Destaque para a bela atriz sueca Rebecca Ferguson (Missão Impossivel 5, Vida) que faz o interesse romântico do policial.

LOGAN – O ADEUS AO BOM E VELHO WOLVERINE

                 A visita do ator Hugh Jackman ao Brasil para divulgar o lançamento de “Logan”, sua despedida do papel que lançou sua carreira de sucesso, deixa um lamentável gosto para os fãs que periodicamente viram o ator empunhar suas garras  desde seu batismo de fogo em 2000 quando Bryan Singer dirigiu o primeiro filme X-Men para a FOX.

incredible_hulk_vol_1_181NAS PÁGINAS DAS HQS: O personagem Wolverine, contudo, teve sua primeira aparição na última página da edição “The Incredible Hulk #180”, de outubro de 1974, escrito por Len Wein e desenhado por Herb Trimpe, embora seu visual tenha sido criado por John Romita Sr. Na edição seguinte, já vem na capa partindo para cima do Hulk, uma amostra da selvageria que seria característica do personagem, que nunca se intimidou perante qualquer adversário. O mutante canadense não tem seu passado mostrado nessas edições, mas já deixa registrado sua agilidade, força e carisma com o qual veio conquistando admiradores. Wein havia recebido do editor Roy Thomas o pedido de criar um personagem não americano, como forma de ampliar as fronteiras do universo Marvel. Partiu de Thomas o uso do nome Wolverine e Wein pesquisou sobre este, um mamífero de temperamento agressivo, peludo e com garras que em nossos dicionários aparece com o nome de … Carcaju ! Meses depois, em maio de 1975, o herói integra a equipe dos heróis mutantes da Marvel na histórica edição “Giant Size X Men #1”. Coube ao desenhista Dave Cockrum dar os traços ao rosto do personagem sem máscara, explorando sua ira incontida e a confusão de suas memórias adormecidas, em histórias continuadas por nomes como John Byrne, Barry Windsor-Smith, Paul Smith e John Romita Jr.

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A IMPRESSIONANTE ARTE DE BARRY WINDSOR SMITH

       Com o personagem crescendo em popularidade, normal que a Marvel fosse gradativamente explorar seu passado obscuro com lapsos de sua história ligada ao serviço secreto canadense, quando foi chamado de Arma X, teve o adamantium implantado em seus ossos, enfrentou desde invasores alienígenas até a máfia japonesa e veio a ser o primeiro membro dos X Men a ganhar título próprio (Wolverine #1) em novembro de 1988. Todo esse sucesso teve o revés da super exposição e, logo, os roteiristas usaram e abusaram do personagem nas décadas seguintes: Teve o adamantium retirado de seu corpo por Magneto, descobriu que suas garras são ósseas, teve seu fator cura inibido, recuperou poderes e o adamantium, participou de uma formação do Quarteto Fantástico  e entrou para os Vingadores, e até inspirou a criação de “Garra das Trevas”, uma fusão entre Batman & Wolverine no universo Amalgama, um projeto conjunto entre a DC e a Marvel na década de 90 que misturava os personagens de ambas as editoras.

O HEROI DE CARNE, OSSO E GARRAS DE ADAMANTIUM: A primeira aparição live-action do personagem se deu em 2000 quando a Fox lançou o filme “X Men”. Na época o ator Dougray Scott havia sido escolhido para o papel, mas este filmava “Missão Impossivel 2” e estava indisponível para o início das filmagens. Jackman, então com 32 anos vinha de pequenos papeis na Tv e foi o último a se apresentar para os testes. Apesar da diferença na altura (nas HQs o personagem tem aproximadamente 1,60m e o ator tem de 1,89 m), o talentoso australiano mostrou que podia incorporar o espírito do mutante invocado e se tornou o centro das atenções, mesmo contracenando com monstros sagrados como Patrick Stewart e Ian McKellen. Foi no segundo filme, no entanto, de 2003 que Jackman pode mostrar o quanto havia entendido do personagem.

