HALLOWEEN 2015 – PARTE 3: AS BRUXAS

A Feitiçeira            Nada mais justo que encerrar essa série de artigos sobre o Halloween, falando dos próprios seres que batizam a data. No imaginário popular, as bruxas  são retratadas como mulheres velhas, narigudas, que voam em vassouras vestidas de preto e com um chapéu pontiagudo. Sua existência já foi contada em livros e filmes das mais variadas formas, ora como as vilãs ou até mesmo no papel de heroínas.

A Bruxa de Blair

A Bruxa de Blair

Em tempos medievais, a tradição oral fez notória a história de João e Maria (Hansel & Gretel) nas florestas germânicas fala de uma bruxa que os aprisiona e os alimenta com intenção de devorá-los. Os Irmãos Grimm escreveram a versão escrita que veio a ser publicada no início do século XIX. Em 1937, o escritor Monteiro Lobato incluiu a história no livro de contos “Histórias de Tia Anastácia”. O próprio autor paulistano deixou sua imaginação fluir e criou a Cuca, uma feiticeira em um corpo de Jacaré que se tornou a vilã nas histórias do “Sitio do Pica-pau Amarelo” escritas entre 1920 e 1947. Também da era medieval, uma das bruxas mais notórias é Morgana, também uma das personagens centrais nas lendas arturianas transpostas da tradição oral para o papel por Sir Thomas Mallory no livro “Le Morte d’Arthur” de 1947, um dos primeiros livros publicados na Inglaterra com o advento da imprensa. Que não fique, no entanto, a impressão de que a era medieval foi o berço desses personagens mágicos. A antiga Grécia já relatava a ação de bruxas junto a grandes eventos como Circe, uma poderosa feiticeira presente na “Odisséia” de Homero. O dramaturgo William Shakespeare as retratou como profetizas na obra clássica “Macbeth”, escrita no século XVII. A história registra um episódio particular ocorrido por volta de 1692 em Salem, Massachussets, o lendário julgamento de bruxas. Movidos pela ignorância e pela superstição os regentes do povoado acusaram mais de 100 mulheres de práticas ligadas à magia negra, incluindo curandeiras e qualquer uma cujo comportamento indicasse algum desvio de comportamento. Vinte pessoas, na maioria mulheres, foram submetidas a torturas até que confessassem e morreram, executadas pelos dirigentes de Salem

As Brumas de Avalon

As Brumas de Avalon

Muitos séculos depois, a cultura pop viria a mostrar as bruxas sob um aspecto diametralmente oposto: O seriado “A Feitiçeira” (Bewitched)  trazia Elizabeth Montgomery no papel de Samantha Stevens, uma bruxa que abdicara de uma vida de mágica para ser dona de casa, mas seus poderes e a presença de seus familiares tumultuava a paz de de seu marido, o publicitário James Stephens (Dick York). O seriado durou 8 temporadas e a bruxaria serviu como metáfora para um casamento entre classes sociais opostas. Na década de 90, a atriz Melissa Joan Hart interpretou uma bruxa adolescente no seriado “Sabrina, aprendiz de feiticeira” (Sabrina The Teenage Witch), e em seguida veio “Charmed” que trazia bruxas que lutavam contra as forças das trevas tal qual heroínas de histórias em quadrinhos. Na literatura, diversos autores souberem ser inventivos para explorar as possibilidades da magia. O século XX começou com o escritor norte-americano L.Frank Baum, que fez da bruxa vilã de sua fábula em série “O Mágico de OZ” (The Wonderful Wizard of Oz), onde a heroína Dorothy acidentalmente mata a bruxa malvada do leste e desperta a ira de sua irmã, a bruxa malvada do oeste. O teatrólogo americano Arthur Miller escreveu em 1953 “As Bruxas de Salém” (The Crucible) e fez das bruxas metáforas para a paranoia macartista que tomou conta da sociedade americana na década de 50. Em 1979, Marion Zimmer Bradley deu às mulheres do ciclo arturiano o devido destaque nos quatro volumes entitulados “As Brumas de Avalon” (The MIsts of Avalon). Se em outras versões Morgana era uma bruxa ambiciosa e fria, Marion a fez vítima de circunstâncias atenuantes, uma sacerdotisa de um período em que o paganismo chegava a um ponto final. Anne Rice deixou de lado os vampiros para falar de bruxaria em dois livros que se completam formando um painel geração após geração da vida de uma família de feiticeiras em “A Hora da Bruxaria” (The Witching Hour), dividido em dois volumes, ambos publicados em 1990. Digno de nota também é o romance de John Updike “As Bruxas de Eastwick” (The Witches of Eastwick) de 1984 que fez da bruxaria uma alegoria para falar de libertação, sedução e feminismo.

As Bruxas de Eastwick

As Bruxas de Eastwick

O cinema contou com adaptações dessas obras, mas ainda assim sempre recorre à figura da bruxa como um instrumento do demônio, como na farsa arranjada por Edward Sanchéz e Daniel Myrink que usaram de uma campanha viral na internet, até então sem precedentes, para convencer a todos que existia a tal bruxa nas florestas de Maryland, praticamente um fake-lore, um folclore forjado para entreter o suposto documentário filmado por três estudantes. No período clássico bom lembrar de Kim Novak em “Sortilégios de Amor” (Bell, book na candle) no qual interpreta uma sedutora feiticeira que usa de porções e feitiços para conquistar o coração de James Stewart. Sedução também é a maior mágica das irmãs interpretadas por Sandra Bullock e Nicole Kidman em “Da Magia a Seduçao” (Practical Magic) de 2003. A Lista é grande e não podem faltar Michelle Pfeiffer em “Stardust – O Mistério da Estrela” (Stardust), Eva Green em “A Bussola de Ouro” (The Golden Compass) e Bette Midler acompanhada de Sarah Jessica Parker e Katrhy Najimy em “Abracadabra” (Hocis Pocus). A magia não está no caldeirão, mas na imaginação humana. Feliz Halloween!!!

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ESTREIAS DA SEMANA: 29 DE OUTUBRO DE 2015

GRACE DE MÔNACO

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(Grace of Monaco) EUA 2014. Dir: Olivier Dahan. Com Grace Kelly, Tim Roth, Frank Languella, Paz Veja, Robert Lindsay. Biopic. Olivier Dahan já havia produzido uma excelente biopic (o filme biográfico) com a vida da cantora Edith Piaf (Piaf – Um Hino ao Amor) em 2007. Sua tarefa aqui foi filmar o roteiro de Arash Amel, um dos que figuravam em 2011 em uma lista negra de melhores roteiros não filmados em Hollywood. Não se trata de um filme biográfico  tradicional, mas um recorte concentrado no período inicial de sua vida no Principado de Mônaco quando este passava por uma séria crise diplomática já que o presidente francês Charles deGaulle exigia um substancial aumento de impostos que Rainier se recusava a pagar. Foi Grace quem usou de seu prestígio e diplomacia para evitar o pior. O filme mistura os clichês melodramáticos com uma trama política que certamente faz concessões e toma liberdades, contudo nada ofensivo para justificar a polêmica que envolveu o filme de Dahan quando foi exibido no Festival de Cannes de 2014. Na ocasião, a família real de Mônaco (os filhos de Kelly, Albert II, Caroline e Stephanie) anunciaram o boicote ao filme. O elenco está ótimo, em especial o casal formado por Nicole Kidman e Tim Roth. Nicole está confortável no papel, compondo uma Grace de personalidade, e que apesar de duvidas e questionamentos, toma o rumo da própria vida, ao passo que Tim Roth faz um Rainier distante, até hesitante diante do contexto. O ator Frank Languella rouba a cena no papel de um padre que funciona muitas das vezes como a consciência do casal Grace-Rainier. De qualquer forma, nada tão ofensivo que justifique a polêmica ou o desagrado dos herdeiros da família Grimaldi, afinal de contas apesar de entrado para a história como a encarnação de uma fábula, a vida real está sempre muito longe de ter um “felizes para sempre”, principalmente em meio a protocolos de conduta e nos bastidores do poder. Apesar de ser um relato fantasioso construído em cima de um momento na vida da princesa, não é nenhuma bomba comparada a outros similares, desde que você tenha em mente que a ficção se sobrepõe a qualquer traço de verdade que foi diluído em favor de um filme convencional, mas cujas atuações tornam interessante.

OS 33

33

(The 33) EUA 2015. Dir:Patricia Higgis. Com Rodrigo Santoro, Antonio Banderas, James Brolin, Lou Diamond Philips, Juliet Binoche. Drama Em 2010, no Chile, um grupo de mineiros ficou preso nos subterrâneos de uma mina durante 69 dias, lutando pela vida enquanto aguardavam a possibilidade de resgate. Economizam os recursos de comida e água, os mineiros despertaram comoção internacional e tiveram o fato adaptado para o livro “Deep Down Dark” do jornalista Héctor Tobar. Um dos roteiristas do filme é o mesmo responsável pelo roteiro de “Diários de Motocicleta”. Quem assistir, procure lembrar de Lou Diamond Philips, o Ritchie Valens de “La Bamba”, sucesso no final da década de 80. Destaco aqui também a presença do talentoso Rodrigo Santoro cuja carreira internacional vai cada vez melhor.

