AQUAMAN – HQS, CINEMA & TV

O REI DOS SETE MARES EM UMA SUPER PRODUÇÃO

Aquaman film

JASON MOMOA

Durante muito tempo Aquaman foi um dos heróis mais subestimados da DC Comics e, até bem pouco tempo atrás, poucos o levavam a sério com sua imagem sendo usada até mesmo em vinhetas humorísticas no Cartoon Network. Criado em Novembro de 1941 por Paul Norris e Mort Weisinger, o herói submarino foi inicialmente tratado como um personagem secundário publicado nas páginas de “More Fun Comics” em seus primeiros cinco anos, depois ficando encostado em “Adventure Comics” até 1961. Hoje estreando um filme próprio, com um visual mais arrojado, e destaque maior nas hqs, o personagem assumiu uma posição mais central no universo da DC Comics, reconquistando fãs, muitos dos quais ainda se lembrando do personagem chamado de “herói submarino” nos desenhos produzidos pelo estúdio Filmation (The Superman / Aquaman Hour), já exibidos pelo SBT.

Aquman 1 1962

O HEROI NA ERA DE PRATA

      O atual Aquaman mescla elementos de duas fases distintas do herói: Na década de 90, o autor Peter David lhe deu uma postura mais agressiva com barba e um arpão no lugar de uma das mãos. Coube a David também explorar a mitologia do continente perdido de Atlântida, lar de Arthur Curry, o nome do personagem, fruto do amor de uma princesa do mítico reino aquático e de um homem da superfície. No período em que Peter David esteve à frente das histórias de Aquaman, este abandonou a imagem de um herói politicamente correto e assumiu uma atitude mais imponente, independente do trabalho em equipe na Liga da Justiça, grupo do qual tomou parte desde seu lançamento em 1960 (The Brave & The Bold #28), sendo esta inclusive a primeira vez que Aquaman apareceria na capa de uma hq desde sua criação. Outra fase essencial para a formação do novo status quo do personagem foi o período chamado de “Novos 52”, em que o autor Geoff Johns e o desenhista brasileiro Ivan Reis praticamente reinventaram o personagem, inclusive usando a seu favor o desinteresse do público que subestimava o personagem para criar histórias que aproveitassem ao máximo 60 anos de histórias. Johns e Reis desenvolveram os coadjuvantes, introduziram novos elementos em seu passado e conduziram os leitores a uma guerra com o mundo da superfície, até então, sem precedentes  no universo da editora DC Comics.

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O HEROI SUBMARINO DOS NOVOS 52

        Muitas mudanças acompanharam ao longo de sua publicação. Na era de ouro (1938 – 1946) o personagem era um entre vários do gênero, enfrentando principalmente piratas e vilões nazistas, bem adequado ao clima ufanista do período. Com o advento da era de prata (1956 – 1970), a DC Comics convencionou que haveria duas terras paralelas e vários personagens (The Flash, Lanterna Verde etc) foram recriados. Aquaman foi aqui batizado de Arthur Curry, ganhou um elenco de coadjuvantes, incluindo os parceiros mirins Aqualad e Aquamoça, a amada Mera, o conselheiro Vulko , e os vilões Arraia Negra e  Mestre dos Oceanos, sendo este o meio-irmão de Arthur com quem o herói disputaria o trono da Atlântida. Esta fase teve os roteiros de Robert Bernstein e a arte de Ramona Fradon, uma das primeiras mulheres desenhistas na época. A partir de 1962, Aquaman ganhou série própria com seu nome, e que duraria 9 anos de publicação contínua. Várias histórias desse período chegaram ao Brasil pela saudosa editora EBAL, do pioneiro Adolfo Aizen.

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A INSPIRAÇÃO PARA O VISUAL DE JASON MOMOA VEM DOS QUADRINHOS DE AQUAMAN DE PETER DAVID NA DECADA DE 90

       No título “Aquaman” (1969 / 1970), versão brasileira editora Ebal, o herói teve momentos emblemáticos como a parceria com Aqualad, confronto com o mitológico Netuno e até o casamento com Mera, uma princesa vinda de uma outra dimensão aquática. A partir de 1975 com a popularização do desenho da TV “Superamigos”, produzido pelo estúdio Hanna-Barbera, Aquaman passou a aparecer nas páginas de uma revista homônima, publicada entre 1975 e 1982, inicialmente em preto e branco, e depois a cores, em vários formatos. Apesar de ter poderes muito ligados ao mundo aquático, Arthur tem pele invulnerável, capacidade de sobreviver aos rigores das profundezas submarinas, força, agilidade e reflexos sobre humanos, além de telepatia que lhe permite se comunicar com os seres marinhos, justamente um dos poderes mais atacados por ”haters” que jocosamente questionam “por que falar com peixes? ”. No início dos anos 2000 o roteirista Rick Veitch ousou estabelecer uma ligação entre Arthur Curry, o Aquaman, e o lendário Rei Arthur das lendas medievais, incluindo a troca do arpão por uma mão mágica feita de água concedida pela dama do lago.

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AMBER HEARD, O DIRETOR JAMES WAN, JASON MOMOA E PATRICK WILSON

           Além de Jason Momoa que interpreta Aquaman pela terceira vez (Batman vs Superman, Liga da Justiça e o filme solo), o personagem já teve dois interpretes: Alan Ritchson o interpretou em episódios do seriado de TV “Smallville”, entre 2005 e 2010, animando a Warner Tv a produzir um episódio piloto intitulado “Mercy Reef” protagonizado por Justin Hartley, mas o piloto acabou recusado pelos executivos da época. Curiosamente, Aquaman também foi um filme fictício na segunda e terceira temporada de “Entourage” na HBO, pura paródia ! Absorvido pela cultura pop, o herói é constantemente mencionado no seriado “The Big Bang Theory”, aparece em animações e até mesmo em desenhos de Mauricio de Souza para o evento da “Comic Con Experience”. Que não se duvide da importância do herói, muito além dos fictícios sete mares da literatura ou dos reais 61 mares que cobrem 71% da Terra, e muito mais na imaginação fértil em quadrinhos ou em outras mídias, e que agora conferimos com todo o requinte de uma super produção que pode reerguer o prestígio da DC Comics nas telas.

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ROBIN HOOD -A ORIGEM DO LENDÁRIO HERÓI NA HISTORIA, LITERATURA E FILMES

          Antes dos super-heróis, o cinema trazia aventureiros de capa, máscara, chapéu e espadas. Um desses ícones frequentemente revisitados é ladrão, rebelde, herói e bandido com aventuras foram imortalizadas na literatura, na Tv, no cinema e mesmo nos quadrinhos.

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FRAGMENTO DO POEMA PIERS PLOWMAN

         O personagem, que entrou para a história como aquele que rouba dos ricos para dar aos pobres, nasceu na época dos grandes trovadores que narravam grandes feitos em cantigas passadas de geração a geração, até que o poema Piers Plowman de 1377 tornou-se o primeiro registro escrito da lenda, de autoria de William Langand. A referência ao herói é breve, através de rimas, mas não o suficiente como prova de sua existência. O problema é que as várias versões que se seguiram divergem entre si, e isso dificulta o trabalho de historiadores em determinar o que é fato e o que foi ficção na história de Robert Locksley, um nobre privado de suas terras pelo Príncipe John que usurpou o trono do Rei Ricardo Coração de Leão, enquanto este participava das cruzadas. Na floresta de Sherwood adotou o nome de Robin Hood, sendo este uma referência a um tipo de chapéu com pena.

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BANDEIRA DE NOTTINGHAM

          Nottingham, a cidade inglesa em que se desenrola a história, hoje homenageia o herói com estátua, museu, passeio pelos locais citados pela lenda e até mesmo uma bandeira ostentando a silhueta do herói desde 2010. Na literatura, Alexandre Dumas (autor de “Os Três Mosqueteiros”) escreveu dois volumes intitulados “Robin Hood, o Príncipe dos Ladrões” (de 1872) e “Robin Hood, o Proscrito” (de 1873).  Dez anos depois o escritor e ilustrador americano Howard Pyle publicou “The Merry Adventures of Robin Hood of Great Renown in Nottinghamshire”, revistando os vários feitos que entraram para o cânone da lenda como a luta de bastões com João Pequeno, o torneio de arco e flecha entre outras. Maid Marian, o interesse romântico do herói, não aparece em nenhuma das cantigas originais da lenda, aparecendo pela primeira vez em versões mais tardias, a partir do século XVII. Em 1820, Robin Hood ainda apareceu como um personagem menor na obra de Sir Walter Scott “Ivanhoe”, considerado primeiro romance histórico do romantismo. Nessa como em outras encarnações, Hood é retratado como elemento fundamental na guerra entre Saxões e Normandos na Inglaterra medieval.