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         “XMen2” foi inspirada pelos eventos narrados por Barry Windsor-Smith em sua HQ “Arma X”, publicada em 1991. Nela os implantes de memória e a experiência com o adamantium são apresentados respondendo algumas perguntas, na mesma medida que cria outros mistérios em torno de seu passado, claramente cheio de passagens obscuras já que seu fator cura retarda seu processo de envelhecimento. A infância do herói e outros detalhes de sua juventude só seriam mostradas na HQ entitulada “Origem”  , de 2001, escrita por Paul Jenkins e desenhada por Andy Kubert. Desta HQ, os produtores da Fox se utilizaram de alguns elementos para o primeiro filme solo do herói “XMen Origens: Wolverine” de 2009, que o coloca contra seu arquiinimigo, o mutante Dentes de Sabre, que fora mal aproveitado no primeiro filme dos XMen. Apesar da tentativa, o roteiro de David Benioff e Skip Woods não soube aproveitarcorretamente o material das HQs e ficou abaixo do esperado pelos fãs. Em “XMen3 : O Confronto Final”, de 2006, o herói assumiu papel central na trama, mas os roteiristas Simon Kinberg e Zak Penn misturaram elementos de duas sagas distintas dos mutantes (a saga da Fênix e a Cura) e acabaram sub aproveitando todos os personagens e levando a história a um beco sem saída com a morte de três personagens importantes.  Depois de uma rápida aparição em “XMen Primeira Classe” (2011) veio o segundo filme solo “Wolverine Imortal” (2013) que adapta a clássica mini-série da década de 80, de Chris Claremont e Frank Miller. Nela, Wolverine vai ao Japão, se apaixona e vive um dilema de honra que o coloca no caminho da máfia japonesa. Em 2014, o mutante canadense torna-se mais uma vez o centro das atenções de “XMen: Dias de um Futuro Esquecido” (2014) e volta ao filme seguinte “XMen Apocalipse” (2016) apenas como uma ponta não creditada. Chegamos então ao atual filme, dirigido por James Mangold (que dirigira também “Wolverine Imortal”, trazendo o canto do cisne de Jackman na pele de Wolverine. A história se baseia em “Old Man Logan” de Mark Miller e Steve McNiven, publicada originalmente entre 2008 e 2009. O personagem aparece envelhecido, casado e com filhos. Como a história envolve outros personagens do universo Marvel, dos quais a Fox não detêm os direitos, o filme novo usa a história de Miller apenas como uma base para uma direção nova. Quem, no entanto será notada, é X23, que surgiu no universo Marvel como um clone feminino de Wolverine.

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O NOVO FILME: O ADEUS AO PERSONAGEM

           Dificilmente, a FOX encontrará um outro ator para preencher a vaga de Jackman. O talento deste está marcado nos filmes do gênero como um dos poucos casos em que personagem e intérprete estão automaticamente associados. Podemos rezar, contudo, que o fator cura nos dê algum dia uma nova aventura com Jackman a frente do personagem que vestiu tão bem, mostrando que um fator X deve de fato existir, em algum lugar.

ESTREIAS DA SEMANA: A PARTIR DE 12 DE JANEIRO DE 2015

ASSASSIN’S CREED – O FILME

(Assassin’s Creed – The Movie). EUA 2017. Dir: Justin Kurzel. Com Michael Fassbender,  Marion Cotillard, Jeremy Irons, Brendan Gleson, Charlotte Rampling. Fantasia / Aventura.

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       Adaptação de famoso video game que começou como um spin-off (produto derivado) do jogo “Principe da Persia”, antes de iniciar série própria. O protagonista da trama é Desmond Miles, que descobre fazer parte de uma seita milenar de assassinos que remonta a época das cruzadas, dos cavaleiros templários e avança eras adentro. Utilizando tecnologia especial, a Animus, Desmond acessa a memória de seus ancestrais, revivendo eventos históricos na busca de um fruto místico que pode remover o livre arbítrio das pessoas.  A trama foi retirada do primeiro jogo, mas com algumas mudanças que os já iniciados sentirão: O protagonista da história vivido por Michael Fassbender (Magneto de “XMen – Apocalipse”) é rebatizado Callum Lynch, o Animus (a máquina usada para acessar a memória genética) deixa de ser uma espécie de mesa para se tornar um tipo de guindaste ligado ao corpo de Lynch. Seguindo essa linha narrativa, o filme faz constantes indas e vindas no tempo que podem ficar cansativas para os não iniciados na historia. O elenco coadjuvante traz medalhões como a sempre maravilhosa Marion Cotillard, o excelente Jeremy Irons, entre outros. Os roteiristas Adam Cooper e Bill Collage (Exôdo – Deuses & Reis) criam um filme movimentado, mas que não agradou ao público geral uma vez que seu orçamento foi de mais de US$ 100 milhões e a bilheteria ficou até agora em torno de US$ 31 milhões, apontando para mais uma adaptação esforçada mas decepcionante perante o público. A tentativa de criar uma franquia de filmes deve não ser levada adiante mediante o fracasso do filme, deixando os fans com os games e a bem sucedida série de livros, publicada pela Penguim desde 2009.

