ESTREIAS DA SEMANA : 30 DE OUTUBRO DE 2014

TIM MAIA

Tim Maia

Bra 2014. Dir: Mauro Lima. Com Babú Santana, Robson Nunes,  Alinne Moraes, Cauã Raymond, Laila Zaid, George Sauma. Drama. A cinebiografia de um dos maiores cantores de nossa música já era aguardado há algum tempo, tendo inclusive gerado um espetáculo teatral muito bem sucedido com Tiago Abravanel. Ambos foram realizados a partir da biografia do artista escrita por Nelson Motta entitulado “Vale Tudo – O Som & A Fúria de Tim Maia”. O diretor Mauro Lima (Meu Nome Não é Johnny) e a roteirista Antonia Pellegrino (Bruna Surfistinha) traçam o retrato de uma figura que era pura fúria criativa sem cair nos clichês da narração em primeira pessoa. A história de Tim é contada a partir do ponto de vista do personagem Fábio (Raymond) e mostrada em tempos diferentes com dois atores (Nunes & Santana) no papel do Síndico, apelido dado a Tim Maia por Jorge Benjor. Em um país que sabe-se ter memória tão curta as cinebiografias cumprem um papel importante principalmente com as gerações mais jovens que possam descobrir como gostávamos tanto de Tim, o descobridor dos sete mares.

BOYHOOD – DA INFÂNCIA À JUVENTUDE

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(Boyhood) EUA 2014. Dir:Richard Linklater. Com Ellar Coltrane, Ethan Hawke, Patricia Arquette, Lorelei Linklater. Drama. O filme acompanha o amadurecimento de Mason, dos 8 aos 18 anos, através das mudanças impostas pelo crescimento e depois da separação de seus pais. Dirigido por Richard Linklater (Fast Food Nation), as filmagens começaram em 2002 e desde então o elenco se reencontrava regularmente a cada verão para observar as mudanças no crescimento de Coltrane, em tempo real, imprimindo no filme o senso de “realidade” pretendido. Richard incluiu no elenco sua própria filha no papel de Samantha, a irmã do protagonista. Premiado com a melhor direção no Festival de Berlim, Linklater, amigo de longa data do ator Ethan Hawke, criou um produto no mínimo curioso, que já inclusive desperta boatos sobre uma possível indicação ao Oscar. Vale a pena conferir.

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por adilson69

DRÁCULA RENASCE NAS TELAS – PART 2

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1979 foi o ano do vampiro pois teve quatro filmes de Drácula nas telas. A refilmagem de “Nosferatu” dirigido por Werner Herzog, que restaurou os nomes dos personagens originais do romance de Stoker, cujos direitos já haviam caído em domínio público na época. No elenco Klaus Kinski e Isabelle Adjani em um trabalho respeitoso embora inferior ao original de Murnau, e exibido no Festival de Filmes de Nova York. Poucos meses antes, Nova York recebera a estreia de uma nova versão, adaptada de uma remontagem da peça de Hamilton Deane & John Balderston  com Frank Langella repetindo nas telas, o mesmo papel que fizera nos palcos da Broadway, e – inclusive – interpretando o vampiro sem presas, tal qual Lugosi no filme de 1930. Além do “Drácula” de Langella, que foi dirigido por John Badham, houve a paródia “Amor à Primeira Mordida” (Love at First Bite) com George Hamilton que chegou a ganhar o Saturn Award (prêmio dado ao gênero fantástico) e foi indicado ao Golden Globe.  Outra paródia no mesmo ano foi “Nocturna” de Harry Hurwitz com John Carradini como um envelhecido Conde Drácula, obrigado a fazer de seu castelo um Hotel para pagar os altos impostos.

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Um ano depois, estreou no Brasil a adaptação do livro de Stoker para o formato de telenovela entitulada “Drácula – Uma História de Amor” escrita pelo homem do Oscar, o renomado crítico de cinema e escritor Rubens Ewald Filho. A novela, filmada no município paulista de Paranapiacaba, trazia o conde romeno, interpretado pelo ótimo Rubens de Falco, ao Brasil onde conhece Mariana (Bruna Lombardi) que é a reencanação de sua amada e namorada de seu filho Rafael (Carlos Alberto Riccelli). A novela, cuja direção ficou a cargo de Walter Avancini,  teve quatro capítulos transmitidos pela TV Tupi, entre Janeiro e Fevereiro de 1980, sendo então interrompida quando a emissora carioca entrou em falência. Cinco meses depois, a novela reestreou na Rede Bandeirantes, rebatizada de “Um Homem Muito Especial” e com a direção de Antonio Ambujamra. Muito antes que a Rede Globo produzisse novelas bem sucedidas como “Vamp” e “O Beijo do Vampiro” foi Rubens Ewald Filho quem trouxe o vampirismo para a teledramartugia brasileira.

