DORIS DAY ETERNA

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É COM ESSE SORRISO QUE VOU ME LEMBRAR DELA. NADA A DIZER ALÉM SAUDADES DE UMA DAS MAIORES ESTRELAS DO CINEMA CUJA VOZ EMBALOU MINHA VIDA. RECENTEMENTE POSTEI EM 3 DE ABRIL UM TEXTO SOBRE MINHA DIVA QUE HOJE SE JUNTOU ÀS ESTRELAS.

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GRANDE ESTREIA : CEMITÉRIO MALDITO

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A ATUAL VERSÃO

                     Era obvio, desde o sucesso de “IT – A Coisa”, que Hollywood redescobriria o potencial de Stephen King, o prolífico escritor que desde a segunda metade dos anos 70 é recorrente em adaptações ora para o cinema ora para TV. Certamente que nem sempre o resultado dessas adaptações foi à altura da criatividade deste norte-americano de 71 anos, o que justifica até certo ponto que seja revisitado e refilmado ao gosto da nova geração.

                    “Cemitério Maldito(Pet Sematary) é o único livro que o próprio autor admitiu já tê-lo assustado. Escrito no curto período em que Stephen King alugou uma casa à beira de uma movimentada estrada onde morreu o gato de sua filha, Naomi;  King imaginou a história que veio a se tornar o livro, mas que demorou a publicar porque não acreditava na qualidade desta até que sua esposa o convenceu a publicá-lo. O livro acabou se tornando um campeão de vendas e um de seus trabalhos mais memoráveis, já tendo sido adaptado em 1989.

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O FILME ORIGINAL

                    A história é a de um casal que se muda com seus filhos para uma casa à beira de uma estrada. A floresta próxima guarda mistérios, como um antigo cemitério indígena onde quem é enterrado ressuscita, porém transformado em um ser maligno, sem alma ou coração. O filme de 1989 foi uma adaptação bem próxima do material original, com o terror criado a partir de uma premissa reflexiva, a de que há coisas piores que a morte. O livro fala da aceitação da brevidade da vida e de que se interferimos na ordem natural das coisas, pagamos um preço terrível por isso. Embalado pela trilha sonora que inclui a banda “Ramones”, a favorita do autor, “Cemitério Maldito” está entre as melhores adaptações de King, e entre as mais assustadoras obras do gênero. Difícil não tremer quando o menino Cage é subitamente atropelado por um caminhão. Essa e outras passagens da história criam um clima de angustia crescente tanto nas páginas do livro quanto nas cenas que se desenrolam à medida que a família Creed (Dale Midkiff e Denise Crosby) se desesperam e vão às últimas consequências para recriar sua família. Com orçamento modesto de cerca de US$11 milhões, o filme dirigido por Mary Lambert foi um sucesso quando lançado nos cinemas em outubro de 1989.

                 Na nova versão teremos algumas modificações além do elenco que inclui o sempre excelente John Lightgow no papel de Judd Crandall, o homem solitário que conhece os segredos do cemitério de animais. No filme de 1989, o papel foi vivido por Fred Gwynne, o Herman da clássica série “Os Monstros” da década de 60. O novo filme também mostra sequências que haviam sido cortadas da primeira versão mostrando o Wendigo, a criatura sobrenatural que habita as florestas e provoca sustos na narrativa do livro. Outro triunfo para quem curte as histórias do autor é a sua habilidade de conectar suas histórias. Muito antes que se falasse em universo compartilhado, King sempre que escrevia histórias novas incluía referências a outros de seus sucessos. Em “Cemitério Maldito”, o livro, encontra-se menções ao cão Cujo e à cidade de Jerusalem, respectivamente dos romances “Cujo” e “Salém’s Lot”. Este último, inclusive, ganhará nova versão em breve.

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           O filme de 1989 foi inclusive o primeiro de seus livros roteirizado pelo próprio King, que faz uma aparição em cena como um padre. Na nova versão os diretores Kevin Kolsh e Dennis Widmyer aproveitam detalhes deixados de lado no filme de 1989, faz algumas modificações mas mantém o clima das páginas que fizeram de Stephen King um rei do gênero. Sem spoilers, saibam que a nova versão não uma repetição quadro a quadro do filme original, mas uma releitura, recriando o final e acertando em não se render ao susto fácil, mesmo sem que seja um primor comparado a outras adaptações de King, o filme cumpre a promessa de assustar e provar que a morte não é um fim, mas seria melhor que fosse, ao menos nesse caso.

VINGADORES ULTIMATO – CHEGOU A HORA !!

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Quando o primeiro trailer de “Vingadores Ultimato” foi divulgado, este tornou-se o primeiro a alcançar 1000 likes em menos de 4 horas no You Tube. Também obteve visualização recorde, com mais de 289 milhões, superando o filme anterior da franquia “Vingadores Guerra Infinita”. Não resta dúvida que tais números servem de termômetro para a chegada do filme que serve de ápice a um planejamento cuidadoso iniciado há 11 anos, e depois de 21 filmes que prepararam o público, incluindo os que nunca leram um quadrinho, mas que passaram a admirar o universo desses heróis.

     Os heróis Marvel já vinham colecionando bons momentos nos cinemas no início dos anos 2000 com o sucesso do “Homem Aranha” de Sam Raimi pela Sony, e dos “X Men” pela Fox, mas criar um universo compartilhado, subdividido em fases, ao longo de todo esse tempo, foi uma aposta audaciosa dos estúdios Marvel. A cada cena pós-crédito o público vibrava com os desdobramentos que se seguiram a partir de “Homem de Ferro” (Iron Man) de 2008, que inclusive reascendeu a carreira de Robert Downey Jr, hoje figura central nas aventuras dos Vingadores.

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      O primeiro filme da equipe, chamada nos quadrinhos de “os maiores heróis do mundo”, chegou às telas em 2012 depois de filmes solos bem-sucedidos com Thor, Capitão América e Homem de Ferro; assim como aconteceu quando Stan Lee inovou a nona arte lançando esses personagens ao longo da década de 60, e depois reunindo-os em uma equipe de pesos pesados para enfrentar a ameaça de Loki, o meio-irmão de Thor. O grande vilão Thanos só viria a surgir em 1973, criado não por Lee, mas pelo autor norte-americano Jim Starlin, que o concebeu como um personagem menor na revista “Iron Man” #55. Starlin desenvolveu as origens e motivações de Thanos ao longo dos anos seguintes confrontando-o com outros heróis como “Homem Aranha”, “Quarteto Fantástico” e “Capitão Marvel” até finalmente envolver os Vingadores. Nos quadrinhos, a derrota de Thanos veio nas mãos de Adam Warlock, um ser artificial criado por cientistas renegados.

      No cinema Thanos ficou um longo tempo como um observador oculto nos bastidores tramando se apoderar das jóias do infinito. Joss Whedon dirigiu o filme dos Vingadores e sua sequência “Vingadores: A Era de Ultron”, de 2015 onde os heróis enfrentam o robô Ultron, criado nos quadrinhos em 1968 por Roy Thomas e John Buscema. O vilão foi uma experiência frankensteniana do Dr.Hank Pym, mergulhado em complexo de Édipo. No filme, no entanto, essa essência se perdeu, e o personagem foi resumido a uma criação mal-sucedida de Tony Stark.

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      Nesse meio tempo, a Marvel teve seus altos e baixos: Aproveitou bem personagens menos conhecidos como “Guardiões da Galáxia” (2014 e 2017) e “Homem Formiga” (2015 e 2018), cada qual com características próprias funcionando perfeitamente, vistos isolados ou como parte de um plano maior. Mesmo com sucesso comercial nem tudo funcionou com perfeição na passagem das hqs para as telas: o vilão Mandarim foi mal aproveitado em “Homem de Ferro 3” (2012) , e o Hulk foi reduzido a coadjuvante da luxo nos filmes sem protagonizar uma aventura solo à altura de décadas de excelentes histórias, apesar de duas tentativas em 2003 e 2008.

