BRINQUEDO ASSASSINO

             Nos anos 80 nem Woody nem Buzz Lightyear, o brinquedo mais popular do cinema era um boneco de cabelo avermelhado, vestindo um macacão com a frase “Good Guy” (Cara Bom) bordado no peito, mas empunhando uma faca na mão e pronto para matar qualquer um. A pergunta agora é “Quem ainda tem medo do Chucky?” Para responder essa pergunta chega a refilmagem dirigida pelo norueguês Lars Klevberg, em seu segundo trabalho. Confesso que como saudosista é difícil aceitar tantas refilmagens, muitas desnecessárias e mero caça-níqueis, mas não é que esse novo “Brinquedo Assassino” até que é bom ?

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            Claro que existem adaptações ajustando a história aos tempos atuais, e o clichê de possessão pelo espírito de um serial-killer foi substituído por uma abordagem mais tecnológica. O novo Chucky ainda veste um macacão, agora trazendo a palavra “Buddi” (Companheiro), mas pensa e se move por ser uma inteligência artificial sem salvaguardas morais para guiar suas ações. Presenteado ao menino Andy (Gabriel Bateman que esteve no elenco de “Annabelle” em 2014), Chucky mimetiza as frustações, medos e sentimentos mal-direcionados de seu dono, que se sente mal por não ter a atenção desejada por sua mãe (Aubrey Plaza). Ela trabalha muito e ainda namora um homem casado, logo um brinquedo interativo parece ser uma ótima ideia pois Andy se sente deslocado e solitário muitas vezes, em plena pré-adolescência, um período difícil que deveria ser suavizado pela amizade com Chucky. O que Andy não sabe é que seu amigo iria levar todos esses sentimentos às últimas consequências a medida que tenta agradar e proteger Andy. O grande vilão pode não ser exatamente o boneco, mas a ausência familiar, o que fica na superfície da narrativa pois se trata de um filme de terror e não drama. Subentendemos que a mensagem é que não devemos usar a tecnologia como substituta da companhia e dos valores humanos.  Chucky planeja, age sorrateiramente e mata por Andy, desprovido de qualquer limite moral.

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         O detetive Mike Norris (Brian Tyree Henry) parece entender a solidão de Andy e começará a desconfiar do rastro de sangue que se seguirá. Contudo, quem comanda o show a partir da metade final é Andy e seus novos amigos da vizinhança que se unem para destruir Chucky lembrando em muito a tour de force do clube dos perdedores em “It – A Coisa” ou os heróis mirins de “Stranger Things”. As diferenças entre o filme de 1988 e o atual são várias, mas fazem a história funcionar como um passatempo genérico das produções citadas, tendo a tecnologia como fio condutor, sem nenhum elemento sobrenatural.

          No filme original, de 1988, Chris Sarandon vivia o papel do corajoso policial. Ele se torna também emocionalmente interessado em Karen (Catherine Hicks), a mãe de Andy (Alex Vincent), e vem a desconfiar do poder sobrenatural do boneco infantil. Na época, o filme era apontado como um triunfo dos efeitos especiais convincentemente sincronizando movimentos, expressões faciais e labiais na voz de Brad Dourif, que fazia o assassino Charles Lee Ray cuja alma corrompida vem a habitar Chucky com a intenção de transferi-la para o corpo do menino Andy. O nome do vilão é um amalgama de três assassinos da vida real: Charles Manson (assassino, Lee Harvey Oswald (assassino de John F. Kennedy) e James Earl Ray (assassino de Martin Luther King). Don Mancini, o criador de Chucky posteriormente disse que a história original ganhou elementos de vudu quando seu roteiro original foi refeito por John Lafia e Tom Holland, diretor do filme. O sucesso levou a um total de 6 sequências: “Brinquedo Assassino 2” (1990), “Brinquedo Assassino 3” (1991), “A Noiva de Chucky” (1998), “O Filho de Chucky” (2004), “A Maldição de Chucky” (2013) e “O Culto de Chucky” (2017), sendo os dois últimos lançados diretamente no mercado de home vídeo. Entre todos o mais interessante é “A Noiva de Chucky” de Ronny Yu em que a franquia assume de voz o tom de “terrir”, sem se levar a sério afinal são dois bonecos possuídos, o outro sendo a voz de Tiffany (Jennifer Tilly), numa homenagem/paródia ao clássico “A Noiva de Frankenstein” (1935). Desde “O Filho de Chucky” que o próprio Don Mancini assumiu a direção dos filmes, mas não aprovou a refilmagem de “Brinquedo Assassino” , e já anunciou planos de uma série de tv para dar sequência aos eventos de “O Culto de Chucky”.