O ÚLTIMO CAÇADOR DE BRUXAS

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(The Last Witchhunter) EUA 2015. Dir: Breck Eisner. Com Vin Diesel, Rose Leslie, Michael Caine, Julie Engebretch, Elijah Wood. Ação. Bem apropriado para o Halloween essa história que mistura ação com elementos de sobrenatural. Vin Diesel é um caçador de bruxas que precisa se aliar a uma de suas inimigas (Leslie de “Game of Thrones”) para frustrar os planos da Rainha das bruxas (Engebretch) que pretende usar um artefato místico que pode destruir a raça humana. O filme, orçado em torno de US$ 90 mihões, é co-produzido pelo próprio Vin Diesel e ficou durante muito tempo aguardando o interesse de algum estúdio, figurando entre os melhores roteiros não filmados de 2010. Se a bilheteria justificar poderemos ter uma nova franquia para o astro de “Velozes & Furiosos”, mesmo que ele seja como diz o título “O Último”.

BETINHO – A ESPERANÇA EQUILIBRISTA.

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(Bra 2015). Dir:Victor Lopes. Documentário. A trajetório do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho desde sua infância em Minas Gerais até  sua morte por AIDS, contraída em uma das transfusões de sangue necessárias já que era hemofílico. Betinho teve participação ativa na luta contra a ditadura e mobilizando milhões de pessoas com campanhas contra a fome e a AIDS. A canção “O Bêbado & O Equilibrista” de Elis Regina foi composta em cima de sua persona idealista, lutadora. O documentário foi exibido no Festival do Rio desse ano e agora chega ao grande circuito como uma boa oportunidade de servir de exemplo para a sociedade caótica em que vivemos e sem seres humanos dispostos a tudo pelo amor ao próximo.

GALERIA DE ESTRELAS : GRACE KELLY

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Com uma breve carreira construída ao longo de 5 anos e 11 filmes, Grace Patrick Kelly marcou sua passagem no mundo com sua sofisticação, beleza e carisma com a qual seduziu o público. Nascida  em 20 de Novembro de 1928, filha de um campeão olímpico de remo e uma instrutora de educação física , Grace tinha o porte esbelto, rosto de traços suaves e uma elegância que parecia prever seu futuro junto a aristocracia.

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Grace foi modelo, mas sua paixão era por atuar, tendo trabalhado nos palcos, na TV e finalmente nos cinemas onde estreou em 1950 em “Horas Intermináveis” (Fourteen Hours). O papel era pequeno e inexpressivo, mas chamou a atenção de Gary Cooper que a indicou para o diretor Fred Zinnerman que lhe deu o papel de inconformada noiva do xerife Will Kane (Cooper) no clássico “Matar ou Morrer” (High Noon). Aos 23 anos, sua beleza chamou a atenção, levando ao convite para trabalhar com John Ford em “Mogambo” contracenando com Clark Gable e Ava Gardner. O papel de Linda Nortley foi inicialmente oferecido a Gene Tierney, antes de Grace que conseguiu aí sua primeira indicação ao Oscar de melhor atriz. Embora não tenha ganhado, Grace mostrou que era bem mais que uma bela mulher e que sabia se entregar a um papel e explorá-lo dramaticamente. Indagada na ocasião do porquê de ter aceito o papel, a atriz declarou que era a oportunidade ideal de conhecer a África, local das filmagens, e ainda trabalhar ao lado de Clark Gable. Na época, diversas histórias de envolvimento amoroso ligaram o nome de Grace a seus co-astros Gary Cooper e Clark Gable.

Ladrão de Casaca

Ladrão de Casaca

Em 1954 sua carreira ganhou um impulso e tanto ao ser contratada para “Disque M Para Matar” (Dial M For Murder) de Alfred Hithcock. O mestre do suspense encontrou em Grace uma musa capaz de seduzir o público e Grace teve em Hitch um amigo e mentor com o qual voltaria a trabalhar mais duas vezes. Novamente, outros rumores de bastidores apontavam um romance entre Grace e Ray Milland, alimentando as revistas de fofoca. De acordo com o Paul Westran, autor do livro “When Stars Collide”, Grace Kelly teve vários relacionamentos amorosos incluindo com Bing Crosby e William Holden, seu par romântico em “As Pontes de Toko RI” (The Bridges of Toko Ri) de 1954.

Mogambo

Mogambo

No mesmo ano, deu vida a Lisa Fremont, a noiva de James Stewart em “Janela Indiscreta” (Rear Window), que hoje se tornou um dos maiores clássicos do cinema em uma história de voyerismo e rejeição. L.B. Jeffries (Stewart) tinha Lisa (Kelly) mas preferia observar a vida alheia pela objetiva de sua câmera. O próprio James Stewart, tempos depois, dissera que Grace era uma dama, gentil com todos no set de filmagem e incrivelmente linda, atraindo a atenção de todos por onde passava. Grace elogiou o colega também em uma entrevista em que afirmava que achava James Stewart era o homem mais viril que conhecera. Depois de ter sido indicada várias vezes ao BAFTA (o Oscar Inglês), ganhado o Golden Globe de melhor atriz coadjuvante por “Mogambo” e o New York Film Critics Circle Awards, a estatueta do Oscar finalmente foi para as mãos de Grace em uma situação surpreendente: Em 1955, Judy Garland era a favorita para o prêmio de melhor atriz por “Nasce Uma Estrela” (A Star Is Born) enquanto Grace concorria  por “Amar é Sofrer” (The Country Girl), adaptação da peça de Clifford Odets. Nele, Grace interpreta a sofrida esposa de um ator alcoólatra interpretado por Bing Crosby. A vitoria de Garland era tão esperada que uma equipe da NBC foi enviada ao quarto de hospital em que Garland  estava internada para uma entrevista ao vivo. No momento em que a vitória de Grace Kelly foi anunciada, o constrangimento de Judy Garland ganhou transmissão nacional.

Alta Sociedade

Alta Sociedade

O trabalho seguinte da atriz foi se reunir com Alfred Hithcock em “Ladrão de Casaca” (To Catch a Thief) fazendo uma jovem milionária alvo da atenção do renomado ladrão de joias Johf Robbie, vulgo “O Gato”, interpretado por Cary Grant. As filmagens na Riviera Francesa a levaram a um vislumbre do que viveria na vida real. No mesmo ano, ela foi convidada pelo governo francês  para o Festival de Cannes onde conheceu o Príncipe Rainier de Mônaco. Tempos depois, Rainier a pediria em casamento o que a levou a abdicar de uma promissora carreira. Grace Kelly atuou pela última vez ao lado de Frank Sinatra e Bing Crosby em “Alta Sociedade” (High Society) em 1956, uma refilmagem musical da peça de Philip Barry “Nupcias de Escândalo” (The Philadelphia Story) onde Grace canta a belíssima “True Love” de Cole Porter. Rainier e Grace se casaram em 18 de Abril de 1956, um evento que parecia tornar real os contos de fadas. O casal teve três filhos: Carolina, Albert e Stephanie. A vida no palácio, contudo, estava longe de ser um conto de fadas, principalmente no período retratado no filme “Grace de Mônaco” que retrata uma crise política no principado de Mônaco quando o Presidente francês Charles DeGaulle ameaçou invadir Mônaco se este não pagasse um aumento substancial de impostos. A atuação diplomática de Grace foi fundamental para a solução da crise. Apesar de convidada por Hithcock (apaixonado pela musa perdida) para o papel de protagonista de “Marnie, confissões de uma ladra” (Marnie), Grace jamais voltou a atuar novamente. Seus filmes eram proibidos em Mônaco, mas a princesa também teve um admirável trabalho humanitário usando de seu prestígio e do poder da aristocracia para obras beneficientes.

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O fim prematuro veio em um acidente automobilístico em Monte Carlo, Mônaco em 14 de Setembro de 1982 quando seu carro caiu de um despenhadeiro. A colisão lhe causou um derrame cerebral que lhe tirou a vida aos 52 anos. Rumores apontavam que o carro estava sendo guiado por sua filha Stephanie, mas jamais houve confirmação do fato. Ainda lembrada por sua beleza, talento e humanidade, Grace Kelly foi a personificação de uma estrela em todos os sentidos, inclusive no brilho intenso que se apagou cedo demais. Em 1983, a atriz Cheryl Ladd a interpretou em um filme feito para a TV e agora Nicole Kidman tenta nos trazer um vislumbre de uma princesa que nem mesmo a morte apagará de nossos corações.