      Contrabalançando tudo os resultados foram triufantes em “Capitão América Soldado Invernal” (2014) e “Capitão América Guerra Civil” (2016), flertando com tramas conspiratórias e de espionagem que mostram que o gênero podia ter um conteúdo além da simplória luta entre o bem e o mal. Os filmes da Marvel acertaram em buscar representatividade e lançaram “Pantera Negra” (2018) e “Capitã Marvel” (2019), explorando valores que já eram diferenciais quando Stan Lee deu vida a todo um universo, e o fez com talentos do quilate de Jack Kirby, John Buscema, Jim Steranko, Roy Thomas, Len Wein, Don Heck, Steve Englehart, Steve Dikto entre outros. O produtor Kevin Fiege, o homem forte do estúdio, conseguiu trazer o Homem Aranha para os filmes compartilhados, fez do “Dr.Estranho” (2017) um sucesso explorando elementos místicos em um contexto em que a linguagem da ficção cientifica trata de universos, dimensões paralelas e alienígenas. Personagens como Nick Fury (Samuel L.Jackson), Viúva Negra (Scarlett Johanson), Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) e outros tornaram-se conhecidos pelo público em geral, não apenas pelos aficionados, que se importam com o destino dos personagens.

          Com “Guerra Infinita” ano passado, a Marvel reuniu um multi-elenco de  mais de 30 personagens desfilando pela tela em uma história apocalíptica. Resta saber como os heróis sobreviventes reagirão ao estalar de dedos que, há um ano, vem criando uma gigantesca expectativa, fazendo fãs evitarem spoilers com o mesmo empenho com o qual vem acompanhando passo a passo a jornada desses heróis, uma verdadeira odisseia que se transformou em objeto de adoração e culto na cultura pop, ícones de um moderna mitologia que começou, na verdade, quando Stan Lee – imaginamos – disse algo como “Tenho uma ideia!” Assim se fez a luz, com papel e nanquim e agora em cenas digitais de um jogo que não chega exatamente a um fim, mas a um novo começo.

ESTREIAS DA SEMANA: 18 DE ABRIL DE 2019

A MALDIÇÃO DA CHORONA

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(The Curse of the Llorona) EUA 2019. Dir: Michael Chaves. Com Linda Cardellini, Raymond Cruz, Patricia Velasquez. Terror.

O filme adapta uma lenda mexicana, do século XVI, a de uma mulher que afogara os próprios filhos em um lago, se afogando logo em seguida. Chorando pela eternidade, a entidade volta do além à meia noite para pegar crianças que substituam seus filhos. No filme, uma assistente social (Cardellini, a Velma do filme “Scooby Doo”) se vê assombrada pelo espírito da chorona que ameaça levar seus dois filhos. Há várias vertentes dessa lenda urbana, mas o que importa são os sustos que vamos levar nesse novo exemplar do gênero “jump scare” que integra o universo iniciado por James Wan em “Invocação do Mal” e que inclui “Annabelle” e “A Freira”.

O GÊNIO & O LOUCO

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(The Professor & The Mad Man) IRL 2019. Dir: Farhad Safiria. Com Sean Penn, Mel Gibson, Ioan Gruffudd, Jeremy Irvine, Natalie Dormer.  Drama.

Filme biográfico retratando a criação do dicionário Inglês de Oxford envolvendo duas figuras singulares, o professor James Murray (Gibson) e o esquizofrênico mas genial W.C. Minor (Penn). O filme além de mostrar um fato histórico que guarda muitas coisas curiosas é centrado em dois ótimos atores, ambos já tendo tido seus momentos de genialidade e loucura, seja em suas vidas pessoais ou profissionais.

CÓPIAS – DE VOLTA À VIDA

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( Replicas) EUA / CHI 2018. Dir: Jeffrey Nachmanoff. Com Keannu Reeves, Alice Eve, Amber Rivera. Ficção Cientifica.

Cientista traz de volta da morte a família que perdera em um acidente de carro, para isso as clona ignorando qualquer restrição científica ou moral. Curiosamente o filme foi filmado em 2016, e só chega agora em nossos cinemas. Apesar de uma trama interessante, bem ao sabor dos subtemas do gênero fantástico, o filme não está despertando muito interesse, tendo sido um fracasso em territorio americano.

 

 

 

 

SHAZAM ! A VOLTA DO CAPITÃO MARVEL ORIGINAL

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               Todos conhecem a palavra mágica: SHAZAM, mas poucos sabem que ele já foi mais popular dos heróis, que ficou no limbo após perder uma longa batalha judicial e que ele foi o primeiro a se chamar Capitão Marvel, muitos antes que a editora Marvel existisse. Ele renasceu nos quadrinhos, migrou para outras mídias e volta em um blockbuster para nos lembrar que é fácil virar um super-herói, basta estar ao alcance de um raio mágico.

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                 Foi com o lançamento de “Action Comics #1” pela National Periodics (atual DC Comics) que se iniciou a era de ouro dos quadrinhos. Talvez seja difícil para as pessoas de hoje, acostumados a tantos super-heróis, imaginarem o impacto daquelas páginas, iniciadas com um imponente homem erguendo carros por sobre a cabeça. Entre os vários personagens surgidos no rastro de vendas do Superman, disputando um lugar na fértil imaginação das crianças, o único que conseguiu rivalizar e superar nasceu da mente do roteirista Bill Parker e do desenhista C.C.Beck, estampando a capa de “Whiz Comics #2”, da editora Fawcett. Também arremessando um carro longe, o novo personagem não era um visitante de outro planeta, mas um menino transformado em um super-herói ao pronunciar o nome de um mago, que é o acrônimo de seis imortais e seus dons (a sabedoria de Salomão, a força de Hércules, o vigor de Atlas, o poder de Zeus, a coragem de Aquiles e a velocidade de Mercúrio). Era fevereiro de 1940, um ano depois que Martin Goodman fundasse a Timely Comics (futura Marvel Comics), meses depois de iniciado o conflito na Europa. Billy Batson trabalha como locutor de rádio, e ao ser guiado por uma figura misteriosa até o mago Shazam torna-se seu escolhido para ser um campeão da justiça intitulado “Capitão Marvel”, depois que os editores descartaram a ideia inicial de chamá-lo “Capitão Trovão”. Em 1941, o Capitão Marvel tornou-se o primeiro super-herói a ser adaptado para o cinema, antes mesmo de “Superman” e “Batman”, vivido pelo ator Tom Tyler em “The Adventures of Captain Marvel”, um seriado dividido em 12 capítulos. Não demorou muito para que o herói, cujo rosto desenhado foi inspirado no ator Fred MacMurray, ganhasse mais espaço em novos títulos “Captain Marvel Adventures”, “Wow Comics”, “Marvel Family” e “America’s Greatest Comics”, e logo uma periodicidade quinzenal no auge de sucesso do personagem, vendendo tiragens muito superiores às do Superman.

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              Claro, que todo esse sucesso despertaria incômodos na concorrência, e a National Periodics processou a Fawcett por plágio. Afinal, haviam semelhanças inegável entre o homem de Krypton e o Capitão Marvel. Ambos com força e habilidades sobre-humanas (embora a princípio o Superman não voasse como o Capitão Marvel, apenas saltava grandes distâncias), o maior inimigo de ambos eram cientistas loucos, Lex Luthor contra o Superman e o Dr.Silvana contra o Capitão Marvel. Ainda assim, a popularidade do Capitão era inegável e seu apelo com o público leitor era uma afronta para a editora do Superman. Em dezembro de 1941 surgiu o Capitão Marvel Jr (Whiz Comics #25) e um ano depois Mary Marvel (Captain Marvel Adventures #18), que teve as feições inspiradas no rosto de Judy Garland, ampliando o conceito inicial para a formação da “Família Marvel”, e outros coadjuvantes chegaram ora como aliados ora como vilões como o Sr.Malhado (o tigre falante), o Sr.Cérebro, o Adão Negro (versão maligna do Capitão) entre outros. Em 1946, um milhão e meio de exemplares vendidos eram uma afronta para a concorrência e uma vitória para a Fawcett Comics, que ganhou o processo movido pela National Periodics.

