ESTREIAS DA SEMANA: 22 DE JUNHO

MEUS 15 ANOS

meus 15 anos

Bra 2017. Dir: Carolini Fioratti. Com Larissa Manoela, Rafael Infante, Bruna Tatar, Anitta, Bruno Peixoto. Comédia.

A jovem Bia não é nem um pouco popular na escola. Seus pais planejam uma festa de 15 anos e convidam todos para transformar sua filha na estrela da noite. Larissa Manoela começou a carreira da atriz nas novelas “Carrossel” e “Cúmplices de um Resgate”, no SBT, alcançando grande popularidade, e agora protagoniza seu primeiro filme.

O CIRCULO

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(The Circle) EUA 2017. Dir: James Ponsonldt. Com Emma Watson, Tom Hanks, Karen Gillian, John Boyega, Bill Paxton, Gleanne Headly. Suspense.

Jovem (Watson) é contratada para o trabalho de seus sonhos, em uma empresa de tecnologia chamada “O Circulo”. A principio entusiasmada, ela vem a descobrir uma trama conspiratoria que envolve quebra de sigilo e invasão de privacidade. O filme adapta o livro de Dave Eggars, que também co-roteirizou o filme junto ao diretor. A história chega em momento oportuno em que a tecnologia parece não respeitar a privacidade e a individualidade. Foi o ultimo filme dos atores Bill Paxton e Gleanne Hedley, recentemente falecidos.

ESTREIAS DA SEMANA : 15 DE JUNHO

BAYWATCH 

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(Baywatch) EUA 2017. Dir: Seth Gordon. Com Dwayne Johnson, Alexandra Daddario, Zac Efrom, David Hasselhof, Pryanka Chopra, Pamela Anderson, Kelly Rorhback. Ação.

Entre 1989 e 2001, uma das séries mais populares era “Baywatch” – aqui chamada durante um tempo de S.O.S Malibu, quando estreiou pela Rede Globo. O filme, assim como na série, gira em torno de uma equipe de salva-vidas unindo esforços para resgatar banhistas. Em 1996, a série chegou a entrar para o livro Guiness de Recordes como a série mais assistida no mundo (lembrando que era um mundo pré-Netflix), com 1,1 bilhão de telespectadores. O personagem de Dwayne Johnson, Mitch Buchanon (na série interpretado por David Hasselhoff – alguem lembra dele de “A Super Máquina”?) é o salva vidas experiente que precisa da ajuda do jovem Matt Brody (Zac Effron), todo se querendo, para investigar um crime, relacionado às atividades de uma perigosa traficante de drogas. Os apelidos que Mitch usa para se referir a Matt (Biber, One Direction) foram todos sugeridos pelo próprio Zac Efrom. As cenas de ação estão bem diluídas em humor, e aí reside a falha do filme … o excesso de piadas que se por um lado confere ao filme um tom despretensioso, por outro disafarça mal um roteiro mais raso do que piscina de criança. O carisma de Johnson em cena é indiscutivel, mas mesmo o ator não consegue salvar o conjunto da obra. Aos antigos fans da série fica a presença em cena de David Hasselhoff e Pamela Anderson em rápidas aparições.

COLOSSAL

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(Colossal) EUA 2017. Dir: Nacho Vigalondo. Com Anne Hathaway, Jason Sudeikis, Tim Blake Nelson, Dan Stevens.Ficção Cientifica

Mulher sofre série de infortunios em sua vida pessoal e deixa a cidade de Nova York para recomeçar a vida, mas desconfia que há uma estranha criatura mimetizando seus movimentos e ações. De volta à sua cidade natal, em Seul, Coreia, ela descobre que o futuro da raça humana depende de sua habilidade para evitar uma grande catástrofe envolvendo a citada criatura. O filme foi lançado no Festival de Toronto em setembro do ano passado, e foi rodado durante o segundo trimestre de gravidez da atriz Anne Hathaway.

UM TIO QUASE PERFEITO

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Bra 2017. Dir: Pedro Antonio. Com Marcus Majella, Leticia Isnard, Ana Lucia Torre, Bia Montez, Eduardo Galvão. Comédia.

Tony (Majella) vive de bicos e trambiques para sobreviver. Quando é despejado, vai parar na porta da irmã (Isnard) que não vê durante muito tempo. Como esta ficou sem babá para cuidar dos filhos, o tio sem noção resolve ajudar. O filme lembra um pouco a premissa de “Quem ve cara, não vê coração” (Uncle Buck) de 1989, no qual John Candy vive um personagem similar. Marcus Majella, de “Vai que Cola”, faz um papel divertido, de humor demolidor.

TUDO E TODAS AS COISAS

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(Everything, everything) EUA 2017.Dir: Stella Maghie. Com Nick Robinson, Amandla Steinberg, Taylor Rickson, Ana de la Reguera. Drama

Jovem de 18 anos sofre de uma alergia acentuada que a mantem com serie de restrições com o mundo exterior. Quando ela se apaixona pelo vizinho, decide explorar o mundo a sua volta mesmo que isso custe sua vida. Adaptado do livro de Nicola Yoon, o filme busca em seu publico o romance entre pesoas que precisam desafiar o impossivel, no estilo dos romances de John Green e Nicholas Sparks.