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Mais de dez anos depois, Francis Ford Coppola realizou uma pretensa adaptação definitiva do livro de Stoker entitulada “Drácula de Bram Stoker” em 1992 com Gary Oldman, Wynona Ryder, Keanu Reeves e Anthony Hopkins. No entanto, apesar de capturar o espírito da obra literária, o filme funde o personagem vampiro ao Vlad Tepes histórico e reinventa sua relação com Mina, que no livro não vai além da relação de um predador voraz atrás de sua presa, sem o romantismo empregado por Coppola. O filme foi muito bem sucedido e foi premiado com três Oscars : melhor figurino, efeitos sonoros e maquiagem.

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Outros Dráculas vieram : Leslie Nielsen na paródia de Mel Brooks “Drácula – Morto mas Feliz”, Gerard Butler em “Drácula 2000”, o afetado Richard Roxburgh no decepcionante “Van Helsing – o Caçador de Monstros”, “Dracula 3D” – a versão de Dario Argento de 2012,  além de Adam Sandler como a voz do personagem na animação “Hotel Transilvânia”. Drácula já apareceu em animações, Hqs, séries de TV (a mais recente com Jonathan Rhyes Myers foi cancelada), ganhou um novo livro – uma sequência oficial em 2009 escrita pelo sobrinho-neto de Stoker, e migrou para os vídeo games no famoso “Castlevania” , chegando agora na releitura proposta pelo filme “Drácula – A História Não Contada”. Lamentavelmente, quando vivo Bram Stoker nunca usufruiu do devido prestígio, já que muitos consideravam a obra apelativa e de mau gosto. Hoje é uma das obras literárias mais lidas e adaptadas para outras mídias e sua influência se faz sentir nas obras de escritores como Stephen King, Anne Rice, e até mesmo Stephanie Meyer em sua série de sucesso entre o público jovem, “Crepúsculo”. Prova que, no meio da noite, ele sempre há de se erguer do túmulo em um nova adaptação. O fascínio do personagem resiste ao tempo, afinal:  Vampiros são eternos !

por adilson69

DRACULA RENASCE NAS TELAS – PARTE UM

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A mortalidade e a brevidade da vida sempre incomodaram o ser humano. Logo, uma figura que atravessa a eternidade ocupa a essência de nossos sonhos e superstições. Há séculos, lendas de vampiros ou desmortos fazem parte do folclore europeu, muito antes que o escritor irlandês Abraham Stoker (1847 – 1912) as usasse como matéria-prima de seu mais famoso romance: “Drácula”, publicado originalmente em 1897. A esses mitos e superstições, Stoker fundiu a figura histórica do príncipe romeno Vlad Tepes que governou a região da Valáquia, atual Romênia, combatendo os invasores turcos com requintes de crueldade notória. Vlad, o empalador, fincava uma estaca de madeira no peito de seus inimigos e bebia seu sangue. A mente criativa de Stoker soube unir todos esses elementos na figura de Drácula, nome da família de Vlad, ligada à Ordem do Dragão –  linhagem religiosa do auge do Império Romano. Contudo, o livro de Stoker não foi, como muitos pensam, o primeiro livro sobre vampiros. Antes dele houve “Vampyre” (1819) de John Polidori e “Carmila” (1871) de Sheridan Le Fanus. Drácula, no entanto, sobressaiu-se graças à forma como Bram Stoker conduziu sua história: Sua narrativa é toda em primeira pessoa através de cartas e diários pertencentes aos personagens humanos que giram em torno do vampiro : o advogado Jonathan Harker, sua noiva Mina, o Dr. Seward, Quincy Morris, e é claro, o Professor Abraham Van Helsing entre outros cujos pontos de vista direcionam a visão do leitor. As palavras de Stoker são embebidas de uma inusitada credibilidade e apurada descrição da região em que Drácula vive, apesar de seu escritor nunca ter visitado o Leste Europeu onde fica a Transilvânia. Para a sociedade reprimida do final do século XIX, a mordida do vampiro funcionava como perfeita metáfora para o orgasmo e o prazer ilimitado, associada a perversões e à sexualidade exacerbada capazes de se espalhar por entre os mortais. Logo, o vampiro não apenas desafiava a ordem natural da vida e da morte, mas também a conduta moral de toda uma sociedade. Essas subleituras enriqueciam a história de Drácula e o cinema não demorou a enxergá-las como uma bela fonte de adaptação.