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           Na início da década de 50, a publicação de quadrinhos de super heróis foi prejudicada pela caça às bruxas iniciada em meados da década anterior pelo psicólogo Dr.Fredrich Wartham, autor de “The Seduction of the Innocents” e os lucros caíram muito quando várias editoras, para sobreviver, se voltavam para outros nichos como histórias de guerra, policiais, cowboys e terror. A National recorreu e a Fawcett se viu com baixas vendas e sem recursos para continuar a se defender. Em 1953, a editora desistiu do Capitão Marvel, interrompendo sua publicação e pagando US$400.000 à editora do Superman. Curiosamente, no Brasil a RGE continuava publicando as aventuras do Capitão Marvel, e na falta de material novo produziu histórias novas com artistas brasileiros, incluindo um encontro não oficial entre o herói da Fawcett e o tocha Humana Original publicado no “Almanaque do Globo Juvenil” de 1964. Essa história é item raro de colecionador.

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          Em 1973, a agora renomeada DC Comics licenciou o Capitão Marvel junto a Fawcett relançando-o nas bancas. Contudo, Stan Lee havia criado um novo personagem com esse nome em “Marvel Super Heroes #12” (Dezembro de 1967) e, embora o nome pudesse ser usado no interior das histórias, o título da nova revista passou a ser apenas “Shazam”, publicado no Brasil pela editora Ebal. O material trazia os roteiros de Denny O’Neill para os desenhos do próprio C.C.Beck, e já começava com uma irônica capa que trazia o Capitão Marvel ao lado do Superman. A história revelava que nos últimos 20 anos (período em que os personagens não foram publicados) todos estavam congelados por uma invenção descontrolada do Dr.Silvana. À publicação desse material, a Ebal acrescentou nas páginas várias histórias originais dos anos 40. A Ebal ainda publicou em 1980 “Superman Vs. Shazam!”, levando para a fantasia a rivalidade que se instaurou entre as editoras de ambos. Essa rivalidade seria revivida muito mais tarde na mini-serie “O Reino do Amanhã” (Kingdom Come) de Alex Ross e Mark Waid onde Superman e o Capitão Marvel…digo Shazam, travam uma batalha de vida e morte.

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          Durante os anos seguintes o personagem voltou à mídia televisiva no seriado “Shazam!” com Michael Grey no papel de Billy Batson enquanto o Capitão Marvel foi vivido por John Davey, e depois Jackson Bostwick. O seriado, no entanto, nada tinha a ver com os quadrinhos, sem super vilões a combater, mas sempre com uma mensagem moralizante ao final. A Filmation produziu a série, que no Brasil foi exibida pela Globo e SBT. Recentemente foi divulgado que a série será relançada no serviço de streaming “DC Universe”. Ainda houve uma animação também da Filmation realizada em 1981.

           O personagem voltou a ser deixado de lado depois que a DC Comics reformulou seu universo em 1985. Seis anos depois a Dc comprou em definitivo os direitos do personagem e o relançou em 1995 na série “The Power of Shazam” com roteiros de Jerry Ordway que evocavam todo a glória do passado, mas que ainda o deixava como um anacronismo em meio à fase que a editora passava com tragédias como a morte do Superman, a queda do Morcego ou a transformação do Lanterna Verde em Parallax. A revista foi descontinuada após 50 números, mas o personagem ainda recebeu tratamento digno nos especiais “Shazam – O Poder da Esperança” (2000) e “Shazam e a Sociedade dos Monstros”(2003) . Só em tempos recentes com Geoff Johns o personagem foi reformulado na linha “Os Novos 52”. Foi esse material, que deixou de lado em definitivo o título “Capitão Marvel”, e que foi usado como base para o filme estrelado por Zachary Levi. A magia do personagem continua a encantar uma nova geração de leitores, que aprende a descobrir o herói que existe em cada um de nós, crianças e adultos, transformados ao som de um relâmpago mágico.

HAPPY BIRTHDAY, DORIS DAY

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                      Doris Mary Ann Kappelholf é uma lenda viva completando 97 anos nesse dia 3 de Abril. Nascida em 1922 em Cincinnati, filha de uma dona de casa e um professor de música. E a música foi sua vida, Doris ingressou na orquestra de Les Brown, nos início dos anos 40, época a que se referiu posteriormente como a melhor de sua vida. Doris tinha sonhos de ser dançarina, mas um acidente de carro aos 14 anos destruiu esse sonho, mas não a derrotou. Doris jamais se sentiu derrotada, ou ao menos jamais se deixou levar por esse sentimento. Fez carreira solo quando deixou a banda de Les Brown e com a gravação, em 1945, de “Sentimental Journey” alcançou a fama,  e nunca mais deixou de fazer brilhar seu nome.

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              Nos anos que se seguiram gravou mais de 600 canções, e foi escolhida para assinar um contrato com a Warner em 1948 para atuar em “Romance em Alto Mar” (Romance on The High Seas). Da Warner, foi mais tarde para a Metro e para a Universal, filmando todos os tipos de filmes. Doris, no entanto, sempre foi muito subestimada, ainda que tenha sido indicada ao Oscar de 1959 por seu papel de Jan Morrow em “Confidências à Meia Noite” (Pillow Talk), primeiro dos três filmes que fez com Rock Hudson, e que deu o pontapé inicial em uma amizade que durou até o fim da vida de Hudson. Doris colecionou apelidos zombeteiros como “senhorita requeijão” ou “virgem profissional” (este último lhe foi atribuido por Groucho Marx), mas Doris sempre foi uma dama, ignorando a zombaria e fazendo papeis diversos embora ficasse marcada como a namoradinha da América Eisenhower, adentrando os anos 60 com uma aura virginal que lhe acompanhou em vários papeis, mesmo que não estivesse interpretando uma senhorita.

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            Foi muito elogiada no papel da cantora Ruth Etting em “Ama-me ou esqueça-me” de 1955, experimentou o suspense não apenas com o filme de Hithcock mas também em “A Teia de Renda Negra” (Midnight Lace) de 1960. Trabalhou ao lado de astros como Clark Gable (Um Amor de Professora), James Garner (Tempero do Amor), Ronald Reagan (Dilema de uma Consciência), Cary Grant (Carícias de Luxo), David Niven (Jamais Fomos Tão Felizes) etc.  Versátil como era se divertiu fazendo um papel de mulher masculina, a lenda do velho oeste Jane Calamidade em “Ardida como Pimenta” (Calamity Jane) em 1953 e conquistou o Oscar de melhor canção por “Secret Love”, hino do romantismo cinquentista, que embalou vários namoros.

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         Doris casou-se quatro vezes e teve um filho, Terry Melcher, e mesmo que nunca tenha tido um “felizes para sempre” digno de alguém que cantou o amor como ela, Doris exerceu o maior amor, o amor pela vida dos animais, causa que a motivou quando deixou Hollywood no final dos anos 60 e a Tv em 1973, quando foi a estrela de sua própria série de tv “The Doris Day Show”. A estrela ainda fez uma mulher atrapalhada confundida com uma espiã no divertido “A espiã de Calçinhas de Renda” (The Glass Bottom Boat) de 1966, do mestre Frank Tashlin. Em 1989, recebeu um prêmio Cecil B.De Mille por sua luta em defesa dos animais.

        Hoje ela vive reclusa, mas ainda apoia a causa dos animais através da “Doris Day Animal Foundation” e sua voz é ainda ouvida nas gravações que deixou, redescoberta sempre como no lançamento em 1º de Abril de “Doris Day Imagination”, mostrando que uma nova geração poderá se encantar com a estrela que gravou em meu coração “Whatever will be will be”. Doris Forever. I, We all love you!!