CLÁSSICO REVISITADO: 0S 30 ANOS DE “DIRTY DANCING – RITMO QUENTE”

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         Recentemente a ABC levou ao ar nos Estados Unidos um remake do clássico “Dirty Dancing” com o desconhecido Colt Pratter e Abigail Breslin (Pequena Miss Sunshine) nos papeis que pertenceram respectivamente a Patrick Swayze (1952 – 2009) e Jennifer Grey. Há quase 30 anos, o filme dirigido por Emile Ardolino fez todos balançarem ao som de “I’ve had the time of my life”, e hoje a ouvimos emocionados com a saudade de Swayze, e daquele verão romântico de 1963.

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              A história do filme foi escrita com  base nas memorias da roteirista Eleanor Bergstein, que nos anos 60 passou um tempo em um resort nas montanhas Catskill (no estado de Nova York) onde o professor de dança Johnny Castle (Swayze) se envolve com a jovem Frances “Babe” Houseman (Grey). Assim como esta, Eleanor vem de um família judia cujo pai era médico e o apelido Babe também usara até completar 22 anos. O filme desenvolve sua narrativa a partir da chegada de Babe e sua familia ao mesmo tempo em que Penny (Cynthia Rhodes), a parceira de dança de Johnny, engravida de um dos garçons e faz um aborto que quase a mata, mas que faz todos pensarem que é culpa de Johnny. Como Penny não pode mais prosseguir com os ensaios para a apresentação, Babe a subsititui.

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Ninguem coloca Babe de lado !!!

             Embora a quimica entre Swayze e Grey seja parte essencial do encanto do filme, nos bastidores o casal central não compartilhava o mesmo sentimento. Os atores já se conheciam quando filmaram juntos “Amanhecer Violento” (Red Dawn) de 1984, e não tinham se dado nada bem. Quando foram escolhidos para estrelar “Dirty Dancing”, Swayze precisou convencer Jennifer Grey, então com 27 anos e fazendo papel de uma adolescente. O diretor Emile Ardolino, que havia ganhado o Oscar de melhor documentário em 1983, precisou de um esforço conjunto com  Eleanor para acalmar as insatisfações mútuas dos protagonistas. Na cena em que Swayze, por exemplo, desliza os dedos pelas axilas da atriz, que genuinamente começava a rir, despertando a impaciência do experiente bailarino que Swayze era.  Este fazia sua próprias cenas sem dublê, incluindo a sequência do tronco sobre o lago, gravado sob as baixas temperaturas das águas locais apesar do filme, rodado durante o outono, se passar no verão. O filme alcançou grande popularidade na época de seu lançamento, tendo sua trilha sonora alcançado alta vendagem na época misturando antigos hits dos anos 60 com a belíssima “She’s like the wind”, cantada e co-escrita pelo próprio Patrick Swayze, e – claro – a dançante e oscarizada “I’ve had the time of my life”, um dueto da cantora Jennifer Warner com Bill Medley, que nos anos 60 foi parte dos Righteous Brothers. Esta empolga o ato final quando a inocência de Johnny (também injustamente  acusado de roubo) é provada e este volta ao resort a tempo de puxar Babe para o palco. A fala “Nobody puts Babe in a corner” foi transformada em título de uma canção da banda “Fall out Boy”.

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              Esqueça a sequência “Dirty Dancing – Noites de Havana” de 2004, bem como a refilmagem recente da ABC. O filme de 1987 ainda é pura magia em qualquer reprise e um deslumbre para os olhos a dança final de Swayze e Grey. Romantico na medida certa para quem quiser tentar erguer a parceira como na imagem. Ninguem põe Babe de lado, e ninguém conseguiria ser tão majestoso quanto Patrick Swayze.

 

 

UNIVERSO DE MONSTROS 2: AS MUMIAS -DE KARLOFF A BOUTELLA

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BORIS KARLOFF – 1932

         A cultura egípcia sempre alimentou a curiosidade  de historiadores e arqueólogos na mesma medida que estimulou a imaginação humana acerca de maldições milenares que caem sobre os profanadores de túmulos, o que o cinema logo tratou de se apropriar. Quando Boris Karloff  (1887 – 1969) interpretou o sumo-sacerdote Imhotep no clássico “A Mumia” (1932), haviam passado dez anos desde que os arqueólogos Howard Carter e Lord Carnarvon haviam descoberto a tumba do rei Tutancâmon.

            O roteirista John L.Balderston, a partir da história de Nina Putnam e Richard Schayer, criou um sub-gênero que seria explorado com sucesso pela Universal, o estúdio de Carl Laemmle Jr que alcançara anos antes sucesso com as adaptações literárias de “Dracula” e “Frankenstein” (1931). A política de Laemmle era custo baixo, muita sugestão para despertar sustos. Em “A Mumia” (The Mummy), o diretor Karl Freund, que fora fotografo em clássicos como “Metropolis” (1922) e “Dracula” (1931), usa e abusa das técnicas expressionistas das quais era um mestre. A maquiagem de Jack Pierce (também vindo de “Frankenstein”) demorava cerca de oito horas para transformar Karloff em uma múmia desperta pelas palavras mágicas do livro dos mortos. Contudo, em seu despertar, pouco é mostrado e em um salto no tempo Karloff surge como Ardath Bay, manipulando a descoberta do túmulo de sua amada Aucksonamon. Karloff pouco fala, mas seu olhar ameaçador assusta ainda mais. O nome de Imhotep foi tirado do arquiteto que criou as pirâmides, e muito longe de ser um sacerdote amaldiçoado, gozava de prestígio abaixo apenas dos faraós.