 

ESTREIAS DA SEMANA: A PARTIR DE 5 DE JANEIRO DE 2017

A PRIMEIRA SEMANA DO ANO TRAZ NAS TELAS UMA ANIMAÇÃO DISNEY , UMA AVENTURA DE FICÇÃO CIENTÍFICA E UM FILME DE TERROR ENTRE AS ESTREIAS PROGRAMADAS. FÉRIAS NO CINEMA PARA TODOS OS GOSTOS QUE VOCÊ VAI CONFERIR ABAIXO:

MOANA – UM MAR DE AVENTURAS

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(Moana) EUA 2016. Dir: John Musker & Ron Clements. Vozes de Auli’i Carvalho, Dwayne Johnson, Jemaine Clement. Animação.

A Jovem Moana Waialiki é descedente de uma linhagem de navegadores e compartilha com estes do mesmo fascínio pelos mares, seu próprio nome em havaiano significa oceano. Em sua jornada épica se junta o semideus Maui (Johnson) que a ajudará a salvar a ilha onde mora. A animação da Disney é a terceira a ter sido lançado nos Estados Unidos no ano passado (Zootopia e Procurando Dory foram as anteriores) e chega às nossas telas como uma das primeiras estreias em circuito comercial em 2017. A jovem havaiana Auli’l Carvalho foi descoberta para dublar a nova heroína da Disney (na versão brasiliera voz de Any Gabrielly de 14 anos). Os diretores (os mesmos de “A Pequena Sereia” , “Aladim” e “A Princesa & O Sapo”) decidiram criar uma princesa que representasse uma novo biótipo e optaram por uma princesa polinésia, vinda dos mares do sul. Dwayne Johnson, ainda reconhecido como “THe Rock” está no auge de sua popularidade e dá vida a um personagem com o qual compartilha uma origem em comum já que Johnson tem descendência polinésia. Mesmo que não seja o melhor do estúdio, Moana é um bom programa de férias.

PASSAGEIROS

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(Passengers) EUA 2016. Dir: Morten Tyldom. Com Chris Pratt, Jennifer Lawrence, Michael Sheen, Lawrence Fishburne, Andy Garcia. Ficção Científica.

O roteirista de “Prometheus” (2012) escreveu uma versão moderna de Adão e Eva: Uma espaçonave leva um grupo de pessoas para colonizar uma nova Terra, mas como a viagem é longa e demorará 90 anos precisam atravessar o espaço em estado criogênico, ou seja, sono profundo e congelados. Um deles acorda 30 anos antes do tempo previsto, e solitário, decide despertar a bela Aurora para fazer-lhe companhia. Ambos passarão por diversos questioanamentos a fim de decidiram se devem cumprir o destino planejado ou mudá-lo. O filme une Chris Pratt (Guardiões da Galaxia) e Jennifer Lawrence (XMen) – dois grandes astros do cinema contemporâneo como forma de agradar o público e compensar por associação não cumprida de que o filme venha divagar por questões existencialistas. O roteiro filmado, com luxuosa cenografia, se contenta em ser uma aventura espacial com uma história de amor vivida entre dois belos protagonistas, com papeis menores vividos pelos talentosos Fishburne e Garcia.

A DOMINAÇÃO

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(Incarnate) EUA 2017. Dir:Brad Peyton. Com Aaron Eckhart, David Mazouz, Carice Von Houten. Terror.