 

              Talvez as plateias de hoje não se impressionem tanto quanto há 30 anos atrás, quando a voz de Brad Dourif, agora substituído por Mark Hamill (o Luke Skywalker de “Star Wars”), provocava medo em passos mecânicos e lentos, agora aperfeiçoados pelos avanços da técnica de animatronics. Ainda que não tenha sido nenhum triunfo de bilheteria ao ser lançado nos Estados Unidos em Junho passado, seu resultado fraco de apenas $29,208, 403 (segundo o site especializado Boxofficemojo.com) já deu retorno graças a seu orçamento baixo, em torno de $10,000,000,00, o que pode significar uma possibilidade de continuação. E pensar que quando criança o Falcon nunca ganhou vida, mas bem que podia !

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ERA UMA VEZ EM HOLLYWOOD

O ano era 1969. Neil Armstrong pisou na lua levando esperança de novas conquistas, erguendo nossos olhares para o céu, enquanto na terra sonhos se transformavam em desilusões. O som do rock n’roll se misturava aos tiros e bombas que ceifavam a vida de centenas de jovens no Vietnã. Quentin Tarantino tinha seis anos então e, sobre esse período, decidiu escrever o roteiro de seu novo filme, evocando já em seu título referência ao cinema de Sergio Leone, diretor de “Era Uma Vez no Oeste” (1968) e “Era Uma Vez na América” (1984).

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           O talentoso diretor de “Pulp Fiction” e “Bastados Inglórios” levou cinco anos para escrever o roteiro de “Era Uma Vez em Hollywood” (Once Upon a Time in Hollywood) transitando entre realidades desde seu início com a chamada de uma suposta série televisiva intitulada “Bounty Law”, seguida de entrevista de bastidores com Rick Dalton (DiCaprio) e Cliff Booth (Brad Pitt) ator e dublê, ficção e realidade, universos distintos cuja intersecção é explorada magistralmente pela câmera de Tarantino. Este costura sua narrativa em torno de personagens reais da Hollywood sessentista misturados com personagens saídos da fértil imaginação do diretor. A dupla Dalton e Booth (comparados por Tarantino à dupla Paul Newman & Robert Redford) interage com nomes do panteão hollywoodiano como Bruce Lee (Mike Moh) e Sharon Tate (Margot Robbie), a jovem estrela casada com Roman Polanski, que foi brutalmente assassinada, prestes a dar a luz, pela quadrilha de fanáticos de Charles Manson.