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CHRISTOPHER LEE EM “A MUMIA DE ANANKA”

             Oito anos depois a Universal decidiu fazer outro filme, mas Karloff não retorna como Imhotep. Assim, o estúdio faz a primeira de várias reinvenções da história, trocando Imhotep por Kharis, a múmia guardiã da princesa Ananka em “A Mão da Múmia” (The Mummy’s Hand). Jack Pierce volta como maquiador transformando Tom Tyler (ator de antigos westerns e serials) na nova criatura egipicia. Nesta nova série, a múmia ganha como algoz a figura do arqueólogo John Banning que antagonizará o mal representado por Kharis. A este se seguiram mais três filmes “A Tumba da Mumia” (The Mummy’s Tomb) de 1942,”A Sombra da Mumia” (The Mummy’s Ghost) de 1944 e , no mesmo ano que este, “The Mummy’s Curse”, todos com a múmia sendo interpretado por Lon Chaney Jr, que tornou-se o único ator a ter já interpretado todos os monstros clássicos da Universal : O Lobisomem (1941), o monstro de Frankentein (The Ghost of Frankenstein) e Dracula (The Son of Dracula) de 1943. A máscara usada pelo ator é exibida até hoje na exposição de terror do Museu em Seattle.

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VALERIE LEON EM “SANGUE NO SACORFAGO DA MUMIA”

            Apesar da comédia “Abbot & Costello meets the Mummy” de 1955, o público foi perdendo  interesse  no monstro, a medida que os estúdios entraram os anos 50 explorando discos voadores e monstros do espaço. Coube à produtora inglesa Hammer Films trazer de volta o personagem em “A Mumia de Ananka” (The Mummy) de 1959 com Christopher Lee no papel de Kharis. As cores e a presença magnética de Christopher Lee garantiram o êxito dessa retomada inglesa realizada em acordo com a Universal International. Na década de 60 ainda teríamos “A Maldição da Mumia” (The Curse of the Mummy’s Tomb) de 1964, “A Mortalha da Mumia” (The Mummy’s Shroud) de 1967 e “Sangue no Sacorfago da Mumia” (Blood from the Mummy’s Tomb) de 1970, este último adaptado de “The Jewel of the Seven Stars”, de Bram Stoker, com a beldade Valerie Leon no papel de uma rainha egícpica do mal possuindo o corpo (e que corpo) da filha do arqueólogo. Todos esses filmes foram constantemente exibidos na TV brasileira durante as décadas de 70 e 80 perpetuando a atmosfera B dos filmes da Hammer. Na década de 80 tivemos nossa múmia brasileira no terrir “O Segredo da Mumia”, de Ivan Cardoso (1982) que deu a Wilson Grey, ator típico das chanchadas da Atlântida, seu primeiro papel de protagonista depois de décadas de contribuição ao cinema brasileiro.

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IMHOTEP (ARNOLD VOSLOO EM “A MUMIA”) DE 1999

                Quando a Universal decidiu refilmar “A Mumia” em 1999 sabia-se que o público não iria mais se assustar com um monstro enrolado em ataduras, andando devagar atrás das pessoas. Assim, o diretor Stephen Sommers transformou a história de Imhotep em uma aventura movimentada como Indiana Jones. O sucesso, que teve Brendan Fraser, Rachel Weisz e Arnold Vosloo como Imhotep, levou em pouco tempo à sequencia “O Retorno da Mumia” (The Mummy Returns) de 2001 que, alguns não lembram foi o debut cinematográfico do hoje astro Dwayne Johnson, este no papel do escorpião rei. Ainda houve o tardio “A Mumia: A Tumba do Imperador Dragao” (2008), muito fraco e já sem nenhum atrativo para manter o interesse do público com uma incursão pela China (lembrando que os chineses não mumificavam seus mortos). Mesmo com a inclusão do popular astro de artes marciais Jet Li, o filme deixa a desejar.

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SOFIA BOUTELLA

            A nova versão do monstro com Sofia Boutella e Tom Cruise mostra que o antigo Egito continuará a assombrar as telas com suas maldições, mas muito longe de chegar perto da inocente medo que figuras como Karloff, Chaney e Lee conseguiram imprimir na memória do cinema, em preto em branco ou em cores, mas empoeirado com milênios de tradição do que já foi o horror nas telas.

IN MEMORIAN : ADAM WEST

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MINHA MÁSCARA E CAPA JÁ SE PERDERAM FAZ MUITO TEMPO. EU TINHA UNS NOVE OU DEZ ANOS E VIVIA PULANDO NO SOFÁ DE CASA, SOCANDO AS ALMOFADAS COMO SE ESTAS FOSSEM O CORINGA OU O CHARADA E BEIJANDO UMA OUTRA COMO SE FOSSE A JULIE NEWMAR. CERTAS COISAS NÃO SE ESQUECEM E A INOCÊNCIA DE OUTRORA CULTIVAMOS EM NOSSA MEMORIA AFETIVA. DIGO ISSO PORQUE ESTOU MUITO TRISTE COM A MORTE ANUNCIADA ONTEM DO ATOR ADAM WEST, O BATMAN DE MINHA, DE NOSSA INFÂNCIA. SANTA SAUDADE DESSE ATOR QUE DURANTE UM LONGO TEMPO FOI A ENCARNAÇÃO DO CRUZADO EMBUÇADO IMAGINADO POR BOB KANE. A SÉRIE DE TV PRODUZIDA DE 1966 A 1968, EMBALADA PELO CONTAGIANTE TEMA DE NEAL HEFTI, FOI LEVADA AO CINEMA EM 1967 COM A DUPLA DINÂMICA ENFRENTANDO QUATRO DOS SEUS PRINCIPAIS VILÕES: O CORINGA DE CESAR ROMERO, O CHARADA DE FRANK GORSHIN, O PINGUIM DE BURGUESS MEREDITH E A MULHER GATO, ESTA INTERPRETADA POR LEE MERIWETHER JÁ QUE JULIE NEWMAR NÃO ESTAVA DISPONIVEL PARA AS FILMAGENS. VI  FILME NO CINEMA, UMA DE SUAS REPRISES JUSTIFICADA PELO INCRIVEL APELO QUE A SÉRIE PRODUZIDA POR WILLIAM DOZIER MANTEVE AO LONGO DAS DÉCADAS. POW! CRASH! BOOM! AQUELAS ONAMOTOPEIAS GIGANTESCAS NA TELA COM CORES BERRANTES, TUDO BEM CAMP, DIVERTIDO E PARA SEMPRE EM NOSSOS CORAÇÕES. FAÇA A PASSAGEM E PAZ, ADAM, MEU HERÓI.