CLÁSSICO REVISITADO: 0S 60 ANOS DE “ARTISTAS & MODELOS”

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Fui criado pela babá eletrônica, a Tv e tive o prazer de ter passado longas tardes assistindo filmes estrelados pela dupla Dean Martin & Jerry Lewis. Dois deles em especial completaram agora exatos 60 anos de sua realização. Primeiro vamos falar do melhor deles, dirigido por Frank Tashlin e que abordava o mundo das histórias em quadrinhos. “Artistas & Modelos” (Artists & Models) foi a primeira de várias colaborações entre Lewis e o diretor, que foi animador de desenhos e, portanto, tinha experiência essencial para um filme que fala de imagi – nação.

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Rick Todd (Martin) é pintor de talento mas ganha a vida com outdoors de propaganda até perder o emprego porque seu parceiro, o sonhador Eugene Fullstack só pensa em ler histórias em quadrinhos, especialmente as revistas da sua personagem favorita, a Mulher Morcego. Quando a dupla decide pedir emprego na editora Murdock, a mesma que publica as revistinhas da Mulher Morcego, a dupla desconhece, a principio, que a artista que desenha a heroína, Abigail Parker (Dorothy Malone) é sua vizinha e divide o apartamento com Bessie Sparrowbush, secretária do Sr.Murdock (Eddie Mayehoff) e, nas horas vagas, a modelo da Mulher-Morcego, ou Bat-Lady no original. Desnecessário dizer a proposital referência da personagem. Da mesma forma que Rick se apaixona por Abigail, Bessie se apaixona por Eugene, mas este não dá muita bola simplesmente porque só pensa na Mulher Morcego e não a reconhece sem a roupa da personagem. O filme é muito importante pois na década em que foi produzido as histórias em quadrinhos viviam cercada de forte polêmica desde que o psicólogo Dr.Fredric Wertham publicara o livro “A Sedução dos Inocentes” em 1954. Nele, o Dr.Wertham acusava as HQs de serem um exemplo maligno para a mentalidade das crianças e responsável direta pelo aumento da deliquência juvenil. Os personagens do meio eram apontados como exemplos de mensagens negativas, e o Batman havia sido um dos personagens mais atacados pelo livro. O livro de Wertham provocou uma caça às bruxas que levou editoras a fecharem, artistas a perderem o emprego e gibis (como conhecidas popularmente no Brasil) eram queimados nas ruas.

O roteiro do filme mostra a paranoia sem tomar um direcionamento 100% a favor ou contra as HQs, ora mostrando o personagem de Lewis como apatetado por causa destas, ora ridicularizando a paranoia instaurada na sociedade americana da época, que discutia a violência impressa nas histórias. Ironicamente, quando Rick Todd consegue o emprego é justamente copiando os pesadelos que Eugene tem toda noite em voz alta com o personagem fictício Vincent o Abutre (meio homem, meio garoto e meio pássaro), bem mais sangrento que as belas curvas da Mulher-Morcego. Tudo poderia ser ainda menos confuso se Eugene, em seus sonhos, não descrevesse a formula de um combustível secreto que realmente existe, atraindo a atenção do FBI e de agentes inimigos. Tashlin consegue fazer uma afinadíssima transição entre comédia de erros e ação, explorando os elementos verbais e não verbais em cena tal como se estivéssemos de fato lendo uma história em quadrinhos, como na sequência em que Martin & Lewis cantam em dueto “When you pretend” onde Lewis transforma uma mesa em um afinadíssimo piano ou o momento em que uma apaixonada Shirley MacLaine desce as escadas cantando a melodiosa “Innamoratta” para Jerry Lewis e mostrando todo seu talento de bailarina. A canção, escrita para o filme, foi um dos maiores sucessos do ator e cantor Dean Martin.

When you pretend

When you pretend

Curiosamente, na vida real, Dean Martin é quem era admirador de Hqs que consumia quando criança em Stubenville, Ohio, sua cidade natal que no filme é chamada de Steubendale. Diferente do filme também, foi Dean Martin quem teve um Love affair com Shirley, par romântico de Jerry no filme. Segundo a revista “Screen Stage Magazine”, que adaptava os roteiros de diversos filmes da época, o orçamento de “Artistas & Modelos” ($1.701.083) foi acima do inicialmente planejado e uma sequência inteira nem chegou a ser filmada perto do final que iria explicar como Eugene descobriria que seu parceiro estava ganhando dinheiro escrevendo as histórias de seus pesadelos que falava em voz alta durante o sono. Outra sequência imaginada, mas nunca filmada traria um número musical para a Mulher – Morcego. O filme, o 14º da dupla Martin & Lewis, foi um sucesso lançado originalmente nos Estados Unidos em 7 de Novembro de 1955. O timing cômico da dupla estava no ápice, bem como os fortes rumores de que a dupla se desentendia constantemente e que viriam em breve a se separar. A dupla faria ainda mais dois filmes antes de definitivamente tomarem caminhos independentes. Shirley MacLaine estava em seu segundo papel, aos 21 anos, e esbanjou talento para o musical e a comédia, o que iria superar em papeis dramáticos ao longo de uma carreira prolífica. Uma presença constante nos filmes de Jerry Lewis é a atriz Kathleen Freeman, sempre roubando a cena em alguma sequência, como aqui em “Artistas & Modelos” em que interpreta a senhoria de Lewis, a Sra Muldoon, sempre de cara amarrada. Completando o elenco duas beldades: Anita Ekberg em uma ponta como uma das ex modelos de Rick Todd. A bela atriz sueca viria a protagonizar o último filme da dupla Martin & Lewis “Ou Vai Ou Racha” como par romântico de Jerry. Já o papel de vilã ficou com Eva Gabor no papel da espiã Sonia que quer seduzir Eugene para roubar o segredo da formula do combustível experimental do governo.

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Lamentável que um filme tão inventivo, capaz de agradar tantos adultos quanto crianças raramente seja reprisado na TV. Digno de nota é a excelente dublagem brasileira: Nelson Batista é perfeito para dar o tom de “criança grande” na persona de Jerry Lewis assim como Marcos Miranda casa sua voz como uma luva na figura sedutora de Dean Martin. Cada um com um talento para extrair humor e romance na medida certa, perfeita e que justifica que a soma das partes é maior que seus componentes, ainda que cada um seja uma estrela do porte de Jerry Lewis e Dean Martin.

2. Artistas y modelos

Innamorata

EM BREVE RELEMBRAREI AQUI NO BLOG “O MENINÃO”, OUTRO CLÁSSICO DA DUPLA QUE COMPLETA 60 ANOS.

HALLOWEEN 2015 : PARTE II – AS CASAS MAL-ASSOMBRADAS

haunted house cart                               A literatura e o cinema sempre se interessaram por histórias de infestações, como também chamadas as casas mal assombradas. Muitas histórias desse tipo já foram contadas e se misturam muitas vezes à crendices e lendas criadas em torno de manifestações de espíritos que se recusam a cruzar o portal entre essa vida e a outra, ficando presos no mundo dos vivos. Parapsicólogos e estudiosos realizaram estudos diversos sobre casos, alguns dos quais notórios como “Horror em Amityville”. Baseado no livro de Jay Enson publicado em 1974 conta a história da casa no subúrbio de Long Island que foi palco de um brutal evento: Robert DeFeo Jr matou os pais e os irmãos menores alegando estar possuído por um espírito maligno. Anos mais tarde, a casa em que moravam foi vendida para a família Lutz, que por sua vez relatou ter presenciado fatos sobrenaturais decorrentes do assassinato de tempos atrás. A história virou filme em 1979, com sequências e uma refilmagem que  perpetuaram a assustadora história que nunca foi provada como real. A própria família Lutz foi desmoralizada e acusado de enganadores já que os moradores da casa que vieram depois disseram nunca ter visto nada de sobrenatural. O assassino da família DeFeo foi preso, condenado à prisão perpétua e ainda vive. O casal de investigadores paranormais Ed e Lorraine Warren investigou os eventos de infestação em Amityville, além de outros casos, gerando o recente filme “Invocação do Mal” (The Conjuring) que em breve ganhará uma aguardada sequência.

INVOCAÇÃO DO MAL

INVOCAÇÃO DO MAL

Steven Spielberg escreveu a história de uma infestação afetando a vida de uma família classe média em “Poltergeist – O Fenôneno” (Poltergeist) de 1982, dirigido por Tobe Hopper e que ficou famoso na época por conta de histórias de bastidores que asseguravam coisas estranhos acontecendo no set de filmagem, além das mortes de atores como a jovem Dominique Dunne, assassinada pelo namorado na época de lançamento do filme e da própria protagonista, a menina Heather O’Rourke que depois de fazer as duas sequências lançadas respectivamente em 1986 e 1988, faleceu aos 12 anos. Apesar dos rumores iniciais de que seu falecimento se deu por uma causa inexplicável, a menina teve seu destino fatal por virtude de um diagnóstico médico equivocado que confundiu estenose congênita com a Doença de Crohn.