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Em 1922, dez anos depois da morte de Bram Stoker, o diretor alemão F.W. Murnau tentou mas não conseguiu os direitos de adaptação da viúva Florence Stoker. Assim, Murnau modificou os nomes dos personagens e realizou “Nosferatu” com Max Shreck como o vampiro, o conde Orlock. Além de mudar os nomes, Murnau transformou o vampiro de uma figura sedutora em um ser repulsivo e assustador graças a uma eficiente maquiagem que eclipsou o rosto do ator Max Shreck, tornado anônimo para as gerações que se seguiram, o que levou ao curioso filme “A Sombra do Vampiro” (Shadow of a Vampire) de 2003, o qual  teorizava que Shreck era um vampiro de verdade. A viúva de Stoker processou Murnau e conseguiu a ordem judicial que recolheu todas as cópias de “Nosferatu” – claro que nem todas. O filme de Murnau foi redescoberto muito tempo depois e alçado ao status de clássico do expressionismo alemão, e para muitos a melhor versão de “Drácula”, ainda que não oficial.

Bram Stoker - Pai da Criatura

Bram Stoker – Pai da Criatura

Anos depois do filme de Murnau, a obra de Stoker era um sucesso nos palcos londrinos em uma adaptação escrita por Hamilton Deane, desta vez com o consentimento da família de Stoker. A montagem da peça foi levada até a Broadway por John Balderstone trazendo o ator húngaro Bela Lugosi no papel central. Os direitos de filmagem da peça foram comprados pela Universal, que contratou o diretor Tod Browning. Este queria Lon Chaney como Drácula, mas a morte do homem das mil faces (como era conhecido Chaney) levou Tod a contratar Lugosi que já estava acostumado ao personagem. A caracterização de Lugosi lançou as bases para o imaginário popular: o terno e capa preta de acordo com sua condição aristocrática, os cabelos penteados para trás, o olhar hipnótico (realizado com um feixe de luz lançado diretamente sobre seus olhos) e o forte sotaque em falas marcantes como “Ouça-os, crianças da noite !”. O visual impressionante deixava, no entanto, de fora as famosas presas do vampiro, deixando para a voz e o olhar de Lugosi a função de assustar as plateias. “Drácula” foi feito em 1930 e lançado no dia dos namorados do ano seguinte. Uma versão em espanhol, visando o mercado latino, foi filmada por George Melford nos mesmos cenários que o filme de Browning, apresentando Carlos Villarias no lugar de Lugosi. A carreira de Lugosi ficou estagnada após Drácula, caindo no ostracismo e relegado a papeis inexpressivos em filmes cada vez menores. Tempos depois foi resgatado por Ed Wood (considerado o pior cineasta do mundo), vindo a  falecer em 1956, aos 73 anos e sendo sepultado com a capa do personagem que marcou tanto sua carreira. Lugosi, no entanto, se projetou para a eternidade e virou até música, a hipnótica “Bela Lugosi is dead”, da banda pós punk Balhaus, e que foi usada, em 1982, na trilha sonora do filme “Fome de Viver” (The Hunger), de Tony Scott, uma modernização do mito sobre vampiros. Dois anos depois da morte de Lugosi, o personagem é reinventado para a geração seguinte com a atuação hipnótica e sedutora do ator inglês Christopher Lee em “Drácula – O Vampiro da Noite” (Dracula), dirigido por Terence Fisher.