ESTREIAS DA SEMANA: 8 DE JUNHO

A MUMIA

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(The Mummy) EUA 2017. Dir: Alex Kurtzman. Com Tom Cruise, Sofia Boutella, Annabelle Wallis, Russell Crowe. Terror.

A clássica história de uma múmia milenar do antigo Egito que desperta e espalha morte e terror no mundo é recorrente desde o filme homônimo estrelado por Boris Karloff em 1932, refilmado várias vezes inclusive pela prestigiosa Hammer que trouxe Christopher Lee no papel central. Foram várias sequências e imitações, sendo a refilmagem de 1999 com Brendan Fraser uma das mais divertidas. A Universal realiza este reinicio com a intenção de iniciar um universo compartilhado de monstros com refilmagens dos icônicos Lobisomen (talvez com Dwayne Johnson), Homem Invisivel (anunciado com Johnny Depp) entre outros. A presença de Russell Crowe como Dr.Jekyll, do clássico “O Médico & O Monstro”, aponta a interligação entre os eventos desse filme e outros que se anunciam para breve. A personagem título é a princesa Ahmanet (Boutella), acidentalmente desperta de seu sono milenar por Nick Morton (Cruise), escolhido por ela para fazer parte de uma vingança que pode destruir o mundo. O site Rotten Tomatoes deu 27% de aprovação apontando falhas nas pretensões do roteiro de introduzir novos filmes de monstros. O filme chega ao Brasil um dia antes de sua estreia nos Estados Unidos.

 

UNIVERSO DE MONSTROS

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         Quando Criança meu universo compartilhado de monstros era assistir a sitcom “The Munsters” (1964-1966) que trazia Fred Gwynne e Yvonne DeCarlo como um simpático casal, ele a criatura de Frankenstein e ela uma vampira, filha do próprio Drácula, um vovô bonachão, interpretado por Al Lewis. Tempos mais inocentes quando os monstros clássicos dos filmes de terror já não assustavam tanto. Nos primórdios do cinema, no entanto, a casa destes era o estúdio da Universal que tornou-se especialista em dar forma aos pesadelos do inconsciente humano.

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FRANKENSTEIN ENCONTRA O LOBISOMEN

            A frase “Bem vindo a um mundo novo de deuses e monstros” que agora anuncia a chegada do “Dark Universe” do estúdio na verdade é uma retomada pois o estúdio, na ativa desde a era do cinema mudo, já investira no passado na ideia de um universo compartilhado. Nomes como Lon Chaney (pai e filho), Boris Karloff e Bela Lugosi formavam um elenco talentoso na arte de explorar o medo, mais sugerido que explicito. Entre 1923, data da primeira filmagem de “O Corcunda de Notre Dame” com Lon Chaney até o final da década de 50, o Universal Studios chefiada por Carl Laemmle soube se especializar em filmes de custo baixo mas que davam grande retorno de bilheteria durante os loucos anos vinte (os chamados roaring twenties) criando uma reputação que continuou a explorara em meio aos difíceis anos da grande depressão que se seguiu. A Universal foi o primeiro estúdio a investir em sequências, muitas das vezes reaproveitando cenários, tomadas e falas, se beneficiando do talento desses atores, diretores como Tod Browning e James Whale e da habilidade do maquiador Jack Pierce para moldar personagens saídos dos pesadelos mais sombrios. A Universal deu vida a Drácula, Frankenstein, lobisomem, múmia e várias outras criaturas que se popularizaram com um público que encontrava deleite nas sombras da alma humana representadas em preto e branco, herdeiros das lições do expressionismo cultivadas por Murnau e Lang.

