CLÁSSICO REVISITADO: 40 ANOS DE “STAR WARS EPISÓDIO IV : UMA NOVA ESPERANÇA”

            Há quarenta anos o mundo conheceu a saga da família Skywalker, e não foi em uma galáxia tão distante assim. Para mim, então com nove anos, foi na capa de uma revista da extinta Bloch Editores chamando a atenção para o filme que fora anunciado na TV com a imponente trilha sonora de John Williams. George Lucas tinha 33 anos quando “Star Wars – Episodio IV: Uma Nova Esperança” chegou aos cinemas, naquela época chamado de “Guerra Nas Estrelas”, alimentado pelos antigos seriados de “Flash Gordon” (o herói que enfrenta um imperador maléfico), pela estética dos filmes de samurais do renomado Akira Kurosawa (no filme “A fortaleza escondida”, uma princesa é escoltada por território hostil no Japão feudal) e os impressionantes quadrinhos de “Valerian e Laureline” de Pierre Christin e Jean-Claude Mézières, recentemente adaptados por Luc Besson.

STAR WARS IV

             Na época de sua realização, a ficção científica era considerada um sub-gênero cinematográfico, associado a filmes B não levados a sério. Lucas mudou isso a duras custas já que nenhum estúdio se interessou pelo projeto. Tendo convencido a 20th Century Fox a fazer um acordo que daria a Lucas os direitos, assim como a responsabilidade do prejuízo no caso de um eventual fracasso. A Força estava com Lucas, como mostrou o lucro estimado em mais de US$700 milhões e o papel que sua história desempenharia na cultura pop nos anos que se seguiram.

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      Nos seis anos seguintes a trilogia encerrou o ciclo com “O Império Contra Ataca” (1981), considerado o melhor dos filmes, e “O Retorno de Jedi” (1983). São muitos os momentos registrados na memória dos fãs, como o momento em que Luke descobre quem é seu pai, os duelos dos sabres de luz ou o imenso cruzador imperial que parece sair da tela na abertura de “Uma Nova Esperança”.

           Sabe-se que os filmes dessa trilogia eram os episódios intermediários de uma história maior, que viria a ser produzida ao longo das décadas. O impacto da história foi expandido para além do cinema quando George Lucas permitiu que autores explorassem a história após os eventos de “O Retorno de Jedi” na forma de HQs e livros. Este universo expandido foi rebatizado de “Legends” (Lendas) quando a Disney comprou os direitos de Lucas, e guarda momentos apreciados por fãs como a trilogia “Herdeiros do Império”, escrita por Timothy Zahn, que mostra a Nova Republica enfrentando o Almirante Thrawn, um militar implacável , sem nenhuma conexão com a Força, que busca reconstruir o Império e esmagar as forças rebeldes.

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         “Guerras nas Estrelas” teve indicação para vários Oscars e ganhou sete – melhor direção de arte, melhor figurino, melhor som, melhores efeitos especiais, melhor edição, melhores efeitos sonoros e melhor trilha sonora. Seu elenco era então composto principalmente por desconhecidos, apesar de Carrie Fisher (Princesa Lea) ser filha da consagrada atriz Debbie Reynolds (Cantando na Chuva). As duas únicas exceções são Alec Guiness (1914-2000) , veterano ator que vinha de clássicos como “Lawrence da Arabia” (1962) e “Dr.Jivago” (1964) e Peter Cushing (1913 – 1994) que estrelou vários filmes de terror ao lado de Christopher Lee pela Hammer Films. O trio central formou-se em torno de Lea, Luke (Mark Hamil) e Han Solo (Harrison Ford), heróis de uma epopeia que ainda trazia os icônicos robôs R2D2 (Kenny Baker) e C3PO (Anthony Daniels), este último evocando a clássica imagem de Maria, a robô de “Metropolis” (1927) de Fritz Lang.

            Ná década em que o episódio IV foi originalmente lançado, o público estava acostumado aos filmes- catástrofe (Destino do PoseidonAeroportoInferno na Torre), filmes policiais (Dirty HarryOperação França) e recém-saído dos acordes assustadores do “Tubarão” de Speilberg. Lucas entregou um produto que atingiu em cheio as plateias mais jovens, que não eram o foco das produções cinematográficas da época. Desprovido de qualquer pretensão, o filme transbordou com puro escapismo e foi capaz de encantar – geração após geração – seduzidas pelo apelo irresistível da Força, da imagem hoje emblemática do vilão de negro, Darth Vader, classificado como o terceiro maior do cinema pelo AFI (perdendo apenas para Norman Bates (#2) e Hannibal Lecter (#1) em uma lista de 50 personagens escolhidos em julho de 2003).

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Ainda tenho na lembrança a primeira exibição do episodio IV na TV, no distante 11 de dezembro de 1983, pela já extinta Rede Manchete. Não havia sido retocado por George Lucas, que modificou cenas para o relançamento de 20 anos do filme, e depois nas sucessivas passagens para outras mídias (DVD, Blu-ray).

           Tampouco tínhamos imagens digitais a nossa disposição, mas marcou tanto quanto no dia de sua estreia nos cinemas brasileiros em janeiro de 1978. Minha geração revive essas emoções a cada reprise e comparecerá aos cinemas para se despedir de Lea no novo filme “Star Wars – Episodio IX:O Ultimo Jedi”. Mas a força sempre estará em  nossos corações.

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GOLDEN GLOBE 2018 – OS INDICADOS

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DIVULGADO ONTEM A LISTA DOS INDICADOS PARA O “GOLDEN GLOBE 2018”  CUJA CERIMÔNIA SERÁ REALIZADA EM 7 DE JANEIRO PRÓXIMO EM LOS ANGELES, SENDO APRESENTADA PELO COMEDIANTE SETH MEYERS. OS ATORES ALFRE WOODARD, KRISTEN BELL, GARRET HEDLUND E SHARON STONE ANUNCIARAM A LISTA DOS FILMES E PROFISSIONAIS QUE SERÃO HONRADOS NO BEVERLY HILTON HOTEL E QUE SEMPRE GERA EXPECTATIVA COMO PRÉVIA DO OSCAR VINDOURO. A LISTA A SEGUIR:

Melhor filme – Drama

“Me chame pelo seu nome”
“The Post: A guerra secreta”
“Dunkirk”
“A forma da água”
“Três anúncios para um crime”

Melhor filme – Comédia e musical

“Artista do Desastre”
“Corra!”
“I, Tonya”
“Lady Bird: É Hora de Voar”
“O Rei do Show”

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Melhor diretor

Christopher Nolan – “Dunkirk”
Guillermo del Toro – “A Forma da Água”
Martin McDonagh – “Três Anúncios Para um Crime”
Ridley Scott – “All the Money in the World”
Steven Spielberg – “The Post: A Guerra Secreta”

Melhor roteiro

“A Forma da Água” – Guillermo del Toro
“A Grande Jogada” – Aaron Sorkin
“Lady Bird: É Hora de Voar”- Greta Gerwig
“The Post: A Guerra Secreta” – Liz Hannah, Josh Singer
“Três Anúncios Para um Crime” – Martin McDonagh

Melhor atriz de filme – Drama

Frances McDormand – “Três Anúncios Para um Crime”
Jessica Chastain – “A Grande Jogada”
Meryl Streep – “The Post: A Guerra Secreta”
Michelle Williams – “All the Money in the World”
Sally Hawkins – “A Forma da Água”

FORMA DA AGUA

A FORMA DA ÁGUA

Melhor atriz de filme – Comédia ou musical

Emma Stone – “A Guerra dos Sexos”
Helen Mirren – “The Leisure Seeker”
Judi Dench – “Victoria e Abdul – O Confidente da Rainha”
Margot Robbie – “I, Tonya”
Saoirse Ronan – “Lady Bird: É Hora de Voar”

Melhor ator de filme – Drama

Daniel Day-Lewis – “Trama Fantasma”
Denzel Washington – “Roman J. Israel, Esq.”
Gary Oldman – “O Destino de uma Nação”
Timothée Chalamet – “Me Chame pelo Seu Nome”
Tom Hanks – “The Post: A Guerra Secreta”

Melhor ator – Musical ou comédia

Ansel Elgort – “Em Ritmo de Fuga”
Daniel Kaluuya – “Corra!”
Hugh Jackman – “O Rei do Show”
James Franco – “Artista do Desastre”
Steve Carell – “A Guerra dos Sexos”

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O REI DO SHOW

Melhor ator coadjuvante

Armie Hammer – “Me Chame pelo Seu Nome”
Christopher Plummer – “All the Money in the World”
Richard Jenkins – “A Forma da Água”
Sam Rockwell – “Três Anúncios Para um Crime”
Willem Dafoe – “Projeto Flórida”

Melhor atriz coadjuvante

Allison Janney – “I, Tonya”
Hong Chau – “Pequena Grande Vida”
Laurie Metcalf – “Lady Bird: É Hora de Voar”
Mary J. Blige – “Mudbound”
Octavia Spencer – A Forma da Água”

Melhor animação

“Com Amor, Van Gogh”
“O Poderoso Chefinho”
“O Touro Ferdinando”
“The Breadwinner”
“Viva: A Vida é uma Festa”

Melhor trilha sonora para filme

“A Forma da Água” – Alexandre Desplat
“Dunkirk” – Hans Zimmer
“The Post: A Guerra Secreta” – Vários
“Trama Fantasma” – Jonny Greenwood
“Três Anúncios Para um Crime” – Carter Burwell

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THE POST – A GUERRA SECRETA

Melhor filme língua estrangeira

“Em Pedaços”
“First They Killed My Father: A Daughter of Cambodia Remembers”
“Loveless” (Nelyubov)
“The Square”
“Uma Mulher Fantástica”