Dracula & Van Helsing :Amigos na vida real, rivais nas telas

Dracula & Van Helsing :Amigos na vida real, rivais nas telas

O filme, produzido pela Hammer Films, foi um sucesso apesar de novas liberdades serem tomadas em relação ao livro de Bram Stoker como nunca mostrar Drácula envelhecido no início da história; ou Mina que é retratada no filme como esposa de Arthur e sem relação direta com Jonathan Harker, que no filme vai ao castelo do conde ciente de sua natureza malévola e com intenção de destruí-lo. A Hammer acentuava o lado sensual do vampirismo, bem como caprichava na cenografia gótica. Apesar das mudanças, Lee tornou-se icônico no papel mesmo tendo apenas 13 falas em todo o filme. Sua atuação é estilosa, equilibrando sua pose aristocrática com feições de puro terror, realçadas pelo vermelhão nos olhos e pelas presas salientes, pela primeira vez exibidas de forma ameaçadora . Ao seu lado, o ótimo Peter Cushing como seu nêmesis, o Professor Van Helsing. Nos Estados Unidos, o filme foi rebatizado de “Horror of Dracula”, para evitar confusão com o filme de Lugosi. Lee repetiu o papel mais 7 vezes: Seis pela Hammer, entre 1958 e 1973, e uma na produção alemã de 1970, dirigida por Jesus Franco, e que ainda trazia no elenco Klaus Kinski, antes deste encarnar o vampiro na refilmagem de “Nosferatu”. O filme de Franco tem o mérito de ser o primeiro a mostrar Drácula como um homem velho que vai rejuvenescendo a medida que bebe sangue, como no livro. Lee constantemente reclamava de estar cansado do personagem e eventualmente parou de interpretá-lo, porém ficou marcado no imaginário popular através de incontáveis reprises na TV, que fez de Lee o intérprete mais prolífico e popular do personagem. A década de 70 ainda teve Jack Palance em uma versão para a Tv dirigida por Dan Curtis em 1973, roteirizada por Richard Matherson, a violenta versão produzida por Andy Warhol em 1974,  entitulada “Blood for Dracula” com o ator alemão Udo Kier como o vampiro e William Marshall em “Blácula”, onde um príncipe africano torna-se a versão blackexploitation do personagem. Em alguns dias aguarde a segunda parte desse artigo. Dracula will rise back!!!

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por adilson69

ESTREIAS DA SEMANA : 23 DE OUTUBRO DE 2014

DRÁCULA – A HISTÓRIA NÃO CONTADA

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(Dracula Untold) EUA 2014. Dir: Gary Shore. Com Luke Evans, Charles Dance, Dominic Cooper, Samantha Barks, Sarah Gadon. Ação. O que está ocorrendo com os grandes vilões do imaginário literário ? A bruxa da Bela Adormecida ganhou uma roupagem de redenção em “Malévola” e agora é a vez de Drácula se redefinir para um novo contexto mais em sintonia com a geração que assiste a “Game of Thrones” e devora os filmes de super herói. Não é que o filme seja ruim, ele até empolga na metade inicial em que acompanhamos o príncipe Vlad (Evans, o vilão de “Velozes & Furiosos 5”) buscar um poder maior para salvar seu filho e seu povo do massacre dos Turcos, liderados pelo ambicioso Mehmed (Cooper, o Howard Stark de “Capitão America – Primeiro Vingador”). O filme de Gary Shore, egresso do mercado publicitário, se distancia do gênero terror e está mais para um pretensioso épico de ação seguindo a linha dos frequentes reboots que reciclam franquias. O filme chegou a ser inicialmente batizado “Dracula Year Zero” e teve o nome de Sam Worthington (Avatar) ligado ao projeto. Visualmente é impressionante e bem produzido, mas falta uma direção e roteiro mais coeso para evitar os clichês inevitáveis que fazem do filme um produto regular com uma pretensão bem maior. Vale, contudo, para uma geração mal acostumada a vampiros que brilham na luz do sol e mostra que o apelo do personagem de Stoker sobrevive a reinterpretações, como essa que se distancia do personagem literário em sua proposta de fundi-lo com a figura romanceada do lendário príncipe Vlad, o que Coppola brevemente fez no início de “Dracula de Bram Stoker”. Aqui a dimensão é outra, maior, mais pretensa, porém válida como entretenimento. E que ninguém duvide que em breve outra retomada do personagem apareça nas telas. Afinal, os vampiros são imortais !.

CANTINFLAS – A MAGIA DA COMÉDIA

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(Cantinflas) MEX 2014. Dir: Sebastián del Amo. Com Óscar Jaenada, Gabriela de la Garza, Michael Imperioli,  Ilse Salas. Drama. Não é somente Hollywood que criou ídolos capazes de representar artisticamente os valores de seu lugar e tempo. Fortino Mario Alfonso Moreno Reyes (1911 – 1993) foi um desses nomes aparentemente desconhecido, mas que imprimiu seu talento na arte de fazer rir, conferindo respeitabilidade ao seu país, usando o nome artístico de Cantinflas. Sua história é contada com todos os clichês de uma cine biografia tradicional capaz de oferecer um lampejo do homem por trás do artista que conquistou fama internacional e atraiu a admiração de outra lenda do humor, Charles Chaplin. O criador de Carlitos declarou que Cantinflas era o maior comediante vivo de sua geração. O filme de Sebastián del Amo tem uma excelente caracterização de Óscar Jaenada e explora as mazelas de um homem que saiu do nada, se apresentou no teatro de variedades e criou um tipo que conquistou o público com sua simplicidade e humor simples, tal qual Mazaroppi no Brasil. Cantinflas também c0-estrelou em Hollywood o clássico “A Volta ao Mundo em 80 Dias” (Around the World in 80 Days) em 1957, atuando ao lado de nomes como David Niven e Shirley MacLaine. Foi inclusive o padrinho de casamento de Liz Taylor com o produtor Mike Todd. Boa oportunidade para fazer o nome desse grande artista se tornar novamente conhecido, ainda que seus 106 minutos de projeção seja pouco para retratar toda a riqueza da vida de um comediante, que assim como Chaplin, sabia fazer muito com poucas palavras.