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A CASA DE FRANKENSTEIN

          A ideia de juntar mais de um monstro em um único filme surgiu quando, depois de 4 filmes de Frankenstein (os três primeiros com a criatura interpretada por Boris Karloff) o roteirista Curt Siodmark sugeriu ao produtor  George Wagner que fizessem “Frankenstein meets the Wolfman”, recebendo sinal verde para o projeto que veio a ser dirigido por Roy William Neill e lançado em 1943. O filme mostra Larry Talbot (Lon Chaney Jr) procurando uma cura para sua maldição e se confrontando a criatura de Frankenstein interpretada por Bela Lugosi, que fica em cena apenas por pouco mais de cinco minutos sendo ocasionalmente substituido por um dublê devido a problemas de saúde. O filme funcionou como uma sequência tanto para os eventos mostrados em “O Lobisomen” de 1941 como em “A Alma de Frankenstein” (The Ghost of Frankenstein) de 1942. Para atrair o público, o estúdio anunciou o nome de Lon Chaney, sem o Jr, para confundir a todos já que o nome de Lon Chaney pai (falecido em 1930) ainda era então extremamente conhecido. A ideia inicial era de ter Chaney filho fazendo tanto o papel do lobisomen como do monstro de Frankenstein, mas deixada de lado já que falamos de décadas anteriores à tecnologia digital. O resultado satisfatório animou a Universal a reunir mais monstros, o que levou à realização de “A Casa de Frankenstein” (The House of Frankenstein) de 1944. Neste novo exemplar, Boris Karloff retorna ao universo de monstros mas como o cientista louco que manipula Dracula (John Carradini), o monstro de Frankenstein (o ex cowboy Glenn Strange) e o Lobisomen (Chaney Jr) para se livrar de seus desafetos. Originalmente, a múmia Kharis seria incluída no filme, mas por motivos de orçamento ficou de fora. Mesmo as cenas com Drácula acabaram sendo filmadas em separado sem que este contracenasse com o lobisomen de Chaney e o Frankenstein de Strange. O filme ainda incluiria a figura do corcunda apaixonado (J.Carrol Nash) por uma dançarina cigana (Elena Verdugo) emulando a narrativa de “O Corcunda de Notre Dame”, embora não sejam os mesmos personagens. A Segunda Guerra se aproximava de seu fim, mas o público vivia a incerteza desta e de suas consequências. O ciclo da Universal oferecia a catarse ideal para esse medo real, palpável e o estúdio soube como tirar proveito disso levando a “A Casa de Drácula” (The House of Dracula) de 1945 reunindo esse “Nightmare Team” uma última vez, desta vez sem Karloff que teve o personagem substituído por outro cientista, o Dr.Edelmann (Onslow Stevens) a quem Drácula e Larry Talbolt procuram em busca de uma cura. O filme incluiu uma novidade na figura de uma mulher corcunda, Nina (Jane Addams). O filme também marcou a última aparição de Lon Chaney Jr sob contrato com a Universal, embora o ator tenha voltado ao papel mas na comedia “Abbot & Costello Meet Frankenstein” (1948) que reuniria além do próprio Bela Lugosi como Dracula e Glenn Morgan como Frankenstein.

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A CASA DE DRÁCULA

         Quando a década de 50 chegou o interesse dos estúdios passou a ser filmes de monstros do espaço e discos voadores, o que deixou os monstros clássicos de lado mas não esquecidos graças à iniciativa da Universal de levá-los para a Tv como um pacote de filmes  que foi apresentado a uma nova geração de jovens que redescobriu os mestres do pavor sobrenatural. Provando que estes sempre renascem, o estúdio promete novas versões em filmes interligados, reintroduzindo o conceito para uma geração acostumada a jogos de vídeo game e filmes de super heróis. Como promete o slogan, um mundo – não tão novo assim – de deuses, monstros e efeitos digitais modernos.

CRÍTICA: MULHER MARAVILHA

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NÃO É EXAGERO: “MULHER MARAVILHA” É O FILME QUE A DC/WARNER PRECISAVA E O QUE OS FÂS QUERIAM. O ROTEIRO DE ALLAN HEINBERG E A DIREÇÃO DE PATTY JENKINS CONSEGUEM EXTRAIR O QUE HÁ DE MELHOR EM 76 ANOS DE HISTÓRIAS DESSA PERSONAGEM ICÔNICA CRIADA PELO DR. WILLIAM MOIULTON MARSTON. ENGOLI MINHAS PALAVRAS POIS QUANDO GAL GADOT FOI ANUNCIADA COMO A HEROÍNA REAGI COMO MUITOS COM REJEIÇÃO IMEDIATA. NÃO PODERÍAMOS ESTAR MAIS ERRADOS ENTÃO: O OLHAR DE GADOT TRANSMITE A INOCÊNCIA INICIAL DA PERSONAGEM EM SUA JORNADA NO MUNDO DOS HOMENS, MAS TAMBÉM SE CONECTA COM O PÚBLICO NA HORA DE MOSTRAR PORQUE É A DEFENSORA DE QUE O MUNDO PRECISA. A SEQUÊNCIA NO FRONT DE BATALHA VALE PELO FILME INTEIRO EM TERMOS DE AÇÃO. SUA QUÍMICA COM CHRIS PINE CONDUZ A NARRATIVA COM HUMOR EQUILIBRADO, ROMANCE E LUTA. O FILME É REDONDO, SEM FALHAS E PODE AGRADAR TANTO AOS LEITORES DE HQ COMO AOS QUE BUSCAM UM BOM ENTRETENIMENTO. DIVIDIDO EM TRÊS ATOS: A INFÂNCIA E TREINAMENTO NA ILHA DE THEMYCIRA, A CHEGADA EM LONDRES E O CHOQUE CULTURAL INERENTE, E FINALMENTE A BATALHA COM OS ALEMÃS. CADA CENA CONDUZ À OUTRA ENTREGANDO UMA HISTÓRIA QUE CONSEGUE SEGURAR O INTERESSE E ELEVÁ-LO ATÉ O ESPERADO CONFRONTO COM ARES, O DEUS DA GUERRA. O ANTAGONISMO MOSTRADO BEBEU DA FONTE DA FASE ESCRITA E DESENHADA POR GEORGE PEREZ QUE REAPRESENTOU A HEROINA PARA O PUBLICO LEITOR DOS ANOS 80, MAS TAMBÉM HÁ PASSAGENS NO ROTEIRO DA RECENTE FASE DE BRIAN AZZARELLO E CLIFF CHIANG. RECOMENDO E REAFIRMO, O FILME DE HEROINA DE QUE PRECISAVAMOS, COM A MENSAGEM EXATA DE O MUNDO JÁ VIVEU GUERRAS DEMAIS E AMOU DE MENOS. EM TEMPOS DE DONALD TRUMP. É BOM UMA HEROINA NOS LEMBRAR PELO QUE VALE A PENA LUTAR.