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            Para representar Sharon Tate Tarantino não recorreu a Roman Polanski mas a Debra, a irmã mais velha de Sharon que serviu de consultora para retratar a atriz. Já a forma como Bruce Lee foi retratado desagradou muito à filha dele, principalmente na sequência em que Lee enfrenta Cliff Booth. Apesar de também incluir representações do próprio Roman Polanski (Rafal Zawierucha), do astro Steve MacQueen (Damian Lewis) e do próprio Charles Manson (Damon Harriman), o novo filme de Tarantino examina os bastidores da Tv e cinema reexaminando as transformações do mundo em sua volta. Contudo, o filme não se rende aos clichês habituais de gêneros biográficos ou documentais. Seu diretor prefere reinterpretar a realidade, recriá-la a partir de suas lembranças e vivências. Com notável e habitual habilidade de tratar de temas polêmicos como racismo (Django Livre) ou Nazismo (Bastardos Inglórios), o diretor foca na própria indústria cinematográfica, trabalha contrastes como Rick Dalton preparando um drink em uma belíssima mansão, enquanto Cliff assiste a um episódio de “Mannix”, popular série de detetive do período. Em outro momento o filme é pura metalinguagem quando a Sharon Tate de Margot Robbie entra em um cinema que exibe “Arma Secreta contra Matt Helm”, filme que traz a verdadeira Sharon Tate em cena. Enquanto isso Rick Dalton tem dificuldade para filmar sua participação na série de faroeste “Lancer” lutando contra suas próprias fragilidades e inseguranças.

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           Esse é o primeiro filme estrelado por Leonardo DiCaprio em 4 anos, desde que ganhou o Oscar, e o primeiro de Tarantino sem ligação com a Weinstein Company que esteve ao lado do diretor em sucessos como “Pulp Fiction”, “Django Livre” e “Bastardos Inglórios”. Sua exibição em Cannes foi aplaudida exatos 25 anos depois do diretor ganhar a Palma de Ouro com a exibição de “Pulp Fiction”, que trouxe John Travolta de volta do ostracismo. “Era Uma Vez em Hollywood” abre espaço para nomes do passado como o veterano Bruce Dern, em papel originalmente pensado para Burt Reynolds (falecido recentemente), Al Pacino como o agente de atores, Luke Perry em seu último papel (também falecido), Kurt Russell (de “Os Oito Odiados”) e Nicholas Hammond como o diretor Sam Wanamaker. Hammond foi uma das crianças Von Trapp no clássico “A Noviça Rebelde” e, o primeiro ator a interpretar o Homem Aranha em versão live-action nos anos 70. A nova geração marca presença com as atrizes Maya Hawke e Rumor Willis. Maya, filha de Uma Thurman – musa de Tarantino com quem filmou “Pulp Fiction” e “Kill Bill”, conquistou vários fãs como Robin na série da Netflix “Stranger Things”. Já Rumer é filha de Bruce Willis e Demi Moore.

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                A produção é esmerada em reproduzir a Hollywood da época, em todo seu esplendor, com carros, fachadas e paisagens que surgem diante dos olhos ao som de Joe Cocker, Paul Simon, Bob Segar, Aretha Franklin entre outros que nos transportam não para aquela Los Angeles real de fevereiro de 1969, quando o filme começa, mas uma Los Angeles onírica, ajustada aos delírios cinematográficos de um contador de histórias. Isto torna-se mais evidente a medida que o filme avança ao seu desfecho, em agosto daquele ano, quando o assassino Charles Manson (Damon Herriman, que também faz o papel na série “Mindhunter”) envia seus acólitos para matar Sharon Tate (Robbie). Nesse ponto fato e ficção divergem abruptamente, tanto quanto em “Bastardos Inglórios”, ambos moldados pelo diretor como matéria-prima nas mãos de um artesão. A montagem do filme é primorosa mesclando sequências filmadas de “Arma Secreta para Matt Helm” e “Fugindo do Inferno” à presença física de Leonardo DiCaprio e Margot Robbie, um tom farsesco mas perfeitamente conveniente à intenção de seu diretor, que olhou para o passado de uma entre milhares de histórias que aconteceram ou que poderiam ter acontecido em um lugar e tempo míticos, em 1969, aliás o ano em que eu nasci.

 

 

 

 

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Muito antes do sucesso de bilheteria alcançado por “Bohemian Raphsody” (2018) e “Rocketman” (2019), nós já estávamos levando nossos grandes nomes da música para as telas como Renato Russo (2013), Tim Maia (2014) e Elis Regina (2016). Nada mais justo que nos voltemos para um dos nomes mais prestigiosos, embora esquecido, de nosso repertório cultural, Wilson Simonal.