Melhor série de TV – Drama

“Game of Thrones”
“The Handmaid’s Tale”
“Stranger Things”
“The Crown”
“This Is Us”

Melhor ator em série limitada ou filme feito para TV

Robert De Niro – “O mago das mentiras”
Ewan McGregor – “Fargo”
Geoffrey Rush – “Genius”
Jude Law – “The Young Pope”
Kyle MacLachlan – “Twin Peaks”

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MICHEELE PFEIFFER & ROBERT DENIRO

Melhor filme para TV ou série limitada

“Big Little Lies”
“Fargo”
“Feud”
“The Sinner”
“Top of the Lake”

Melhor série – Musical ou comédia

“Black-ish”
“Master of None”
“SMILF”
“The Marvelous Mrs. Maisel”
“Will& Grace”

Melhor ator de série de TV – Musical ou comédia

Anthony Anderson – “Black-ish”
Aziz Ansari – “Master of None”
Eric McCormack – “Will & Grace”
Kevin Bacon – “I Love Dick”
William H. Macy – “Shameless”

Melhor ator de série de TV – Drama

Bob Odenkirk – “Better Call Saul”
Freddie Highmore – “The Good Doctor”
Jason Bateman – “Ozark”
Liev Schreiber – “Ray Donovan”
Sterling K. Brown – “This Is Us”

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FREDDIE HIGHMORE – THE GOOD DOCTOR

Melhor atriz de série de TV – Drama

Caitriona Balfe – “Outlander”
Claire Foy – “The Crown”
Elisabeth Moss – “The Handmaid’s Tale”
Katherine Langford – “13 Reasons Why”
Maggie Gyllenhaal – “The Deuce”

Melhor atriz de minissérie ou filme feito para TV

Jessica Biel – “The Sinner”
Jessica Lange – “Feud”
Nicole Kidman – “Big Little Lies”
Reese Witherspoon – “Big Little Lies”
Susan Sarandon – “Feud”

Melhor atriz de série de TV – Musical ou comédia

Alison Brie – “GLOW”
Frankie Shaw – “SMILF”
Issa Rae – “Insecure”
Pamela Adlon – “Better Things”
Rachel Brosnahan – “The Marvelous Mrs. Maisel”

Melhor atriz coadjuvante em série, minissérie ou filme para TV

Ann Dowd – “O Conto da Aia”
Chrissy Metz – “This Is Us”
Laura Dern – “Big Little Lies”
Michelle Pfeiffer – “O Mago das Mentiras”
Shailene Woodley – “Big Little Lies”

Melhor ator coadjuvante para série, minissérie ou filme feito para TV

Alexander Skarsgård – “Big Little Lies”
Alfred Molina – “Feud”
Christian Slater – “Mr. Robot: Sociedade Hacker”
David Harbour – “Stranger Things”
David Thewlis – “Fargo”

 

ESTREIAS DA SEMANA: 30 DE NOVEMBRO

ASSASSINATO NO EXPRESSO DO ORIENTE

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(Murder on the Orient Express) Reino Unido / 2017. Dir: Kenneth Brannagah. Com Kenneth Brannaagh, Johnny Depp, Penelope Cruz, Michelle Pfeiffer, Josh Gad, Daisy Ridley, Judy Dench, William Dafoe, Derek Jacobi. Suspense. 

Demorou para que o cinema redescobrisse as obras da Rainha do Crime (Vide matéria abaixo) graças a Kenneth Brannagah, herdeiro de Laurence Olivier que sempre equilibrou seus filmes entre adaptações teatrais como “Hamlet” (1996) ou “Henrique V” (1989) com trabalhos mais comerciais como “Thor” (2011) e “Cinderella” (2015). Tendo nas mãos o roteiro de Michael Green (roteirista de “Logan”, “Blade Runner 2049, da série “Sex & The City” e produtor da série “Heroes”), Brannagah traduz o engenhoso quebra cabeças da autora que se passa a bordo do luxuoso trem (Agatha Christie viajou no verdadeiro expresso do oriente para escrever sua obra) onde o detetive belga Hercule Poirot (um dos pilares do gênero policial, tão importante quanto Holmes) investiga os passageiros suspeitos da morte de um homem rico esfaqueado durante uma tempestade de neve). Poirot é tão genial quanto Holmes, e tão peculiar quanto este em suas deduções e modus operandi. Brannagah dirige e interpreta o personagem que protagonizou diversas obras da autora. Seu elenco multi-estelar é um espetáculo à parte (destaque para Michelle Pfeiffer) , cada um sendo uma peça inestimável com a qual Agatha Christie traça um painel da natureza humana, o que o diretor sabe como explorar mostrando que o cinema não precisa ser resumido a franquias de super herois e blockbusters. A Fox já anunciou oficialmente a volta de Brannagh como Poirot em “Morte no Nilo” em breve, mostrando que se na vida real o crime não compensa, ao menso na literatura e no cinema ele o faz brilhantemente.

 

BEST-SELLERS: ASSASSINATO NO EXPRESSO DO ORIENTE DE AGATHA CHRISTIE

           Há mais de 80 anos que um seleto grupo de passageiros embarcou em uma luxuosa composição ficando confinados nela por força de uma tempestade de neve. Durante dias, até que pudessem retomar sua viagem, um dos mais ilustres passageiros: Samuel Ratchett – um riquíssimo empresário – aparece morto em sua cabine onde foi esfaqueado 12 vezes. Para que o assassino fosse encontrado, seria necessário correr contra o tempo, já que assim que a tempestade parasse, e o trem chegasse à parada mais próxima, o assassino poderia escapar. O detetive belga Hercule Poirot, a bordo do trem, assume as investigações que remontam ao sequestro e morte de uma criança, caso este não resolvido na época e que ganhara as manchetes internacionais.

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           Todo esse intrigante enredo foi fruto da fértil imaginação de Agatha Mary Clarissa Miller, nascida em 15 de Setembro de 1890, que alcançou a eternidade usando o sobrenome de seu primeiro marido: Agatha Christie. O referido livro que viria a ser chamar “Assassinato no Expresso do Oriente” surgiu em sua mente quando a própria autora viajou a bordo do Expresso do Oriente durante uma viagem realizada em 1928. Além disso, o episódio do luxuoso trem preso durante uma tempestade de neve realmente ocorreu anos antes. O esmero da autora foi tamanho que ela incluiu detalhes sobre cada composição como a posição das maçanetas, a disposição das cabines e dos corredores inserindo em sua narrativa  precisão e realismo, dando aos seus leitores a sensação de também estar viajando junto aos magnatas e aristocratas, passageiros usuais do expresso.  A subtrama sobre o sequestro e a morte de um inocente foi retirada de um caso real: o dramático sequestro e assassinato do filho do aviador Charles Lindbergh que provocou comoção nos anos 30. Agatha escrevia movida por ideias surgidas de todas as formas e de todos os lugares. Durante sua estadia na Turquia,  hospedou-se no Pera Palas Hotel, onde escreveu o livro que seria publicado de forma seriada nas páginas do “Saturday Evening Post” em 1933, e com o título “Murder on the Calais Coach até ser publicado pela primeira vez como romance em 1º de Janeiro de 1934 pela Editora Collins, lar das imaginativas histórias da Rainha do crime,  e contendo 256 páginas. Nessa época, a viagem no Expresso do Oriente havia atingido seu ápice de glamour e sofisticação, antes que a Segunda Guerra interrompesse o serviço do transporte. Na época,  Agatha  já era um sucesso editorial com mais de 20 livros publicados, além de contos publicados em várias coletâneas. Era uma celebridade no mundo das letras e “Assassinato no Expresso do Oriente” alcançaria a impressionante marca de 3 milhões de cópias vendidas na época.

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A AUTORA

            Agatha Christie fez de seu detetive belga, Hercule Poirot, um dos maiores personagens do romance policial. Baixinho, com um indefectível bigode e sempre orgulhoso de suas pequenas células cinzentas, Poirot é até hoje a criação mais popular da autora britânica. Além de sua excentricidade e elegância europeias, Poirot é meticuloso em sua abordagem e nem um pouco modesto de sua capacidade dedutiva sendo comparável a Sherlock Homes. Tanto um quanto o outro dividem preferências, carregam uma legião de admiradores e estão no mesmo pódio entre os maiores investigadores da literatura.

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               Poirot sempre foi apresentado de forma assexuada, nunca se envolvendo com mulheres exceto por uma ocasião em que demonstra sentimentos profundos pela Condessa Vera Rossakoff no romance “The Big Four” . Seu modus operandi analisa psicologicamente os suspeitos e deduz detalhes com um olhar clínico de admirável precisão. Sua baixa estatura contrasta com seu ego, este bem adequado ao seu primeiro nome derivado do semi-deus da mitologia grega. Poirot sempre se demonstra orgulhoso de suas “pequenas células cinzentas” , o modo como se refere ao cérebro privilegiado com o qual elucida os mistérios. Ocasionalmente, recebe a ajuda do Capitão Hastings, o bom amigo que se torna seu Watson na investigação criminal. Todas essas características garantiram ao personagem um lugar de honra no imaginário dos amantes de histórias policiais.

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ALBERT FINNEY COMO HERCULE POIROT (1974)

          Dois anos antes do falecimento de Agatha Christie, a autora autorizou a publicação de “Cai o Pano” (Curtain) em que o detetive belga morre em uma história escrita durante a Segunda Guerra Mundial e mantida em um cofre no banco durante décadas. Em Agosto de 1975, o renomado jornal New York Times publicou a morte do personagem na seção Obituário, marcando o fim de um ciclo no gênero que coroou Agatha como Rainha e fez de Poirot uma celebridade entre seus semelhantes. Poirot protagonizou 39 livros, sendo 33 romances policiais além de contos diversos reunidos depois. Agatha criou outros detetives como a abelhuda Miss Marple e o investigador Parker Pyne, mas Poirot sem dúvida ocupa uma posição privilegiada no imaginário popular dos amantes do gênero.