MULHER-MARAVILHA : DAS HQS PARA O MUNDO

            Poucos personagens dos quadrinhos se igualam ao histórico da Mulher-Maravilha, apesar dela não ter sido a primeira super-heroina das hqs. Já haviam aventureiras como “Sheena, a rainha da selva” (1937) do mestre Will Eisner e “Dale Arden”, a destemida namorada de “Flash Gordon” (1934) de Alex Raymond. Depois ainda viriam personagens como “Phantom Lady” da Quality Comics e “Black Cat” da Harvey Comics (ambas de Agosto de 1941). Contudo, estas embora tivessem tido um impacto em seu momento, não mantiveram uma repercussão contínua no meio. Muitas personagens femininas ficavam estereotipadas como a eterna moçinha em perigo, ou com um apelo apenas sensual para o público masculino. A mulher buscava uma papel mais relevante na sociedade: sufragistas defendiam seus direitos já nas primeiras décadas do século XX, em 1912 Jane Addams tornou-se a primeira mulher a ganhar o prêmio Nobel da Paz, e na década de 30 Amelia Earhart abriu os horizontes com seus feitos. O mundo clamava por um símbolo capaz de guiar gerações de mulheres, e mostrar aos homens do que elas são capazes.

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A DEUSA DA VERDADE

                         Era Outubro de 1940, o psicólogo norte-americano William Moulton Marston (1893-1947) escreveu um artigo na qual reconhecia que os quadrinhos tinham um potencial educativo. Esse artigo chamou a atenção de Max Gaines, dono da All-American Comics, editora que anos depois formaria a DC comics. A proposta de Gaines era que Marston, criador de um componente que levaria à criação do polígrafo (o detector de mentiras),  atuasse como consultor, o que daria prestígio às suas publicações. Além disso, Marston era um ferrenho defensor da superioridade da mulher, bem como defensor de ideias muito à frente de sua época, como o sexo livre e a poligamia, tendo ele mesmo vivido com duas mulheres. Marston aceitou o cargo, e usando o pseudonimo Charles Moulton,  apresentou a proposta de um novo personagem que seria a essência de suas crenças e de seu trabalho: Uma heroína representante de uma sociedade matriarcal, as lendárias amazonas da mitologia.  Na história, a deusa Afrodite dá vida à uma estatueta de barro, esculpida por Hipólita, a rainha das Amazonas. Estas se isolaram do mundo dos homens há séculos na ilha Paraíso. Quis o destino que o piloto norte-americano Steve Trevor chegasse acidentalmente à ilha onde homens não poderiam permanecer ou as amazonas perderiam sua imortalidade. É feito um torneio para decidir qual das amazonas ficaria incumbida de levar Steve Trevor de volta e defender o mundo do patriacardo de um grande mal que ameaça a todos, no caso a ascenção do nazismo. A estreia da personagem foi em uma história secundária de 8 páginas publicada no título bimestreal “All Star Comics” #8, datada de dezembro de 1941, mesmo mês e ano do ataque japonês a Pearl Habor. Na capa os heróis da Sociedade da Justiça, primeira superequipe de justiçeiros uniformizados. No mês seguinte, a Mulher Maravilha já ganhava mais evidência ao aparecer na capa de “Sensation Comics” #1, com a arte de H.G.Peter mostrando a princesa amazona desviando as balas com seus braceletes, trajando as cores da bandeira americana em seu uniforme sexy de corpete amarelo e vermelho ostentando o desenho de uma águia e uma longa saia azul estrelada.

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O TÍTULO PRÓPRIO EM 1941

                 A heroína, em quatro meses, ganhou seu título próprio, e ao longo das décadas seguintes expandiu sua importância para muito além das páginas da Hq. Durante o tempo em que esteve à frente deste, Marston usou suas teorias sobre a emancipação da mulher,  e suas ideias de liberdade sexual e da independencia feminina, inserindo esses elementos nas histórias, o que diferençiava as aventuras da Mulher Maravilha dos outros heróis publicados na época. Era a figura de uma mulher que salvava o homem (Steve Trevor) do perigo, desafiava a truculência masculina e libertava-se dos grilhões impostos às mulheres. Era comum naquelas histórias imagens de mulheres amarradas ou acorrentadas, o que deixava sugerido ideias sobre perversão e masoquismo. Ainda assim a maior arma da Mulher-Maravilha era o laço de Héstia, um artefato místico que obrigava aqueles nele envoltos a falar somente a verdade. A intenção de  Marston era provar a superioridade feminina, e o visual da arte de H.G.Peter explorava como podia a sensualidade da princesa Diana sem, no entanto, jamais cair na vulgaridade. As vendas eram altas e Marston continuou no título até o número 27, quando ele morreu.