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         Uma de nossas grandes vozes parece ressuscitar nas telas graças à atuação de Fabrício Boliveira, dublado nos números musicais. Este consegue transmitir a personalidade complexa deste carioca de origem humilde que superou obstáculos e conquistou seu lugar no cenário artístico de sua geração, marcada pelo auge da ditadura militar e por um racismo muitas vezes velado, o que ninguém sabe o duro que deu, como revela o subtítulo de um premiado documentário sobre o cantor lançado há dez anos.

        Natural que sua trajetória rendesse uma cinebiografia dramatizando sua trajetória artística desde sua participação na banda “Dry Boys” , criada com seu irmão Zé Roberto e mais três amigos, até o lançamento de sua carreira solo com as graças do produtor Carlos Imperial (Leandro Hassum). Além deste, vários nomes do show business nacional passeiam pela tela como Cesar Camargo Mariano (João Guesser), Miéle (João Velho) e Jorge Ben (João Viana). Filmes como esse permitem que o público em geral possa redescobrir um artista de sonoridade singular, que já foi chamado de “Harry Belafonte Brasileiro”, grande nome do ritmo Calipso. Falar em ritmo na arte musical de Simonal é território rico como mostra o roteiro de Victor Atherino. Malandragem, balanço e domínio impressionante da plateia como na noite de julho de 1969 em que Simonal roubou a cena no Maracanãzinho fazendo mais de trinta mil pessoas gritarem seu nome durante apresentação de Sergio Mendes, na qual Simonal era o convidado. Sua vocalidade esteve tanto a serviço de canções espirituosas como “Mamãe passou açúcar em mim” como de letras mais sérias como “Tributo a Martin Luther King”.

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FABRICIO BOLIVEIRA & ISIS VALVERDE

        O diretor estreante Leonardo Domingues reúne Fabricio Boliveira e Isis Valverde (a atriz interpreta Tereza, a esposa do cantor), que atuaram juntos em “Faroeste Caboclo” (2013). Sua câmera recria o Rio de Janeiro das décadas de 60 e 70, período da história, quando Simonal teve seu auge, como o maior cantor negro de sua geração, quando o país mergulhava em uma época de privação de liberdades e ao som da música dos Festivais Internacionais da Canção. Em julho de 1970, o cantor chegou a interpretar a si mesmo na comédia musical “É Simonal” onde vive um romance com uma fã vinda de Minas Gerais. O filme, dirigido pelo saudoso Domingos de Oliveira (1935 – 2019), seguia o filão popular na época como em “Os Reis do Iê Iê Iê” (1964) e ”Roberto Carlos em Ritmo de Aventura” (1968). O filme não nada bem nas bilheterias, mas não ofuscou sua popularidade.

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WILSON SIMONAL & ELIS

        Todo esse sucesso chegou a um lamentável fim quando Simonal protagonizou o episódio mais polêmico de sua carreira quando descobre irregularidades de sua situação financeira, o que leva ao sequestro de seu contador. O cantor foi acusado de ter sido o mandante do sequestro seguido de tortura do seu contador, levantando acusações de ligação com o DOPS, órgão regulador do governo militar. Logo, toda a classe artística deu as costas ao cantor que ganhou a fama de delator, reduzindo seu espaço, chegando a ser preso, tornando-se praticamente “persona non grata” diante dos olhos do público. O filme de Leonardo Domingues mostra os altos e baixos de uma carreira de valor, que apesar de suas falhas humanas soube colocar diversos hits na boca de todos. Quem nunca cantou “Meu Limão, meu limoeiro”? Quem já ouviu e quem nunca ouviu falar de seu nome tem aqui uma oportunidade de olhar para um pedaço de nossa história, de encontrar uma sonoridade perdida nesse país tropical, abençoado por Deus e palco de ótimas histórias que merecem ser contadas.