A CASA DA NOITE ETERNA

A CASA DA NOITE ETERNA

A literatura do gênero ainda rendeu dois nomes de imenso talento: Richard Matherson (1926 – 2013) e Stephen King. O primeiro escreveu, em 1971, o conto “The Hell House” sobre quatro pessoas reunidas por um fim de semana para desvendar os segredos da Mansão Belasco. No ano seguinte, a história foi adaptada para o cinema pelo diretor John Hough e rebatizada “A Casa da Noite Eterna” (The Legend of the Hell House) estrelada por Clive Revill, Roddy McDowell e Pamela Franklin. A história, carregada de sensualidade, mantém o clima de perversão e horror impregnado na história original e que veio a ser premiada por Festival de Avoriaz em 1974, além do Saturn Awards. História bem semelhante, igualmente saída das páginas de um livro foi “The Haunting on the Hill House” de Shirley Jackson, levado às telas em 1963 por Robert Wise e chamado “Desafio do Além” (The Haunting), sendo refilmado em 1999 por Jan DeBont em “A Casa Amaldiçoada”(The Haunting) , este tendo no elenco Liam Neeson, Catherine Zeta Jones, Owen Wilson e Lily Taylor. O filme orginal de Wise se saiu melhor por saber explorar os aspectos psicológicos inerentes no roteiro e com notável fotografia em preto e branco.

O ILUMINADO

O ILUMINADO

Ninguém supera, no entanto, em termo de impacto ao escritor norte-americano Stephen King que lançou em 1977 o livro “O Iluminado” (The Shining) que se passa no fantasmagórico hotel Overlook, no meio das montanhas durante um forte inverno e que se torna palco do pesadelo vivido pelo escritor Jack Torrance, possuído por entidades malignas. Apesar de algumas diferenças entre livro e filme, este se tornou uma obra prima do gênero dirigida por Stanley Kubrick e estrelada por Jack Nicholson. Embora o próprio autor tenha declarado não ter gostado do resultado final de sua adaptação (houve uma segunda versão feita para a Tv muitos anos depois, mas esquecível), é inegável que a visão cinematográfica de Kubrick e a atuação alucinada de Nicholson fizeram do filme um dos melhores do gênero. Há dois anos atrás, King publicou uma sequência para “O Iluminado” entitulada “Doctor Sleep” e que se prevê para breve em uma adaptação para as telas. King também é o autor do conto “1408”, que gerou um filme homônimo em 2007 estrelado por John Cusack. A história é menor se comparada a “O Iluminado”, mas diverte os apreciadores de King.

A MULHER DE PRETO

A MULHER DE PRETO

Recentemente, o avanço dos efeitos especiais permitiu revisitar os clichês do tema com alguns resultados medianos como “A Mulher de Preto” (The Woman in Black) de 2013, adaptado da obra de Shirley Jackson e estrelado por Daniel Radcliff (Harry Potter). O filme produzido pela clássica Hammer Films coloca Radcliff como um advogado no início do século XX enfrentando um espírito maligno que mata crianças. Em meio a casas e hotéis obscuros, digno de se mencionar é a criatividade nipônica que gerou os fantasmas de Samara e Toshio, respectivamente vistos em “O Chamado” (The Ring) de 2002, que teve um segundo filme pouco depois e um terceiro já foi anunciado para o ano que vem, e “O Grito” (Grudge) de 2003, que também entrou na lista de continuações. Para terminar esse passeio fantasma, uma pérola: Em 1982, o veterano Fred Astaire experimentou o gênero em “Histórias de Fantasmas” (Ghost Story) sobre o espírito de uma mulher vingativa voltando do além para matar seus desafetos. O filme consegue ser curioso e mediano e uma inventiva sugestão para um dia de Halloween.

GOOSEBUMPS – DOS LIVROS PARA AS TELAS, ARREPIOS E DIVERSÃO

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O medo é uma das emoções mais primitivas do homem, e brincar com os temores que trazemos dentro de nossas mentes vai além de acreditar que o bicho papão existe. O escritor norte-americano R.L.Stine (iniciais de Robert Lawrence) tornou-se um mestre em fazer isso, tal como um Stephen King versão juvenil que conquistou o respeito de mais 300 milhões de leitores que já tiveram contato com sua série “Goosebumps” desde que o primeiro, entitulado “Welcome to Dead House” (Bem Vindo à Casa dos Mortos) foi publicado em julho de 1992. De lá para cá foram 62 livros, que foram inclusive adaptados para a Tv em uma popular série de Tv realizada entre 1995 e 1999.

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O sucesso da série é misturar histórias de terror com um toque de humor, sem os aprofundamentos místicos e sobrenaturais, mas com o compromisso de divertir como se os episódios de “Scooby Doo” deixassem a dimensão animada para se tornar mais físico, tridimensional, ainda que frutos da imaginação de Stine e de seus leitores que acompanharam suas histórias com fervor e gosto antes que J.K.Rowling e seu menino bruxo se tornassem um fenômeno de vendas. A comparação é injusta até porque cada um tem seu valor, e o que fez de “Goosebumps” uma produção menor talvez seja o fato de não ter um protagonista fixo ou personagens recorrentes. Os livros de Stine compõem uma antologia, ou seja, histórias curtas, cada uma com um elenco de personagens independentes da outra e sem nenhuma conexão ou sequência como ligação entre elas. A habilidade de Stine foi usar em sua fórmula personagens jovens que em meio à vida escolar ou universitária, em casa com a família ou com os amigos se veem envolvidos em um mistério de natureza sobrenatural: Bruxas, vampiros, lobisomens e outras criaturas ganham a forma de ameaças reais nessa dimensão criada por Stine. A preocupação do autor é de apenas divertir uma vez que suas histórias não tentam esconder os clichês do gênero, recorrendo a lugares como subúrbios sombrios, acampamentos de verão ou casas mal assombradas, mas nem sempre se encerrando com um final feliz. Na verdade quase que todos as histórias de Stine trazem um desfecho incerto ou infeliz para alguns dos personagens, surpreendendo seus leitores. Outra característica de seus livros é que apesar de tratar de assuntos sobrenaturais, a linguagem é leve sem jamais apelar para o uso de drogas, violência ou o sexo gratuito.

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No Brasil, os livros chegaram pela Editora Abril no final da década de 90, mas esta só publicou dez livros. Em seguida, a editora Fundamento, a partir de 2006, republicou os livros editados pela Abril e mais alguns outros chegando a 26 publicações. O sucesso do filme talvez estimule a Fundamento a trazer para o Brasil os demais títulos da coleção que já teve dois projetos de adaptação anteriormente. Primeiro foi George Romero (o mestre dos filmes de mortos-vivos), mas o projeto não vingou. Tempos depois, foi Tim Burton quem tentou levar as histórias de Stine para o cinema, mas o projeto também não vingou. No Brasil, a série de Tv chegou a ser exibida pelo antigo canal Foxkids / Jetix durante o final dos anos 90 e inicio dos anos 2000.

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O filme estrelado por Jack Black certamente renovará o interesse pela obra de Stine e mostrará que monstros e arrepios tem um público cativo, razão pela qual os livros de Stine entraram para o livro Guiness de records, saltaram das páginas para as telas e vão dar sustos gostosos e divertidos por um longo tempo ainda.

ESTREIAS DA SEMANA: EM CARTAZ A PARTIR DE 22 DE OUTUBRO

GOOSEBUMPS – MONSTROS & ARREPIOS

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(Goosebumps) EUA 2015. Dir.Rob Letterman. Com Jack Black, Dylan Minette, Odeya Rush, Comédia de Terror. Um adolescente e sua família se mudam para uma cidade pequena e acabam se tornando vizinhos do escritor R.L.Stine, autor da série “Goosebumps”. Após fazer amizade com a filha de Stine, o atrapalhado jovem inadvertidamente vem a libertar os monstros dos livros de Stine que são reais e vivem presos nas páginas escritas por ele. O filme faz do autor R.L.Stine (Black) um personagem de suas histórias, que foram publicadas em livros muito bem vendidos no mundo, além de uma série de Tv e videogames. (Veja artigo acima) O ator Jack Black (que esteve no Brasil para promover o lançamento do filme) e o diretor Rob Letterman já trabalharam juntos antes (As Viagens de Gulliver) e entregam um entretenimento para toda a familía, um terrir que chega a lembrar “Os Caça Fantasmas” e cuja bilheteria foi surpreendente, o que pode apontar para uma eventual sequêncial. Material para adaptar não falta, já que são mais de 60 livros publicados, embora há algumas fontes que apontam 100.