por adilson69

ESTREIAS DA SEMANA : 16 DE OUTUBRO

O JUIZ

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(The Judge) EUA 2014. Dir:David Dobkin. Com Robert Downey Jr, Robert Duvall, Leighton Meester, Vera Farmiga, Vincent D’Onofrio. Drama.Dois Roberts, ambos em grande momento em cena: Duvall é um juiz suspeito de assassinato e Downey Jr, seu filho, advogado, com quem tem uma desastrosa relação e que o defenderá. O julgamento não apenas se concretiza no tribunal mas também no campo pessoal já que sua família esconde mágoas e mal-entendidos que se vem à tona. O roteiro foi escrito a partir de uma história de David Dokin, em sua primeira incursão pelo drama já que antes dirigira comédias como “Bater & Correr em Londres” e “Penetras Bons de Bico”. Fala-se em uma possível indicação ao Oscar para os dois grandes atores,o que seria justo. Downey Jr é ótimo ator e aqui também exerce a função de produtor através de sua produtora “Team Downey”. Boa indicação para os que gostam de filmes de tribunal. Leia matéria a respeito na postagem seguinte.

FESTA NO CÉU

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(The Book Of Life) EUA 2014. Dir: Jorge R. Gutierrez. Vozes de Diego Luna, Channing Tatum, Zoe Saldana, Danny Trejo, Ron Perlman. Animação. Manolo é um jovem violinista emotivo com dificuldade de viver as expectativas que a família tem para sua vida. Ele se apaixona por Maria, filha da maior das autoridades da cidade de Sán Ángel que também se sente atraída pelo valente Joaquim. Das decisões sentimentais desses depende o resultado de uma aposta feita por duas entidades que disputam o governo do mundo dos esquecidos e do mundo dos lembrados. Baseados no folclore mexicano, a animação é produção do criativo Guilhermo del Toro e se passa durante a celebração do dia dos mortos.

FÚRIA

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(Tokarev) EUA 2014. Dir: Paco Cabezas. Com Nicolas Cage, Danny Glover, Peter Stormare, Rachel Nichols. Ação. O ex criminoso Paul McGuire abandona sua vida de marginal para viver uma vida normal, mas seus planos são arruinados quando sua filha é sequestrada pela máfia russa. MaGuire decide reunir seus antigos amigos foras da lei para resgatar a filha e se vingar de seus sequestradores. Filme de ação convencional e bem abaixo de outras produções do gênero, barata e trazendo Nicolas Cage que mais uma vez desperdiça seu talento como “pau para toda obra” e dividindo a cena com outra figura querida, Danny Glover. Ambos são capazes de coisa bem melhor, mas talvez tenha algum público afinal, mesmo que a história se demonstre fraca, previsível e sem grandes atrativos.

por adilson69

30 ANOS DE “A DAMA DE VERMELHO”

A Infidelidade sempre ofereceu um mote interessante para o cinema explorar: amantes psicóticas como em “Atração Fatal” (Fatal Atraction – 1987), histórias de amor envolventes (As Pontes de Madison – 1998) ou divertidas comédias de erros (O Dilema – 2011). Há 30 anos nos tornamos cúmplices de Theodore Pierce (Gene Wilder), um publicitário competente e dedicado pai de família que teve seu mundo virado de cabeça para baixo quando na saída do estacionamento de sua empresa vislumbra uma bela morena de vestido escarlate que revive a lendária cena do vestido levantado pela saída de ar do metrô.

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Reprisado várias vezes na TV, o filme é uma deliciosa comédia que coleciona diversos momentos marcantes : As desastrosas tentativas de Ted para chamar a atenção de Charlotte (a estreante Kelly LeBrock), a perseguição da secretária feiosa, as noitadas dos amigos de Ted e uma inspiradíssima trilha sonora de Steve Wonder que inclui os hits “It’s You” (dueto com Dionne Warwick) e “I Just called to say I Love you” (premiada com o Oscar de melhor canção naquele ano) .Esta também ganhou o Golden Globe e foi indicada ao BAFTA, o Oscar Inglês, além de ter tido uma versão em Português cantada por Gilberto Gil.