VELOZES & FURIOSOS: HOBBS & SHAW

           Quando Dwayne Johnson entrou para o elenco de “Velozes & Furiosos“, no quinto filme, a franquia ganhou um segundo fôlego. Seu personagem, o agente Luke Hobbs, ganhou espaço e marcou presença em todos os filmes na sequência. Natural que tenha sido pensado em um derivado (spin off), principalmente depois da inegável química entre Johnson e Jason Statham, introduzido como antagonista do sétimo Velozes, e retornando como importante aliado no oitavo filme “The Fate of the Furious“.

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         Nesse caso só para efeitos comparativos, o lucro foi de US$207 milhões (Velozes 1), US$ 236 milhões (Velozes 2), US$158 milhões (Velozes 3), US$ 363 milhões (Velozes 4), chegando a Velozes 5” lucrando em torno de US$209 milhões de bilheteria doméstica, chegando a mais de US$600 milhões contabilizando o mercado internacional. Consideremos também as mudanças na estrutura narrativa da franquia a partir da entrada de Hobbs. Desde o final do 4º filme Bryan, o personagem do saudoso Paul Walker, passou de perseguidor a cúmplice de Dominic Toretto (Vin Diesel), levando o agente Hobbs a algoz, e depois aliado não oficial, recrutando os serviços da equipe de Toretto. A partir desse ponto, a franquia deixa o perfil de filmes de corrida e abraça o estilo “Missão Impossível” com ação desenfreada voltada para um público diverso tanto de jovens como de adultos. Depois da morte de Paul Walker acentua-se ainda mais a ação superlativa de lutas corporais, saltos monumentais, explosões e acrobacias impossíveis. “Hobbs & Shaw” mantem esse padrão e não poupa recursos para jogar o público em uma montanha – russa reunindo os personagens de Dwayne Johnson e Jason Statham dois anos depois dos eventos de “Velozes 8”. Um vírus letal está desaparecido e chega às mãos de Hattie (Vanessa Kirby), agente do MI6 em missão. Acontece que ela é irmã mais novas de Deckard Shaw (Statham), e alvo do vilão Brixton (Idris Elba), um super soldado de força ampliada, que como o próprio afirma o faz um “Superman negro”. Claro que em meio a essa explosão de testosterona, o filme tem espaço para o poder feminino. A personagem de Vanessa Kirby não é uma dama em perigo, mas uma espiã com atitude e inteligência, sem mencionar as passagens em cena da dama Helen Mirren, reprisando seu papel de Sra Shaw, e da atriz, cantora e modelo mexicana Eiza Gonzales adicionando tempero latino com sua Madame M.

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            O roteirista Chris Morgan, também responsável pelos outros filmes da franquia, entrega um entretenimento esperado pelo público alvo, com ação e humor e dois protagonistas que se toleram por conta da situação mas que não perdem a oportunidade de trollar um ao outro. O diretor David Leitch entrega um filme recheado de ação, linguagem que já mostrou dominar em “John Wick” com Keanu Reeves (embora não creditado), “Atômica” com Charlize Theron e “Deadpool” com Ryan Reynolds.

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          Claro que quando se fala de “Velozes & Furiosos” espera-se cenas estonteantes como a chuva de carros em “Velozes 8” ou carros saltando de paraquedas como em “Velozes 7”. Não é diferente desta vez e o público vai delirar ao ver os músculos de Dwayne Johnson tentar segurar um helicóptero ou Jason Statham em coreografias de luta que fazem ambos parecerem super heróis, afinal de contas o filão continua alto em Hollywood e atrai bilheterias impressionantes. Mas não espere abuso de tecnologia digital e tela azul, Leitch garante que tudo foi filmado com técnicos e dublês como a eletrizante perseguição de moto com Idris Elba, de tirar o fôlego. O filme ainda acrescenta aquele elemento de família que perpassa a franquia Velozes quando a ação leva a dupla de parceiros relutantes a uma ilha da Polinésia, raiz dos antepassados de Dwayne e palco do desfecho da história. O próprio Dwayne garantiu que atores asiáticos fossem escalados, além do lutador de WWF Joe Anoa’i em seu primeiro papel no cinema.