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DOUGLAS FAIRBANKS

            Nos primórdios do cinema, começando em 1908, a lenda foi inicialmente adaptada no curta inglês “Robin Hood & His Merry Men” dirigido por Percy Stow, ainda no período silencioso. Em 1912, uma nova adaptação da lenda foi feita na America intitulada apenas “Robin Hood” com Robert Frazer no papel título. Ainda haveriam mais três versões entre 1912 e 1913, além de uma adaptação de “Ivanhoe” em 1913  até a versão mais famosa do período, de 1922 igualmente chamada “Robin Hood”  e estrelada por Douglas Fairbanks, que no período do cinema mudo incorporou vários heróis similares. Acreditava-se que esta pérola tivesse sido perdida mas foi redescoberto nos anos 60, sendo restaurado em 2009 pelo Museu de Arte Moderna.

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ERROL FLYNN

         No final dos anos 30 a Warner e a MGM disputavam realizar a primeira versão falada, mas foi a Warner quem acabou levando a cabo sua realização. Convidando Douglas Fairbanks Jr para o papel central, mas este não estava disposto a repetir os feitos de seu pai. Foi então que o papel ficou com Errol Flynn, então com 28 anos, vindo do sucesso estrondoso alcançado em fitas como “Capitão Blood” (1935) e “A Carga da Brigada Ligeira” (1936), ambos dirigidos por Michael Curtiz e co-estrelado por Olivia DeHavilland. Curtiz foi chamado pela Warner para concluir as filmagens de “As Aventuras de Robin Hood”, iniciadas por William Keighley cuja lentidão nas filmagens ameaçava inflar orçamento e atrasar seu lançamento que veio a acontecer em maio de 1938.

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SEAN CONNERY & AUDREY HEPBURN “ROBIN & MARIAN”

              Curtiz e Flynn se odiavam e, segundo o renomado site imdb, certa vez Flynn teria se ferido superficialmente quando um dos dublês, em cena de duelo, teria lutado sem a proteção na ponta da espada, isso sob ordens de Curtiz. Os duelos foram exímios e coreografados com perfeição sob a supervisão do especialista Fred Cavens, que também teria treinado Flynn e Basil Rathbone em “Capitão Blood”. Apesar de Flynn ter corpo atlético e de notável elasticidade para o manejo da espada, Rathbone era um espadachim superior em cena. A bilheteria do filme encheu os cofres da Warner e, além do público, a crítica deu sua benção ao filme com 4 indicações ao Oscar, levando 3 (melhor edição, trilha sonora e direção de arte). O elenco de coadjuvantes também brilhou: Claude Rains foi um odioso Príncipe John; Alan Hale repetiu o papel de João Pequeno que também fizera na versão de Fairbanks, e que repetiria anos depois em “O Cavaleiro de Sherwood” (1950) e Olivia DeHavilland estava adorável como  Marian. O filme foi um prodigioso roteiro equilibrando momentos cômicos com pura ação. Nos diálogos do roteiro de Norman Reilly Raine e Selton Miller momentos memoráveis como Robin (Flynn) dizendo “Normandos ou Saxões não importa, o que odeio é a injustiça”. A Warner chegou a cogitar fazer uma sequência, mas acabou não acontecendo.

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ANIMAÇÃO DA DISNEY

            No entanto várias versões renovaram o ícone perante o público como Cornel Wilde, que interpretou Robert de Nottingham em “O Filho de Robin Hood” (The Bandit of Sherwood Forest) de 1946; John Hall em “Prince of Thieves” de 1948, adaptado do livro homônimo de Alexandre Dumas; e John Derek em “O Cavaleiro de Sherwood” (Rogues of Sherwood Forest) de 1950 com Derek também interpretando um descendente direto do lendário herói.

          Entre 1955 e 1960 Richard Greene viveu o herói na TV inglesa em “As Aventuras de Robin Hood” (The Adventures of Robin Hood) tornando-se a primeira série inglesa a fazer sucesso nos Estados Unidos. Em 1976, o ex-007 Sean Connery viveu um Robin Hood maduro ao lado de Audrey Hepburn como Maid Marian em “Robin & Marian”, com os personagens lidando com a inevitável passagem do tempo. Um ano antes o comediante Renato Aragão arrancou deliciosas risadas no filme “Robin Hood O Trapalhão da Floresta”. A Disney também fez sua versão animada personificando o herói como uma raposa em “Robin Hood”, segundo longa animado realizado após a morte de Walt Disney, trazendo em sua versão brasileira as vozes de Claudio Cavalcanti, Orlando Drummond e Juraciara Diacovo. Alguns anos antes o animador Ralph Bakshi realizou a versão futurista “Super Robin Hood” (Rocket Robin Hood), extremamente popular na Tv com 52 episodios.

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KEVIN COSTNER & MORGAN FREEMAN “ROBIN HOOD O PRÍNCIPE DOS LADRÕES”

       Em tempos mais recentes coube a Kevin Costner trazer a lenda para novas gerações em “Robin Hood o Príncipe dos Ladrões” (1991) em uma super produção com trilha pop de Bryam Addams. O efeito da câmera na flecha reproduzindo a visão do disparo desta causou sensação entre o público e o destacou de outra produção parecida lançada na mesma época chamada “Robin Hood o Heroi dos Ladrões” com Patrick Bergin e Uma Thurman nos papeis centrais. Ainda é digno de nota a parodia de Mel Brooks “A Louca História de Robin Hood” (1993) com Cary Elwes e “Robin Hood” (2010) com Russell Crowe e Cate Blanchet dirigido por Ridley Scott.

         Robin Hood também foi a fonte de inspiração para Mort Weisinger criar o herói das hqs “Arqueiro Verde” em 1941, que originou a série de sucesso “Arrow” que já está em sua sétima temporada. Tamanha popularidade mostra que o mito sobrevive a várias reinterpretações e que não reste dúvida de que Taron Egerton não será o último a apontar aquela flecha no coração dos amantes da aventura pois esse alvo continua na mira dos que se identificam com um rebelde que decide se erguer contra as injustiças de seu tempo. Nada mais atual!

GRANDE ESTREIA: BOHEMIAN RHAPSODY

              Na música, uma rapsódia é uma composição híbrida de diversas unidades rítmicas e temáticas. O cantor Freddie Mercury incorporava esse espírito mesclando notas operísticas com o balanço do rock n’ roll, e uma voz que alcançava vibração impressionante e incomum, de acordo com estudos de pesquisadores e especialistas, publicados no site americano “consequence of sound” em 2016.  Sua carreira como astro vai ainda além, pois Farrokh Bulsara, seu nome real, flertou com a sétima arte em diversos momentos de sua trajetória compondo trilhas para filmes ou desenvolvendo concepções visuais para os clips de sua banda.

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             Reza a lenda, no entanto, que o produtor italiano Dino De Laurentis não conhecia a banda quando a contratou para a trilha sonora de “Flash Gordon”, adaptação das hqs de Alex Raymond. Embora o filme tenha envelhecido mal, tornou-se um cult trash, ainda ecoando em nossos ouvidos a voz de Freddie bradando “FLASH…AHAHAH ! KING OF THE UNIVERSE”. O baterista Roger Taylor, em entrevista cedida em Outubro de 2008, declarou que esta foi a primeira vez que uma trilha de Rock n’Roll era composta para um filme não musical. Também foi a primeira vez em que trechos das falas do filme foram inseridas na trilha do álbum, algo comum a partir de então como ouvido, por exemplo, em “Pulp Fiction” (1994) e “Reservoir Dogs” (1992) de Tarantino. O uso de baixo e sintetizadores foi criativo atingindo nossos tímpanos com um efeito onomatopeico que deveria realçar as origens dos quadrinhos de Alex Raymond. Ainda assim o filme, que se tornou o 9° álbum da banda, não conseguiu ser o sucesso de bilheteria pretendido, lembrando que falamos de uma época em que adaptações de quadrinhos não tinham o mesmo prestígio que hoje. Mesmo assim o single com a canção tema chegou a alcançar o 42º lugar pela “Billboard Hot 100”.

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             Melhor resultado foi obtido pela banda quando o diretor australiano Russell Mulcahy, que era fã da banda, contratou o quarteto para assistir as filmagens de “Highlander – O Guerreiro Imortal” (1985) vindo assim o convite para gravar a trilha sonora do filme, 12º álbum da banda. Cada membro do Queen colaborou com uma canção: Roger Taylor compôs a canção tema “A Kind of Magic”, Brian May ficou com a balada épica “Who Wants to Live Forever”, o baixista John Deacon fez “One Year to Love” e Freddie Mercury ficou com o hard-rock de “Princes of the Universe.”. O sucesso foi estrondoso, sendo que a versão de “A Kind of Magic” originalmente composta por Taylor, musicalmente mais pesada, é ouvida nos créditos finais do filme enquanto que o arranjo mais dançante da canção foi gravado por Freddie Mercury para o álbum da banda. Este ainda rendeu a agitada “One Vision” que entrou para a trilha do filme “Águia de Aço” (Iron Eagle) produzido na mesma época.