Exorcista paraplégico ajuda menino de 9 anos possuído por demônio que enfrentara no passado. Para isso se vale de uma habilidade peculiar – de entrar no subconsciente da vítima de possessão. O filme foi feito em 2013, mas só agora foi lançado no Brasil. Voltado para os amantes do terror.

 

BEST SELLERS : O LAR DAS CRIANÇAS PECULIARES

livro-o-orfanato-da-srta-peregrine-para-criancas-peculiares-ransom-riggs-5550356                  Que tipo de sentimentos evoca imagens como uma criança flutuando, outra se contorcendo com a cabeça entre as pernas ou um homem erguendo uma enorme rocha com uma única mão ?  Imagine que elas sejam parte de uma história e você se sentirá convidado a entrar em uma realidade mágica criada pela mente do escritor norte americano Ramson Riggs, hoje com 37 anos. Este reuniu uma variedade de fotografias antigas com a intenção de fazer um livro de fotos, mas acatou a sugestão de seu editor da Quirk books para usar as fotos para compor uma narrativa. Riggs foi hábil pois as fotos não são meramente ilustrativas, mas integram a história e seu impacto conduz o leitor pela bizarrice de algumas delas. O livro, que se passa durante a Segunda Guerra, é narrado em primeira pessoa pelo personagem Jacob, que depois que seu avô é morto em circunstâncias terríveis, viaja para uma ilha na costa do país de Gales, onde seu avô vivera. Lá encontra as ruínas de um orfanato, que no entanto existe em uma espécie de limbo temporal, é dirigido pela  misteriosa Sra Peregrine. As crianças do lugar não são comuns, e assim como Jacob, possuem habilidades especiais como invisibilidade, super-força, vôo, pirotecnia etc.. Apesar desses poderes, suas vidas estão em constante perigo pois há seres que caçam as crianças como o cruel Barron.

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A história de Riggs se desdobra em três livros, sendo “Hollow City” (Cidade dos Etéreos) o segundo, seguido de “Library of Souls” (Biblioteca das Almas). Sua essência se conecta com o discurso da aceitação das diferenças, mesclando fantasia e realidade mas não no sentido de criar uma fábula moralizante. As crianças peculiares estão mais próximas dos heróis mutantes do Professor Xavier, não casualmente já que Jane Goldman, a roteirista, foi a responsável pelos filmes “X Men Primeira Classe” e “X Men Dias de um Futuro Esquecido”, além de “Stardust”e “Kick Ass”. Talvez por isso pode-se encontrar paralelos do orfanato da Sra Peregrine com a Escola para jovens superdotados do Professor Xavier. Contudo, a medida que a história se desenvolve o leitor se vê mais próximo do universo mágico de Harry Potter. De qualquer forma, o livro de Ransom Riggs se conecta com o público jovem, mas tem essa habilidade de rejuvenescer o adulto, desde seu lançamento em 2012.

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O filme que estreia agora em nossas salas tem a assinatura de Tim Burton, que encontrou no material de Riggs um eco de sua atração pelo incomum. O próprio teria dito “Vocês têm certeza de que não fui eu quem escreveu esse livro?”. A Srta Peregrine do livro é uma mulher de mais idade e bem feia se comparada com Eva Green e seu olhar intimidador, atrevido. Os poderes de Emma (fogo) e Olive (flutuar no ar) estão invertidos no filme conforme pode ser visto na capa da edição da Leya. Também a idade de Olive (a mais jovem) e Bronwyn (a mais velha) estão invertidas. A personagem do Dr.Golan é um homem no livro, mas no filme é uma mulher. O final do livro é também diferente do filme e não criem muitas expectativas de ver Tim Burton na sequência, caso ela venha a ser feita. Burton não gosta de dirigir sequências de seus filmes e só abriu exceção em Batman (1989) e Batman O Retorno (1991). O diretor, de fato, dá sua assinatura visual a uma obra que parece ter sido escrita sob medida para ele, que empregou o mínimo de efeito digitais, preferindo efeitos mais físicos forjando assim a autenticidade necessária para nos fazer crer no sobrenatural, no mágico, que – acreditem se quiser – está onde menos se espera.