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AUSTIN TREVOR – O PRIMEIRO POIROT DO CINEMA

            Já foi vivido por diversos atores, tendo sido o desconhecido Austin Trevor o primeiro Hercule Poirot das telas, no filme “Alibi” (1931), adaptação de “O Assassinato de Roger Ackroyd”. Trevor retornou ao papel em “Black Coffee” (1931) e  “Lord Edgware Dies” (1934). Tony Randall foi o segundo ator a interpretar Poirot em “The Alphabet Crimes” (1965), adaptação de “Os Crimes ABC” , que traz a curiosidade de ser o único encontro entre Poirot e Miss Marple (Margareth Rutherford). Em 1974, Albert Finney conquistou uma indicação ao Oscar por sua personificação de Poirot em “Assassinato no Expresso do Oriente”, chegando ainda a ganhar o BAFTA, o Oscar do cinema britânico. No entanto, o  mais recorrente ator a viver o personagem foi Peter Ustinov que fez 6 filmes entre 1978 e 1988, três deles para o cinema e três deles para a Tv. Em tempos mais recentes, o inglês David Suchet personificou Poirot em uma série da Tv inglesa que começou a ser produzida em 1989 e seguiu até tempos recentes.

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PETER UISTNOV COMO POIROT (1978)

              Além do teatro, o cinema e a Tv constantemente revisitam as obras de Agatha Christie. Há 40 anos estreou a melhor versão de um livro de Dame Agatha, título de nobreza que lhe foi concedido pela Rainha da Inglaterra em 1971. Em 24 de Novembro de 1974 chegou às telas “Assassinato no Expresso do Oriente” (Murder on The Orient Express) dirigido por Sidney Lumet, que demorou para convencer a autora a permitir a adaptação que se tornou a melhor sucedida de um livro da Rainha do Crime. A produção recriou o requinte e o luxo dos vagãos do Orient Express nos famosos Estudios Pinewood em Londres, já que a composição original não mais existia. O filme reuniu um super elenco encabeçado pelo ator inglês Albert Finney (então com 38 anos) no papel de Hercule Poirot. Finney, que na época se apresentava no teatro em horário próximo ao das filmagens, seguia de ambulância para o estúdio e no caminho tinha a maquiagem, que o transformava em Poirot, aplicada em seu rosto enquanto o ator ainda dormia. Na lista de passageiros / suspeitos investigados pelo detetive belga estavam personagens interpretados por Sean Connery, Anthony Perkins, Martin Balsam, Michael York, Sir John Gieguld, Vanessa Redgrave, Jaqueline Bisset, Jean-Pierre Cassell, Lauren Bacall e Ingrid Bergman, tendo esta última ganhado por seu papel o Oscar de melhor atriz coadjuvante. Sua grande cena no filme, no entanto, se restringe a uns cinco minutos em cena, durante o interrogatório de Poirot. Curiosamente, Ingrid Bergman contracena com Lauren Bacall que na vida real era viúva de Humphrey Bogart, par romântico de Bergman no clássico “Casablanca”. O roteiro de Paul Dehner manteve o elemento envolvente da obra de Agatha e fez mudanças mínimas no material original como mudança nos nomes de personagens menores na trama, além da nacionalidade do diretor da linha férrea que de francês virou italiano. O filme foi indicado para um total de 6 Oscars, além da honraria de ser indicado para o BAFTA, o Oscar Inglês.  Na mesma época, Agatha já era a autora mais lida do mundo, e aos 84 anos aprovou a atuação de Finney como Poirot. Ela  compareceu à estreia do filme, satisfeita pela primeira vez com uma adaptação de uma obra sua para o cinema.  Essa seria sua última aparição pública antes de falecer de causas naturais em Janeiro de 1976. “Assassinato no expresso do Oriente” ainda seria refilmado para a Tv em 2001 com Alfred Molina como Poirot. Essa adaptação subaproveitou a trama reduzindo o número de suspeitos e incluindo o interesse amoroso de uma mulher por Poirot, o que não existe no livro. Em 2010 uma nova adaptação , também para a TV, com David Suchet em elogiada atuação na série britânica que leva o nome do personagem. Entre dezembro de 1992 e Janeiro de 1993 ainda houve uma adaptação para a rádio BBC, dividida em 5 partes, com Poirot na voz de John Moffatt.

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A PRIMEIRA VERSÃO DE “ASSASSINATO NO EXPRESSO DO ORIENTE” DE 1974 : SUSPEITOS REUNIDOS

              Tanto sucesso não significa que Agatha não tivesse seus detratores. Alfred Hithcock dizia desprezar seu estilo de narrativa que convencionou-se chamar pejorativamente de “whodunit” (quem fez isso?) . Contudo, inegável é o fato que Agatha Christie tornou-se sinônimo do gênero literário que escreveu. Sua narrativa serviu de inspiração para diversos imitadores. Novas adaptações de seus livros são frequentes na mídia e indicam sem sombra de dúvida que se o crime não compensa, certamente ele cria seguidores, e entre tantos autores notórios Agatha Christie se destaca como uma excelente analista da natureza humana, nossas fraquezas e ambições que há décadas alimentam a imaginação de gerações de leitores.

 

TRAILLER: VINGADORES GUERRA INFINITA

Finalmente o aguardado trailler de “Vingadores Guerra Infinita” (Avengers Infinity War). O filme, que será lançado em 26 de Abril de 2018, trará o adiado confronto entre o vilão Thanos (Josh Brolin) e os heróis Marvel, não apenas os Vingadores, mas também o Dr.Estranho (Benedict Cumberbatch), Homem Aranha (Tom Holland) e os Guadiões da Galaxia. O clima apocaliptico anuncia a proximidade do fim do Universo Marvel nas telas iniciado em 2008 com o primeiro filme do Homem de Ferro. Ainda teremos “Vingadores 4” em 2019, mas não há como afastar um sentimento de pesar pela morte de personagens queridos, ainda especula-se quais apesar de ser esperado que ao menos Chris Evans (Capitão America) e Robert Downey Jr (Homem de Ferro) venham em um futuro próximo a se despedir de seus personagens já que seus contratos estão chegando a um fim. Veremos em breve.

ESTREIAS DA SEMANA: 24 DE NOVEMBRO DE 2017

O CIRCUITO COMERCIAL AINDA ESTÁ SOB O EFEITO DOS HEROIS DC & MARVEL JÁ QUE MUITAS SALAS CONTINUAM A EXIBIR O RECENTE “LIGA DA JUSTIÇA” E OUTRAS AINDA TRAZEM “THOR RAGNAROK”. O FILME QUE REUNE OS SUPERAMIGOS ALCANÇOU NUMERO SURPREENDENTE DE ESPECTADORES NO BRASIL, EMBORA NOS ESTADOS UNIDOS ESTEJA ABAIXO DO DESEJADO PARA PAGAR SEU INFLADO ORÇAMENTO. EM MEIO A OUTROS LANÇAMENTOS MENORES, RECEBEMOS UMA COMEDIA JÁ NO CLIMA NATALINO (PAI EM DOSE DUPLA) E UM SUSPENSE COM MICHAEL FASSBENDER (O MAGNETO DE “XMEN APOCALIPSE) E A BELA REBECCA FERGUSON.

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(Daddy’s home 2) EUA 2017. Dir:Sean Anders. Com Will Farrell, Mark Whalberg, Linda Cardelini, Mel Gibson, John Lihtgow, John Cena,  Alessandra Ambrosio. Comedia.

Vendo os elogios que a crítica em geral tem feito a John Lithgow lembro do ator em papel central na sitcom “Third Rock From The Sun” na década de 90. No papel do pai de Brad (Will Farrell), Lithgow dá um show de comicidade, sendo uma grata adesão ao elenco dessa sequência ao grande sucesso de 2016. Os pais Brad (Farrell) e Dusty (Walbergh) deixaram a rivalidade no final do primeiro filme e se tornaram amigos. Essa amizade está sendo ameaçada por muita confusão quando, no Natal,  a família recebe os avôs Kurt (Gibson) e Don (Lithgow) de personalidades diametralmente opostas. O primeiro é bocudo e machista, enquanto o outro é sensível e emotivo.

BONECO DE NEVE

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(The Snowman) EUA 2017. Dir: Thomas Alfredson. Com Michael Fassbender, J.K.Simmons, Toby Jones, Val Kilmer, Rebecca Fergusob, Chloe Sevigny. Suspense.

Detetive investiga o desaparecimento de mulheres casadas sempre ao cair da primeira neve. Sua única pista é um cachecol deixado em um boneco de neve feito pelo serial killer. Produção de Martin Scorcese, que quase também o dirigiu, mas deixou o projeto para o diretor de “O Espião que Sabia Demais”, de origem sueca. Este é a sétima incursão do detetive Harry Holes (Fassbender), protagonista de uma série de livros de mistério do autor norueguês Jo Nesbo. Destaque para a bela atriz sueca Rebecca Ferguson (Missão Impossivel 5, Vida) que faz o interesse romântico do policial.