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            Foi ideia do próprio Mr. Fahrenheit, como o cantor se chamou na letra da canção “Don’t Stop me Now”, usar cenas do clássico “Metropolis” (1926) no clip de “Radio Ga Ga” lançado em 1984. O diretor David Mallet colocou o quarteto em um carro voador planando sobre o cenário expressionista do filme de Fritz Lang. A canção, carro chefe do álbum “The Works” alcançou sucesso mundial, escrita por Roger Taylor como uma crítica aos meios de comunicação em um momento em que a MTV estava atraindo mais atenção que a rádio. O título da canção foi a fonte de inspiração para que Stefani Germanotta se reinventasse como a estrela Lady Gaga. Do mesmo álbum temos “I Want To Break Free”, composta pelo baixista John Deacon, que teve um clip cômico também dirigido por David Mallet, com os músicos transvestidos tal qual Tony Curtis e Jack Lemmon do clássico “Quanto Mais Quente Melhor”, um dos filmes favoritos da Carmen Miranda do Rock n’ roll, como o próprio Freddie Mercury se definiu em uma das raras ocasiões em que cedia entrevista. A canção foi associada ao universo gay, mas foi o próprio Mercury quem explicou que na verdade era uma canção sobre libertação, chegando a ser usada como um hino anti-apartheid na África do Sul, em uma época em que o líder Nelson Mandela ainda era mantido prisioneiro do regime.

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             O legado artístico de Freddie é perpetuado até hoje em várias mídias. A icônica “We are the Champions” de 1977 é tocada em “Coração de Cavaleiro” (2001) além do episódio “The Bat Jar Conjecture” de “The Big Bang Theory”, uma das séries de Tv mais populares na TV. “Radio Ga Ga” está no vídeo game “Grand Theft Auto V”, “Under Pressure” , gravado junto com David Bowie, está em “Doze é Demais 2” (2005) e na animação “Happy Feet 2” (2001), “The Show Must Go On” em “Moulin Rouge – Amor em Vermelho” (2001), além de outras, é claro, o embalo marcante da icônica “Bohemian Rhapsody” , gravada em agosto de 1975, marcou um grupo de nerds balançando a cabeça dentro de um carro em “Quanto Mais Idiota Melhor” com Mike Myers e Dana Carvey.

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          Games, series, filmes, clips, sua voz está presente em várias áreas e a chegada do filme estrelado por Rami Malek certifica que novas gerações venham a sentir a vibração desse artista, mesmo passados mais de 20 anos de sua passagem. Quem quer viver para sempre é a pergunta de um dos sucessos da banda, mas poderia muito bem servir de irônico epitáfio pois é inegável que tanto talento não poderia ser outro coisa além de um tipo de mágica revivida nos espaços midiáticos de ontem e hoje.

HALLOWEEN – TODOS OS FILMES

               Era 31 de outubro de 1963, na cidade fictícia de Haddonfield, quando um menino de 6 anos matou sua irmã mais velha. Encarcerado em um sanatório por 15 anos, ele permaneceu calado, catatônico, sob os cuidados do Dr. Sam Loomis, que nada conseguiu além de vislumbrar nos olhos de seu paciente pura maldade. Livre novamente, ele volta para o subúrbio onde nasceu e que Deus ajude aquele que cruzar seu caminho de sangue e morte, pois esta noite de máscaras e superstições, de espíritos e espectros é a noite em que Michael Myers voltou para casa. Após ler essa introdução já somos assombrados pelo tema em 5/4 composto pelo próprio diretor, em seu terceiro longa.

Halloween bastidores

ELENCO NOS BASTIDORES DO FILME ORIGINAL 1978

        John Carpenter tinha 30 anos quando co-escreveu “Halloween – A Noite do Terror”com Debra Hill a história, a princípio, intitulada “The Babysitter Murders”. Michael Myers herdou a sede assassina e a mente perturbada de Norman Bates de “Psicose” e fez do gênero, chamado “slasher movies”, um dos mais prolíficos e recorrentes desde então. Que assim digam Jason, Ghostface, Jigsaw e outros que beberam da fonte, mas não conseguiram replicar o charme do filme de 1978. A ideia inicial dos roteiristas era que Myers funcionasse como uma figura sobrenatural, descrito no roteiro como “The Shape” (A Forma). Com orçamento restrito de 300,000 dólares, seu visual levou uma máscara branca comprada por 4 dólares com as feições do ator William Shatner (o Capitão Kirk de Star Trek). O papel da heroína virginal e alvo da obsessão de Michael ficou com Jamie Lee Curtis, filha da Janet Leigh (do clássico “Psicose”), em seu primeiro papel no cinema aos 17 anos. O papel de Sam Loomis (Nome também retirado do clássico de Hithcock) foi escrito tendo em mente os veteranos Christopher Lee e Peter Cushing, mas ambos recusaram o papel que foi para o ator Donald Pleasance. A bilheteria de mais de 40 milhões só nos Estados Unidos recompensou o trabalho de Carpenter que se esmerou na atmosfera de tensão e no terror psicológico em torno da figura de Michael Myers, um assassino com irrefreável sede de sangue tal qual o robô assassino interpretado por Yul Brinner em “Westworld” (o filme de 1973, não a série da HBO) nas palavras do próprio John Carpenter. O criativo diretor e roteirista não tinha interesse em sequências, mas o sucesso de bilheteria convenceu os produtores Irwin Yablais e Moustapha Akaad a continuar a história de Michael Myers. Debra Hill e John Carpenter aceitaram retornar como produtores e roteiristas, mas a direção ficou com Rick Rosenthal, que segue imediatamente os eventos após o desfecho do filme original, ou seja, na mesma noite do dia das bruxas. Os atores Jamie Lee Curtis e Donald Plesance retornam, porém o tom de “Halloween 2 – O Pesadelo Continua” (1981), após a abertura ao som de “Mr.Sandman” do grupo “The Chordettes”, trocando a sutileza de Carpenter pela violência e nudez gratuita, explorando explicitamente a figura sádica e misógina de Michael Myers, quase que integralmente dentro de um hospital.

Halloween 1978

JAMIE LEE CURTIS NO FILME ORIGINAL

               Já no ano seguinte, com a chegada de Dino De Laurentis na produção de “Hallowen 3 – Season of the Witches” (1982) a intenção de John Carpenter, como produtor associado e roteirista não creditado, era fazer uma antologia, histórias independentes e fechadas tematizadas no dia das bruxas, mas sem qualquer conexão com Michael Myers, que foi dado como morto no final do segundo filme. Com o fracasso de público e crítica, o filme foi incluso na lista dos “Filmes Mais Odiados” do renomado crítico Roger Ebert, mas depois de seis anos os produtores ressuscitariam seu vilão favorito. Assim “Halloween 4 – O Retorno de Michael Myers” (1988) e “Halloween 5 – A Vingança de Michael Myers” (1989) trouxeram o psicótico assassino no final de uma década marcada pelo Jason de “Sexta Feira 13” e o Freddy Krugger de “A Hora do Pesadelo”. Ainda haveria “Halloween 6 – A Última Vingança” de 1995 que ligaria a maldade de Michael a uma suposta maldição druida inventada pelos roteiristas. Assim se encerraria – temporariamente – a história iniciada no primeiro filme,  e seria o canto do cisne do ator Donald Pleasance, o Dr.Loomis, que faleceu antes de terminar todas as suas cenas. O filme guarda a curiosidade de trazer um jovem Paul Rudd (o Homem Formiga dos filmes da Marvel) no papel de Tommy Doyle que seria o menino cuidado por Laurie Strode no primeiro filme.

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O TERCEIRO FILME: NADA DE MICHAEL MYERS

              Três anos depois os “Slasher movies” renasceram para a geração “Pânico” e o roteirista Kevin Williamson colaborou com a volta de Michael Myers em “Halloween – 20 Anos Depois” trazendo Jamie Lee Curtis, rainha das “Scream Queens”, de volta como Laurie Strode, e ignorando as sequências realizadas após o segundo filme. Até mesmo Janet Leigh, mãe de Jamie Lee Curtis na vida real fez uma rápida aparição no filme. A bilheteria de mais de 55 milhões de dólares convenceu os produtores a um oitavo filme, “Halloween A Ressurreição” de 2002, dirigido pelo mesmo Rick Rosenthal da continuação de 1982, com a infeliz ideia de colocar Michael Myers como parte imprevista de um reality show. O filme ainda comete o erro de matar Laurie Strode no final do filme.

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DONALD PLEASANCE & JAMIE LEE CURTIS

              A década seguiria com a refilmagem do primeiro filme realizada por Rob Zombie em 2007, e sua sequência dois anos depois. Contudo, tanto “Halloween – O Início” quando “Halloween II” de Zombie trocou a sutileza e a fluidez da narrativa de Carpenter pela truculência e o exagero sádico típico da franquia “Jogos Mortais”.  Zombie também ousou explicar a psicopatia de Michael Myers removendo do personagem sua persona sobrenatural mantida inicialmente por Carpenter.