X MEN: APOCALIPSE

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Quando Stan Lee e Jack Kirby criaram os X Men o mundo vivia um momento de grandes diferenças sociais. Os Estados Unidos sofriam a turbulência decorrente da luta pelos direitos civis e das questões raciais que dividiam as pessoas. Que melhor metáfora para essa realidade que imaginar seres humanos segregados por nascerem com habilidades tão impressionantes que os colocam à parte da sociedade. São mutantes, são aberrações, são homens X, uma incógnita para representar os perseguidos, os desfavorecidos.

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O VILÃO APOCALIPSE NA CULTUADA ANIMAÇÃO DOS ANOS 90

Se Xavier (James MacAvoy) defende uma convivência pacífica entre o homo sapiens e o homo superior (como são chamados nas HQs os mutantes), Magneto (Michael Fassbender) é o desiludido com a paz e defende a luta armada e a supremacia de seus iguais. Ambos polos tão opostos quanto Martin Luther King e Malcolm X. Eis que surge Apocalipse (Oscar Issac) que assume um papel ainda mais radical defendendo violentamente que somente o mais forte deve sobreviver, ecos Darwinianos que impregnaram a gênese do vilão criado no final dos anos 80 por Louise Simonson no título “X Factor #6” (1986), uma equipe formada pelos primeiros mutantes recrutados por Xavier. O vilão nascido no Egito há milênios é o primeiro mutante nascido no mundo com habilidades transmorfas e imortal. Apocalipse, ou En Sabah Nur,  recruta mutantes para moldar suas mentes e habilidades para se tornarem suas armas ou como são chamados “os quatro cavaleiros do apocalipse” (Peste, guerra, fome e morte) referência aos guerreiros profetizados pelo apóstolo João no livro das Revelações. Tal simbologia é a justificativa para suas ações embasadas em noções distorcidas de pureza e erradicação que se entrelaçam ao caldo criativo das histórias dos X Men. Diferente da HQ original, os quatro cavaleiros do filme de Bryan Singer são Magneto (Fassbender), Psylocke (Olivia Munn), Tempestade (Alexandre Shipp) e Arcanjo (Ben Hardy).

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Assim como nos quadrinhos, Apocalipse já despertou outros vezes e desapontado com o mundo se coloca como juiz, júri e executor da raça humana que oprime os mutantes. Na década de 90, a Marvel Comics publicou o arco de histórias “A Era de Apocalipse” em que o vilão consegue dominar o mundo quando Xavier é morto criando uma linha temporal alternativa. Claro que o novo filme não chegará a abordar esse arco, longo demais. Em vez disso, os eventos seguirão os fatos apresentados após a viagem no tempo de Wolverine (agora com uma participação menor ) em “X Men : Dias de um Futuro Esquecido” (Days of Future Past), o filme anterior. Mais uma vez Mística (Jennifer Lawrence) precisa escolher um lado e sua presença na história ganha uma dimensão ainda maior graças ao prestígio de sua intérprete.

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Entre lutas e discussões superficiais sobre eugenia, “X Men Apocalipse” aproveita a inserção de novos mutantes (Psylocke, Jubileu), versões mais jovens de personagens como Jean Grey (Sophie Turner), Cyclope (Tye Sheridan), Tempestade (Alexandra Shipp) e trazendo a esperada calvice de Charles Xavier (James MacAvoy). O elenco ainda traz personagens que apareceram em “X Men Primeira Classe” (X Men First Class)  como a Dra Moira McTaggart (Rose Byrne) e Destrutor (Lucas Till, anunciado como o novo interprete de MacGyver).

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Claro que o número enorme de personagens pode prejudicar a compreensão dos não iniciados no universo das HQs, mas fazem a alegria dos nerds, como eu, que acompanharam décadas de histórias assinadas por artistas como Chris Claremont, Scott Lobdell, entre outros que desenvolveram conceitos e ideias nascidas da mente de Stan Lee  e Jack Kirby, esses sendo os verdadeiros mutantes com o poder ainda maior, o de criar um universo que saiu das páginas das HQs e ganha vida própria nas telas.