S.O.S MULHERES AO MAR 2

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BRA 2015. Dir: Chris D’Amato. Com Giovanna Antonelli, Thalita Caruta, Reynaldo Giannichini, Fabiula Nascimento. Comédia. Depois do imenso sucesso do primeiro filme, Adriana, personagem de Giovanna Antonneli (Também produtora do longa), embarca em uma viagem ao parque temático da Universal, onde foi filmado. Se antes seu personagem queria reconquistar seu marido, agora ela quer correr atrás do tempo perdido e se divertir.

PONTE DE ESPIÕES

ponte de espioes

(Bridge of Spies) EUA 2015. Dir:Steven Spieberg. Com Tom Hanks, Alan Alda, Amy Ryan, Mark Rylance. Suspense. O filme, adaptado da história real do piloto Francis Gary Powers, é uma aula sobre guerra fria. Hanks é um advogado, escalado pelo governo americano para negociar uma troca de prisioneiros na ponte que dá nome ao filme e que ligava os dois lados de uma Alemanha dividida. O roteiro escrito pelos Irmãos Coen, em parceria com Matt Charman não escapa dos clichês do gênero, mas consegue ser uma aula de história e um bom entretenimento. É a quarta colaboração entre Spielberg e Tom Hanks, que trabalharam juntos em “O Resgate do Soldado Ryan” (1998), “Pegue me se for Capaz” (2002) e “O Terminal” (2004).

ATIVIDADE PARANORMAL – DIMENSÃO FANTASMA

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(Paranormal Activity 5 – The Ghost Dimension) EUA 2015. Dir: Gregory Polkin. Com Brit Shaw, Ivy George, Chris J.Murray. Terror. Com mais de 800 milhões de dolares arrecadados pelos filmes anteriores nada mais que esperado mais um filme da franquia. Uma familia encontra uma passagem para o além, o que vai levá-los a uma experiência de horror extremo. Mais do mesmo feito sob medida para os fans da série.

SCICARIO – TERRA DE NINGUÉM

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(Scicario) EUA 2015. Dir:Dennis Villeneuve. Com Josh Brolin, Emily Blunt, Benicio Del Toro, Victor Garber. Ação. Força tarefa que incui uma policial (Blunt) e um mercenário (Toro) caçam traficante de drogas na fronteira dos Estados Unidos com o Mexico. O filme competiu no Festival de Cannes de 2015 pela Palma de Ouro.

ENPE – PROGRAMA 8 : PLANETA DOS MACACOS

AMIGOS DO BLOG, JÁ CHEGOU MAIS UM PROGRAMA DOS AMIGOS LEONARDO BUSSADORI & ROOSEVELT GARCIA DO “ENPE” (E NO PRÓXIMO EPÍSODIO). CADA PROGRAMA SUPERA O ANTERIOR PELA DIVERSÃO, O CLIMA DESCONTRAÍDO COM O QUAL ELES RELEMBRAM ANTIGAS SÉRIES E DESENHOS DE TV. DESTA VEZ O TEMA DO PROGRAMA É O “PLANETA DOS MACACOS”, A FANTÁSTICA OBRA LITERÁRIA DE PIERRE BOULLE QUE DESDE 1968 NUNCA FOI ESQUECIDO POR HOLLYWOOD. AL´´EM DE DOS 5 FILMES ORIGINAIS, JÁ TEVE UMA MÁ SUCEDIDA REFILMAGEM FEITA POR TIM BURTON E UMA NOVA FRANQUIA QUE JÁ SE ANUNCIA PARA 2017 UM NOVO FILME QUE SERÁ ENTITULADO “WAR OF THE PLANET OF THE APES” (PLANETA DOS MACACOS – A GUERRA). OS AMIGOS ROOSEVELT & LEONARDO RELEMBRAM A SÉRIE DE TV E O DESENHO ANIMADO DA DÉCADA DE 70 QUE NO BRASIL FORAM EXIBIDAS COM RELATIVO SUCESSO NA TV GLOBO, EMBORA NO SEU PAÍS DE ORIGEM AMBAS TENHAM TIDO VIDA CURTA. A HISTÓRIA DESSES BASTIDORES ELES CONTAM AQUI NO PROGRAMA. ASSISTAM.

ESTREIAS DA SEMANA : EM CARTAZ A PARTIR DE 15 DE OUTUBRO DE 2015

A COLINA ESCARLATE

A Colina Escarlate

(Crimson Peak) EUA 2015. Dir: Guilhermo del Toro. Com Mia Wasikowska, Tom Hiddlestone, Jessica Chastain, Charlie Hunnam. Terror. Na virada do século XIX, a escritora Edith Cushing (Wasikowska) passa uma noite em uma casa mal assombrada e descobre coisas pertubadoras sobre seu marido e sua cunhada, além de descobrir seres de outro mundo que ameaçam sua sanidade. O filme, co-escrito pelo próprio del Toro, traz de volta aquela estética gótica dos antigos filmes da Hammer. Stephen King, um dos maiores autores do gênero teceu altos elogios ao filme que quase teve Benjamim Cumberbatch e Emma Stone respectivamente nos papéis que vieram a ficar com Tom Hiddlestone ( o Loki de “Thor” e “Vingadores” e Mia Waskowska (a Alice do filme de Tim Burton).

OPERAÇÕES ESPECIAIS

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Bra 2015. Dir: Tomas Portella. Com Cleo Pires, Lázaro Ramos, Fabricio Boliveira, Fabiula Nascimento, Fabio Lago, Marcos Caruso. Ação. Portella é diretor e roteirista já tendo trabalhado com Cleo Pires em “Qualquer Gato Vira Lata” (2011). Força tarefa é reunida para investigar a morte de duas crianças na cidade fictícia de São Judas do Livramento mas desperta a reação negativa da população local quando suas ações fogem do limite. O ator Fabricio Boliveira foi o João de Santo Cristo de “Faroeste Caboclo”.

UM AMOR A CADA ESQUINA

um amor a cada esquina

(She’s Funny That Way) EUA 2015. Dir: Peter Bogdanovich. Com Jennifer Aninston, Owen Wilson, Quentin Tarantino, Imogen Poots. Comédia. O diretor Peter Bogdanovich (A Última Sessão de Cinema, Essa Pequena é uma Parada) é um dos mais talentosos diretores norte-americanos mas tem estado há algum tempo afastado das câmeras desde a morte do ator John Ritter em 2003. Este protagonizaria este roteiro do próprio Bogadanovich, produzido por Wes Anderson (Os Excentricos Tennebauns) e que reune pela segunda vez em cena os atores Jennifer Aniston e Owen Wilson (Marley & Eu). O filme é uma comédia de erros centrada na confusão provocada por uma prostituta (Poots) depois que essa desperta o interesse do diretor de teatro (Wilson).

BOND 14 – 007 NA MIRA DOS ASSASSINOS

Foi no embalo da banda inglesa Duran Duran que Roger Moore se despediu do papel que desempenhou ao longo de 11 anos. Aos 57 anos, Moore já havia se cansado do papel de James Bond e se sentia desconfortável em fazer o papel de sedutor contracenando com belíssimas atrizes cada vez mais jovens. Moore cumpriu seu contrato final começando com uma eletrizante sequência na Rússia, seguida após os créditos de uma igualmente envolvente perseguição na Torre Eiffel, onde Bond persegue a assassina May Day.

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Assim começa a 14ª aventura de Bond no cinema, adaptando o conto “From a View to a Kill”, que Fleming incluíra na coletânea “For Your Eyes Only”, mas que o autor já havia publicado, em forma seriada, no jornal britânico “Daily Express” com o nome “Murder Before Breakfast”. No livro, Bond investiga o desaparecimento de documentos secretos ligado a um crime cometido por um motoqueiro assassino. Claro que, assim como nos filmes anteriores, pouquíssimo ou quase nada do material original de Fleming foi aproveitado. A trama foi recriada em torno da figura do mega empresário, e ex-agente da KGB Max Zorin, que planeja monopolizar a produção de microchips, inundando o Vale do Silício em São Francisco. O personagem foi criado pensando em David Bowie, mas este recusou, preferindo fazer o papel de rei dos duendes em “Labirinto- A Magia do Tempo”. Em seguida, o papel foi oferecido ao ator holandês Rutger Hauer (Ladyhawke – O Feitiço de Áquila) até ser oferecido a Christopher Walken, que se tornou o primeiro ator premiado com um Oscar a trabalhar em um filme de Bond.