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ROB ZOMBIE (DE BARBA) DIRIGE A REFILMAGEM DE 2007

              O novo filme realiza um retorno às origens do excelente filme de 1978 que foi incluído na lista dos “1001 Filmes Para Se Ver Antes de Morrer” do escritor Steven Schneider.   Em 2006, o filme original foi selecionado para preservação no National Film Registry dos Estados Unidos pela Biblioteca do Congresso como sendo ”cultural, histórica ou esteticamente significante”. Que ninguém duvide que pesadelos são atrativos para o público, pois Carpenter soube como fazer de Michael Myers parte da cultura pop e hoje 40 anos depois daquela noite do dia das bruxas, ele ainda está voltando para casa, senão na fictícia Haddonfield ao menos no pavor de nossa imaginação.

GRANDES ESTREIAS A PARTIR DE 11 DE OUTUBRO

NASCE UMA ESTRELA

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(A STAR IS BORN) EUA 2018. DIR: BRADLEY COOPER. COM BRADLEY COOPER, LADY GAGA, CHRISTOPHER WILKINSON, SAM ELLIOT, AMANDA FIELD. MUSICAL/DRAMA.

HISTÓRIAS DE ASCENÇÃO E QUEDA JÁ RENDERAM DIVERSAS PÉROLAS CINEMATOGRÁFICAS. LADY GAGA É A QUINTA ESTRELA A VIVER NAS TELAS ESTA HISTÓRIA (VEJA O ARTIGO ABAIXO), HERDANDO O PAPEL QUE JÁ FOI ENCARNADO POR JUDY GARLAND E BARBRA STREISAND. ACREDITE, O TRABALHO DE BRADLEY COOPER RECUPERA O MELHOR QUE O CINEMÃO DE HOLLYWOOD TEM, HISTÓRIAS CAPAZ DE CAPTAR EMOÇÕES MUITAS VEZES ESQUECIDAS OU ADORMECIDAS. LADY GAGA MOSTRA NATURALIDADE COM O PAPEL DA CANTORA INSEGURA QUE SE APAIXONA PELO ASTRO DA MUSICA (VIVIDO PELO PRÓPRIO COOPER) INCAPAZ DE CONVIVER COM OS PRÓPRIOS DEMÔNIOS. O PROJETO DESTA REFILMAGEM ESTEVE NAS MÃOS DE CLINT EASTWOOD QUE PRETENDIA FILMAR COM BEYONCE NO PAPEL DA PROTAGONISTA. GAGA SE MOSTRA A ALTURA DO PAPEL QUE REPRESENTA E O PUBLICO CONSEGUE ALCANÇAR A DIMENSÃO EXATA E SEUS DILEMAS, DE SEUS SENTIMENTOS, CRIA UMA EMPATIA MUITAS VEZES AUSENTES DOS FILMES ATUAIS. FALA-SE EM POSSIVEL INDICAÇÃO AO PRÓXIMO OSCAR, CONFIRA E SE ENTREGUE A ESSA EXPERIÊNCIA. EMBORA A NARRATIVA NÃO SE APROFUNDE EM ALGUMAS QUESTÕES, É CINEMA VÁLIDO, CINEMA PIPOCA COM LÁGRIMAS… DE QUALIDADE.

GOOSEBUMPS 2 – HALLOWEEN ASSOMBRADO

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(GOOSEBUMPS 2 – HAUNTED HALLOWEEN) EUA 2018. DIR: ARI SANDEL. COM JEREMY RAY TAYLOR, WENDI MCLENDON COVEY, JACK BLACK, ODEYA RUSH, FANTASIA.

COM CERCA DE 150 MILHÕES DE DÓLARES DE BILHETERIA MUNDIAL ERA DE SE ESPERAR QUE VIESSE UMA SEQUÊNCIA. LAMENTO QUE JACK BLACK APAREÇA AQUI APENAS POR POUCOS MINUTOS JÁ QUE A HISTÓRIA É CENTRADA EM UM GRUPO DE CRIANÇAS QUE INADVERTIDAMENTE LIBERTA O BONECO SLAPPY (VOZ DE JACK BLACK), O GRANDE VILÃO DO FILME QUE DESPERTA OS OUTROS MONSTROS, TODOS VINDOS DOS CRIATIVOS LIVROS DE R.L.STINE, O STEPHEN KING JUVENIL, QUE FAZ UMA APARIÇÃO RÁPIDA NO FINAL DO FILME, COMO O APRESENTADOR DO PRÊMIO DE CIÊNCIAS.

TUDO POR UM POP STAR

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(BRA 2018) EUA 2018. DIR: BRUNO GIROTTI. COM MAISA SILVA, KLARA CASTANHO, MEL MAIA, JOÃO GUILHERME, FELIPE NETTO. COMEDIA.

A AUTORA TALITHA REBOUÇAS TEM TIDO SEUS LIVROS CONSTANTEMENTE ADAPTADOS PARA AS TELAS COMO “FALA SÉRIO MÃE” E “É FADA”, E AGORA SEU SEGUNDO LIVRO “TUDO POR UM POP STAR” COLOCA O TRIO DE ADOLESCENTES MAISA SILVA, KLARA CASTANHO E MEL MAIA ATRÁS DOS MEMBROS DA BANDA SLAVABODY DISCO BOYS. TIETAGEM É ALGO COMUM ENTRE ADOLESCENTES, E MESMO QUEM NÃO É MAS JÁ FOI UMA VAI SE IDENTIFICAR COM O HUMOR SIMPLES, UMA HISTÓRIA DIVERTIDA CERTAMENTE.

 

NASCE UMA ESTRELA – ALÉM DE LADY GAGA

                A história de uma jovem aspirante a atriz envolvida com um astro em decadência em uma gangorra sentimental em que ambições profissionais e realizações pessoais divergem. De Constance Bennet a Lady Gaga, essa história tem sido vista e revista há gerações sempre nos levando a questionar o preço da fama e do sucesso artístico.

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LADY GAGA & BRADLEY COOPER

               A verdade é que desde seus primórdios o cinema já trazia diversas histórias de sucesso e tragédia como em “Hollywood” (What Price Hollywood?) de 1932, dirigido por George Cukor. A história de Adele Rogers St.John, roteirizada por Gene Fowler e Rowland Brown, girava em torno da garçonete Mary Evans (Constance Bennet), que sonha com uma carreira de atriz. Uma noite ela encontra o diretor Maxmillian Carey (Lowell Sherman) que lhe abre a primeira porta para o sucesso. Apesar da forte e leal amizade formada entre Max e Mary, ambos seguem caminhos opostos com Max afundando na bebedeira, enquanto Mary se casa com o advogado Lonny Borden (Neil Hamilton) e se torna uma atriz famosa. Mary chega a ganhar um Oscar de melhor atriz, mas vê seu casamento desabar. O estrelato tão desejado não cala a dor de Mary quando Max se suicida. A autora baseou-se na história real do casal Colleen Moore e John McCormick, além do ator e diretor Tom Forman, que se suicidou após um surto nervoso da mesma forma que o personagem Max Carey, com um tiro no peito. Quatro anos depois o mesmo David O’Selznick (produtor de o Vento Levou”, “King Kong”), que trabalhou para a RKO como produtor executivo de “Hollywood”, decidiu filmar a história extremamente similar de William Wellman e Robert Carson para “Nasce uma Estrela” (A Star is Born) desta vez para sua própria produtora, a “Selznick International Pictures”, irritando a RKO, responsável pelo filme de 1932, que esteve prestes a processar Selznick, mas acabou não fazendo. Quando George Cukor foi chamado para assumir a direção, recusou por ser muito similar ao seu trabalho em “Hollywood”. Wellman asssumiu como diretor e as filmagens começaram em 20 de abril de 1937 com Janet Gayner no papel da aspirante a atriz Esther Blodgett, que se torna a estrela Vicky Lester, papel que Gaynor também viveu em uma adaptação radiofônica. Esta vive um romance com o decadente ator Norman Maine (Fredric March), que se entrega ao alcoolismo a medida que  Vicky chega ao topo da glória artística. Reza a lenda que o casamento tumultuado de Barbara Stanwyck e Frank Fay teria sido a inspiração para o casal Vicky/Norman, mas Wellman baseou-se em suas próprias experiências, e também na carreira de John Bowers, ator do período silencioso que se suiciou depois de ter a carreira arruinada pela chegada do som. Historiadores relacionam o personagem de Norman Maine aos atores John Barrymoore (Avô de Drew Barrymoore) e John Gilbert. Tanto “Hollywood” quanto “Nasce uma Estrela” compartilham o mesmo foco nos sonhos e, sobretudo, nas desilusões dos que nascem e morrem sob as luzes dos holofotes.  Outra história que virou lenda em torno do filme de 1937 é que este traria Lana Turner (estrela na década seguinte) como um dos figurantes, o que a própria viria a negar. Na décima cerimônia de entrega dos Oscars, o filme de Wellman foi premiado pela melhor história original, além de um prêmio especial para W. Howard Greene pela fotografia em cores, um triunfo técnico deste que foi o primeiro filme colorido indicado pela Academia.