GRANDE ESTREIA : DUMBO

             A Disney vem sendo bem-sucedida em suas transposições da animação para o live-action. Embora já tivesse feito uma tentativa com “101 Dálmatas” (1990) foi mais recentemente que a casa de Mickey Mouse passou a explorar efetivamente o filão. Foram mais de $200 milhões com “Cinderela” em 2015, mais de $300 milhões com “Mogli” em 2016 e mais de $500 milhões com “A Bela & A Fera” em 2017, e isso em termos de bilheteria doméstica (território americano) de acordo com o site “boxoffice mojo”. Só esse ano ainda já temos programado “Aladim”, “Rei Leão” e estreando agora “Dumbo”, reunindo Michael Keaton e Danny DeVito com Tim Burton, além de Eva Green, Colin Farrell e Alan Arkin.

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             A história do filhote de elefante com orelhas enormes se conecta com um mundo onde estamos constantemente debatendo temas como bullying e intolerância com o que é diferente. A história, no entanto, data de um livro infantil publicado em 1939 e escrito pelo casal Helen Aberson e Harold Pearl. Reza a lenda que a história já havia sido usada no formato “rool-a-book”, espécie de livro com slides, mas nenhuma cópia deste existe. O filme de Tim Burton se baseia mais no livro do casal Aberson-Pearl que na clássica animação de 1941, o que significa algumas diferenças serão observadas, como a falta de animais falantes. Assim como Dunga em “Branca de Neve & Os Sete Anões” (1938) ou Gideon o gato de “Pinoquio”, o simpático elefantinho não verbaliza, mas é mais humano em seus sentimentos que os homens que exploram os animais no circo. O pequeno elefante recebe seu nome como um trocadilho de Jumbo com “Dumb”, que em inglês significa “Estúpido”. Mesmo com o dom de vôo graças a suas orelhas, o animal conhece a indiferença e, depois, a ganância do homem que explora os animais do circo e que tem na figura de Michael Keaton a personificação da vilania. Fica claro, à medida que a história segue, que o que nos faz ser atacados também pode ser transformado em superação e força.

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         Quando o próprio Walt Disney tomou conhecimento do livro não se interessou a princípio, mas foi convencido e, assim, viu a oportunidade de transpor para as telas a belíssima mensagem por trás de seu protagonista, além de se recuperar financeiramente dos altos gastos que tivera com “Fantasia” um ano antes. A época de sua realização o mundo estava atravessando a Segunda Guerra e a indústria do entretenimento não poderia arcar com grandes gastos já que o governo pressionava os estúdios em nome do “esforço de guerra”. Com um orçamento inferior, em relação aos outros lançamentos do estúdio, “Dumbo” foi um feliz sucesso de bilheteria com bilheteria acima da alcançada com “Pinoquio” (1940) e “Fantasia” (1940) somados. Percebe-se que o desenho é de fato mais simples, tendo os animadores do estúdio estudado os movimentos dos animais, e o fundo de várias cenas chegou a usar cores de aquarela (sim, computação gráfica não existia na época). Custou cerca de US$ 813 mil dólares e arrecadou US$1,6 milhões, mesmo depois de vários obstáculos para sua realização. O estúdio Disney foi pressionado por uma greve de cinco semanas dos cartunistas, que estourou durante a realização da película, destruindo a atmosfera amistosa que era marca do estúdio. Outra luta de bastidores se deu quando a RKO Radio Pictures, que distribuía as produções do estúdio, tomou conhecimento da metragem de 64 minutos, e forçou Disney a filmar mais material que o aumentasse ou reduzi-lo como um curta, mas ele se recusou a ambos e conseguiu garantir seu lançamento.

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          A animação de “Dumbo” tornou-se o 4º trabalho do estúdio no gênero e foi também o menor em termos de duração, contando apenas 64 minutos de projeção original. O Rato Timotheo rouba as cenas várias vezes como fiel companheiro de Dumbo, e foi criado pelo estúdio já que no livro original é um pássaro quem ajuda o herói de quatro patas. A escolha de um rato funcionou já que a sabedoria popular sempre coloca que elefantes temem ratos.

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         Público e crítica apaixonaram-se pela história do elefantinho voador quando sua estreia em outubro de 1941, chegando aos jornais e revistas especializadas como a “Variety” e o “New York Times”.  Meses depois, o personagem chegou a ser escolhido como capa da revista “Time”, que escolhia a cada ano uma foto que representasse o personagem do ano. Contudo, o ataque a Pearl Harbor mudou o rumo dos eventos, levando os Estados Unidos a ingressar no conflito e com Dumbo sendo substituído pelo General McArthur, comandante das forças americanas. A edição da Time, todavia, publicou em suas páginas internas a imagem do elefante. No ano seguinte, a belíssima canção “Baby Mine”, ouvida quando a mãe de Dumbo usa sua tromba através das grades da jaula para ninar o pequeno filhote, perdeu o Oscar de melhor canção, mas ao menos a produção triunfou como melhor trilha sonora para Frank Churchill e Oliver Wallace.

          “Dumbo” está entre os trabalhos mais apreciados pelo estúdio Disney, e o próprio pai de Mickey e Donald dizia que era um de seus favoritos. Na segunda metade dos anos 2000 John Lasseter, homem forte da Disney, chegou a considerar fazer uma sequência da animação, que acabou não acontecendo. O filme de Burton vem com a missão de trazer esta comovente história para a nova geração, e nisso reside o encanto dessas refilmagens. Em 2017, a animação original foi escolhida pela Biblioteca do Congresso Americana para ser preservado como um Tesouro Nacional. O filme de Burton, assim sendo, tem como missão resgatar um espirito nostálgico, reforçado pela ambientação logo após o final da Primeira Guerra, e a inocência de um personagem que voa com suas orelhas mas nos encanta com seu coração.

           Em breve, falarei de “Aladim” !!!

NÓS – OS DOPPLEGANGERS

                  O filósofo alemão Friedrich Nietzche dizia que o inimigo mais perigoso sempre será você mesmo. Na literatura, como no cinema, essa visão pode ser levada ao pé da letra. É assim que Jordan Peele nos assusta em “Nós”, explorando possibilidades narrativas que já despertaram o interesse em áreas tão diversas como a filosofia e a psicologia.

Nós

NÓS – DE JORDAN PEELE, ESTRELANDO LUPITA N’YONGO

                  A noção de uma réplica distorcida de nosso próprio “eu” alimentou a imaginação de Edgar Allan Poe no conto “William Wilson” (1839) onde o protagonista do título, um homem descente e nobre, conhece um homônimo com sua exata aparência e nascido no mesmo dia, 19 de Janeiro (também aniversário de Poe). William fica obcecado não apenas devido à semelhança física, mas também pelo comportamento de seu duplo, com quem antagoniza conduzindo-o pelo caminho da insanidade. Em 1968, a obra de Poe integrou a antologia cinematográfica “Histórias Extraordinárias” dirigida por Roger Vadim, Frederico Fellini e Louis Malle. Foi este último quem transpôs a adaptação do conto de Poe com Alain Delon vivendo o duplo protagonismo do segmento. Histórias sobre o encontro de um sósia perfeito, no entanto, são encontradas em culturas tão distintas quanto os egípcios e os nórdicos. Coube aos alemães a criação do termo “doppleganger”, algo como um “duplo que anda”, assumindo ao longo do tempo uma conotação negativa, como um fantasma ou assombração. Inicialmente a lenda germânica apontava uma criatura capaz de mimetizar quem escolhesse não só na aparência exterior como também em suas características emocionais.

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JESSE EISENBERG EM “O DUPLO” DE DOSTOIEVSKI

                Duplicatas tornam-se ameaçadoras no campo da ficção, como o escritor russo Fiodor Dostoievski em seu romance “O Duplo” (1866) sobre um funcionário que vê sua identidade, sua vida roubada por um sósia. Na época de sua publicação a obra não foi devidamente compreendida pelo público, mas recentemente Jesse Eisenberg assumiu o papel na adaptação “The Double”, dirigido por Richard Ayoade em 2013. As implicações da existência de um doppleganger são muito apreciadas pelas plateias atuais em diversas formas de mídia. Nos quadrinhos, Superman enfrentou Bizarro, sua cópia distorcida, o Flash já correu contra o Flash Reverso entre outros personagens. O mito do duplo já foi usado em animes (Hunter x Hunter), séries de Tv (Supernatural, Supergirl, The Flash, Arquivos X) e games (Dark Pit, Sonic The Hedgehog, The Legend of Zelda) e a lista é ainda maior se contabilizarmos outros filmes e animações.