Os Vilões Max Zorin e May Day

Os Vilões Max Zorin e May Day

As filmagens, iniciadas ainda em 1984, foram atrasadas devido ao incêndio que destruiu os Estúdios Pinewood. Em quatro meses, estes foram reconstruídos e rebatizados de “The Albert Broccoli 007 Stage”. As locações de filmagem incluíam a França, Inglaterra, Islândia e São Francisco cuja prefeita era fã da série e ajudou bastante para manter o cronograma das filmagens. Como os produtores buscavam tornar 007 mais atraente para as plateias mais jovens, a atriz e cantora Grace Jones (de quem Roger Moore não gostou muito, conforme o próprio revelou tempos depois) ficou com o papel da assassina May Day e a banda britânica Duran Duran gravou a canção-título que chegou a primeiro lugar nas paradas de sucesso, e chegou a ser indicada ao Oscar de melhor canção Embora não seja o melhor dos filmes estrelados por Roger Moore, também não é dos piores, mas em 1985 (ano de lançamento do filme) a sofisticação de Bond encontrava forte concorrência nos filmes de ação explosiva estrelados por Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenneger. Ainda assim, o filme que custou em torno de U$$30 milhões, faturou U$$50 milhões nos Estados Unidos e mais de U$$ 150 milhões no mercado internacional, o suficiente para garantir a continuidade da série.

James Bond & John Steed.

James Bond & John Steed.

No elenco, ainda encontra-se Patrick McNee, que interpretou o espião inglês John Steed na série de Tv “Os Vingadores” (The Avengers) – nada a ver com os heróis Marvel – realizada pela TV britânica. O papel de Stacy Sutton, a bond-girl que torna-se o objeto de desejo de 007 foi oferecido a Bo Derek, mas acabou ficando com a ex pantera Tanya Roberts, então com 30 anos. O ator Dolph Lundgren, que logo depois seria o adversário de Rocky Balboa em “Rocky IV”, era o namorado de Grace Jones e faz uma ponta como um dos agentes russos. Em uma ponta, em meio a multidão que assiste à corrida de cavalos pode se notar a atriz Maud Addams (de Octopussy) que foi convidada a fazer essa aparição pelo próprio Roger Moore, fazendo de Maud a única atriz a ter trabalhado em três filmes diferentes de 007. Além de Moore, também se despede da série a atriz Lois Maxwell, intérprete da secretaria Miss Moneypenny. O papel de Pola Ivanova (Fiona Fullerton) foi criado pelos roteiristas diante da recusa da atriz Barbara Bach de reprisar o papel de Major Amazova que vivera em “007 O Espião que me amava”.

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Fim de uma era – Despedida do elenco

Com o fim dessa 14ª  missão encerrou-se a era Moore. Novos tempos indicavam a necessidade de renovar a série para uma nova geração, mas isso é assunto para o próximo artigo.

BOND RETORNA AO BLOG EM “007 MARCADO PARA A MORTE”

ESTREIAS DA SEMANA : EM CARTAZ A PARTIR DE 8 DE OUTUBRO

PETER PAN

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(Pan) EUA 2015. Dir: Joe Wright. Com Levi Miller, Hugh Jackman, Garrett Hedlund, Amanda Seyfried, Rooney Mara. Aventura. A lembrança melhor que tenho de “Peter Pan” é a animação da Disney de 1954. Confesso que também gostei da reimaginação de Steven Spielberg em “Hook – A Volta do Capitão Gancho” (1990). Parece que Hollywood está sempre disposta a revisitar a obra do escritor escossês J.M.Barrie (1860 – 1937) que também gerou outra adaptação em 2003 dirigida por P.J.Hogan, e acreditem essa atual não será a última pois existem outros projetos (a obra original já é de dominio público) em outros estudios dispostos a nos levar de volta à Terra do Nunca, uma inclusive tem Channing Tatum como um dos produtores. Concentrando nos nessa nova versão, o objetivo do filme é uma espécie de “Ano Um” do personagem, uma origem elaborada para se criar uma franquia, um novo Harry Potter. Desanimador é o fato de que a crítica especializada tem massacrado o filme e a falta de badalação dessa estreia PODE apontar um fracasso para a Warner, distribuidora do filme. Na história, um menino orfão (Miller) é levado à Terra do Nunca e enfrenta, enttre vários perigos, o pirata Barba Negra (Hugh Jackman, o Wolverine) encontrando um aliado em James Gancho (Hedlund), aquele que será no futuro seu maior inimigo. O roteiro de Jason Fuchs (A Era do Gelo 4) explora o passado desses personagens com a intenção de preparar o terrano para uma história maior que, é claro, só será contada se o filme tiver uma bilheteria que a justifique. Mas não se preocupem, como afirmei antes, outras histórias de Pan virão em breve pois não apenas ele ou seus fãs, Hollywood parece que também não quer crescer.

A TRAVESSIA

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(The Walk) EUA 2015. Dir:Robert Zemeckis. Com Joseph Gordon Levitt, Ben Kingsley, Jamess Badge Earle. Drama. O diretor de “De Volta Para o Futuro” e “Forrest Gump” adapta a história real de Philippe Petit (Levitt), equilibrista francês que em 1974 fez o impossível: Atravessou as torres gêmeas do World Trade Center por um cabo de aço desafiando as autoridades que lhe negavam o direito de realizar a proeza que o tornou famoso então, e que já rendeu um documentário entitulado “O Equilibrista” em 2009 (vencedor do Oscar do gênero). A veracidade do relato saiu das próprias palavras de Pettie (Hoje com 66 anos) que escreveu o livro e co-roteirizou a adaptação que , de fato, impressiona visualmente, quiçá chegue a ganhar alguma indicação ao Oscar do ano que vem. ao menos pela parte técnica que recria a referida proeza com uma tomada de Nova York belíssima em todo o eslendor do 3D.

HORAS DE DESESPERO

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(No Escape) EUA 2015. Dir: JOhn Eric Dowdle. Com Owen Wilson, Lake Bell, Pierce Brosnan. Ação. Não é comum ver Owen Wilson em um papel de ação mas é agradável reencontrar Pierce Brosnan, o antecessor de Daniel Craig como James Bond nesta história sobre um executivo (Wilson) e sua familia fugindo em um país estrangeiro duante um golpe de estado que transforma as ruas em um campo de guerra e faz dos estrangeiros  um alvo. Brosnan é o mercenário contratado por eles para tira-los em segurança do país. O diretor co-roteiriza ao lado de seu irmão (Drew Dowdle) e filmou na Tailândia. Embora não seja

GALERIA DAS ESTRELAS : INGRID BERGMAN

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´PLAY IT AGAIN SAM

Uma das mais belas estrangeiras importadas para Hollywood, Ingrid Bergman nasceu em Estocolmo, Suécia em 29 de Agosto de 1915. Seu talento apareceu bem cedo, já que quando jovem, seu pai que era fotografo, registrava seu belo rosto de traços suaves, e que se tornaria despretensiosamente atraente à luz dos holofotes. Ingrid perdeu sua mãe quando tinha dois anos, e durante um bom tempo seu pai era tudo que tinha, e este estimulava sua filha diante das câmeras. Quando seu pai também morreu, quando tinha 12 anos, Ingrid foi morar com seu tio e quando terminou sua educação escolar básica, já havia decidido se tornar uma atriz. Apesar de uma curta passagem pelos palcos, Ingrid queria o cinema e depois de pequenos papeis, conseguiu o papel de Anita Hoffman em “Intermezzo” (1936). Foi quando chamou a atenção do lendário produtor de Hollywood David O’Selznick (de “E O Vento Levou”) que lhe ofereceu um contrato levando- a a California onde reprisaria o mesmo papel na refilmagem homônima lançada em 1939. Foi sua grande chance, em um momento em que sua compatriota, a mítica Greta Garbo, se retirava do firmamento Hollywoodiano.

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AO LADO DE SPENCER TRACY EM “O MEDICO E O MONSTRO”

Ingrid voltou brevemente ao seu país para cumprir seu contrato, mas logo retornou à America encarnando uma prostituta ao lado de Spencer Tracy e Lana Turner na refilmagem de “O Médico & O Monstro” (Dr.Jekykll & Mr.Hyde) em 1941. Um dos papéis mais marcantes de sua carreira já veio no ano seguinte quando assumiu o papel de Ilsa Lund no cultuado “Casablanca” (1942) de Michael Curtiz. Seus traços europeus e o sotaque em sua voz fez Hollywood se apaixonar ainda mais por sua beleza fresca, despretensiosamente envolvente com a qual encarnou a figura de uma mulher dividida entre o idealismo político e um grande amor. Quando o amargurado Rick Blaine (Humphrey Bogart) resmunga para a plateia “Por que com tantos bares, em tantas partes do mundo, ela teve que entrar justamente no meu?”, sua presença em cena preenche com uma classe capaz de fazer o gelo derreter com seu olhar. Décadas depois de entrar para a história do cinema com essa história de amor, Ingrid sempre se recusava a falar muito sobre o filme de Curtiz, deixando claro não ser uma de suas atuações favoritas. Diferente da orgulhosa e corajosa  Maria de “Por quem os Sinos Dobram” (For Whom The Bells Toll) atuando ao lado de Gary Cooper. Segundo a própria em sua autobiografia, Ingrid aceitou de bom grado cortar suas madeixas para ter oportunidade de trabalhar em uma adaptação de Ernest Hemingway, autor do qual gostava muito. Por esse papel recebeu sua primeira indicação ao Oscar.