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“A Dama de Vermelho” foi a quarta e penúltima incursão do comediante Gene Wilder pela direção. Wilder é um talentoso roteirista, ator e diretor, afastado das telas depois de problemas de saúde. Sua carreira guarda diversos momentos criativos como sua colaboração com Mel Brooks (Banzé no oeste, O Jovem Frankenstein) ou os filmes em que dividiu a cena com Richard Pryor (Cegos, surdos e loucos, Loucos de dar nó). Wilder adaptou o roteiro de “A dama de Vermelho” do filme francês “O doce perfume do adultério” (Un éléphant ça trompe énormément ), de 1976, que gerou até uma sequência no ano seguinte. O filme foi considerado como precursor de uma série de filmes americanos adaptados de filmes franceses (Três solteirões e um bebê, um toque de infidelidade e outros) e lançou a carreira nas telas da modelo Kelly Lebrock, então com 24 anos,  que logo em seguida faria outro filme icônico da década de 80 (Mulher Nota 1000), para em seguida cair no ostracismo se casando com o ator Steven Seagal e aparecendo muito pouco em alguns filmes de TV , além de papéis em filmes inexpressivos. Seu papel de Charlotte quase ficou com Melaine Griffith que o recusou para fazer “Dublê de Corpo” com Brian DePalma. Enquanto estava promovendo o filme na França, Gene Wilder se casou com a atriz Gilda Radner, a secretária feiosa de “A Dama de Vermelho” com quem dividiu a cena por três vezes e com quem dividiu a vida até a morte dela por câncer poucos anos depois.

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O filme foi o trabalho melhor sucedido de Gene Wilder atrás das câmeras fazendo bom uso da icônica cena de Marilyn Monroe em “O Pecado Mora ao lado” (1955), trocando a cor do vestido de branca para vermelho. O filme ainda tem no elenco Joseph Bologna como Joey, o amigo que trai a esposa, Charles Grodin como o amigo gay e Judith Ivey como a dedicada esposa de Ted, Didi. Um elenco coadjuvante bem afinado, cada um brilhando na medida certa para fazer rir. O filme de Wilder também foi um dos primeiros a receber nos Estados Unidos a classificação PG-13, na época recentemente criado e que também foi usado em “Indiana Jones & O Templo da Perdição” para indicar que o conteúdo não é apropriado para menores de 13 anos. Gene Wilder conseguiu fazer uma comédia leve mas provocativa sensualmente sem ser apelativa. Curiosamente, no final do fllme quando Ted esta prestes a satisfazer seu desejo de amor com a sedutora Charlotte, vai para no parapeito do quarto dela, surpreendidos pela chegada de seu marido. O prédio em questão é o mesmo usado no clássico “Um Corpo que Cai”. O marido de Charlotte, por sua vez, mal aparece. Na cena, enquanto fazem amor aparece uma foto do casal onde o homem que posa na verdade é Jean-Loup Dabadie, um dos roteiristas do filme original francês que inspirou “A Dama de Vermelho”.

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Quando exibido na TV brasileira pela primeira vez na Rede Globo, na época trazendo grandes títulos em sua sessão Tela Quente, o filme teve uma excelente trabalho de dublagem com Mario Monjardim fazendo Gene Wilder, Sumara Louise dublando Kelly LeBrock, Julio César dublando Joseph Bologna, Carmen Sheila na voz de Judith Ivey e Mario Jorge dublando Charles Grodin e Maria Helena Pader na voz de Gilda Radner. Delícia de assistir em qualquer reprise, o filme deixa a saudade do talento de Gene Wilder, desconhecido hoje para uma geração mal acostumada a comédias grosseiras e sem sentido e que não tiveram o prazer de conhecer o talento de Wilder, seu rosto de homem comum tímido e desastrado, fácil de se identificar, e embalado pela voz de Steve Wonder que nos fazer lembrar a importância de chamar, sem vergonha de ser emotivo, só para dizer “Te amo”.

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por adilson69

ESTREIAS DA SEMANA: 9 DE OUTUBRO DE 2014

O HOMEM MAIS PROCURADO

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(A Most Wanted Man) Dir: Anton Corbijn. Com Philip Seymour Hoffman, Rachel McAddams, William Dafoe, Robin Wright. Suspense. Adaptação do romance homônimo de John Le Carré sobre chefe de agência de espionagem (Hoffman em um de seus últimos papéis antes de sua morte em Fevereiro deste ano) que recruta informantes para desbaratar planos terroristas. Um imigrante atrai a atenção da agência acionando com isso uma sequência de eventos.