HQCINEMA: LIGA DA JUSTIÇA

             A estratégia de reunir heróis já populares em uma equipe NÃO foi criação de Stan Lee, nem mesmo surgiu com o Universo Marvel. O mérito cabe a Gardner Fox (1911-1986), que em plena “Era de Ouro” como se convencionou chamar o período imediatamente após o surgimento do Superman, se aproveitou do bom relacionamento de sua editora de quadrinhos, a All-American,  com a National Periodical  para propor um título trazendo um grupo de heróis que se junta para enfrentar ameaças de grandes proporções, formando assim … A Sociedade da Justiça, publicada a partir de “All Star Comics” #3 (1940). O escritor novaiiorquino, que também criou o primeiro Flash, o Gavião Negro, e outros heróis, retratava nas historias da Sociedade o ufanismo inerente ao período com a equipe ligada às ordens do Presidente Franklin Roosevelt combatendo vilões megalomaníacos e espiões nazistas.

primeira aparição da Liga da Justiça

             A “Liga da Justiça” é o resultado do primeiro renascimento desses personagens, que haviam sido cancelados após a Segunda Guerra, mas que a partir de 1956 (Showcase #4) foram reimaginados por Fox. Depois de um novo Flash, um novo Lanterna Verde, a eles se juntaram versões rejuvenescidas de Superman, Batman e Mulher Maravilha criando o advento da Era de Prata do gênero. Novamente, Fox pensou em juntar os heróis em uma equipe, mas preferiu o termo “Liga”, uma alusão às populares equipes de baseball. Assim, três anos antes de Stan Lee lançar “Os Vingadores” pela Marvel, a capa da revista “The Brave & The Bold” #28 (Março de 1960), trazia a estreia da Liga com Aquaman, Mulher Maravilha, Lanterna Verde, Flash e Caçador de Marte enfrentando Starro (uma estrela do mar gigante).Cinco meses depois o surpreendente resultado de vendas mostrou que o raio caíria novamente no mesmo lugar, e o time de heróis recriado por Gardner Fox ganha seu próprio título “Justice League of America”, com Superman e Batman aparecendo com menor frequência durante um bom tempo, mas incluindo gradativamente outros personagens como o Arqueiro Verde, Atom, Gavião Negro e promovendo, inclusive, um encontro entre a Liga e Sociedade (Justice League of America #21) que se tornaria tradição na DC Comics (nascida da fusão da National com a All American).

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             O traço de Mike Sekowsky(1923 – 1989) foi substituído por Dick Dillin (1928 – 1980) – o mais longevo dos artistas a trabalhar com os personagens – seguidos por George Perez, Don Heck, Kevin Maguire, Howard Porter, John Byrne e outros. A popularidade da Liga alcançou nível ainda maior quando, a partir de 1973, o estúdio Hanna Barbera produziu a série de animação para a Tv “SuperAmigos” (Superfriends) com tom mais infantil e moralizante, onde os heróis salvam o mundo além de dar lições de civilidade e humanidade, mesmo quando enfrentam a Legião do Mal, grupo de vilões que formam uma anti-Liga. Mais fiel às origens das HQs é a série animada produzida por Bruce Timm a partir de 2001 e que aproveita várias fases do grupo.

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            As primeiras tentativas de se fazer uma versão live action, no entanto,  resultaram em desastre. A primeira foi no especial de TV “Legend of the Super Heroes” de 1979, com o mesmo tom cômico da série de TV “Batman”, incluindo a presença de Adam West (recentemente falecido) e Burt Ward no papel da dupla dinâmica. A ridicularização inclui o Charada (Frank Gorshin) como psiquiatra tratando de um deprimido Shazam (Garret Graig) e um Gavião Negro (Bill Nuckols) retratado como um filho rebelde. Novamente a Tv arriscou usar a Liga em nova adaptação buscando como referência a fase em que a equipe ganhou status internacional, no final dos anos 80, com uma formação que pontuava mais o humor que a ação. O filme em questão de 1997 era uma tentativa de funcionar como piloto para uma série de TV pela CBS, reunindo Flash, Lanterna Verde, Atomo, Caçador de Marte, Fogo e Gelo, excluindo, portanto, a trindade Superman-Mulher Maravilha-Batman, que sempre foi carro chefe da editora. O resultado foi tão pífio que o diretor Lewis Teague foi chamado às pressas para salvar o projeto assinado pelo desconhecido Felix Alcala. O próprio Teague tratou de pedir que seu nome não fosse incluído nos créditos do filme. Uma produção mais digna da equipe foi inicialmente pensada para ser dirigida por George Miller (Mad Max) há algum tempo atrás, mas o projeto só foi materializado quando Zach Snyder ficou à frente da elaboração do Universo Cinemático da DC Comics. Claro que mais de 50 anos de aventuras guardam curiosidades por muitos desconhecidas como:

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  1. O Brasil já teve uma heroína como membro da Liga, a heroína Fogo, alcunha de Beatriz da Costa, heroína com poderes pirocinéticos. Dois desenhistas brasileiros já ficaram responsáveis por fases distintas do grupo como o paraibano Ed Benes e o paulistano Ivan Reis.
  2. Os elementos relacionados ao vilão Darkseid foram criados pelo icônico artista Jack Kirby (co-criador do Universo Marvel) quando este trabalhou para a DC Comics.
  3. A Liga e os Vingadores da Marvel já estrelaram uma aventura conjunta (Crossover entre as editoras concorrentes) publicado entre 2003 e 2004. Em formato de mini-série em quatro capítulos, a aventura foi escrita por Kurt Busiek e desenhada por George Perez, renomados artistas.
  4. Muitas fases do grupo tornaram-se clássicos como “O Prego” (2002) onde em uma realidade alternativa o Superman não existe, “A Nova Fronteira” (2004) onde a equipe é mostrada no contexto da Era de Prata em clima de Guerra Fria e Macartismo, “Crise de Identidade” (2007) onde um crime desenterra segredos obscuros dos integrantes, “Justiça” (2006) onde o traço realista do artista Alex Ross mostra a Liga confrontando a Legião do Mal, e “Reino do Amanha” (2003) também de Alex Ross mostrando a Liga em um futuro onde os heróis precisam reconquistar a confiança perdida.
  5. O autor de Best-sellers Brad Meltzer foi o responsável por elevar as vendas da Liga da Justiça acima dos 200 mil exemplares, tendo sido o autor também da miniserie “Crise de Identidade”, que antecedeu sua bem sucedida fase no título da equipe dividindo os creditos desta com o desenhista brasileiro Ed Benes.

                  Com tanto pode de fogo assim, espera-se que a estreia da Liga em uma superprodução do cinema possa apaziguar o público depois do resultado insatisfatório de “Batman & Superman A Origem da Justiça” e “Esquadrão Suicida”. O sucesso do filme solo da “Mulher Maravilha” já mostrou que os super heróis da DC Comics ainda podem oferecer diversão. Renovar os fãs conquistando uma nova geração que possa nos seguir, da velha guarda, para o alto e avante !!

 

 

 

40 ANOS DE SAUDADES DE SPENCER TRACY – UM TALENTO NATURAL

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     Uma das lembranças mais antigas que tenho dos filmes que assisti em minha infância é a imagem de um pescador português humanizando um menino resgatado do mar. Na ocasião, com nove ou dez anos, eu não sabia que aquele ator formidável, dono de um sorriso que irradiava dignidade, já havia falecido. Sei hoje que minha cinefilia foi enriquecida por ter conhecido o pescador Manuel, o padre Flanagan, o advogado Adam Bonner, o ciumento papai Stanley, um velho pescador, o homem de um braço só, todos … Spencer Tracy.

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Marujos Intrepidos

 

         Spencer Bonaventure Tracy costumava dizer que atuar não era tão importante (Acting is not an important job in the scheme of things) e ainda assim fazia de cada personagem uma imagem marcante e envolvente como o piloto que se torna um anjo da guarda em “Dois no Céu” (A Guy Named Joe)  de 1943 – refilmado por Steven Spielberg em 1989 ou o dicotômico Jekyl/Hyde em “O Médico & O Monstro” (Dr.Jekyl & Mr.Hyde) de 1941. Tinha um espírito aventureiro e indomável desde criança quando por volta dos sete anos fugiu de casa para brincar no outro lado da cidade, na qual nasceu em 5 de Abril de 1900. Aos 17 tentou se alistar para lutar na Primeira Guerra, mas foi recusado pela idade. Voltou a insistir pouco depois e ingressou na Marinha ao lado do amigo Pat O’Brien, que também se tornou ator. Contudo, nenhum dos dois conseguiu lutar no front, ficando em postos no pátio naval da Virginia.

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Spencer Tracy & Bette Davis recebem o Oscar

           Depois de ter dado baixo no serviço militar, descobriu a arte dramática conseguindo a principio papéis em peças universitárias ainda durante o tempo em que cursou Medicina na Reppon College. Tendo despertado o prazer pela atuação, deixou o curso de Medicina e se juntou a companhias teatrais durante os loucos anos 20, período em que conheceu sua esposa Louise Treadwell já estabelecida nos palcos. Casaram-se em Setembro de 1923 e tiveram dois filhos.

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A Familia Tracy: Spencer, a filha Susam, a esposa Louise e o filho John Tracy

           O espírito de coragem indômita, ele demonstrou fosse como o aventureiro Stanley em “As Aventuras de Stanley & Livingstone” (Stanley & Livingstone) em 1939 ou o marinheiro Manuel em “Marujos Intrépidos” (Captain Courageous) em 1937, este sendo o papel que lhe deu o primeiro de dois Oscars. A primeira vez não esteve presente na cerimônia pois estava hospitalizado. No ano seguinte repetiu o feito ao interpretar o Padre Flanagan em “Com Os Braços Abertos” (Boys Town) se tornando o primeiro ator a ganhar como melhor ator em dois anos consecutivos, mérito só igualado por Tom Hanks 58 anos depois. Tracy também se tornou um dos 18 atores a terem sido premiados por um personagem da vida real enquanto este ainda vivia, no caso o Padre Flanagan, que criou uma comunidade para ajudar a tirar garotos da deliquência juvenil. Feito admirável que Spencer julgava uma honra e uma responsabilidade para interpretar.