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COM CARY GRANT EM “INTERLUDIO”

A versatilidade era uma característica de sua natureza, já que em 1944 interpretou uma mulher frágil e insegura em “À Meia Luz” (By Gaslight) , dirigida por George Cukor, que lhe deu o primeiro Oscar de melhor atriz. Em seguida, foi convidada a trabalhar com Alfred Hithcock em três ocasiões em “Quando Fala o Coração” (Spellbound) em 1945 contracenando com Gregory Peck,  em “Interlúdio” (Notorious) em 1946 ao lado de Cary Grant e Claude Rains e depois em “Sob o Signo de Capricornio” (Under Capricorn) em 1946 co-estrelado por Joseph Cotten. No mesmo ano foi mais uma vez indicada por outra mudança drástica de papel, interpretando uma religiosa em “Os Sinos de Santa Maria” e em 1948, depois de um ano de descanso, atuou em “Joanna D’Arc” (Joan of Arc) onde representou os conflitos e a fé de uma importante personagem histórica.

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COM YUL BRINNER EM “ANASTACIA – A PRINCESA ESQUECIDA”

Sua vida pessoal, no entanto, daria uma guinada de 180 graus no final da década de 40 quando conhece o diretor italiano Roberto Rossellini (quem inaugurou o neo realismo italiano com “Roma Cidade Aberta”) . Ingrid já era casada com o Dr.Peter Lindstrom e tinham juntos uma filha, Pia Lindstrom, quando a atriz foi filmar com Rosselini “Strombolli” em 1950. Ambos se apaixonaram e Ingrid virou as costas para tudo: sua família, sua carreira e seu novo lar, indo morar na Italia com Rosselini, gerando um escândalo que a levou a ser acusada de libertina. Quando sua gravidez foi anunciada, Ingrid foi execrada pelos moralistas de plantão. Em 1952, nasceria as gêmeas Isotta e  Isabella Rosselini, esta viria a se tornar famosa como modelo e depois, seguindo os passos da mãe, como uma ótima atriz. Durante esse tempo, Ingrid trabalhou em alguns filmes de seu segundo marido, seguindo em frente com sua vida com a determinação de não olhar para trás.

MÃE E FILHA : INGRID E ISABELLA

MÃE E FILHA : INGRID E ISABELLA

Aos 40 anos, se reinventou mais uma vez quando se divorciou de Roberto e voltou aos Estados Unidos onde filmou “Anastácia – a Princesa Esquecida” (Anastasia) de Anatole Litvak , em 1956. Hollywood parece lhe ter perdoado já que por esse papel ganhou seu segundo Oscar de melhor atriz. Em seguida teve novas oportunidades de mostrar sua atuação, trabalhando ao lado de grandes diretores como Stanley Donen em “A Indiscreta” (Indiscreet)  em que voltou a contracenar com Cary Grant e Mark Robson em “A Morada da Sexta Felicidade” (The Inn of the Sixth Happiness) com Robert Donat. Progressivamente, perdeu o interesse por Hollywood, diminuindo sua atividade nas telas, mas voltando temporariamente aos palcos. Casou-se novamente com um diretor sueco, alternando trabalhos nos Estados Unidos e na Europa, no cinema, no teatro e na TV.

MÃE E FILHA: TALENTOS

MÃE E FILHA: TALENTOS

MÃE E FILHA: TALENTOS

Na década de 70, recebeu mais um Oscar por seu papel em “Assassinato no Expresso do Oriente” (Murder in the Orient Experess), adaptação da obra de Agatha Christie dirigida por Sindey Lumet,  onde contracenou com Lauren Bacall, a viúva de Humphrey Bogart, seu co-astro em “Casablanca”. Em 1978, trabalhou ao lado de Liv Ullman em “Sonata de Outono” de seu compatriota Ingmar Bergman, seu último papel no cinema, e mais uma indicação da Academia. Quatro anos depois, já afastada dos holofotes, interpretou a primeira ministra de Israel Golda Meir (1982) em uma minisérie de Tv que lhe valeu o Emmy de melhor atriz, e que veio a ser seu canto do cisne de uma carreira prolífica e brilhante. Quando filmou a mini-série, Ingrid já sabia que sofria de câncer, vindo a falecer no dia de seu 67º aniversário em 1982. Uma vida riquíssima de uma mulher como poucas cuja personalidade jamais foi ofuscada pela beleza e cuja paixão por atuar a guiou por momentos difíceis e de escolhas dolorosas que ela, como ninguém, enfrentou de cabeça erguida a medida que o tempo passou, deixando nas telas as marcas, não só de uma estrelas, mas de uma das melhores atrizes de uma Hollywood

HALLOWEEN 2015 : PARTE 1 – VAMPIROS

A PARTIR DESSA SEMANA PUBLICAREI DURANTE O MÊS DE OUTUBRO ARTIGOS SOBRE TEMAS RELATIVOS AOS FILMES DE TERROR COMO CELEBRAÇÃO DO HALLOWEEN DESSE ANO. O PRIMEIRO TEMA A SER PUBLICADO É SOBRE AS FAMIGERADAS, PORÉM SEDUTORAS CRIATURAS DA NOITE. VEJAMOS UM POUCO SOBRE A NATUREZA DE SEUS HÁBITOS E EM SEGUIDA UMA SELEÇÃO DOS MELHORES FILMES DO GÊNERO:

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HISTÓRIAS DE VAMPIROS SÃO, NA VERDADE, ANTERIORES AO ROMANCE “DRÁCULA” DE BRAM STOKER, QUE FOI PUBLICADO EM 1897. NAQUELE FINAL DO SÉCULO XIX, O CONTINENTE EUROPEU JÁ COLECIONAVA DIVERSOS RELATOS DESAS CRIATURAS NOTÍVAGAS QUE SE LEVANTAVAM DE SUAS TUMBAS PARA SE ALIMENTAR DE SANGUE HUMANO. EM UMA ÉPOCA DE MUITA SUPERSTIÇÃO E REPRESSÃO SEXUAL, O VAMPIRO SURGIA COMO A PERSONIFICAÇÃO DE UMA CONDUTA LASCIVA, METÁFORA PARA O SEXO FORA DO CASAMENTO. A MORDIDA NO PESCOÇO GUARDA CONOTAÇÕES DE SEDUÇÃO QUE SUGEREM O ORGASMO E O DESEJO INCONTIDO DE PRAZER CARNAL. ALÉM DISSO, O VAMPIRO TAMBÉM É UM REBELDE POIS DESAFIA AS LEIS DE DEUS: VIVE ETERNAMENTE E SE MANTEM JOVIAL COM SUA RIGOROSA DIETA A BASE DE SANGUE. HOUVE QUEM SEGUISSE TAL NOÇÃO AO PÉ DA LETRA COMO A LENDÁRIA CONDESSA HÚNGARA ELIZABETH BATHORY(1560 – 1614 ), QUE OBCECADA PELA BELEZA ETERNA, COMETEU CRIMES HEDIONDOS, VINDO A SE BANHAR NO SANGUE DE BELAS VIRGENS, MOTIVO PELO QUAL ESTA FICOU CONHECIDA COMO “CONDESSA DRÁCULA”. SUA HISTÓRIA SERVIU DE INSPIRAÇÃO PARA O ESCRITOR IRLANDÊS JOSEPH SHERIDAN LE FANU ESCREVER SEU ROMANCE “CARMILLA“, PUBLICADO EM 1872, E QUE TAMBÉM INICIOU A CONOTAÇÃO DE QUE O VAMPIRISMO NÃO ESTAVA PRESO A HETEROSEXUALIDADE, SUGERINDO LESBIANISMO, OUTRA CONDUTA IGUALMENTE ESCANDALOSA PARA A SOCIEDADE EUROPÉIA DE ENTÃO. NA LITERATURA, E DEPOIS NO CINEMA, O FIGURA DO VAMPIRO EVOCOU A SEDUÇÃO E O MEDO, A VIDA ETERNA E A MORTE. SE DRÁCULA TORNOU-SE SINÔNIMO DE VAMPIRISMO, TAMBÉM ESTABELECEU OS CÂNONES DO GÊNERO : A ESTACA NO CORAÇÃO, O DOMÍNIO SOBRE AS CRIATURAS DA NOITE ENTRE OUTROS. AINDA EM 1927, O CINEASTA ALEMÃO F.W.MURNAU FEZ UMA ADAPTAÇÃO NÃO OFICIAL E QUE GANHOU IDENTIDADE PRÓPRIA NO GÊNERO: “NOSFERATU” TRANSFORMANDO A SEDUÇÃO EM REPULSA, DESTILANDO MEDO E INCORPORANDO TODA UMA ESTÉTICA ARTÍSTICA QUE FARIA HISTÓRIA. MUITOS ANOS DEPOIS, O ESCRITOR NORTE AMERICANO PUBLICOU, EM 1975, “A HORA DO VAMPIRO” (SALEM’S LOT). FOI SEU SEGUNDO LIVRO DECLARADAMENTE INSPIRADO NO LIVRO DE BRAM STOKER. A NORTE-AMERICANA ANNE RICE EXPLOROU NOVAS FRONTEIRAS DO VAMPIROS QUANDO CRIOU O VAMPIRO LESTAT , E EM 1976, PUBLICOU “ENTREVISTA COM O VAMPIRO” (INTERVIEW WITH THE VAMPIRE) QUE GEROU UMA LEGIÃO DE FÃS, CONQUISTADOS AO LONGO DE UMA SÉRIE DE LIVROS DO GÊNERO. MENOS CONHECIDO DO PÚBLICO BRASILEIRO, MAS BASTANTE INTERESSANTE É O EDITOR E JORNALISTA AMERICANO MICHAEL ROMKEY, QUE PUBLICOU EM 1990 “i VAMPIRE“, ONDE UM HOMEM DESILUDIDO REDESCOBRE UM SENTIDO MAIOR PARA SUA VIDA AO SE APAIXONAR POR UMA VAMPIRA. ROMKEY POSTULA QUE VÁRIAS FIGURAS HISTÓRICAS COMO O RUSSO RASPUTIN E JACK O ESTRIPADOR SÃO VAMPIROS. O SUCESSO DESSE LIVRO LEVOU TAMBÉM A UMA SÉRIE LITERÁRIA BEM SUCEDIDA. VEJAMOS ABAIXO, UMA LISTA DE FILMES MEMORÁVEIS SOBRE ESSES FASCINANTES SUGADORES DE SANGUE QUE INFLAMAM A IMAGINAÇÃO DOS APRECIADORES DO GÊNERO :