               Fora do campo do entretenimento, a própria ciência já debateu acerca da variedade de traços genéticos, se esta é limitada ou não, como forma a justificar cientificamente a incrível semelhança entre pessoas sem nenhum laço sanguíneo. O renomado Sigmund Freud, pai da psicanálise, divagou sobre o assunto e chegou a atribuir ao médico e escritor austríaco Joseph Schnitzer o papel de seu doppleganger dada a incrível proximidade do trabalho de ambos com relação ao inconsciente e o comportamento humano. Freud escreveu cartas para Schnitzer, mas se recusava a encontrá-lo pessoalmente.

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ALÉM DA IMAGINAÇÃO – EPISODIO “MIRROR IMAGE”

            Há uma espécie de mau presságio associado ao encontro de uma pessoa com seu duplo, como se indicasse a personificação da morte, entrelaçando lendas e superstições em um leque infinito de possiblidades para análises filosóficas ou para o mero entretenimento escapista. O prolífico escritor Stephen King se rendeu ao tema em seu livro “A Metade Negra” (The Dark Half) de 1989. Nele, King usa o mito da réplica maligna estimulado por uma experiência pessoal, o período em que usava o pseudônimo de Richard Bachman para escrever anonimamente, o que descoberto algum tempo depois. O autor de “It” e “O Iluminado” provoca calafrios ao estipular que seu pseudônimo ganha “vida” independente e desejos vingativos.

           Impossivel não lembrar também da clássica série de Tv “Alem da Imaginação” (The Twilight Zone) que em “Mirror Image”, seu 21º episodio (1ª temporada) mostrando Vera Miles como uma secretária, presa por uma noite de tempestade em uma rodoviária, sendo atormentada por seu doppleganger, o que só ele vê, fazendo todos duvidarem de sua sanidade. O diretor e autor Jordan Peele, inclusive, está à frente de uma nova versão desse seriado clássico, que estreia em breve.

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         Desesperadora e inquietante dicotomia sobre nossa própria natureza, os duplos provocam angustiante análise sobre o que somos e o que gostaríamos de ser, o que trazemos em nossa essência e o que reprimimos. Já advertia Nietzche para que sejamos cautelosos ao combater nossos nêmesis pois ao olhar muito tempo para o abismo, este olha para dentro de você, de mim, de nós mesmos.

GRANDE ESTREIA: CAPITàMARVEL

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       A jornada da heroína Carol Danvers até sua atual posição como principal heroína do universo foi árdua, cheia de altos e baixos, derrotas e trocas de identidade, mas hoje chega aos cinemas com a celebração do dia internacional da mulher, mais do que derrotando vilões, assumindo o papel de símbolo do empoderamento feminino.

               Quando surgiu nos quadrinhos em 1968, já existia a figura do “Capitão Marvel” (Nada a ver com o Shazam da DC, que já usou essa alcunha), um guerreiro de uma raça alienígena que se auto exila na Terra para proteger a humanidade. Foi Stan Lee e o desenhista Gene Colan quem criou o herói Kree Mar-Vell em dezembro de 1967. Um ano depois, Roy Thomas imagina Carol Danvers  como uma piloto da força aérea que foi salva por Mar – Vell da explosão de um artefato alienígena, que fundiu seu DNA humano com o DNA Kree. Foi ideia do roteirista Gerry Conway fazer de Carol uma super heroína que ostentasse o nome da editora. A força sobre humana e o poder de vôo a tornaram a heroína “Ms Marvel”, trazendo em seu nome o título “Ms” que destaca uma mulher independente, solteira, adequado a um mundo que precisa aprender a respeitar a figura da mulher. A personagem então ganha um título próprio a partir de Janeiro de 1977, dois anos depois que a assembleia geral da ONU escolhesse 1975 como o ano internacional da mulher. Carol era a personagem que simbolizaria a editora Marvel na luta feminista concorrendo com a imagem da Mulher Maravilha da Dc Comics, principal rival da Marvel no mercado editorial. Incluindo a renomada revista “Ms”, criada por ativistas dos direitos das mulheres em 1971, havia estampado a imagem da “Mulher Maravilha” em sua icônica primeira edição. Logo, Carol Danvers muda para o papel de editora de uma revista similar publicada por J.Jonah Jameson, o chefe de Peter Parker, o Homem Aranha, herói mais popular da editora.  Essa fase que durou apenas por 25 edições foi publicada no Brasil em revistas da editora Abril como “Capitão América” e “Herois da TV”.

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                A Marvel demorou a ter uma heroína à frente de um título longevo apesar das tentativas com “Mulher Aranha” e “Mulher Hulk”, mas Carol continuou a ter destaque ingressando na equipe dos Vingadores. Apesar de um promissor início nas mãos de Chris Claremont, que explorava os lapsos de memória que Carol tinha toda vez que se transformava, os roteiristas que se seguiram não souberam explorar a personagem, ainda que incrementassem seu uniforme com uma mudança de cores e forma.  Jim Shooter e David Micheline fragilizaram Carol Danvers como vítima de um estupro por um ser extra dimensional que a engravida como forma de chegar à nossa realidade. Carol é manipulada para se apaixonar por ele e deixar nossa dimensão com ele. Pouco tempo depois, Claremont volta a escrever a personagem trazendo-a de volta ao mundo, fragilizada emocionalmente e tendo os poderes sugados pela mutante Vampira, o que a deixa em coma.

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OS VÁRIOS UNIFORMES & IDENTIDADES

             Nos anos 80, a primeira troca de nome ocorre quando Claremont escrevendo as historias dos X Men mostra Carol, já despertada de seu coma, adquirindo poderes estelares e assumindo o nome “Binária”. Nos anos que seguem, Carol é nada além de uma coadjuvante de luxo nas histórias dos “X Men” ou dos “Vingadores”, mas não demora para perder seus poderes de Binária e voltar a ser a Ms.Marvel. Nesse meio tempo, a editora publicou a emotiva Graphic Novel “A Morte do Capitão Marvel” em 1982. O herói morre de câncer depois de uma longa e dramática batalha e o nome “Capitão Marvel” (Lembrando que em inglês não há flexão de gênero) é adotado por Monica Rambeau, uma mulher negra que consegue transmutar seu corpo em qualquer tipo de energia. Foi na década de 90 que Carol volta a se destacar nos Vingadores assumindo o codinome “Warbird”, mas mergulhada no alcoolismo. Nessa fase, se aproxima de Tony Stark o Homem de Ferro, que havia passado pelo mesmo problema em histórias da década anterior. Foi a partir do evento “Guerra Civil”, que Carol restaura sua importância no status quo do Universo Marvel. A heroína assume agora o nome “Capitã Marvel” superando todos os traumas do passado, as derrotas pessoais e o descaso de maus direcionamentos editoriais.

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               O filme protagonizado por Brie Larson vem como forma de ratificar a heroína como símbolo dessa representatividade e, claro, mistura vários personagens da editora. Maria Rambeau (Lashana Lynch) é a mãe de Monica Rambeau, que substituiu Mar Vell depois de sua morte, e depois mudou sua alcunha para “Foton”. Além de Nick Fury (Samuel L.Jackson) e a Suprema Inteligência (Annete Benning) Jude Law interpreta Yon Rogg, que nos quadrinhos foi inimigo jurado de Mar Vell, e responsável pelo auto exilio do herói na Terra.

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            A expectativa é grande e, depois do sucesso do filme da “Mulher Maravilha”, a Marvel vem com tudo com sua representatividade e inserindo a última peça em seu tabuleiro para o igualmente aguardado fim de jogo de “Vingadores Ultimato” que encerra os 10 anos passados em que o mundo tem estado, filme após filme, vibrando, se redescobrindo criança por se aproximar de super heróis e ao som do brado “EXCELSIOR”, usado pelo mestre Stan Lee e que definiu gerações de fãs saindo das páginas das hqs para as telas do cinema.