HQS NO CINEMA 2016 : DEADPOOL

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Confesso nunca fui fã de Deadpool, o mercenário tagarela (Merc with a Mouth), mas seu estilo anti-convencional e desbocado tem grande popularidade, o que justifica o investimento nessa produção, a primeira adaptação de HQs do ano, chegando ao fim da folia carnavalesca, o que parece até bem apropriado já que o mercenário “DEADPOOL” não segue regras, mas as rompe. Suas histórias ignoram o bom moçismo, o maniqueísmo esperado , rompem com qualquer limite e empregam o recurso da metalinguagem, sem economizar na linguagem chula.  Na verdade, suas qualidades residem justamente em seus deméritos morais. Força, agilidade em paralelo à desconstrução do que significa heroísmo juntando a insanidade de um coringa com o apelo físico de Wolverine.

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Estreia do personagem nas hqs

Desde sua primeira aparição nas HQs em 1991, no título “The New Mutants #98” (no Brasil, publicado em X Men #72 pela Editora Abril em 1994), o personagem foge das convenções: Um mercenário mascarado tagarela e comportamento imoral. Na citada revista, o personagem é um vilão, enviado para caçar Cable, o líder dos mutantes jovens. Criado por Rob Liefield e Fabian Nicieza, Deadpool foi submetido ao mesmo experimento que Wolverine, o Projeto Arma X.  Exímio lutador, hábil com espada e dono de um fator cura tão eficiente quanto a língua mordaz que profere comentários jocosos sobre tudo. O fator cura o salvou da morte, já que o personagem sofria de câncer antes, mas o resultado também lhe desfigurou o rosto e lhe causou instabilidade mental. O visual é um plágio do vilão Exterminador, da concorrente Dc Comics, mas isso não atrapalhou em nada ao crescimento de popularidade do personagem que veio a ganhar título próprio em Janeiro de 1997. O descaramento é marca registrada do personagem que se chama Wade Wilson, clara homenagem / paródia do Extermianador que se chama Slade Wilson.

A característica mais marcante do personagem, seja na Hq original ou no filme, é nunca se levar a sério, sem limites para o que será parodiado, citado ou mostrado comicamente, sem preocupação com o politicamente correto. Na capa de “Deadpool #11” (Dezembro de 1997) o mercenário contador de vantagens aparece pendurado por sobre os edifícios carregando alguém, exatamente como a primeira aparição do Homem Aranha em “ Amazing Fantasy #15” (Agosto de 1962). Filmes de cinema também entram na mira de Deadpool como as capas de “Deadpool #40” e #49, respectivamente parodiando os filmes “Alien” e “James Bond”. A Marvel não poupa esforços em tornar o personagem o maioral, explorando a popularidade deste com o público leitor de HQs como na HQ “Deadpool kills the Marvel Universe” , de 2012, que como já diz o título traz o mercenário como executor do universo fictício ao qual pertence.

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Deadpool parodiando o cartaz de “Alien”

O personagem já apareceu nas telas no filme “X-Men Origens : Wolverine” (2009) também vivido por Ryan Reynolds, mas sem máscara, uniforme ou detalhamento. Apenas um mercenário falador e bom com espadas. O ator Ryan Reynolds lutou durante muito tempo para levar Deadpool para um filme solo, preservando as características que o diferem do heroísmo tradicional. Assim, o filme é recheado de farpas para tudo e todos, desde o filme Lanterna Verde (que Ryan Reynolds fez em 2011), passando pelos filmes dos mutantes. A principal papel feminino é feito pela brasileira Morena Baccarin (Os Visitantes, A Espiã que sabia de Menos). O filme, dirigido pelo novato Tim Miller, incorpora esse espírito transgressor e não é aconselhável para os que gostam do filme de super herói tradicional. Deadpool é um anti-herói e representa uma desconstrução do arquétipo do personagem que usa super poder para uma causa. O filme abusa de palavrões e cenas de sexo, justamente por isso, e apesar disso, que o personagem consegue ser diferente do usual, mas está longe de ser agradável ao público em geral, e nem se pretende a isso. É diversão sem se preocupar em fazer concessões