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CATHY LEE CROSBY NO PRIMEIRO PILOTO

              A personagem, no entanto, se manteve ininterruptamente publicada graças a uma cláusula no contrato de Marston com a National Periodic que determinava que se o título parasse de ser publicado, seus direitos reverteriam em definitivo para Marston e seus herdeiros. Em 1968, por exemplo, Diana foi privada de seus poderes divinos e tornou-se uma lutadora de artes marciais, mas 25 edições depois retomou seu status-quo. A heroína foi retratada em belíssimos traços pelo artista argentino Garcia Lopez nos anos 70, e na década seguinte o renomado George Perez que reinventou sua origem explorando a riqueza dos elementos da mitologia grega. Em seguida, vários artistas trabalharam com a personagem como John Byrne, o brasileiro Mike Deodato, Phil Jimenez, Greg Rucka, J.G.Jones e Brian Azzarello, cada qual mantendo vivo o legado de Marston.

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WILLIAM MOULTON MARSTON (SENTADO À ESQUERDA) – O CRIADOR

             Em 1967, o produtor William Dozier, que levou Batman para a Tv encomendou um piloto de 5 minutos entitulado “Who’s afraid of Diana Prince?”, com esta retratada como uma adolescente desajeitada, controlada pela mãe, e que se transforma em uma super-heroína, vivida pela desconhecida Ellie Wood Walker. O projeto não foi para frente, e os planos de uma versão live-action ficaram na geladeira até 1974 quando a ABC produziu “Wonder Woman”, estrelado por Cathy Lee Crosby e encenado no presente. Descaracterizada no piloto, a heroína não usa seu uniforme clássico, e nada em seu visual remete à personagem de Marston, sendo retratada apenas como uma espiã bem treinada (no estilo da fase marcial de Denny O’Neal publicada nas hqs no fim dos anos 60) e enfrentando o ameaçador Abner Smith (Ricardo Montalban).

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LYNDA CARTER – A MULHER MARAVILHA PERFEITA

    O fracasso do piloto não desanimou o produtor Douglas S. Cramer que em 8 meses fez um segundo piloto, “The New Original Wonder Woman”,  fiel às origens das hqs e estrelado pela ex Miss America Lynda Carter, que havia sido inicialmente recusada. Carter, então com 24 anos,  tinha os exatos traços da personagem das hqs e seu piloto agradou a audiência norte-americana.  A série ganhou 14 episódios pela ABC com a heroína vivendo suas aventuras durante a Segunda Guerra, e a partir de 1977, foi transferida para a CBS com as histórias passando para o presente. O sucesso durou até 1979, mas as reprises subsequentes fizeram a personagem extremamente popular, especialmente no Brasil onde a série da Mulher Maravillha foi inicialmente exibida pela Rede Globo, e depois TVS (atual SBT). A série teve vários momentos antologicos com passagens de astros de renome como o cowboy Roy Rogers, John Saxon, Robert Loggia, Roddy McDowell, Mel Ferrer e Debra Winger, que interpretou a Garota Maravilha, irmã de Diana, em dois episódios. Com o passar do tempo, o personagem Steve Trevor (Lyle Waggoner) foi ficando cada vez menos recorrente nas histórias, alimentando histórias de que este não mantinha uma relação amistosa com a atriz, embora Lynda Carter tenha sempre negado. Em 2011, uma tentativa de trazer de volta a Mulher Maravilha para a tv foi feita, sendo mal-sucedida, com a personagem vivida pela atriz Adrianne Palicki, e roteiro do renomado roteirista David E.Kelly.

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LYNDA CARTER & DEBRA WINGER

              A atriz Gal Gadot torna-se agora a nova responsável por mostrar a atual geração o ideal de uma personagem cuja importância já lhe conferiu, ainda que temporariamente, um cargo de embaixadora honorária das Nações Unidas, estampou a capa da revista feminista Ms por duas vezes, e ganhou  nos Estados Unidos um dia dedicado a ela, o “Wonder Woman Day” (3 de Junho).  Não há dúvida que o mundo está mais do que pronto para ela.

PIRATAS DO CARIBE, DA LITERATURA & DO CINEMA.

        Quando criança adorava histórias de piratas e uma das primeiras que vi foi a adaptação de “Pluft – o Fantasminha” da Maria Clara Machado, que trazia o ator Flavio Migliaccio como o malvado pirata da perna de pau. Histórias desses saqueadores dos mares datam desde a Odisséia de Homero, mas a imagem que mais se popularizou no imaginário popular foi a do bandido com papagaio no ombro e tapa-olho,  que atravessou os mares nos séculos XVII e XVIII.

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A literatura clássica romantizou os feitos dos piratas como donos de um código próprio de camaradagem temperado com a ganância desmedida e a caça ao tesouro. O autor escossês Robert Louis Stevenson (1850-1894) publicou em 1883 “A Ilha do Tesouro” (Treasure Island) , já adaptado para o cinema diversas vezes desde a época do cinema mudo, sendo a versão mais famosa a realizada pela Disney em 1950. No Brasil, tivemos nossa própria versão em “O Trapalhão na Ilha do Tesouro” (1975), divertida paródia com Renato Aragão & Dedé Santana. O livro é narrado pelo menino Jim Hawkins, que conta suas aventuras ao lado do pirata Long John Silver. A obra de Stevenson tornou-se referência no tema, sendo a primeira vez que surgiu a clássica imagem do mapa do tesouro com um “X” marcado.