OSCAR 2019 : OS VENCEDORES

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Abertura da cerimônia em grande estilo com a banda Queen

  • MELHOR FILME : GREEN BOOK – O GUIA
  • MELHOR DIRETOR : ALFONSO CUARÓN (ROMA)
  • MELHOR ATOR: RAMI MALEK (BOHEMIAN RAPHSODY)
  • MELHOR ATRIZ: OLIVIA COLMAN (A FAVORITA)
  • MELHOR ATOR COADJUVANTE: MAHARSHALA ALI (GREEN BOOK)
  • MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: REGINA KING (SE A RUA BEALE FALASSE)
  • MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: GREEN BOOK – O GUIA
  • MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: SPIKE LEE (INFILTRADO NO KLAN)
  • MELHOR FIGURINO: PANTERA NEGRA

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    Wakanda Forever: Os Super Herois no Oscar

  • MELHOR FOTOGRAFIA: ROMA
  • MELHOR FILME ESTRANGEIRO: ROMA
  • MELHOR MIXAGEM DE SOM: BOHEMIAN RAPHSODY
  • MELHOR MONTAGEM:  BOHEMIAN RAPHSODY
  • MELHOR MAQUIAGEM / PENTEADO: VICE
  • MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL: PANTERA NEGRA
  • MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: LADY GAGA, SHALLOW (NASCE UMA ESTRELA)
  • MELHOR DIREÇÃO DE ARTE: PANTERA NEGRA
  • MELHOR EDIÇÃO DE SOM: BOHEMIAN RAPHSODY
  • MELHOR MIXAGEM DE SOM: BOHEMIAN RAPHSODY
  • MELHOR EFEITOS VISUAIS: O PRIMEIRO HOMEM
  • MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO: HOMEM ARANHA NO ARANHAVERS

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    Indicados e Premiado em um Oscar bem Pop !!

  • MELHOR CURTA ANIMAÇÃO: BAO
  • MELHOR DOCUMENTÁRIO – LONGA: FREE SOLO
  • MELHOR DOCUMENTÁRIO – CURTA: ABSORVENDO O TABU
  • MELHOR CURTA METRAGEM – LIVE ACTION : SKIN

GRANDE ESTREIA: ALITA ANJO DE COMBATE

ALITA          A nova heroína de Hollywood não é da DC nem da Marvel e já chega causando sensação seja pela impressionante técnica empregada por seus realizadores ou pela mistura de inocência e bravura de sua protagonista, uma cyborg desmemoriada que pode guardar a chave para nos salvar de um futuro distópico. A união dos talentos de James Cameron (Titanic, Avatar) e Robert Rodriguez (Sin City, Pequenos Espiões) nos traz “Alita – Anjo de Combate” (Alita: Battle Angel) baseado no mangá “Gunnm” de Yukito Kishiro.  Foi Guilhermo del Toro quem recomendou a obra para Cameron, que estava ocupado com o projeto que se tornaria “ Avatar”. A princípio o próprio Cameron dirigiria o filme, mas estando ocupado com as sequências do mundo de Pandora não havia espaço livre em sua agenda. Rodriguez enxugou o roteiro, co-escrito pelo próprio Mr. Avatar, ficando com cerca de 125 páginas, assumindo a cadeira de diretor, auxiliado é claro pela supervisão de Cameron que deixou várias anotações.

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            O resultado é uma mistura de ficção científica e ação, seguindo a estética cyberpunk com humor e até romance. O mangá de Kishiro foi originalmente lançado entre 1990 e 1995, e só chegou ao Brasil em 2002 rebatizado “Alita Battle Angel Gunnm”, mas problemas com o licenciamento interromperam sua continuação pela editora Opera Graphica.  No ano seguinte a JBC republicou na íntegra o material, dividido em 9 volumes, rebatizando de “Gunnm – Hyper Future Vision”. Uma vez que os mangás  se tornaram parte da cultura pop mundial, era questão de tempo para que Alita, ou Gunnm , tivesse uma adaptação para o cinema tal qual obras como “Ghost in The Shell”, “Akira” e “Fullmetal Alchemist”, que foram vertidos em animes ou versões live-action, com resultados variados. Não somente na narrativa como também no visual, os mangás carregam uma aura facilmente identificada com a linguagem cinematográfica. Conforme o próprio autor de livros e hqs Scott McCloud observou “os mangás são mestres em combinar os personagens com os ambientes produzindo um efeito bastante realista, destacando a expressividade dos rostos.” Por isso, os personagens sempre são desenhados com olhos grandes, o que Cameron pediu que fosse feito com o rosto da atriz Rosa Salazar, depois que seus traços fossem capturados digitalmente. A Alita do filme é propositalmente um personagem de mangá em 3D, contracenando com os demais personagens em live action, o que inclui atores conhecidos como Jennifer Connelly (Uma Mente Brilhante), Michelle Rodriguez (Velozes & Furiosos)  e Christophe Waltz (Django Livre, Bastardos Inglorios). O personagem de Waltz é o Dr. Dyson Ido, que no mangá original se chama Daisuki Ido. Ele é o cientista especializado em órgãos artificiais e robótica que encontra o corpo de Alita destruído e o recompõe, adotando-a como sua filha adotiva.

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           A personagem Alita é descrita como um robô com cérebro humano, máquina com consciência e valores morais. Em sua jornada ela mantem a inocência em seu coração, mas a bravura para usar sua força e habilidades com violência se necessário na sua luta por justiça. Tais sentimentos contrastam com a frieza do vilão Vector (personagem do ator oscarizado Mahershala Ali) ardiloso na disputa de Motorball, um esporte futurista brutal e desprovido de piedade. No mangá  a passagem pelo Motorball , extraída dos livros 3 e 4,  é essencial para o desenvolvimento de Alita em sua luta. A história ainda abre espaço para um retrato dicotômico da sociedade: Zalem é a cidade suspensa nas nuvens, que possui toda a tecnologia e recursos financeiros, enquanto a Cidade da Sucata (Iron City) na superfície é um imenso ferro velho, desolado e entregue aos desafortunados. O paralelo com a realidade foi propositalmente pensado e, o próprio James Cameron disse em recente entrevista que se inspirou em favelas brasileiras para o visual da Cidade da Sucata.

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          Tanto James Cameron quanto Robert Rodriguez se esforçaram para conceber o filme como um produto híbrido, parte live-action, parte animação digital, fazendo uso convincente da tecnologia de captura de movimento que transforma Rosa Salazar em uma personagem empoderada, bem ao gosto das plateias, traçando a clássica jornada do herói, mas sem grandes surpresas, mas deixando claras pistas de possíveis sequências, até porque o filme só explora a os 4 primeiros livros da obra de Kishiro. Em 2001, o autor decidiu continuar a história e lançou “Gunnm: Last Order” em 19 volumes ignorando alguns dos principais eventos do encerramento da série original. A sequência está nos planos de publicação para esse ano, anunciada em versão reduzida de 12 volumes, tal qual sua reedição posterior.  A criação de Kishiro ainda gerou uma animação lançada diretamente em vídeo em junho de 1993 com dois episódios.

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                  Embora seja possível encontrar referências a filmes como “Mad Max” e “Blade Runner”, a virtude do mangá de Kishiro é ainda mais complexa que a do filme pois faz de sua protagonista um modelo de humanidade que não aceita se extinguir à sombra da máquina. Talvez por isso tenha se projetado com tanto sucesso na Europa e na América, como um lembrete de que a tecnologia deve servir ao homem e não ser servida por ele. A discussão não é nova e nos acompanha a medida que evoluímos, mesmo que muitos nem se lembrem do romance “Cyborg” de Martin Caidin, de 1972, ou de sua adaptação para Tv “O Homem de Seis Milhões de Dólares”. Tanto Caidin quanto Kishiro são defensores de que são os sentimentos que nos diferem da máquina e esse combate travamos o tempo todo.

 

 

ESTREIAS NO CINEMA:7 DE FEVEREIRO 2019

UMA AVENTURA LEGO 2

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(The Lego Movie 2) EUA 2018. Dir: Mike Mitchell. Com Chris Pratt, Elizabeth Banks, Will Arnett, Animação.