             Foi notório que ocorreram desentendimentos entre Diesel (produtor executivo da franquia) e Johnson. Conta-se que os desentendimentos teriam começado quando os produtores da Universal se decidiram por um filme centrado nos personagens de Johnson e Statham, levando Vin Diesel a faltar às filmagens e até a reduzir o espaço em cena dos dois atores em “Velozes 8”. O fato é que com a decisão do estúdio de investir primeiro em “Hobbs & Shaw” e a deixar o próximo Velozes para 2021 provocou uma cisão no clima de “família” da série.  Esqueça, no entanto, que Diesel tenha anunciado “Velozes 9” sem Johnson ou Statham. Esqueça também a lógica ou qualquer traço de verossimilhança. Acelere e se divirta, e já vai ter valido a pena a ida ao cinema.

A CHEGADA DO HOMEM NA LUA – 50 ANOS DEPOIS O QUE O CINEMA MOSTROU

               Desde tempos imemoriais o homem tem olhado para o céu e procurado respostas para questões como “Quem somos ?”, “Estamos sozinhos ?”, “O que existe além do que os olhos revelam?”. Há exatos 50 anos Neil Armstrong deu um pequeno passo, que para todos nós significou um grande salto, a primeira vez que o homem chegou à lua. Juntamente com Buzz Aldrin e Michael Collins, o comandante Neil Armstrong levou os sonhos e aspirações humanas a um novo patamar a bordo do módulo da Apolo 11. Richard Nixon era o presidente dos Estados Unidos e a corrida espacial convivia com o movimento hippie, com a Guerra do Vietnã e com o compasso do Rock n’ roll. Na literatura e no cinema, no entanto, a alusinagem já havia acontecido.

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PEQUENO PASSO PARA O HOMEM, GRANDE SALTO PARA A HUMANIDADE

            Coube ao escritor francês Jules Verne (1828-1905) o primeiro romance a retratar uma viagem ao nosso satélite. “Da Terra à Lua” (De la terre à la lune), publicado em 1865, antecipou em quase 100 anos a viagem da Apolo 11. Em vez de um foguete, Verne imaginou um módulo em forma de bala disparado por um canhão, logo depois do final da Guerra Civil Americana (1861-1865). O canhão, chamado no livro de Columbiad, foi o precursor da Apolo 11 e mostra que Verne estava no caminho certo ao pensar na necessidade de gerar uma velocidade de aceleração que rompesse a atmosfera terrestre e vencesse a força gravitacional. A inspiração foi tanta que a NASA batizou de Columbia o módulo de comando da missão Apolo 11. Mostrando que a vida imita a arte, Laika a cadelinha enviada pelos russos a bordo do Sputnik 2 em 1957 foi antecipada também por Verne que inclui dois cães, Diana e Satélite, em sua viagem imaginária. O impacto cultural foi tanto que Neil Armstrong, em 23 de Julho de 1969, mencionou o nome do autor francês durante uma transmissão de Tv. E foi com a história de Verne que o cinema de ficção científica foi inaugurado quando o ilusionista George Meliés filmou e lançou “Le Voyage dans la lune” em 1902 , primeira adaptação do romance, que imprimiu para a posteridade a imagem da lua com o projétil encrustado em sua superfície em forma de um rosto.

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A LUA DE GEORGE MELIES.