A LENDA DE OZ

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(Legends of Oz : Dorothy’s Return) Dan St. Pierre & Will Finn. Vozes : Manu Gavassi, James Belushi, Martin Short, Dan Ackroyd, Bernadette Peters. Lea Michelle, Patrick Stewart, Kelsey Grammer. Animação. Como o livro de Frank L.Brum já é de domínio público, essa e outras produções se beneficiarão do apelo inegável dessa fábula que já gerou um inesquecível musical produzido pela Metro em 1939. Embora não seja uma sequência oficial ao filme estrelado por Judy Garland, a história dessa animação começa imediatamente depois do retorno de Dorothy ao Kansas. O mundo de Oz é novamente ameaçado, desta vez pelo irmão da bruxa malvada, um bobo da corte mal intencionado que ganhou na dublagem brasileira a voz de Rodrigo Lombardi.  É claro lá estão aqueles personagens inegavelmente reconhecíveis como o homem de lata, o espantalho e o leão covarde, mas nada grandioso ou pretensioso. Apenas uma animação mediana para toda a família.

ANNABELLE

THE CONJURING

(Annabelle) Dir:John R. Leonetti. Ward Horton, Annabelle Wallis, Alfre Woodard. Tony Amendola. Terror. Depois do grande sucesso de “Invocação do Mal”, o diretor James Wan retorna como produtor e entrega a direção dessa prequela (filme que narra eventos anteriores ao filmes original) ficou com John R. Leonetti, diretor de fotografia do primeiro filme. A história imagina o que teria levado a boneca Annabelle a se tornar receptáculo de uma força do mal. Tudo começa quando um homem presenteia sua esposa grávida com a tal boneca que virá a ser usada em um ritual de satanistas. O filme, em algumas passagens, lembrará “O bebê de Rosemary”, mas sua história nada tem de inventiva ou original. Annabelle vem no mesmo caminho que outros filmes realizados porque um filme anterior teve sucesso. Sucesso de bilheteria, esse filme de terror reserva alguns sustos mas não vai além do que foi conseguido em “Invocação do Mal”. Já foram anunciadas outras possíveis sequências e até mesmo um boato em torno de “Annabelle enfrenta Chucky”. O tempo mostrará.

O INVENTOR DE JOGOS

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(The Games Maker) Dir:Juan Pablo Buscarini. Com David Mazouz, Joseph Fiennes Megan Charpathier. Aventura. Adaptação do livro do argentino Pablo de Santis, o filme é uma agradável aventura juvenil com Joseph Fiennes (Shakespeare Apaixonado) na composição de um afetado vilão. O jovem Ivan Drago (Mazouz) descobre que pertence a uma descendência de criador de jogos de tabuleiro, pelos quais é fanático e acaba participando de uma competição mágica da qual depende o equilíbrio de forças no universo.  Co produção da Disney com a Itália e a Argentina, o filme funciona como uma simpática Sessão da Tarde para quem gosta de fantasias.

O FÍSICO

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(Physician) Dr Philip Sttoltz Com Tom Payne, Ben Kingsley Stellan Skarsgard Noah Gordon. Aventura. Curiosa e incorreta tradução já que o título original se refere à figura de um médico e não de um físico propriamente dito. A história conta a trajetória de um homem (Payne) que viaja à Persia no século XI para estudar medicina com o sábio Ibn Sina (Kingsley) e vem a se envolver em questões políticas que moldarão seu destino. O filme é uma adaptação do Best-seller de Noah Gordon que deixa escapar um clima de “Lawrence da Arábia”, guardada é claro as devidas proporções, mas que serve de elogiosa comparação.

TRASH – A ESPERANÇA VEM DO LIXO

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(Trash) RU 2014. Dir:Stephen Daldry. Com Wagner Moura, Selton Mello, Martin Sheen, Rooney Mara, Rickson Tevez, Eduardo Luiz, Gabriel Weinstein. Aventura. Daldry foi o diretor de “Tão perto Tão longe” e “Billy Elliot”.Juntamente com Richard Curtis, o roteirista de “O Diário de Bridget Jones” e “Simplesmente Amor” trazem o encontro em cena de dois dos melhores atores do cenário nacional: Wagner Moura (Tropa de Elite 1 e 2, A busca) e Selton Mello (Meu nome não é Johnny , O Palhaço) cercados de um ótimo elenco de coadjuvantes. Impressiona e não deve ser deixado de mencionar a atuação dos meninos (Tevez, Weinstein e Luis) que encontram, em um Lixão, uma carteira com uma misteriosa chave que  atrai o interesse de um homem que se diz o dono da carteira (Moura) e o policial corrupto (Mello), cada um movido por interesses não muito claros. O ritmo é envolvente e um brinde aos que buscam filmes movidos por boas atuações.