O primeiro foi uma surpresa para todos há cerca de cinco anos. A sequência é uma diversão mediana, com piadas algumas funcionais, outras não. A cidade de Emmet sofreu com uma invasão alienigena e agora precisam sobreviver. Lanterna Verde e Batman possuem seus momentos de humor embalado com trilha sonora pop. Algumas referências no entanto podem escapar dos pequenos como o personagem de Chris Pratt se apresentando como um arqueologo das galáxias, cowboy e treinador de raptores fazendo referência a seus personagens em “Guardiães da Galaxia”, “Sete Homens e Um Destino” e “Jurassic World”. Esta é a primeira animação do estudio Warner a ter uma antagonista feminina, o que abre espaço para uma crítica ao machismo, o que também funciona mais para os pais do que para as crianças. Estas vão ter o que querem: Ação e humor e, quem sabe, em breve um terceiro filme.

NO PORTAL DA ETERNIDADE

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(At Eternity’s Gate) FR 2019. Dir: JUlian Schnabel. Com Williem Dafoe, Oscar Isaac, Mads Mikkelsen. Drama.

A vida do pintor holandês Vincent Van Gogh (1853 – 1890) já foi tema de uma belíssima canção de Don McLean e de outras adaptações cinematográficas, sendo a minha favorita a de Vincent Minelli (1956) em que o pintor foi vivido por Kirk Douglas. William Dafoe é o interprete agora deste incrível artista, alma perturbada que  deixou um legado admirável de beleza artística. O filme do também pintor Julian Schnabel faz um recorte na vida de Van Gogh focando no periodo em que, mergulhado na melancolia, pintou um de seus maiores quadros, “O Quarto em Arles”, período em que viveu na França. A atuação de Dafoe, indicado novamente ao Oscar, é de fato no ponto justificando as aplaudidas passagens do filme por premiações como o Golden Globe e o vindouro Oscar, além  da bem sucedida exibição no Festival de Veneza de 2018 que deu um merecido prêmio para Dafoe. Os fans vão lembrar dele mais por ter sido o Duende Verde do filme “Homem Aranha” (2001) e o Vulko do recente “Aquaman” (2018). Uma coisa curiosa é que nem o diretor nem Dafoe são fluentes em Francês e , apesar de algumas sequências em Francês, 90% do filme é falado em inglês. O próprio Van Gogh na vida real falava quase nada em Francês, o que acentuou sua sensação de alienação e inadequação que o empurrava ainda mais para o caminho da depressão. Não é um filme para o público em geral e sua atmosfera depressiva pode incomodar muitos.

ESTREIAS DA SEMANA: 31 DE JANEIRO

O MENINO QUE QUERIA SER REI.

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(The Kid Who Would Be King) EUA 2019. Dir: Joe Cornish. Com Louis Serkis, Patrick Stewart, Rebecca Ferguson, Tom Taylor, Genevieve O’Reilly, Dean Shaumoo, Rhianna Dorris, Angus Imrre. Fantasia.

Sou grande admirador das lendas arturianas, mesmo das variações – e olha que são muitas, como essa que transforma um grupo de crianças une esforços para enfrentar nada mais nada menos que a lendária bruxa Morgana (Ferguson) que desperta no mundo moderno com intenção de dominá-lo ou destruí-lo. O pequeno Alex (Serkis) sofre bullying na escola e é o escolhido para empunhar a poderosa espada Excalibur, reunindo seus amigos, incluindo os valentões que o persegue formando uma especie de versão juvenil dos cavaleiros da távola redonda, que inclui uma versão rejuvenescida do mago Merlin.  Escrito e dirigido por Joe Cornish (roteirista de “Homem Formiga” – 2015 e “As Aventuras de Tin Tin” – 2011), o filme é uma agradável aventura juvenil estrelada por Louis Serkis, filho do ator Andy Serkis (Gollum de “Senhor dos Aneis” e Cesar de “Planeta dos Macacos”). Merlin, em sua versão adulta, é interpretado por Patrick Stewart, o Capitão Picard de “Star Trek The Next Generation”, que foi parte do elenco do clássico “Excalibur” (1980), a melhor adaptação da lenda. Já Morgana ficou com a excelente Rebecca Ferguson, essa belíssima atriz sueca tem se destacado em bons papeis como “O Rei do Show”, os dois últimos “Missão Impossivel” e, em breve, será vista em “Doutor Sono” (adaptação de Stephen King) e “MIB Internacional”.  Não é um filme de grandes pretensões, talvez por isso torna-se um agradável programa para pais e filhos, mostrando que as lendas renascem, mas nunca morrem.

A SEREIA – O LAGO DOS MORTOS

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(Rusalka: Ozero myortvykh) EUA 2019. Dir: Svyatoslav Podgaevskiy. Com Viktoryia Agalakova, Igor Khripunov, Nikita Elenev, Efim Petrunim. Terror.

O diretor do recente “A Noiva” (2017) volta ao gênero para mostrar que os russos também sabem fazer filme de terror. Usando a lenda da sereia que atrai os homens para a ruína o filme mostra um casal de noivos encontra a tal sereia, que coincidentemente no passado tentou atrair o pai do rapaz para o fundo do lago. Personagens lendários como a figura da sereia são atraentes para o público em geral, mas não espere pela clássica imagem da mulher com cauda de peixe, a sereia do filme russo está representada mais como uma mistura de fantasma com bruxa. Um ponto que pode contar contra o filme é que apesar de ser russo as cópias exibidas estão redubladas em inglês e o movimento labial dos atores pode ficar fora de sincronia. Apesar de tentar caprichar nos sustos, o filme não consegue fugir aos clichês do gênero, inclusive o clima de montanha russa e a total falta de aprofundamento dos personagens que estão á apenas para serem vítimas da sereia, que aliás também não é explorada quanto à mitologia desta.

UMA NOVA CHANCE

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(Second Act) EUA 2019. Dir: Peter Segal. Com Jennifer Lopez, Vanessa Hudgens, Milo Ventimiglia, Treat Williams. Comédia Dramática.

Lembro bem de trama parecida com esse filme em “O Segredo do meu Sucesso” de 1987 onde Michael J.Fox era um zé ninguém que vira executivo de uma grande empresa. No filme da cantora e atriz Jennifer Lopez seu personagem passa por algo similar. Ela é a empregada de uma loja de departamento que, por engano, acaba se tornando alta executiva, usando de sua experiência como vantagem no mundo dos negócios. Em tempos de empoderamento feminino e de toda a discussão em torno das igualdades salariais, o filme – também produzido por Jennifer Lopez – mostra a frieza do mundo empresarial, a competitividade desenfreada e cruel. O filme guarda momentos de humor com momentos dramáticos e segue todos os clichês dos filmes do gênero incluindo uma rival para Maya (Lopez) interpretada por Vanessa Hudgens (High School Musical). Nos Estados Unidos a bilheteria foi alta, tendo custado 16 milhões de dolares mas arrecadando mais do que o dobro até agora. Bom para a atriz que estava um tempo afastada das telas, e entrou no projeto depois da desistência de Julia Roberts, inicialmente escalada para o papel. O diretor é o mesmo de “Agente 86” (2008) e “Como se fosse a primeira vez” (2004) e sabe como conduzir a história que pode ser um agradavel programa de fim de semana.

VICE

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(Vice) EUA 2019. Dir:Adam McCay. Com Christian Bale, Amy Addams, Sam Rockwell, Steve Carrell. Biopic.

Escrito e dirigido por Adam McCay, que já trabalhou com Christian Bale e Steve Carrell em “A Grande Aposta”, o novo projeto do trio na trilha da premiação do Golden Globe e do Critic’s Choice que deu a Christian Bale um merecido reconhecimento no papel de Dick Cheney. Ele foi o vice presidente do governo George W. Bush e figura central de várias tramas nos bastidores de poder na Casa Branca. Admiravel caracterização de Bale, que de fato engordou para o papel, voltando a dividir a cena com Amy Addams com quem contracenou em “A Trapaça” (2014).  Amy é uma das melhores atrizes de sua geração mas ainda não recebeu o devido valor. Ela está indicada para o Oscar de melhor atriz coadjuvante desse ano e a torçida para a encantadora Addams é certa. O filme ainda concorre a outras 7 estatuetas, inclusive melhor filme, dirertor e – claro – melhor ator para Bale.