            Em 1901 foi a vez do escritor britânico H.G.Wells (1866 – 1946) publicar “Os primeiros homens na lua” (The First Me non the Moon). A história imaginou um módulo de viagem levantado no ar pela Carvorita, um fictício minério anti-gravitacional. Levando seus astronautas a uma lua habitada por uma raça insectóide, os Selenitas, que ocupam uma área subterrânea com atmosfera própria. Também em 1964, a história de Wells foi adaptada para o cinema em uma produção B valorizada pelos efeitos do mestre Ray Harryhausen (1920-2013). A ficção se adiantou à realidade em várias produções do gênero, sendo que a mais realista chegou às telas um ano antes da chegada da missão Apolo 11, fruto da união dos talentos do diretor Stanley Kubrick (1928 – 1999) e do autor inglês Arthur C.Clarke (1917 – 2008). Ambos deram um status de realismo e seriedade à ficção científica, inédito até então, e mostraram o misterioso monólito negro na superfície lunar no impressionante “2001 Uma Odisseia no espaço” (1968).

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OS VERDADEIROS HEROIS DA APOLLO 11

         Claro que a conquista do solo lunar dava aos norte-americanos a dianteira da corrida espacial, superando o vôo orbital do russo Iuri Gagarin em 1961, e ainda que teorias conspiratórias especulem que a bandeira americana não passa de encenação, o fato é que ela alimentou a imaginação e a adoração até dos antigos gregos que nomearam Selene como a deusa da Lua. Muitos romances já foram banhados sob sua face iluminada, e o cinema nunca cansou de usá-la muito além do cientificismo especulativo. James Stewart ameaçou laçá-la para sua amada em “A Felicidade não se compra” (1946), o menino Elliot voou em uma bicicleta tendo a lua como pano de fundo mexendo com nossas fantasias em “E.T o Extraterrestre” (1981), e o que dizer do plano mirabolante do vilão reformado Gru em “Meu Malvado Favorito” (2010) de encolher a lua.

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A LUA NA FANTASIA SPIELGUINIANA

         Todo esse fascínio é constantemente renovado no imaginário popular e a história é revistada como em “Apolo 13” (1995) reconstituindo a desastrosa missão que levou três astronautas a lutarem por suas vidas quando seu módulo apresenta defeitos nas comunicações com Houston, na energia e no oxigênio disponível. Mais recentemente, o diretor Damien Chazalle adaptou a biografia do próprio Neil Armstrong em “Primeiro Homem” (2018) mostrando os sacrifícios e os obstáculos nos bastidores do lançamento histórico de 16 de Julho de 1969. Impressionou a todo o mundo, teve suas imagens transmitidas ao Brasil no final do governo de Costa e Silva, um mundo pré internet, no qual a televisão era a maior fonte de informações.

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          Enquanto amostras eram colhidas e trazidas à Terra, músicas eram compostas e ainda são até hoje, na voz de Billy Holiday “Blue Moon”, a banda Echo & The Bunnyman “The Killing Moon”, Frank Sinatra “Fly me to the Moon”, Caetano Veloso “Lua de São Jorge”, Cidade Negra “A Lua & eu”, Bruno Mars “Talking to the moon” entre outros que a usaram de forma poética inflamando ainda mais nossa visão romântica.

          Indubitável que a data merece celebração e que sua realização aponta um divisor de águas na área cientifica, bem como um indicativo das potencialidades do desejo humano na busca pelo conhecimento, de ir além dos limites físicos impostos por nossa condição, aterrados no mundo físico mas livres na mente. O escritor norte americano Ray Bradbury (1920-2012) dizia que somos uma impossibilidade num universo impossível. A história prova que a ciência é o combustível que nos move,  e a data nos inspira, com a força com a qual nos faz lembrar do brado de Buzz Lightyear, cujo nome vem do astronauta Buzz Aldrin, “Ao infinito e além !”.

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          Este tem sido o ano do cantor Elton John. Depois do sucesso internacional de sua cinebiografia “Rocketman”, suas composições voltam à luz da mídia no lançamento da versão live-action de “O Rei Leão”, dirigida por Jon Favreau, o mesmo responsável pela transposição de “Mogli” em 2016, mais reconhecido pelo público como o Happy Hogan do Universo Cinemático Marvel.