           A carreira cinematográfica do ator começou quando John Ford o assistiu em uma montagem da Broadway, partindo daí um convite para se juntar ao elenco de “Up The River” (1930), que também foi o primeiro filme de outra lenda de Hollywood, Humphrey Bogart. Este foi um entre vários amigos que Spencer Tracy encontrou em sua carreira. O mesmo ocorreu com Clark Gable com quem dividiu a cena em três filmes, sendo o mais memorável deles “San Francisco – A Cidade do Pecado” (San Francisco) de 1935, sua primeira indicação ao Oscar, com apenas 17 minutos em cena.  Dizem que Tracy se ressentia de sempre ficar em segundo plano na história sendo Gable o galã que sempre ficava com a moçinha.

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Spencer Tracy & Katherine Hepburn

          Foi a partir de “Fúria” (Fury), realizado no mesmo ano, que o público passou a ver do que Tracy era capaz. A história mostrava um homem pacato que sobrevivia ao próprio linchamento tornando-se amargo e vingativo. Era a estreia do renomado Fritz Lang (Metrópolis) em Hollywood e Tracy não se deu bem com o diretor, chegando a desafiar sua ordens no set quando Lang se recusava a dar um intervalo para o almoço.

           Em 1941 durante as filmagens de “A Mulher do Ano” (Woman of the year), o talentoso ator fez o primeiro de 9 filmes com a atriz Katherine Hepburn. Reza a lenda que ela teria dito “Receio que eu seja um pouco alta para o senhor Mr. Tracy ”. Este prontamente teria respondido “Não se preocupe, vou adaptá-la ao meu tamanho …” Assim começou uma lendária história de amor que o cinema registrou em títulos como “A Costela de Adão” (Adam’s Rib) de 1949, “Amor Eletrônico” (Desk Set) de 1957, “Mulher Absoluta” (Pat & Mike) de 1952 entre outros. Spencer nunca se divorciou de Louise, vivendo com Hepburn o romance adúltero mais incomum do cinema, já que era velado, vivido debaixo dos narizes dos tabloides sensacionalistas. Longe das câmeras o ator vivia um drama pessoal com seu filho mais velho. Tracy e Louise tiveram John Tracy e Susan, sendo que o primogênito perdeu a audição assim que nascera em 1924. Louise abandonou a carreira de atriz, aprendeu a ler lábios e ensinou a técnica ao menino. Em uma época em que não havia nenhum avanço significativo para auxiliar os deficientes auditivos, Spencer e sua esposa criaram a “John Tracy Clinic” em 1943 ajudando pais com filhos surdos, ajudando a desenvolver técnicas de ensino e posteriormente inaugurando um programa para ensinar crianças surdas. A clínica está atuante até hoje e sua atividade pode ser acompanhada on-line no site http://jtc.org/. Tracy garantia as doações de seu cachês e Louise cuidava das necessidades especiais de seu filho com igual dedicação ao lugar. O ator reconhecia a importância do trabalho de Louise e dizia que não havia comparação entre este e seus filmes. Além de Hepburn, conta-se que o ator manteve casos com as atrizes Loretta Young e Gene Tierney. O alcoolismo parecia ser a penitência que pagava pela infidelidade e pela vergonha que Louise passava. A Diabetes era o calcanhar de Aquiles que nos anos que se seguiram lhe minariam a saúde.

               Ainda digno de nota é o papel do investigador solitário de um braço só que chega a uma cidade pequena cheia de segredos em “Conspiração do Silêncio” (Bad Day at Black Rock) de 1955, último filme que fez para a MGM, estúdio para o qual trabalhou por 20 anos. A versatilidade era uma marca indelével no talento de Spencer Tracy, transitando por papéis diversos como o western “A Lança Partida” (Broken Arrow) de 1954, a comédia em “O Papai da Noiva” (Father of the Bride) de 1950, ou o drama “O Velho & O Mar” (The Old Man & The Sea) de 1957. Mesmo envelhecido, Spencer conseguia ser incrivelmente natural qualquer fosse o personagem que interpretasse. Nunca ensaiava, raramente repetia tomadas e lia seu texto pouco antes de começar as filmagens graças a uma notável capacidade de memorização.

            Por volta de 1963 sofreu um ataque cardíaco que o forçou a reduzir os trabalhos. Mesmo assim chegou a ser convidado para viver o vilão Pinguim na série do Batman, antes do papel ser entregue a Burguess Meredith. Teria dito que somente aceitaria se pudesse matar o Batman. Seus últimos filmes tiveram a direção de Stanley Kramer como o juiz no filme de tribunal “Julgamento em Nuremberg” (Judgement at Nuremberg) de 1961, o advogado que defende um professor que ensinou a teoria de Darwin em “O Vento será Tua Herança” (Inherint the Wind” de 1960, voltou a fazer comedia em “Deu a Louca no Mundo” (It’s a Mad Mad World) de 1963 e , enfim seu canto do cisne novamente dividindo a cena com Katherine Hepburn em “Advinhe quem vem para Jantar” (Guess who is coming to dinner) de 1967. Neste, Spencer faz um comovente discurso anti-racista cujas palavras ecoam até hoje a quem assiste o filme e nota, inclusive, Hepburn visivelmente emocionada. O filme foi lançado postumamente, bem como sua ultima indicação ao Oscar pelo papel do liberal Matt Drayton. Em seu funeral Katherine Hepburn não compareceu em respeito a Louise, a viúva dele.

            Em minha memória ficaram lembranças de um ator vigoroso que fazia tudo com naturalidade invejável. Um dos maiores atores de todos os tempos em uma filmografia de mais 70 títulos, dentre os quais até hoje me faz repetir o mesmo grito emocionado … MANOEL, MANOEL !!! Eu também fui humanizado por ele, que nunca escondeu suas falhas, nunca se supervalorizou, dizia como conselho “Decore suas falas e nunca esbarre na mobília”. Sua única pretensão, enfim, era de ser humano. Para mim foi sempre Intrépido.

ESTREIAS DA SEMANA: 02 DE NOVEMBRO DE 2017

O CIRCUITO COMERCIAL DESSE FIM DE SEMANA PROLONGADO COM FERIADO AINDA É DOMINADO PELO DEUS DO TROVÃO EM “THOR RAGNAROK”. ABRE-SE ESPAÇO PARA DUAS MOVIMENTADAS AVENTURAS DRAMÁTICAS, UMA ESTRELADA POR KATE WINSLET E OUTRA ESTRELADA POR ELIZABETH OLSEN. AMBAS TRAZEM UM CINEMA MENOS PIROTECNICO E MAIS TRADICIONAL AFINAL NEM SÓ DE SUPER HEROIS VIVE O CINEMA HOLLYWOODIANO. UM FILME BRASILEIRO CHEGA A NOSSAS SALAS COM UMA REFILMAGEM E READAPTAÇÃO DE JORGE AMADO. PARA QUEM GOSTA DE TRAMAS BASEADAS EM FATOS REAIS, ELE ESTÁ DE VOLTA … SCHWARZENEGGER, MAS NÃO NO PAPEL DE INDESTRUTIVEL HEROI DE AÇÃO QUE O POPULARIZOU NOS ANOS 80 E 90, MAS PARA MOSTRAR SEUS DOTES DRAMÁTICOS. VEJAMOS ABAIXO AS ESTREIAS DA SEMANA MAIS DETALHADAS:

DEPOIS DAQUELA MONTANHA (The Mountain between us) EUA 2017. Dir: Hany-Abu Assad. Com Idris Elba, Kate Winslet, Beau Bridges, Dermot Mulroney. Drama /Ação.

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IDRIS ELBA & KATE WINSLET: O QUE É UMA MONTANHA PARA QUEM JÁ SOBREVIVEU AO TITANIC ?

Cancelamento de vôo leva um médico e uma jornalista a dividir um jatinho. Contudo, o avião cai nas montanhas quando o piloto sofre um ataque cardíaco. Perdidos em região inóspita, cheia de perigos (abismos, animais selvagens, tempestade de neve) o casal tenta sobreviver para chegar à civilização, redescobrindo seus próprios sentimentos. O filme é adaptação do livro “A Montanha Entre Nós” de Charles Martin. O filme seria inicialmente estrelado por Michael Fassbender e Margot Robbie que desistiram do projeto. Depois os nomes de Charles Hunnam e Rosamund Pike foram cotados mas também desistiram até que Idris Elba e Kate Winslet assumiram os papeis de protagonistas. As filmagens foram feitas na maioria no Canadá na fronteira entre Alberta e a Columbia Britânica. Segundo o diretor, filmaram sob temperaturas extremamente frias, incluindo com sequências feitas no cume de uma montanha com o açoite das condições climáticas da região. Assistir o desenrolar da história traz o atrativo do realismo com o qual a ação é retratada.

TERRA SELVAGEM (Wind River) EUA 2017. Dir: Taylor Sheridan. Com Elizabeth Olsen, Jeremy Renner, Jon Bernthal, Graham Greene, Tantoo Cardinal.  Suspense / Drama.

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JEREMY RENNER & ELIZABETH OLSEN: INVESTIGAÇÃO SEM FLECHAS E SEM FEITIÇOS.