A STAR IS BORN 1937

JANET GAYNOR & FREDRICH MARCH 1937

                 Nos anos que se seguiram, a “Selznick International Pictures” se dissolveu e os direitos do filme foram vendidos indo parar nas mãos de Sid Luft, então marido de Judy Garland. Luft conseguiu convencer George Cukor a assumir a cadeira de diretor e fazer dessa adaptação um filme musical com roteiro assinado por Moss Hart. Este triunfou ao usar a música como fio condutor da história de Norman (James Mason) e Vicky (Judy Garland). Uso criativo do Cinemascope, o filme foi preparado para ser o retorno ao estrelato de Judy, que estava há alguns anos afastada das telas depois do fim de seu longo contrato com a MGM. George Cukor, que dirigira “Hollywood” aceitou o cargo, que havia recusado em 1937, conduzindo com seu habitual toque tendo uma filmagem atribulada pelos problemas com sua estrela. Judy, então aos 32 anos, encarnava na vida real os conflitos de sua persona abalada pelos vícios e excessos, mas imprimiu na tela uma atuação pungente, intensa, entoando com sua belíssima voz canções como “The Man That Got Away” e “ Gotta Have me Go With You”. Produzido por cinco milhões de dólares, com esplêndida fotografia de Sam Leavitt, o filme quase teve Cary Grant no papel de Norman Maine, mas este teve receio de contracenar com as inconstâncias de Judy Garland. Apesar do sucesso, Cukor nunca chegou a ver seu filme pronto. Assim que encerrou as longas filmagens, o diretor viajou para a Europa em busca de locações para seu próximo projeto. Nesse meio tempo a Warner cortou 27 minutos de sua metragem original de 181 minutos além de adicionar a canção “Born in a Trunk”. Somente em julho de 1983, a Academia de Artes e Ciências de Hollywood relançou o filme restaurando 19 minutos das cenas não utilizadas, mas Cukor falecera pouco antes. O sucesso de público e crítica levou Judy a ser indicada ao Oscar de melhor atriz mas perdeu para Grace Kelly no que é considerado uma das maiores injustiças da história. Quando a vitória de Grace era anunciada, os repórteres estavam no quarto de hospital em que Judy estava internada, todo o mundo incluindo a própria acreditando no favoritismo, mas enfrentando uma decepção que abriu mais uma chaga no coração da estrela, um sentimento de rejeição que ela nunca conseguiu superar.

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JAMES MASON & A MARAVILHOSA JUDY GARLAND 1954

                   22 anos depois o diretor Frank Pierson recriou “Nasce uma Estrela” trocando o cinema pelo mundo da música. Assim, Norman Maine tornou-se John Norman Howard (Kris Kristorfeson), um astro do rock que se envolve com a desconhecida Esther (Barbra Streisand). A medida que o abuso de álcool e drogas destrói lentamente John, Esther cresce e se torna uma cantora de sucesso. O filme foi um veículo para o talento de Streisand, cuja voz fez de “Evergreen” a melhor canção original pela Academia. A própria estrela teria dirigido algumas cenas devido a constantes desentendimentos com o diretor. Ela queria Elvis Presley para seu co-astro, tendo viajado para Las Vegas para pessoalmente convencê-lo. Com o insucesso das negociações nomes como Mick Jagger e Marlon Brando foram mencionados até a contratação de Kris Kristorfeson, que teve sua atuação apontada como inspirada em Jim Morrisson do “The Doors”, embora o ator tenha negado. Streisand era a estrela de uma outra época, também co-produtora, tomando as rédeas da adaptação como veículo para seu enorme talento, seja atuando ou cantando. Terceira maior bilheteria do ano de seu lançamento, o filme recebeu vários prêmios e indicações, a versão de 1976 ainda foi incluída pelo AFI (American Film Institute) na lista de 100 maiores canções do cinema. Em 2013 ainda houve a versão indiana “Aashiqui 2” feita em Bollywood, chegando a mais de 9 milhões de dólares nas bilheterias ao longo de 4 semanas de exibição.

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KRIS KRISTOFFERSON & A DIVA BARBRA STREISAND 1976

                  A força dessa história é que ela não apenas fez brilhar Bennet, Gaynor, Garland, Streisand e agora Lady Gaga, mas também nos faz lembrar de toda uma constelação que inclui Monroe, Hayworth, Gardner, Hayward, Hepburn e tantas outras que marcaram seus nomes no firmamento Hollywoodiano, vidas que se acabaram, luzes que se apagaram como na letra de João de Barros para “Luzes da Ribalta”, apontando a certeza de que esse ideal renascerá em outros corações.

GRANDE ESTREIA: VENOM

(Venom) EUA 2018. Dir: Ruben Fleischer. Com Tom Hardy, Michelle Williams, Woody Harrelson, Jenny Slate. Ação.

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Sinto que o gênero dos super herois está oferecendo uma overdose de títulos, logo este é mais um apesar do personagem não ser exatamente um heroi. Criado originalmente como antagonista para o Homem Aranha (que não dá as caras aqui), por David Micheline e Todd McFarlane no final dos anos 80, o personagem é um simbionte alienígena trazido à Terra inadvertidamente por Peter Parker depois do evento chamado “Guerras Secretas”, de 1984. Inicialmente J.M. Dematteis e Mike Zeck fizeram deste um uniforme senciente capaz de gerar sua própria teia e de se camuflar como uma segunda pele. Quando anos depois foi estabelecido que o uniforme negro era não só inteligente mas também queria se unir definitivamente a Peter, este o rejeitou. A criatura trocou de hospedeiro para o reporter picareta Eddie Brock e o resultado foi o vilão Venom, já encarnado nas telas por Topher Grace no fraco “Homem Aranha 3” de 2007. Não espere por essas referências, o filme de Venom faz dele uma especie de anti~heroi em sintonia com a cartilha dos filmes de origem, embora não esteja preocupado em estabelecer exatamente vem o simbionte. Eddie Brock (Hardy) o encontra em um laboratorio e descobre planos nefandos dos cientistas do local. Há uma mezcla de terror e ação que deveria ser o diferencial entre os filmes de hqs, e que certamente atrairão os fãs que conhecem o personagem.

PREDADOR – TODOS OS FILMES & HQS

             Nos anos 80, dois monstros, que bem mais tarde viriam a se confrontar nas telas, caíram no gosto e na imaginação popular. Na década em que E.T de Spielberg fez da figura alienígena uma fábula moderna, tivemos os xenomorfos de “Alien” e o caçador de “Predador”.

PREDADOR

              Era a segunda metade dos anos 80 e os irmãos Jim e John Thomas tiveram a ideia de usar a truculência de Rambo contra um alienígena em um lugar ermo e selvagem. Batizado de “Hunter” (Caçador), o roteiro chegou até os escritórios da 20th Century Fox, e daí até as mãos de Arnold Scwarzenegger, um dos astros de ação da década recém-saído de sucessos como “Comando Para Matar” e “Exterminador do Futuro”. O ex fisioculturista gostou do roteiro, mas discordou da ideia inicial dos irmãos Thomas de ter um único protagonista. Por sua sugestão foi acrescentado uma equipe de soldados de elite, um a um sendo caçados nas selvas da Guatemala pela criatura. Esta pouco aparece no início, se camuflando de forma impressionante graças aos efeitos especiais do técnico Stan Winston (1946-2008), que já havia trabalhado com Schwarzenegger em “O Exterminador do Futuro” (1984). Quando Winston entrou no projeto, algumas cenas já haviam sido filmadas com Jean-Claude Van Damme vestindo uma roupa bem diferente. O produtor Joel Silver o demitira, segundo consta porque não parava de usar golpes de kickboxing. Além disso a roupa precisaria ser toda redesenhada e as filmagens precisaram ser suspensas para que Winston redefinisse o visual da criatura, o que fez com a colaboração de James Cameron. Foi o diretor de “O Exterminador do Futuro” quem sugeriu a Winston a mandíbula retrátil do monstro.