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CAPITÃO BLOOD

       Durante várias décadas, o cinema Hollywoodiano  fez da pirataria um filão rentável com Douglas Faibanks esbanjando um sorriso provocante em “O Pirata Negro” (The Black Pirate) de 1926, ainda durante o período mudo. Os duelos de espada ensaiados e coreografados pelo mestre Fred Cavens ofereciam o realismo necessário para as plateias ávidas por ação. A chegada do som trouxe Errol Flynn e Tyrone Power como os mais célebres representantes dessa figura sedutora, viril e rebelde, muitas vezes em filmes extraídos dos livros do escritor italiano Rafael Sabatini (1875 – 1950) como “Capitão Blood” (Captain Blood) de 1935, “O Gavião do Mar” (The Sea Hawk) de 1940 e “O Cisne Negro” (Black Swan) de 1941. Os dois últimos, no entanto, foram adaptações nada fieis ao livro adaptado, mas fixaram a imagem de Flynn e Power como os expoentes do filão, modelo para os aventureiros retratados nas telas por atores como Cornel Wilde, Douglas Fairbanks Jr, Louis Hayward e Burt Lancaster, que emprestou ao tipo suas incríveis habilidades atléticas de sua experiência circense em filmes como “O Pirata Sangrento” (The Crimson Pirate) de 1952. Da década de 50, quando o gênero começou a entrar em declínio, alguns exemplares merecem destaque como “Contra Todas as Bandeiras” (Against All Flags) de 1952, com Errol Flynn, Anthony Quinn  e Maureen O’Hara (uma belíssima pirata, aliás).  Aqui, mostra-se uma variedade da pirataria, o “bucaneiro”, que se refugiava em lugares remotos e atacavam qualquer embarcação de forma violenta, agregando a suas fileiras ex-presidiarios, ex-escravos, qualquer um que fosse marginalizado. Estes pilhavam principalmente as embarcações espanholas. Além de Maureen O’Hara, outra pirata mulher que vagou pelos mares caribenhos foi Anne Providence, interpretada pela igualmente bela Jean Peters em “A Vingança dos Piratas” (Anne of the INdies) de 19651. Já a figura do corsário, ou seja, um pirata cuja atividade era tributada em favor de seu reino, teve a figura histórica do Capitão Francis Drake vivido por Rod Taylor em “O Pirata Real” (Seven Seas to Calais) de 1963. O notório Edward Teach ganhou o famoso apelido Barba Negra e apareceu em diversos filmes já vivido por Robert Newton, Peter Uistnov, e mais recentemente Ian McShane em “Piratas do Caribe: Navegando em Aguas Misteriosas” (2011). Curiosa mezcla de gêneros foi feito por Vincent Minnelli em 1948 no musical “O Pirata” (The Pirate ) com Gene Kelly se fazendo passar por um perigoso elemento para conquistar Judy Garland, ao som de canções de Cole Porter.

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O PIRATA : GENE KELLY & JUDY GARLAND

              Nas décadas de 70 e 80, o tema foi inutilmente ressucitado resultando em fiascos de bilheteria como “Piratas das Ilhas Selvagens” (Nate & Hayes) de 1983. Roman Polanksi também fracassou com “Piratas” (Pirates) de 1986 chegando ao ponto de construir a fragata “Neptune”, mostrada no filme, e levá-la para a abertura do Festival de Cannes no citado ano, ancorando próximo ao local, uma extravagância promocional que nada ajudou na bilheteria da produção. Desastroso também foi o filme de Renny Harlin “A Ilha da Garganta Cortada” (Cutthroat Island) de 1995. Na verdade, até que Johnny Depp surgisse como o Capitão Jack Sparrow no primeiro “Piratas do Caribe” (Pirates of the Caribbean) de 2003, o gênero parecia extinto. Claro que depois de quatro sequências, sendo a última “A Vingança de Salazar”, parece que ainda teremos tempo para fazer um brinde com rum e dizer HO HO HO.

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PIRATAS DO CARIBE: KEIRA KNIGHTLY, ORLANDO BLOOM & JOHNNY DEPP

IN MEMORIAN: ROGER MOORE

ROGER MOORE

LAMENTAMOS TODOS A MORTE DO ATOR ROGER MOORE. EU O CONHECI ANTES DE SUBSTITUIR SEAN CONNERY NO PAPEL DE 007. ERA A SÉRIE “PERSUADERS”, UMA PÉROLA DOS ANOS 70 NA QUAL O ATOR BRITÂNICO ATUAVA AO LADO DE TONY CURTIS. TAMBÉM LEMBRO DELE COMO SIMON TEMPLAR, O LADRÃO SOFISTICADO DE “O SANTO”. SIR ROGER MOORE FOI O INTÉRPRETE MAIS PROLÍFICO DE BOND, ATUANDO AO TODO EM 7 FILMES ENTRE 1973 E 1985. SEU CINISMO E PERSONALIDADE “LIGHT” FIRMARAM O PERSONAGEM AO LONGO DE UMA DÉCADA E MEIA. FOI O BOND QUE MENOS SE LEVAVA A SÉRIO, MAS QUE PARECIA SE DIVERTIR MAIS. SE POR UM LADO SALVAVA O MUNDO NOS FILMES, NA VIDA REAL TAMBÉM TENTAVA TENDO SE TORNADO EMBAIXADOR DA UNICEF, EM PROL DA CAUSA DAS CRIANÇAS DO MUNDO. QUE DESCANSE EM PAZ, O ESPIÃO QUE TODOS NÓS AMAVAMOS.