Caçador (Renner) e agente do FBI (Olsen) se unem para investigar a morte de um adolescente em uma reserva indígena. Renner e Olsen serão reconhecidos facilmente pelo publico por interpretarem o Gavião Arqueiro e a Feitiçeira Escarlate nos filmes do Universo Marvel. Baseado em fatos reais, o filme é a terceira incursão do diretor e roteirista no tema da fronteira norte-americana (os outros são “Sicario – Terra de Ninguem” e “A Qualquer Custo”), tendo sido filmado  na sétima maior reserva indígena americana. Os atores Graham Greene e Tantoo Cardinal interpretaram marido e mulher no clássico “Dança com Lobos”, que trata de tema similar.

DONA FLOR & SEUS DOIS MARIDOS. Bra 2017. Dir: Pedro Vasconcelos. Com Juliana Paes, Marcelo Faria, Leandro Hassum. Comedia.

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HASSUM, PAES & FARIAS: AMOR À TRÊS COM TEMPERO AMADO

Segunda adaptação para o cinema da obra de Jorge Amado que tornou-se um clássico nos anos 70 estrelado por Jose Wilker, Sonia Braga e Mauro Mendonça nos papeis agora vividos por Marcelo Faria, Juliana Paes e Leandro Hassum. A história, passada na década de 40, gira em torno de uma curiosa bigamia: Flor é casada com o sério farmaceutico Teodoro (Hassum) mas mantem um relacionamento com o espirito de seu falecido primeiro marido, o mulherengo Vadinho (Faria). Também houve uma adaptação para a TV nos anos 90 com Giulia Gam no papel central. A história de Jorge Amado trata de assuntos como adulterio e sensualidade no micro-cosmo da Bahia, terra adorada pelo autor.

EM BUSCA DE VINGANÇA (Aftermath) EUA 2017. Dir:Elliot Lester. Com Arnold Schwarzenegger, Maggie Grace, Scott McNairy. Suspense / Drama.

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SCHWARZENEGGER : ELE NÃO É INDESTRUTÍVEL MAS ESTÁ DE VOLTA

Baseado em um desastre real ocorrido em Uberlingen, na Alemanha, causado por negligência do controlador de tráfego aereo que veio a ser morto por facadas por homem que perdeu a esposa e os filhos no acidente. Schwarzenegger não está fazendo seu típico papel de ação, enveredando para um papel mais dramático nesta produção de Darren Aronofsky. Curioso ver Schwarzenegger em um papel mais humano, distante de personagens como Conan e o Exterminador do Futuro. Talvez por isso seus fãs venham a estranhar sua atuação.

GALERIA DE ESTRELAS : CENTENÁRIO DE DEAN MARTIN

DEAN MARTIN 1                 Uma belíssima voz e um ar de gozador que contrastava com  a figura de incorrigível conquistador. Assim o mundo aprendeu a conhecer Dean Martin, que conquistou o mundo do entretenimento nos três principais veículos de massa (rádio, Tv e cinema), razão pela qual é um dos poucos a ter três estrelas na calçada da fama, uma para cada uma destas  em que se sagrou um dos maiores artistas do século XX.

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                  Dino, como também ficou conhecido, pode ser ouvido em filmes como “Cassino” (1995), “Os Bons Companheiros” (1989), em séries de TV como Friends, House e até em desfiles de moda como o “Victoria’s Secret Fashion Show” em 2008 mostrando que o apelo de sua voz sedutora foi além de sua morte em 1995. Seu sucesso não foi imediato para esse filho de imigrantes italianos nascido em 7 de junho de 1917, batizado Dino Paulo Crocetti. Teve uma infância pobre em Steubenville, Ohio falando apenas italiano em casa com os pais e o irmão até os 5 anos. Quando entrou para a escola, sofreu bullying pelo forte sotaque italiano. Ainda muito jovem foi trabalhar como cropier em um cassino, operário na industria do aço e boxeador sob a alcunha de Kid Crochett. Mais tarde, já uma celebridade fez piada dizendo que só perdera onze vezes mas que poderia ter feito história no esporte. Uma boa piada era algo que nunca perdia, pois apesar da fama de mulherengo e beberrão, Dean sempre foi um brincalhão, de língua ferina. Certa vez disse que viu uma estatua de cera do colega James Stewart, e ressaltou que esta “falava melhor do que o original”.

MARTIN E ESPOSA

DINO & A SEGUNDA ESPOSA JEANNE

                   Esta veia humorística, sempre disposto a tirar um “sarro” de tudo foi parte da química que demonstrou com Jerry Lewis com quem fez dupla por mais de dez anos. Quando ainda eram talentos desconhecidos, se encontraram casualmente  em 1945 no Glass Hat Club em Nova York, mas em apresentações separadas. O destino interveio para que um ano depois voltassem a se encontrar em Atlantic City, no 500 Club quando pressionados a apresentar algo atraente ao público ou seriam demitidos, improvisaram uma serie de sketches onde Martin tenta cantar, mas é interrompido pelos desastres causados por Lewis. O resultado foi uma onda contagiante de gargalhadas que levou a outras apresentações, chegando ao famoso Copacabana Club em Nova York, e pouco tempo depois ao lendário “Ed Sullivan Show” na TV.

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              Algum tempo depois já estavam diante de HaL B.Wallis, homem forte da Paramount que os contratou para ser o alívio Cômico de “Minha Amiga Irma” (My Friend Irma) de 1949. Nos dez anos seguintes, a dupla Martin & Lewis se tornou um campeão de bilheteria já protagonizando a partir de “O Palhaço do Batalhão” (At War With The Army) de 1950. A formula dos 16 filmes que fizeram juntos era simples: Martin cantava, conquistava as mulheres enquanto Lewis aloprava destilando seu histrionismo cênico. Deste período, um dos melhores é “Artistas & Modelos” (Artists & Models) de 1956 dirigido pelo mestre Frank Tashlin. Nele, os papeis da dupla relembram os dias em que procuravam se encaixar no showbizz, interpretando Rick Todd, um pintor desconhecido e Eugene Fullstack, um aspirante a escritor de histórias infantis, precursor dos nerds fâs de histórias em quadrinhos. Curioso que era Martin, e não Lewis, quem gostava do gênero. A crescente insatisfação de Martin e o controle cada vez maior de Lewis levou a desentendimentos e à separação da dupla em 1956.

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MATT HELM

               Ainda que vendesse muitos discos na época, muitos detratores apontavam Dean como a metade menos talentosa da dupla. Seu primeiro filme em carreira solo “Dez Mil Alcovas” (Ten Thousand Bedrooms) de 1957 não foi bem sucedido. Determinado a se provar um ator dramático, Dean assumiu o papel de um  soldado americano no drama “Os Deuses Vencidos” (Young Lions) de Edward Dymitrik em 1958, dividindo a cena com Marlon Brando e Montgomery Cliff. Este ajudou Dean a se colocar diante da câmera e mudando sua imagem, ao que Martin foi mais do que grato apoiando Cliff em seus problemas pessoais. Provando de vez seu valor, o ator fez o papel de um delegado bêbado em “Onde Começa o Inferno” (Rio Bravo) de Howard Hawks em 1959, contracenando com John Wayne.

RAT PACK

THE RAT PACK

               Entrando a década de 60, Dean Martin desbancou os Beatles das paradas de sucesso com a gravação de “Everybody Loves Somebody” que tornou-se uma marca sua dentre as mais de 600 canções que gravou, entre elas também a balada “That’s Amore” em que usa de seu charme ítalo-americano para embalar romances. Sua carreira ganhou novo impulso quando se juntou a Frank Sinatra, Sammy Davis Jr, Peter Lawford e Joey Bishop formando o “Rat Pack” (apelido que teria sido atribuído por Lauren Bacall) em apresentações por toda a Las Vegas além de uma série de filmes incluindo “Onze Homens & Um Segredo” (Ocean’s Eleven) de 1960, que seria refilmado décadas depois por Steven Sodenbergh.

DEAN E JERRY REECONTRO

O REENCONTRO COM JERRY LEWIS NOS ANOS 70

              Nesta fase, Martin popularizou sua imagem de mulherengo e beberrão, o que seu filho Dean Paul Martin, anos depois desmistificou dizendo que seu pai somente bebia suco de maçã, mas gostava de fazer todos pensarem que era bebida alcoólica. Martin fez de seu “The Dean Martin Show” um dos programas mais bem vistos da TV americana, durante dez anos e levando um Golden Globe por isso. Mesmo que nunca viesse a ter uma indicação ao Oscar, Dean Martin parecia não se importar. Cantava, contava piadas, se divertia e divertia a todos de forma despretensiosa, como na série de quatro filmes que fez no papel do agente secreto Matt Helm, uma parodia de 007 onde Dean cultivava a persona que criara para seu público. Este não sabia que ele era um amigo leal, tendo se desligado da produção de “Something Gotta Give” depois da morte da estrela Marilyn Monroe com quem contracenaria. Também desistiu de um quinto Matt Helm depois que a estrela Sharon Tate foi assassinada. Martin disfarçava sua sensibilidade e mantinha uma rotina relativamente tranquila sempre que podia, saindo cedo de suas apresentações para jogar golf no dia seguinte ou passando o máximo de tempo possível ao lado dos filhos tal qual um pai amoroso que era para seus filhos, quatro do primeiro casamento com Betty McDonald e três do casamento com Jeanne Biegger. De seu terceiro casamento com Catherine Hawn adotou a filha desta durante os três anos em que ficaram juntos até 1976.