PREDADOR 2

           O diretor John McTiernan só havia feito um único trabalho antes e “Predador” foi seu primeiro trabalho de grande orçamento, estimado em torno de US$15 milhões. O filme seria enfim um mixto de ação, ficção científica e terror ao som de “Long Tall Sally” de Little Richard a medida que a equipe do Major Dutch Schaffer (Schwarzengger) se aproxima de sua fatídica missão. Além de Arnold, o elenco tem Carl Weathers, mundialmente conhecido como o Apollo Creed da série Rocky, Jesse Ventura, ex lutador que tornou-se governador de Minnesota em 1998 e Shane Black, ator, diretor e roteirista. Black é o responsável pelo novo “Predador” além de um dos melhores roteiristas de filmes de ação, tendo escrito o roteiro de “Máquina Mortífera”. Já a criatura, depois da demissão de Van Damme, ficou com Kevin Peter Hall que também aparece no filme como o piloto do helicóptero de resgate. O elenco precisou suportar diversos inconvenientes como o calor das locações, a humidade, animais como cobras, escorpiões e sangue-sugas. A dedicação de Arnold era notável filmando sua participação poucas horas antes do ensaio para seu casamento com Maria Shriver. Anos mais tarde o programa “Caçadores de Mitos” desmistificou que cobrir o corpo com lama conseguiria ocultar o calor como Dutch faz para se esconder da criatura, depois que esta mata toda sua equipe e prova que o musculoso astro não é tão indestrutível como seus outros papeis sugeriram.

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         Claro que a bilheteria de quase US$60 milhões só em território americano indicaria uma sequência, mas a Fox só se convenceu de fato quando os quadrinhos publicados pela editora Dark Horse popularizaram ainda mais o monstro caçador. Contudo, McTiernan cobrou alto demais para retornar e a Fox, decidida a reduzir o orçamento da continuação, se recusou. McTiernan preferiu fazer “A Caçada ao Outubro Vermelho” (1990) e Stephen Hopkins (A Hora do Pesadelo 5) assumiu a realização de “Predador 2 – A Caçada Continua”, sem Schwarzenegger que não aprovou a mudança da selva para o ambiente urbano de uma metrópole futurista. O estúdio queria Steven Seagal para substituir Arnold, mas Danny Glover e Gary Busey foram contratados para o elenco com Kevin Peter Hall repetindo o papel da criatura, uma outra do planeta natal dos caçadores. Uma das ideias difundidas nos quadrinhos da Dark Horse foi incorporada no filme quando o Tenente Harrigan (Glover) entra na nave do monstro e encontra uma caveira de um xenomorfo, anunciando um confronto que foi primeiro realizado nas hqs da Dark Horse, e em 2004 adaptada para as telas em “Alien Vs Predador”. Este teve relativo sucesso de bilheteria e convenceu a Fox, dona das duas franquias, a fazer a continuação “Alien Vs Predador 2 – Requiem” de 2007.

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            Alcançando extrema popularidade durante a década anterior, o Predador foi usado em diversos crossovers com super heróis como “Batman x Predador” em três mini-séries publicadas entre 1991 e 1997, ”Superman x Predador” em 2000 e até mesmo “Tarzan x Predador” em 1996. Todas alcançando excelentes resultado de vendas e dando destaque melhor para o monstro caçador que sua volta às telas em “Predadores”, filme de 2010 que imagina um grupo de pessoas abduzidas e levadas para outro planeta para serem caçadas por vários desses ETs. Se analizadas, as hqs se aprofundaram muito mais na cultura alienígena do monstro, criando um código de conduta, motivações e até a sugestão de que as criaturas visitaram a Terra no passado para seus jogos mortais como mencionado no segundo filme quando Harrigan encontra uma antiga pistola, gerando uma história em quadrinho em que um pirata se confronta com a criatura.

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          A volta do personagem no novo filme de Shane Black é promissora e pode abrir um leque de outras sequências aproveitando melhor o material da Dark Horse. Afinal, embora Dutch tenha afirmado “Se sangra, então pode ser morto”, pode muito bem prenunciar a máxima hollywoodiana que diz “Se faz dinheiro, ganha sequência”. Pois que começem os jogos, a caçada será pelo menos divertida.

 

 

GRANDE ESTREIA: SLENDERMAN PESADELO SEM ROSTO

(SLENDERMAN) EUA 2018. DIR: SYLVAIN WHITE. COM JOEY KING, ANNALISE BASSO, JAVIER BOTET, JULIA GOLDANI TELLES. TERROR.

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Nada a se admirar que algum produtor de Hollywood se interessaria em fazer um filme dessa lenda urbana criada na era digital. Um homem magro sem rosto aterrorizando jovens surgiu como um meme nas redes sociais e tornou-se uma histeria tão grande que  nos Estados Unidos, em 2014, duas adolescentes mataram uma colega dizendo que eram forçadas pelo Slenderman. Tudo começou em um concurso para criar imagens sobrenaturais, daí a origem do “Slenderman”. O pai da menina morta protestou contra o filme alegando que Hollywood estava tentando lucrar em cima de uma tragédia.

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No filme crianças e adolescentes de uma cidade pequena são perseguidas pelo assustador homem sem rosto. Para um dos principais papeis chamaram a simpática Joey King já conhecida do grande público por papeis em filmes como “Invocação do Mal” (2013), “Os Sete Desejos” (2017) e o popular filme da Netflix “A Barraca do Beijo” (2018). Sua personagem movimenta a trama, cria identificação com o público a medida que busca as respostas. Mas não há muito a fazer para o elenco já que o filme é todo feito a base de “jump scares”, que cumprem aquele papel imediato para disfarçar a frágil história criada com todos os clichês de outros exemplares do gênero.  A atriz e bailarina Julia Goldani Telles tem mãe brasileira, mas uma passagem nas telas bem rápida graças a um roteiro fraco e apoiado em soluções fáceis, nada memóravel.

 

 

MEMORIAS DE UM CINÉFILO: A ERA DAS VIDEOLOCADORAS

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HÁ UMA SEMANA FOI DIVULGADO QUE DUAS LOJAS DA REDE BLOCKBUSTER FECHARAM AS PORTAS NOS ESTADOS UNIDOS, RESTANDO AGORA APENAS UMA NO ESTADO DO OREGON. SE PEGARMOS UMA MÁQUINA DO TEMPO E VOLTARMOS PARA 25 ANOS EXPERIMENTARÍAMOS UMA FORMA DIFERENTE DE ASSISTIR FILMES EM CASA LIVRES DAS RESTRITAS PROGRAMAÇÕES DE TV… ERAM AS LOCADORAS DE VÍDEO.

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LEMBRO NITIDAMENTE QUANDO COMPREI MEU PRIMEIRO VIDEOCASSETE, UM GRADIENTE COM DUAS CABEÇAS PARA REPRODUÇÃO. ERA O INÍCIO DOS ANOS 90 E O MAIOR PROGRAMÃO FAMÍLIA DA ÉPOCA ERA SE ASSOCIAR A UMA LOCADORA, CADA ESQUINA TINHA UMA. EU PRÓPRIO PERTENCIA A UMA QUATRO OU CINCO, CADA UMA CONTANDO COM SEU ACERVO. NOS FINAIS DE SEMANA, FAZÍAMOS UM PACOTE COM UMAS TRÊS OU QUATRO FITAS. ERA UM BARATO PEGAR AS CAPAS DAS FITAS, ALGUMAS DAS QUAIS BELÍSSIMAS COMO FOI A FITA VHS DE “JURASSIC PARK – PARQUE DOS DINOSSAUROS” COM UM CURIOSO LAYOUT PRÉ-HISTÓRICO.

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FOI UM ACHADO INESQUECÍVEL QUANDO AS LOCADORAS RECEBERAM A TRILOGIA ORIGINAL DE “STAR WARS” REMASTERIZADAS. FOI UMA MARATONA  ASSISTIR AOS EPISÓDIOS 4, 5 E 6 SEM INTERVALOS DE TV E COM AQUELA “QUALIDADE”!!!! LEMBRO QUE EU MAIS GOSTAVA ERA DESCOBRIR AQUELES FILMES QUE NÃO ERAM EXIBIDOS NA TV, ATÉ MESMO DESCONHECIDOS DO GRANDE PÚBLICO E POR ISSO MESMO FICAVAM DISPONÍVEIS NAS PRATELEIRAS. FOI ASSIM QUE ASSISTI PELA PRIMEIRA VEZ A EXCELENTE COMÉDIA “SHERLOCK & EU” (WITHOUT A CLUE) COM MICHAEL CAINE E BEN KINGSLEY. ALUGUEI A FITA EM UM DOS PACOTES DE CARNAVAL, TÍPICO NAQUELA ÉPOCA. PARA DIVERSIFICAR, MUITAS LOCADORAS TAMBÉM OFERECIAM JOGOS E CDS, ENFIM TINHAM DE TUDO, PARA TODOS OS GOSTOS.