por adilson69

ESTREIAS DA SEMANA : 02 DE OUTUBRO DE 2014

GAROTA EXEMPLAR

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(Gone Girl) EUA 2014. Dir: David Finch. Com Ben Affleck, Rosamund Pike, Neil Patrick Harris. Drama / Suspense. Adaptação do livro de Gyllian Flynn, que também assina o roteiro. Jornalista novaiorquino (Affleck) procura por sua esposa desaparecida (Pike) e torna-se o principal suspeito das investigações, que revelam fatos inesperados. A produção do filme é assinada pela atriz Reese Winterspoon e o filme segue como um dos cotados para indicação para o Oscar do próximo ano.

 

GRACE DE MÔNACO

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(Grace of Monaco) EUA 2014. Dir: Oliver Dahan. Com Nicole Kidman, Roger Ashton Griffiths, Tim Roth, Frank Langella, Robert Lindsay e Paz Vega. Drama. O filme é um recorte na vida da princesa Grace Kelly que deixou o mundo do cinema em 1956 para se casar com o príncipe Rainer de Mônaco. O filme se concentra no período em que, início dos anos 60, Grace era assediada por Hithcock para voltar a atuar em seu novo filme “Marnie – Confidências à Meia Noite”. Nesse momento de sua vida, Mônaco passa por uma crise diplomática e Grace foi de suma importância para a superação dessa crise, que também atingia seu casamento com Rainer que, sabe-se, estava muito longe do conto de fadas que pareceu ao mundo. O filme, dirigido por Oliver Dahan (Piaf – Um hino ao amor), foi duramente criticado quando exibido no Festival de Cannes, provocando diversas reações negativas da família real de Mônaco (os filhos de Grace e Rainer) que boicotaram o lançamento do filme. O roteiro de Arash Amel permaneceu durante um bom tempo em uma lista negra de roteiros que nunca chegaram a ser filmados. Sua estrela defendeu o filme dizendo que não se tratava de um documentário, mas de uma dramatização de um episódio na vida de Grace Kelly sem qualquer intenção de ser desrespeitoso. Agora é a hora de cada um ver com os próprios olhos.

OS BOXTROLLS

boxtrolls

(The Boxtrolls) EUA 2014. Dir: Anthony Stachi & Graham Annable. Com vozes de Isaac Hempstead-Wright, Simon Pegg, Nick Frost, Ben Kingsley, Tony Collette, Jared Harris. Animação. Os mesmos produtores de “A Noiva Cadáver” (2005) & “Coraline & O Mundo Secreto” (2009) e o diretor de “O Bicho Vai Pegar” (2006) se junta ao artista de storyboard de “Paranorman” (2011) nessa história adaptada do livro infantil “Here be Monsters” de Alan Snow. Um garoto órfão, criado por estranhas criaturas catadores de lixo e amantes de queijo, procura resgatar crianças sequestradas por um terrível vilão.

O CANDIDATO HONESTO

candidato honesto

Bra 2014. Dir:Roberto Santucci. Com Leandro Hassum, Luiza Valdetaro, Victor Leal. Comédia. João Ernesto Praxedes (Hassum) é candidato à presidência do país, matreiro e desonesto até o último fio de cabelo. Graças a uma mandiga de sua avó, não consegue mais mentir, o que o levará a uma série de contratempos às vésperas da eleição. Curioso e oportuno lançamento às vésperas das eleições 2014 que reúne o ator Leandro Hassum ao diretor Roberto Santucci, que trabalharam juntos nos dois “Até que a sorte nos separe”.  Quem sabe rindo, podemos lavar a alma de toda a sujeira que acompanha a política de nosso país ?

O ÚLTIMO CONCERTO

ultimo concerto

(A Late Quartet) EUA 2014. Dir: Yaron Zilberman. Com Christopher Walken, Philip Seymour Hoffman, Catherine Keener. Drama. Violoncelista (Walken) que faz parte de um quarteto de músicos descobre estar sofrendo do mal de Parkinson. O grupo se reúne para uma turnê de despedida onde antigas mágoas e sentimentos inesperados vêm à tona. O filme é um dos últimos de Philip Seymour Hoffman que faleceu em Fevereiro desse ano vítima de overdose de drogas.

por adilson69