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ARTISTAS & MODELOS: DEAN MARTIN, DOROTHY MALONE, JERRY LEWIS & SHIRLEY MACLAINE

               Nos anos 70 fez as pazes com Jerry Lewis aparecendo de surpresa no Telethon apresentado pelo ex companheiro, tudo por intermédio de Frank Sinatra. Outro grande sucesso foi seu papel de piloto em “Aeroporto” (Airport) de 1970, que iniciou o ciclo dos filmes catástrofes. A tragédia se abateu sobre o artista quando seu filho Dean Paul Martin, então com 36 anos, morreu em um desastre aéreo. Para quem conhecia Dean Martin pessoalmente, contava-se que naquele dia ele também morreu. Retirou-se da vida pública, se isolou, mergulhando na bebedeira e no cigarro. Relatava-se que era como se ele tivesse desistido de viver pois mesmo quando foi diagnosticado com Câncer em 1993 se recusou a fazer uma cirurgia que prolongaria sua vida, vindo a fazer sua passagem na noite de Natal de 1995. Triste final para um artista que trazia alegria para tantos e que n os mostrou que todos amam alguém, e todos amamos de fato o artista extraordinário que foi Dean Martin.

IN MEMORIAN : ROBERT GUILLAUME

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Faleceu no último dia 24 o ator Robert Guillaume, famoso por ter dublado Rafiki na animação “Rei Leão” (1995). Com uma extensa filmografia, em maior parte advinda de trabalhos na TV, eu particularmente guardo com carinho sua atuação na sitcom “O Poderoso Benson” (1979-1986) em que interpretou o espirituoso e sábio mordomo do governador de Nova York. A série foi exibida no Brasil na segunda metade da década de 80 na faixa “Sessão Comedia” da Rede Globo.

THOR RAGNAROK & MAIS

                 O mais recente capítulo no universo compartilhado Marvel usa de humor e ação unindo dois heróis de peso, mas mistura duas narrativas diferentes das HQs.

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           Ragnarok é o apocalipse da mitologia nórdica no qual os deuses (Thor, Loki, Odin etc…) perecem, o mundo é mergulhado em cataclismas encerrando um ciclo para depois renascerem e repovoarem o mundo. Já tendo sido objeto de estudos acadêmicos, o Ragnarok pode ser lido em poemas como o “Edda”, compilação datada do século XIII. Nos quadrinhos da Marvel, o apocalipse nórdico foi primeiro explorado por Stan Lee & Jack Kirby em “Thor” #157 (Outubro 1968). A chegada do demônio Mangog, quatro meses antes, colocou o filho de Odin diante da eminente destruição de Asgard, almejada por Hela, a deusa da morte, surgida em 1964. Nas historias de Lee & Kirby, Hela nunca foi a filha de Odin, mas segundo a tradição nórdica contada no “Edda” e outros textos históricos, ela é a filha de Loki. Em 1978, Roy Thomas e John Buscema voltaram a tratar do assunto (publicado no Brasil em “Herois da TV” #99).  Um dos melhores arcos a traçar o destino final dos deuses se deu, no entanto, na primorosa “Saga de Surtur”, escrita e desenhada por Walt Simonson em 1984, a primorosa narrativa explorar todos os elementos mergulhados na tradição das lendas nórdicas. Sendo um evento cíclico, embora adiado ao final de fase Simonson, o Ragnarok finalmente caiu sobre os deuses de Asgard no período em que os Vingadores foram reformulados por Brian Michael Bendis no arco “A Queda” (2004 3 2005). Lógico que pouco tempo depois os deuses renascem e um  novo título do deus do trovão é iniciado por J.M.Strancswiski (criador da serie de TV “Babylon 5”) e Oliver Coipiel.

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ARTE DE JACK KIRBY

         Se o filme fosse adaptar com seriedade o Ragnarok, deveria de aparecer o Lobo Fenris, o nobre Balder, a Serpente de Midgard e outros elementos ligados ao profético fim dos asgardianos. Além disso o evento é de uma dimensão que não caberia em um filme preocupado em se conectar com o anunciado “Vingadores: Guerra Infinita”. Não há humor nas histórias mencionados, uma vez que o personagem sempre foi mais sisudo que sua representação por Chris Hemsworth iniciada em um pálido filme inicial em 2011, continuado com uma sensível melhora em 2013 e, depois da participação em dois filmes dos Vingadores, chegamos ao terceiro filme solo do personagem.

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PLANETA HULK – A HQ

           Diluindo ainda mais o impacto do que seria de fato o Ragnarok, Thor divide a cena com o “Hulk”, um riquíssimo personagem relegado ao status de coadjuvante nos filmes do Marvel Studios já que a Universal, detentora dos direitos do personagem, não autoriza a realização de um filme solo do herói verde. Nos quadrinhos, Thor e Hulk se enfrentaram em diversas ocasiões começando com a clássica edição “Thor” #112 (Janeiro de 1965) anunciada como a batalha épica do ano com a arte maestra de Jack Kirby, este sendo co-criador do universo Marvel (Sim, Stan Lee NÂO É o único pai dos heróis da editora), Pouco divulgado é o fato de que nos anos 50, Kirby havia criado uma versão de Thor para a concorrente DC Comics. O herói que conhecemos hoje e popularizado pelos filmes do universo cinemático Marvel/Disney estreou  em Agosto de 1962 na 83ª edição da revista “Journey Into Mystery“. A partir da edição #97, Lee & KIrby exploram toda a riqueza da cultura nórdica em histórias curtas batizadas ‘”Contos de Asgard”. Nesse período Thor era um entre outros personagens publicados em “Journey into Mystery”, um título de antologias. A partir do número #104 o herói passa a ostentar seu nome abaixo do nome da revista, ganhando destaque cada vez maior até que na edição #126 passa a se chamar apenas “The Mighty Thor”. No Brasil o personagem chegou em 1967 pela editora Ebal que o publicou nas páginas de “Album Gigante”, enquanto na TV, o personagem teve seu próprio desenho animado produzido pelo estúdio canadense Grantray-Lawrence Animation , e popularizado pelo programa do saudoso Capitão Aza na antiga Tv Tupi.

THOR E HULK

A VOLTA DO INCRÍVEL HULK DE 1988

        O filme atual também não é a primeira vez que os heróis se enfrentam em um filme compartilhado. Em 1988, o telefilme da NBC “A Volta do Incrivel Hulk” trazia Bill Bixby & Lou Ferrigno interpretando a popular versão de carne e osso do dicotômico herói verde da Marvel. Nele, o Dr. Banner luta ao lado de Thor, invocado pelo Dr.Donald Blake (sua identidade secreta criada por Lee & Kirby) a cada vez que este grita “Odin” e ergue o martelo do herói. Levado ao em Maio de 1988, e pouco depois exibido pelo SBT no Brasil, a intenção inicial era fazer deste o piloto de uma série do Thor, nos mesmos moldes da estrelada por Bixby/Ferrigno, o que acabou não acontecendo.

       O Hulk aliás aparece no filme “Thor Ragnarok” como um coadjuvante de luxo com elementos enxertados no filme extraído do popular arco “Planeta Hulk”, escrito por Greg Pak (2006) onde o herói foi exilado em um outro planeta, tornou-se gladiador e depois grande líder daquele povo. Misturar elementos de “Planeta Hulk” e “Ragnarok” foi uma jogada da Marvel para satisfazer os fans do Hulk, interligando-o aos eventos de sua atual fase anunciada para terminar no mais distante “Vingadores 4” e, assim como o Ragnarok nórdico traçar um fim para um ciclo para começar um outro com renovação de personagens e elenco. Afinal, o fim apontará um novo começo.

ESTREIAS DA SEMANA : 26 DE OUTUBRO DE 2017

THOR RAGNAROK

THOR RAGNAROK

(Thor Ragnarok) EUA 2017. Dir: Taika Waititi. Com Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Tom Hiddlestone, Anthony Hopkins, Cate Blanchett, Jeff Goldblum, Tessa Thompson, Karl Urban, Idris Elba, Sam Neill. Aventura.

Thor corre contra o tempo para salvar Asgard do Ragnarok, o apocalipse das lendas nórdicas. Contudo, é derrotado por Hela, a deusa da morte, tem seu martelo destruído e é exilado em um planeta de gladiadores onde reencontra o Hulk. A eles se juntam o traiçoeiro Loki e a corajosa Walkiria em uma batalha decisiva. Apesar da ação inerente a essa mistura de duas narrativas diferentes das HQs Marvel (Ragnarok e Planeta Hulk) está impregnada com o humor típico do filme do Deadpool e com aquela trilha sonora pop que remete a “Guardiões da Galáxia”. Essa mistura promete atrair o público e preparar o terreno para a chegada de “Vingadores:Guerra Infinita” ano que vem. A participação de Ruffalo é menor em relação às pretensões de se aproveitar de um arco tão extenso quanto “Planeta Hulk”, mas a Marvel não pode fazer um filme solo do personagem, que está preso a um contrato com a Universal. O filme ainda tem a participação especial de Benedict Cumberbatch como Dr.Estranho, que auxiliará Thor a reencontrar Odin, desaparecido depois dos eventos de “Thor Mundo Sombrio”. A vilã de Cate Blanchett é o maior atrativo da história e funciona como uma excelente antagonista para Thor. Leiam a postagem especial acima que trará outras informações sobre o deus do trovão nas hqs originais.

MARK FELT – O HOMEM QUE DERRUBOU A CASA BRANCA

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(Mark Felt – The Man Who Brought Down the House) EUA 2017. Dir: Peter Landesman. Com Liam Neeson, Brian D’Arcy, Bruce Greenwood, Diane Lane, Josh Lucas. Biopic.

O roteirista e diretor Peter Landesman dramatiza a história do diretor do FBI que entrou para a história com a alcunha “Garganta Profunda”, o homem que tornou-se informante dos reporteres do Washington Post, sendo fundamental para a queda do ex presidente Nixon no historico Escândalo de Watergate. Filme voltado para os apreciadores de filmes biográficos. Em um momento de corrupção escandalosa em nosso próprio país é positivo assistir um episódio real que mostra como um país realmente democrático procede diante do abuso de poder.