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A CEREJA DO BOLO ERAM OS LANÇAMENTOS, QUE NAQUELA ÉPOCA TINHAM UMA JANELA BEM MAIOR. JANELA É O PERÍODO ENTRE A EXIBIÇÃO DO FILMES NAS SALAS DE PROJEÇÃO E SUA CONSEQUENTE EXPLORAÇÃO EM OUTRAS MÍDIAS. SIM, ACREDITE, EXISTIU UMA ÉPOCA SEM NETFLIX, SEM DOWNLOAD, SEM YOU TUBE. DO CINEMA, QUASE UM ANO DEPOIS VINHAM OS LANÇAMENTOS EM VHS PARA SÓ DEPOIS PASSAREM PARA A TV POR ASSINATURA, E ENFIM… A TV CONVENCIONAL. ERA UM INTERVALO BEM MAIOR COMPARADO A HOJE E A CHEGADA DE CERTOS FILMES NAS LOCADORAS ERAM UM VERDADEIRO EVENTO COMO NO CASO DE “TITANIC” DE JAMES CAMERON, “A LISTA DE SCHINDLER” DE STEVEN SPIELBERG, “FORREST GUMP” DE ROBERT ZEMECKIS ENTRE OUTROS TÍTULOS DISPUTADOS A TAPA NAS PRATELEIRAS.

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A PROPOSITO O PRIMEIRO FILME EM VHS QUE ALUGUEI FOI “007 CONTRA GOLDFINGER“. A LOCADORA TINHA TODOS OS FILMES DE CONNERY E MOORE E COMEÇEI ASSISTINDO AOS TÍTULOS QUE NUNCA HAVIA ASSISTIDO ANTES, ATÉ TINHAM PASSADO NA TV MAS EU TINHA PERDIDO OU NÃO LEMBRAVA DE TER VISTO. ALGUÉM LEMBRA O PRIMEIRO FILME QUE ALUGOU ?? FORAM BONS TEMPOS SEM DÚVIDA, PRINCIPALMENTE PORQUE COMEÇEI A GRAVAR FILMES NA TV. LOGO VIERAM OS APARELHOS DE VIDEOCASSETE DE QUATRO E SEIS CABEÇAS E O INÍCIO DE UMA COLEÇÃO QUE TIVE QUE CHEGOU A 800 FITAS. NÃO DEMOROU MUITO PARA VIREM OS DVDS E BLU RAYS. MAS AÍ GRADATIVAMENTE A INTERNET FOI SURGINDO COMO OPÇÃO E AS LOCADORAS FORAM PERDENDO A FORÇA, MAS AINDA ASSIM MARCARAM SUA ÉPOCA COMO UM HÁBITO DE TRAZER O CINEMA EM CASA COM UM GOSTO PRÓPRIO, QUEM VIVEU VIU.

 

GRANDE ESTREIA : O PROTETOR 2

(THE EQUALIZER 2) EUA 2018. DIR: ANTOINE FUQUA. COM DENZEL WASHINGTON, MELISSA LEO, BILL PULLMAN, PEDRO PASCAL. AÇÃO.

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Não lembro de ter assistido à série de Tv (1985 – 1989) na qual esse filme se baseia. Na verdade isso não faz falta, pois o que importa aqui é a hábil maneira de conduzir a ação do diretor e seu astro Denzel Washington (ambos juntos pela quarta vez). É a primeira sequência dirigida por Fuqua que sabe como explorar habilmente os clichês do gênero para produzir uma narrativa envolvente. Beneficiado claro pela presença de Denzel Washington, também estrelando sua primeira sequência, um ator de amplos recursos, sempre equilibrado nos papéis que defende. Denzel é Robert McCall, o ex agente da CIA que agora defende a causa dos desamparados. McCall está envolvido em uma missão mais pessoal, o assassinato de uma grande amiga (Leo). O primeiro filme, de 2014, foi uma grata surpresa custando em torno de 55 milhões de dolares e rendendo nas bilheterias mundiais três vezes mais. Essa credibilidade do astro e diretor são fundamentais para garantir a apreciação desse segundo filme que comete seus deslizes narrativos. Sem entregar spoilers, pode-se garantir que nada compromete o prazer de assistir ao filme e, claro, a forte possibilidade de que tenhamos um terceiro capítulo em breve.

 

GRANDE ESTREIA: CHRISTOPHER ROBIN UM REENCONTRO INESQUECÍVEL

(CHRISTOPHER ROBIN) EUA 2018. DIR: MARC FORSTER. COM EWAN MACGREGOR, HAYLEY ATWELL, MARK GATISS. DRAMA/FANTASIA.

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TODOS CONHECEM A HISTÓRIA DE WINNIE THE POOH (NA MINHA INFÂNCIA ERA SÓ URSINHO PUFF) E UMA TURMA DE AMIGOS IMAGINÁRIOS SAÍDAS DA MENTE DE CHRISTOPHER ROBIN, O PERSONAGEM QUE TAMBÉM É O NOME DO FILHO DO AUTOR BRITÂNICO A.A. MILNER. ESTE CRIOU TUDO A PARTIR DA FÉRTIL IMAGINAÇÃO DE SEU FILHO COM SEUS BRINQUEDOS. A DISNEY, DONA DOS DIREITOS DOS PERSONAGENS DECIDIU SEGUIR A MESMA FORMULA DE “HOOK – A VOLTA DO CAPITÃO GANCHO”, OU SEJA, A CRIANÇA CRESCEU E ESQUECEU A MAGIA DE TEMPOS MAIS INOCENTES. HOJE UM EXECUTIVO CHEIO DE PROBLEMAS DO MUNDO ADULTO, ELE REENCONTRA TODA A TURMA QUE O AJUDARÁ A REVIVER O MENINO DENTRO DO HOMEM, A GRAÇA DA VIDA E UM DOCE LEMBRANÇA DE QUE SEMPRE DEVEMOS CULTIVAR A CRIANÇA INTERIOR. POR ISSO, O FILME FUNCIONA BEM PARA CRIANÇAS E PAIS.

GRANDE ESTREIA : MEGATUBARÃO

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THE MEG. EUA 2018. DIR: JOHN TURTELTAUB. COM JASON STATHAM, BINGBING LI, MASI OKA, RUBY ROSE. SUSPENSE/AVENTURA.

Sejamos sinceros já foram incontáveis filmes de tubarão (Vide matéria abaixo) e o melhor continua sendo o filme de 1974 de Steven Spielberg. Em meio a coisas rídiculas como “Sharknado” tivemos boas tentativas como “Águas Rasas” e “Medo Profundo” recentemente. O filme de Jon Turteltaub (A Lenda do Tesouro Perdido) não foge aos clichês, mas se rende a eles. Não digo como demérito mas como apreciação da diversão pretendida.

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Claro que o livro de Steven Alten, publicado em Julho de 1997, tem muitos méritos e conseguiu se destacar entre a vasta literatura do gênero, apesar de liberdades poéticas como mostrar dinossauros co-existindo com o megalodonte, pertencentes a períodos pré históricos bem distintos.  Se Hollywood vai filmar os outros 7 livros restantes é preciso esperar pelo resultado da bilheteria. O famigerado site “Rotten Tomatoes” deu 50% de aprovação mostrando uma crítica dividida.

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Jason Statham faz o papel do herói destemido, o biólogo e mergulhador profissional Jonas Taylor, que ajudar um grupo a caçar o tubarão pre-histórico (de 30 metros) encontrado nas fossas Marianas, uma das maiores fenda submarinas, ainda inexplorada na vida real. Sim, há um embasamento cientifico para a história do filme, mas apenas superficial pois estamos diante de um filme de aventura e ação. Momentos de humor aliviam a trama, mas esta falha em criar a mesma tensão que o clássico de Spielberg apesar de obvias homenagens a este. O projeto levou 20 anos para se concretizar e nos traz uma boa diversão para o fim de semana.

TUBARÕES NO CINEMA

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SPIELBERG NA BOCA DE BRUCE

                   O cinema nunca se cansa de mostrar filmes sobre tubarões. Não importa o quanto os biólogos tentem defendê-lo, o cinema cuidou de explorar bem o medo inconsciente que temos desse predador que vive há aproximadamente 400 milhões de anos em nossos mares. Nas telas ele protagoniza praticamente um sub- gênero do típico filme de monstro, o que mostra o quanto o público está disposto a ver pessoas sendo devoradas por esse vilão marinho.

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BRUCE ENFRENTA ROY SCHEIDER

                 Mesmo que mais de 200 espécies de tubarão estejam sob o risco de extinção, de acordo com a “International Shark Foundation”, eles estão no topo da cadeia alimentar e nós estamos no topo do cardápio. Assim o cinema e a Tv fizeram tudo para vilanizá-lo mostrando tubarões gigantes, tubarões inteligentes e tubarões vingativos. Peter Benchley enriqueceu com o livro “Tubarão” (Jaws), a história de um grande branco que ataca as praias da fictícia Amity, ilha na costa leste dos Estados Unidos. Adaptado ao cinema, este tornou o nome de Steven Spielberg mundialmente conhecido, abocanhando as bilheterias e inaugurando para uma geração o conceito de blockbuster de verão. Seu filme seguiu a cartilha hithcockiana de mostrar pouco e sugerir muito, estimulando a imaginação com o tema de duas notas de John Williams. Foi uma forma criativa de disfarçar as deficiências técnicas de Bruce, o tubarão mecânico batizado pelo diretor com o nome de seu advogado, um monstro sorrateiro que não faz concessões, movido por uma fome insaciável: O peixe ou o advogado ?! Ainda mais voraz é a fome de lucro dos produtores que realizaram mais 3 sequências, nenhuma das quais dirigidas por Spielberg: “Tubarão 2” (1978) repetiu Roy Scheider a contragosto no papel do Chefe Brody; “Tubarão 3” (1983) em 3D que acentua ainda mais suas deficiências, e “Tubarão IV – A Vingança” (1987) que trouxe de volta Lorraine Gary, do elenco original, quando  o tema já estava desgastado. O único desses que consegue trazer alguma informação respeitosa é o filme de 1978 quando o Chefe Brody comenta que os Tubarões seguem sensorialmente os impulsos elétricos dos corpos em movimento na água. Entre todos o filme de Spielberg se mantém superior a todos, uma envolvente história ainda capaz de mexer com o público.