    

 

ESTREIAS DA SEMANA: 24 DE JANEIRO 2019

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(Creed II) EUA 2018. Dir: Steven Caple Jr. Com Michael B. Jordan, Tessa Thompson, Sylvester Stallone, Dolph Lundgren, Florean Muntenaun. Drama

Em 1986, juntamente com centenas, gritei “ROCKY !” ao embalo de “Burning Hearts” da banda Survivor. O garanhão italiano embarcava para a Russia para treinar para um embate contra o robótico Ivan Drago (estreia nas telas de Dolph Lundgren). Embebido de puro ufanismo bem ao sabor da era Reagan, o filme foi um sucesso de bilheteria para a franquia Rocky, o mais rentável até então com 128 milhões de dólares de bilheteria nos Estados Unidos e  300 milhões de dólares nas bilheterias internacionais. Stallone já havia tido a ideia de continuar a história do boxeador russo após a derrota, mas somente agora veio a co-roteirizar a história que tanto serve de sequência direta para “Rocky IV” (1985) como para “Creed – Nascido para Lutar” (2015).

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Com Adonis Creed se firmando no ranking como um dos melhores de sua geração, é natural que este se confronte com o legado de seu pai, o campeão Apollo, morto no ringue por Drago no filme de 1985. Essa é uma oportunidade para aprofundar o personagem de Lundgren que no filme original não passa de uma brutal máquina de luta. A história também lida com a falta que Apollo faz tanto para o filho Adonis como para Rocky para quem Apollo foi adversário, treinador e amigo. O próprio Stallone alegou depois que  se arrependeu de ter matado o personagem Apollo, vivido por Carl Weathers.

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O novo filme consegue ser uma competente continuação para “Creed”, um desdobramento digno para uma franquia que inspira em cada um de nós o espírito de vencedor, de superar obstáculos que nem sempre estão representados por um rival no ringue. O filme também traz de volta a figura de Brigitte Nielsen como Ludmila Drago. A atriz, que foi casada com Stallone no passado, estava grávida de seu quinto filho quando filmou sua participação em “Creed 2”. Outra curiosidade é que, assim como “Rocky IV”, nenhum dos atores que estão interpretando personagens russos no filme são russos na vida real: Lundgren é Sueco, Nielsen é Dinamarquesa e o novato Florian Muntenaeu (o filho de Drago) é Germano-Romeno.

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O filme estreou fora do Brasil no final do ano passado e já se tornou um marco já que “Creed 2” é o primeiro filme da franquia  Rocky a estreiar na China. Sua bilheteria milionária em meio a blockbusters como “O Retorno de Mary Poppins” entre outros. Stallone, em entrevistas, anunciou que este é o canto do cisne para Rocky Balboa, mas claro que o filme abre o caminho para Adonis Creed retornar, renovando a franquia para uma nova geração. Quem sabe alguém redescubra a vontade de sair correndo por uma praça, rua ou escadaria ouvindo o tema “Gonna Fly Now” de Bill Conti, e se sentir assim também um lutador.

ESTREIAS NO CINEMA: 17 DE JANEIRO

VIDRO

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(Glass) EUA 2019. Dir:M.Night Shymalan. Com James McAvoy, Samuel L.Jackson, Bruce Willis, Sarah Poulson, Anya-Taylor Joy. Ação/Suspense.

Quando assisti “Corpo Fechado” (Infeliz tradução para o original “Unbreakable”, algo como “Indestrutível”) não imaginei que a criativa história do indiano M.Night Shymalan poderia ter algum desdobramento. Então veio o excelente “Fragmentado” e eis que no encerramento surge David Dunn (Willis) apontando a ligação entre os filmes e anunciando o atual “Vidro”. Depois de vários fracassos seguidos (O Último Mestre do Ar, Fim dos Tempos, Depois da Terra), Shymalan retomou sua carreira mostrando que ainda era um bom contador de histórias e mostrando vigor para tratar de uma trama intricada embebida do velho embate do bem contra o mal típica de uma boa história em quadrinho. Depois dos eventos de “Fragmentado”, Kevin (McAvoy) vai parar em um sanatório onde encontra David Dunn (Willis) e Elijah, o Mr.Glass (Jackson), este último fazendo planos e manipulando tudo e todods com propósitos misteriosos. O filme está cheio de referências ao universo das histórias em quadrinhos e nas cenas que mostram lojas de quadrinhos observam-se várias hqs Marvel, além do fato de Samuel L.Jackson ser o Nick Fury e McAvoy ser o Professor Xavier. De qualquer forma, aconselho que se reassista “Corpo Fechado”, e depois “Fragmentado”, antes de se mergulhar no universo compartilhado de “Vidro”, até mesmo antes de julgar o trabalho de Shymalan que já foi chamado de sucessor de Hithcock, e com quem divide o hábito de aparecer em pontas nos filmes que dirige (atentem aqui para o guarda de segurança, e lá está ele). Foram 19 anos entre o primeiro filme e este, um projeto que quase teve Joaquin Phoenix no papel de Kevin Crumb na época em que Shymalan terminara “A Vila”. Bem vindo de volta Shymalan !

COMO TREINAR SEU DRAGÃO 3

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(How to Train Your Dragon :  The Hidden World) EUA 2019.  Dir:Dean Dubois. Com Jay Baruchel, America Ferrera, Gerard Butler, Cate Blanchet, Kit Harrington, Jonah Hill, F.Murray Abraham. Animação.

É impressionante o nível de excelência dessa trilogia, adaptada dos livros de Cressida Cowell. Muito aguardado depois dos eventos do segundo filme em que Soluço (Baruchel) teve que assumir a liderança dos Vikings, o filme atual é o capítulo final na jornada do herói, no processo de amadurecimento da dupla Soluço e Banguella, que aqui encontra uma namorada, uma Fúria da Luz enquanto um novo vilão ameaça a utopia homens e dragões instaurada por Soluço. O filme quase foi lançado ano passado, mas o estúdio Dreamworks encerrou sua parceria de distribuição com a Fox e passou para a Universal.  Preparem os lenços e as lágrimas pois apesar do humor e da ação, o filme finaliza o rito de passagem para essa dupla que conquistou o coração de todos, tendo por isso sido eleito a segunda animação mais aguardada para 2019, perdendo o primeiro lugar somente para “Toy Story 4”.

AMIGOS PARA SEMPRE

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(The Upside) EUA 2019. Dir:Neil Burger. Com Kevin Hart, Bryan Cranston, Juliana Margulies, Nicole Kidman. Drama.

Refilmagem americana do excelente filme francês “Intocáveis” (2011) com Bryan Cranston e Kevin Hart vivendo os papeis que foram de François Cluzet e Omar Sy. Dos mesmos produtores de “À Procura da Felicidade”, o filme de Neil Burger compartilha do mesmo otimismo frente a adversidades que unem pessoas de origens diferentes em torno das quais surge a amizade sincera. Inevitável comparação, a atual versão investe tempo em mostrar o lado dramático de Kevin Hart, mais contido aqui. De forma a impulsionar seu personagem o roteiro guarda algumas diferenças em relação ao Driss de Omar Sy. A história do milionário tetraplégico e de seu leal cuidador é baseado em fatos reais. Philip Pozzo e Abdell Sellou, os verdadeiros protagonistas dessa bela história, já serviram de material até para um documentário francês em 2003. A personagem de Yvonne, que no original foi vivido por Anne Le Ny, também funciona na trama de forma mais dinâmica na pele de Nicole Kidman que conseguiu um feito e tanto quando teve dois de seus filmes tornando-se grandes sucessos de bilheteria simultâneos (“Aquaman” e “Amigos Para Sempre”).