O FORMIDÁVEL

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(Le Redoubtable) Fr. 2017. Dir: Michel Hazanavicius. Com Louis Garrel, Berenice Bejó, Stacy Martin, Biopic.

Adaptação do livro “Un An Aprés” de Anne Wiezemsky que faz um recorte na vida do cineasta francês Jean-Luc Goddard que durante as filmagens de “A Chinesa” (1967) apaixonou-se pela atriz de 17 anos Anne Wiezemsly, a autora do livro. O romance abala profundamente a vida de Goddard, um dos maiores nomes do cinema francês de sua geração. O filme é escrito e dirigido pelo cineasta parisiense Michel Hazanavicius que em 2011 conquistou o mundo e 5 Oscars com “O Artista”, onde também trabalhou com a atriz Berenice Bejó.

PELÉ – O NASCIMENTO DE UMA LENDA

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(Pelé – The Birth of a Legend) EUA 2017. Dir:Jeff Zimbalist & Michael Zimbalist. Com Rodrigo Santoro, Seu Jorge, Milton Nascimento,  Vincent D’Onofrio,  Felipe Simas, Diego Boneta. Biopic.

Já houve um documentário sobre o rei do futebol em 2004. Este filme biográfico estava inicialmente previsto para estrear na Copa do Mundo de 2014, mas só foi finalizado recentemente. A trajetória de Edson Arantes do Nascimento que de uma infância pobre tornou-se um dos jogadores de futebol mais famosos do mundo, tendo integrado a seleção que ganhou a Copa do Mundo de 1958

ESTREIA ESPECIAL: BLADE RUNNER 2049

Se imaginássemos que daqui  a dois anos as grandes cidades se tornariam extremamente populosas, com a poluição se alastrando por entre imensos prédios castigados por constante chuva, insuficientes no entanto para lavar a sujeira física e moral desta realidade depreciativa. Se você ainda se pergunta se o homem é realmente a imagem e semelhança de Deus, então o que dizer de sofisticados androides dotados de inteligência artificial buscando o sentido da vida ? Se quiser descobrir o que há nisso tudo, bem vindo ao mundo de “Blade Runner”.

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Agente K (Ryan Gosling) & Deckard (Harrison Ford)

     Quando lançado em 1982 o filme não causou nenhum furor imediato aos intrigantes questionamentos da história, em que humanos e replicantes estão mergulhados na filosofia Nietzschiniana em que ao olhar para o abismo, este olha de volta para você. Na verdade, a bilheteria da época não correspondeu ao investimento estimado então em torno de US$28,000,000 e o status cult do filme surgiu ao longo dos anos que se seguiram. O público digeriu devagar as implicações desta perceptível dicotomia entre o velho e o moderno, o humano e o inumano, a vida e a morte. Já sua atmosfera distópica remete ao pesadelo orwelliano misturada à fotografia noir que faz de Rick Deckard (Harrisson Ford) herdeiro futurista dos detetives amorais e cafajestes inspirados na literatura de Raymond Chandler e Dashiel Hammet. A personagem Rachael (Sean Young) representa a sedução gélida e fatal das femme fatales e pivô de uma tensão que se estende para além da aparentemente rotineira investigação de Deckard.

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O Filme de 1982

      O roteiro de Hampton Fancher, reescrito por David Webb Peoples, adapta o romance “Do Androids dream of electric sheep?” do escritor americano Philip K.Dick publicado pela primeira vez em 1968. O filme toma o livro apenas na superfície se concentrando na caçada aos androides fugitivos, que nunca são chamados de replicantes pelo autor. O termo foi sugerido em uma conversa entre o roteirista David Peoples e sua filha que comentara com o pai sobre a capacidade replicante das células clonadas. O livro também toca na extinção dos animais e a ação se desenvolve em uma São Francisco pós apocalíptica em vez da Los Angeles mostrada no filme. O livro mostra a Terra como um planeta sendo evacuado em favor de colônias em outros planetas como Marte e os humanos que ainda residem no planeta seguem uma religião chamada Mercerismo, em que seus membros compartilham habilidades telepáticas, o que não é sequer mencionado no filme.

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Philip K. Dick – O Autor

      O filme veio a ser dirigido por Ridley Scott que foi demitido ao longo das filmagens, e depois readmitido devido a conflitos com os produtores do filme. Também tornou-se notório as constantes desavenças entre o diretor e Harrisson Ford. Este durante muitos anos se recusou a falar do filme em suas entrevistas, e dizia recusar qualquer possibilidade de voltar ao papel, o que acabou eventualmente fazendo este ano. Ford teria gravado a narração em off, não prevista no roteiro original extremamente contrariado, forçado pelos produtores que acharam o filme incompreensível no corte original. Anos depois, dois funcionários da Warner teriam encontrado um arquivo considerado perdido, sem a narração em off e com uma montagem que se achou fosse a pretendida por Ridley Scott. Esta suposta versão original chegou a ser lançada em 1989, mas Scott disse que não era assim que ele pretendia fazer e em 2007 o estúdio fez as pazes com o diretor permitindo que este remontasse o filme como inicialmente pensado, gerando o “Final Cut” e dividindo os fãs com três versões diferentes do clássico.  Curiosamente, muitos acreditaram que o filme carregava uma espécie de maldição pois empresas como a RCA e a Atari, cujos logos são usados no filme faliram tempos depois.

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         O monologo final de Rutge Hauer (escolhido para o papel de Roy Beatty sem que Ridley Scott o tivesse entrevistado para o papel) foi improvisado pelo ator e a cena previa a principio haveria uma luta entre Roy e Deckard em vez de apenas uma perseguição na chuva. A beleza das palavras “Todos aqueles momentos estarão logo perdidos como lágrimas na chuva” cria um efeito de espelho distorcido entre caça e caçador, homem e replicante (apesar das constantes interpretações de que Deckard seria um replicante também), onde orgânico e inorgânico procuram pelas mesmas perguntas: Quanto tempo ainda temos? Por que existimos? Podemos prolongar nossa vida? Qual o sentido da vida? Uma relação Frankensteniana elevada a uma constrangedora dimensão que nos faz nos perceber de forma diferente. Assim o autor confronta nossa humanidade falha, corrupta, ambiciosa e inconsequente. O novo filme que chega a nossas telas promete prosseguir com as divagações, explorar os mistérios do filme original que reflete para 2019 a insistente e inquietante pergunta que procura saber se realmente somos meras máquinas orgânicas ou uma obra de inspiração divina, sonhando com ovelhas elétricas em nossa vã filosofia.

ESTREIAS DA SEMANA : 05 DE OUTUBRO DE 2017

O PICA PAU

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(Woody Woodpecker) EUA 2017. Dir: Alex Zamm. Com Thaila Ayala, Timothy Omundson, Graham Verchere. Animação.

Sou de uma geração que assistia, quando criança, os desenhos do Pica-pau pelo SBT. Marcou nossa infância sem dúvida, e fez parte da história já que foi o primeiro desenho exibido na TV brasileira, em 19 de setembro de 1950, na hoje extinta TV Tupi. O personagem nasceu em 1940 no curta “Knock Knock“, criado por Walter Lantz. De coadjuvante no curta protagonizado por Andy Panda, o insano pássaro roubou a cena e se tornou a estrela principal do estudio de Lantz. Reza a lenda que este criou o personagem depois que um pica-pau incomodou sua lua-de-mel. O longa que chega a nossos cinemas é uma tentativa de apresentar a transloucada ave a uma nova geração que não acompanhou as constantes reprises na TV, passando por exibições na Record, Globo e tv por assinatura. No inicio, o pica pau era bem mais malvado, com olhos grandes vesgos, dentuço e barriga vermelha, uma força de caos com penas capaz de enlouquecer um guarda que persegue os rachadores (The Screwdriver, 1941), ou caçar um operário que só queria fazer a barba entoando a clássica ópera de Rossini (The Barber of Seville, 1944). Com o sucesso, o personagem foi domado por seu criador, ganhou traços mais suaves e comportamento anárquico, porém mais contido. Essa versão mais sociável estrela esse filme onde um casal ameaça desmatar uma área natural onde o pica-pau mora e, claro não deixará barato. A atriz brasileira Thalia Ayala está no centro da história dirigida por Alex Hamm (O Fada do Dente 2, Dr. Doolittle 5). Certamente que os adultos se deliciarão mais com o filme, mas não espere ver os coadjuvantes clássicos como Zeca Urubu, Zé Jacaré, Leôncio ou o bandido Dooley. Erro dos roteiristas em não aproveitar o rico elenco que acompanhou o personagem em mais de 200 desenhos (levando-se em conta claro a retomada da série pela Fox no final da década de 90). Se você que lê essa resenha ver um adulto comentar que já teve vontade de descer as cataratas em um barril, é normal. Com tantos anos trabalhando nesta industria vital, não é a primeira vez que isso acontece. Então, como diria a bruxa “E la vamos nós”.

CHOCANTE

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(BRa 2017) Dir: Johnny Araújo & Gustavo Bonafé. Com Bruno Mazzeo, Lúcio Mauro Filho, Marcus Majella, Bruno Garcia, Pedro Neschling, Debora Lamm, Tony Ramos, Klara Castanho. Comédia.

Membros de uma boy band dos anos 90 se reune depois de vinte anos para o funeral de um deles. Com isso decidem voltar a ativa e reconquistar o público.  O filme, co-roteirizado por Bruno Mazzeo, revive a gloria e a decadencia de grupos como Menundo, Tremendo (anos 80), Backstreet Boys (anos 90) etc. O filme, co-produzido pela Globo Filmes, investe no clima de paródia explorado por um bom elenco de comediantes.