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BRUCE SEM A MAGIA DA CÂMERA DE SPIELBERG

               Até lá, no entanto, claro que outros estúdios invadiram essa praia e investiram em filmes B. Em 1976 “Mako – O Tubarão Assassino” (Mako – The Jaws of Death) mostrava um homem com o poder de se comunicar com um tubarão dessa espécie hoje ameaçada pela caça predatória. Outro caso curioso é a co-produção anglo-mexicana “Tintorera” (1977) baseado no livro do oceanógrafo Ramón Bravo. O nome de origem espanhola se refere ao tubarão-tigre, que despertou o interesse de Bravo que observou como estes peixes ficam em estado adormecido no fundo do mar em “Isla Mujeres” no Caribe. O ataque da referida espécie é secundário, já que o filme dirigido por Rene Cardona Jr está mais para uma aventura erótica destacando os corpos curvilíneos das atrizes Susan George e Fiona Lewis. Na época, o filme foi bem popular aqui no Brasil, além de ter se tornado parte da coleção particular do renomado Quentin Tarantino que o exibiu no 8ª Festival Internacional de Filmes de Morella, no México.

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Tintorera

             Outra pérola que nadou por essas águas foi o italiano Enzo Castellari em “O Último Tubarão” (L’Ultimo Squalo) de 1981. Este não se preocupou em disfarçar o plágio em cima do filme de Spielberg. O ator James Francisco interpreta um personagem chamado de Peter Benton (semelhança com Benchley não é mera coincidência), o mesmo papel de Roy Scheider, da mesma maneira que Vic Morrow faz o experiente pescador tal qual Quint (Robert Shaw) no filme de 1975. Todos os momentos icônicos do filme original são absurdamente imitados, até a maneira como o peixe é morto. Com isso tudo, o filme de Castellari foi proibido de ser exibido nos Estados Unidos, embora possa ser facilmente encontrado no You Tube ou à venda pela Amazon. Diferente do filme de Spielberg, o filme de Castellari é, no mínimo, risível usando um tubarão mecânico ainda mais tosco que Bruce. Dando um sabor brasileiro, ainda tivemos uma paródia brasileira: “Bacalhau”, de 1975, dirigida por Adriano Stuart e estrelado por Helio Souto e Mauricio do Vale. Essa pérola de nossa cinematografia mostra uma cidade no litoral paulista atacada pelo peixe do título. O bacalhau usado nas filmagens ainda traz a marca “Made in Ribeirão Preto”.Surpreendentemente foi um dos filmes brasileiros de maior bilheteria em 1976.

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NOSSA VERSÃO BRASILEIRA

            Na segunda metade da década de 70 ainda tivemos variações no tema “monstros aquáticos” enfurecidos. A mais notável é a paródia assumida de Joe Dante “Piranha” (1978) que ganhou duas refilmagens: uma em 1995 e outra em 2010. Ainda tivermos a baleia azul de “Orca – A Baleia Assassina” (Orca The Killing Whale) de 1977 e o polvo gigante da produção italiana “Tentáculos” (Tentacoli) no mesmo ano. Quando já se pensava que o mar seria seguro, os produtores arranjavam um jeito de atrair o público, mas o efeito final está mais para o ridículo. Em tempos mais recentes tivemos tubarões inteligentes (Deep Blue Sea), habitantes das areias (Sand Shark) fora as inusitadas versões de TV que constantemente aparecem na telinha como “Tubarão Fantasma” (Ghost Shark) ou “Sharkanado” e suas inacreditáveis sequências, todas realizadas pelo sci-fi channel.

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O ÚLTIMO TUBARÃO

            Quando a pergunta é se ainda há espaço para alguma produção respeitosa sobre esses animais, merece menção o caso de “Águas Rasas” (The Shallows) de 2016, que tornou-se uma grande sucesso de bilheteria. O filme de Jaume-Collet Serra serviu como “Tubarão” de uma nova geração, trocando o modelo mecânico pela computação gráfica. Eficiente suspense com sua abordagem psicológica, o filme mostrou um fato no mínimo questionável quando a personagem de Blake Lively nada no meio de águas-vivas sugerindo que o tubarão branco teria medo destas mesmo tendo uma pele extremamente grossa. Ainda tivemos ano passado “Medo Profundo” (47 Meters Down) onde duas irmãs ficam presas em uma gaiola no fundo do mar em águas infestadas de tubarões. Fala-se até de uma provável sequência a ser filmada no Brasil, e agora o “MegaTubarão” (The Meg) com Jason Statham.

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ÁGUAS RASAS

           Feras desalmadas, devoradores, ou animais vulneráveis, mal-compreendidos, vítimas da má-propaganda de Hollywood, não importa pois as pessoas parecem não perder o interesse por eles sendo notável o acesso às mídias digitais que perpetuam filmagens e relatos de ataques. Certamente virão mais filmes já que o filão constantemente se renova com o público. Admito ainda assim, eu nunca consigo ir à praia e entrar na água sem que em minha mente eu ouça aqueles os tensos acordes daquelas notas. Tudo culpa de John Williams, Peter Benchley e Steven Spielberg. Boa diversão e bom apetite !

GRANDE ESTREIA : MAMMA MIA – LÁ VAMOS NÓS DE NOVO

Mamma Mia – Here we go again. EUA 2018. Dir: Oil Parker. Com Amanda Seyfried, Meryl Streap, Lily James, Dominic Cooper, Pierce Brosnan, Stellan Skarsgard, Colin Firth, Cher, Andy Garcia, Christine Baranski, Julie Walters. Musical.

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Há dez anos o cinema balançou ao som das canções do Abba, grupo sueco que dominou o mundo pop na década de 70. Suas melodiosas canções já haviam sido reunidas em um musical da Broadway, então por que não levá-las ao cinema ? O resultado foi um sucesso arrebatador de público e crítica que impressionou também pela versatilidade com a qual a estrela Meryl Streap cantava e encantava sucessos como “Dancing Queen”, “The Winner Takes it All” e “S.O.S” entre outras, divididas com os demais membros do elenco incluindo o ex 007 Pierce Brosnan e a igualmente talentosa Amanda Seyfried como Sophie, a obstinada jovem que convida seus três possíveis pais para seu casamento. Tudo isso tendo como cenário as belas paisagens da Grécia.

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CHER & ANDY GARCIA: ALGO NO AR

Claro que não demoraria para que uma sequência fosse realizada, embora pareça tardio o lançamento do filme. Há novas canções do imenso repertório do Abba, assim como repetições no momento em que Sophie (Seyfried) retorna para o lugar em que foi criada cinco anos depois que Donna (Streap) falecera. Grávida, Sophie descobre histórias do passado de sua mãe, de como ela conheceu Sam, Bill & Harry. A novidade está nas passagens de tempo entre o presente e o passado e a chegada de Cher como a mãe de Donna.  É nas incursões do passado que Lily James (Cinderella, O Destino de Uma Nação)  brilha como a jovem Donna trazendo charme e mostrando talento para se conectar com uma personagem já marcada pela diva Meryl Streap. Lily consegue convencer, consegue encantar e mostrar como suas escolhas e atitudes levarão aos eventos do primeiro filme. À presença hipnótica de Cher adiciona-se o sempre ótimo Andy Garcia, o Fernando da clássica canção do Abba, papel para o qual foi escolhido pela própria Cher.

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LILY JAMES – DONNA JOVEM

Infelizmente os roteiristas tomaram uma decisão lamentável, para os fâs do primeiro filme. Meryl aparece pouquíssimo, praticamente em lembranças já que Donna está morta quando o filme começa. Nem mesmo contracena com Cher, que faz sua mãe. Ambas já são amigas de longa data e trabalharam juntas em 1983 no filme “Silkwood – Retrato de uma Coragem”. Ainda que a morte de sua personagem sirva para o desenvolvimento da narrativa, não há como não lamentar sua ausência. Ainda assim vale a pena assistir e se deixar por canções belíssimas, personagens marcantes e uma história, que não há de se surpreender, pode gerar no futuro um terceiro filme. Mamma Mia !!!!!