1- HORROR DE DRÁCULA (1958) – FOI O PRIMEIRO FILME DE DRÁCULA ESTRELADO PELO SAUDOSO CHRISTOPHER LEE, CONHECIDO PELA NOVA GERAÇÃO COMO O SARUMAN DE “O SENHOR DE ANÉIS” & “O HOBBIT”. LEE SUPEROU A JÁ EXCELENTE ATUAÇÃO DE SEU ANTECESSOR NO PAPEL (BELA LUGOSI). A PRDUTORA HAMMER CRIOU UMA VERDADEIRA DINASTIA DE FILMES DE TERROR E O MESTRE LEE UM DOS SEUS MAIORES EXPOENTES. COM POUCAS PALAVRAS E SEM CONTAR COM GRANDES EFEITOS, SUA ATUAÇÃO É ASSUSTADORAMENTE PERFEITA. COM SEU OLHAR E POSTURA ARISTOCRÁTICA, NADA MAIS É NECESSÁRIO.

DRACULA

2- DRÁCULA DE BRAM STOKER (1990) – É A MAIS PRÓXIMA ADAPTAÇÃO DO ROMANCE DE STOKER, MAS AINDA REINVENTA ALGUMAS PASSAGENS. GARY OLDMAN ESTÁ EXCELENTE NO PAPEL E A DIREÇÃO DE COPPOLA SOUBE COMO CONDUZIR A HISTÓRIA TIRANDO A ESSÊNCIA DAS PALAVRAS DE STOKER E TRADUZINDO-AS EM IMAGENS.

BSTOKER

3- A HORA DO ESPANTO (1985) -ESQUEÇA A REFILMAGEM DE 2011, O FILME DIRIGIDO POR TOM HOLLAND COM RODDY MCDOWALL E CHRIS SARANDON AINDA É MELHOR.

FRIGHTNIGHT

4- NOSFERATU (1979) – O DIRETOR ALEMÃO WERNER HERZOG CONSEGUIU A DIFICIL TAREFA DE ADAPTAR O FILME DE MURNAU. IMAGENS E CONTEUDO CAPAZ DE INTERESSAR MESMO AO NÃO AFICCIONADOS PELO GÊNERO.

NOSFERATU

5- DEIXE-ME ENTRAR (2011) – MATT REEVES REFILMOU A PRODUÇÃO SUECA QUE ADAPTAVA O LIVRO DE JOHN LINDQUIST SOBRE UMA NOVEMN VAMPIRA E SUA AMIZADE COM UM MENINO QUE SOFRE BULLYING NA ESCOILA. INTERESSANTISSIMO E BEM ATUADO PELA OTIMA CHLOE GRACE MORETZ.

DEIXE

OUTRAS SUGESTÕES :

DRÁCULA A HISTÓRIA NÃO CONTADA (2014), OS GAROTOS PERDIDOS (1987), VAMPIROS DE JOHN CARPENTER (1995), SOMBRAS DA NOITE (2013), ENTREVISTA COM O VAMPIRO (1994), A SOMBRA DO VAMPIRO (2013)  E VOCÊS QUAL SEU FILME FAVORITO SOBRE VAMPIROS ?

ENPE – PROGRAMA 7 : ULTRAMAN & ULTRASEVEN

O novo programa do ENPE já está no ar no “You Tube”. Especializado em seriados clássicos de Tv e desenhos, o programa apresentado com muito bom humor e descontração por Roosevelt Garcia e Leonardo Bussadori traz em sua sétima edição tudo sobre os clássicos seriados de Tv ” Ultraman” e “Ultraseven”, que eu assisti quando criança no programa do saudoso Capitão Aza, e depois no SBT no Bozo e na TV Poww ! Ninguem sabe do que eu estou falando não é ? Bom quem tem mais de 30 anos sabe muito bem e poderáa matar as saudades de uma época em que a TV era mais ingênua e divertida, tanto quanto brincar, quando criança, que se eu corresse eu também iria me transformar no meu favorito, o Hideki Go, com dreito àqueles gritinhos de luta com os monstros. Um barato pois recordar é viver !!!!!!

ESTREIAS DA SEMANA : EM CARTAZ A PARTIR DE 1º DE OUTUBRO

PERDIDO EM MARTE

PERDIDO EM MARTE

(The Martian) EUA 2015. Dir: Ridley Scott. Com Matt Damon, Jessica Chastain, Jeff Daniels, Chiwitel Eliojor, Sean Bean, Kristin Wigg. Ficção Cientifica. Com a recente declaração da NASA da descoberta de água em Marte, o novo filme de Ridley Scott ganha impulso diante do público. A história adaptada do livro de Andy Weir lembra a premissa do filme B “Robinson Crusoe em Marte” (Robinson Crusoe on Mars) de 1964 que trazia Adam West, o Batman da Tv, em situação semelhante: Um astronauta ilhado no planeta vermelho, tendo que sobreviver enquanto aguarda o resgate. Claro que guardam-se as devidas proporções, já que a história do filme de Ridley conta com um orçamento bem mais inflado e um super elenco para contar a história do astronauta Mark Watney, membro de uma expedição para Marte, deixado para trás e forçado a lutar árduamente pela sobrevivência até que uma missão de resgate o leve de volta. A obstinação e a criatividade deste para sobreviver em Marte reserva ótimas surpresas no roteiro que equilibra o embasamento científico da NASA com liberdades poéticas que estão lá para impulsionar a dramaticidade como a tempestade em Marte ou a rapidez com a qual Mark contata a Terra. Outras até guardam um grau de verossimilhança sem querem ser chato pois estamos falando de Hollywood. Ridley Scott demonstra maior desenvoltura com o roteiro de Drew Goddard, mais eficiente do que em “Prometheus”. Se não é uma obra prima, consegue ao menos ser uma eficiente aventura dentro do gênero que abraça.

VAI QUE COLA – O FILME

VAI QUE COLA FILME

Bra 2015. Dir: Cesar Rodrigues. Com Paulo Gustavo, Samantha Schmutz, Emiliano D’Avila, Catarina Abdala,Cacau Potassio, Fiorella Matheus  Comédia.

Adaptação da divertidísssima sitcom exibida na tv pelo Multishow. Valdomiro é um trambiqueiro de primeira que se refugia da policia na pensão da Dona Jo quando perde todo seu dinheiro em um golpe. Agora vê uma chance de reaver seu antigo status sendo que tem que levar toda a turma da pensão consigo. Paulo Gustavo é muito talentoso e engraçado e está cercado de um super elenco capaz de divertir na tela grande.