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           A tarefa é hercúlea: Fazer uma nova geração se emocionar com a jornada do leão Simba e trazer de volta a nostalgia de quem cantou Hakuna Matata nos idos de 1994. O novo filme traz de volta os compositores Tim Rice e Elton John, além do veterano James Earl Jones na voz de Mufasa. Na época de seu lançamento a animação causou um grande impacto com sua história de tons shakespearianos, a primeira original do estúdio e seu 32º longa, ganhando os Oscars de melhor trilha sonora, de Hans Zimmer e melhor canção original, para “Can you feel the love tonight?”. Nada ficou no caminho de sucesso de “O Rei Leão” na época, mesmo quando surgiram acusações de que a Disney havia copiado “Kimba – o Leão Branco”, clássico anime criado por Osamu Tezuka.

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         Foram 3 anos de trabalho e dedicação dos roteiristas Irene Mecchi, Jonathan Roberts e Linda Woolverton e dos animadores da Disney resultando em impressionante representação da África conseguida depois que a equipe viajou ao Parque Nacional do Quênia para estudar o cenário e o comportamento dos animais. Foi um longo processo de mudança que incluiu tentativas de rodar em tom documental e depois de fazê-lo um musical na tradição de outras animações do estúdio. A chegada de Rob Minkoff e Don Hahn na produção delineou o foco da história inicialmente intitulada “King of The Jungle”, e modificado, uma vez que o desenrolar da história era nas savanas africanas, e não exatamente na selva. A história ganhou retoques bíblicos com a inspiração na figura de Moisés e o acréscimo de cenas para as hienas, e a dupla Timão e Pumba, estes coadjuvantes de luxo que roubam a cena com humor contagiante diluindo o peso dramático sem fazer perder o impacto da narrativa.

         O projeto foi uma aposta arriscada para um estúdio acostumado com histórias de princesas e reinos mágicos como os bem sucedidos “Aladim” (1992) e “A Bela & A Fera” (1991), e por isso acreditava-se e investia-se mais na adaptação de “Pocahontas”, desenvolvido em paralelo, mas com resultado inesperado nas bilheterias. Enquanto a lendária índia norte-americana faturou em torno de US$ 141 milhões nas bilheterias, a história de Simba alcançou US$ 312 milhões só nos Estados Unidos, tornando-se então a animação de maior bilheteria até 2003 quando estreou “Procurando Nemo”.

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          O live-action que chega aos cinemas, o terceiro da Disney esse ano, traz novas versões para as clássicas  canções, já conhecidas, com Beyonce e Donald Glover cantando em dueto “Can you feel the love tonight ?”, respectivamente nos papéis de Nala e Simba, mas ainda tem duas canções novas “Never Too Late” de Elton John e “Spirit”, na voz de Beyonce. O filme ainda emprega muito bem a clássica “The Lion Sleeps Tonight” na voz de Seth Rogen e Billy Eichner. A história, contudo, segue a mesma estrutura da animação de 1994, falando de vida e morte, de ritos de passagem, de assumir um papel no ciclo da vida. Não há reinvenções ou reimaginações dos elementos que fizeram a história tão icônica. O CGI impressiona hoje tanto quanto a animação de 1994 conseguiu arrancar emoções personificadas dos carismáticos personagens que reencontramos, com aquele sentimento saudosista, de rever velhos amigos como a ave Zazu (John Oliver substituindo Rowan Atikinson), o sábio orangotango Rafiki (John Kani substituindo Robert Guilaume) ou o vilão Scar (Chwitel Ejiofor no lugar de Jeremy Irons). O elenco de vozes ainda inclui Seth Rogen (Pumba), Billy Eichner (Timão), Alfre Woodard (Sarabi), além dos já mencionados Donald Glover e Beyonce nos papeis centrais e recebendo as vozes de Ícaro Silva e Iza na dublagem brasileira.

          Com tantos talentos envolvidos não é surpresa que a Disney tenha investido tanto nessa adaptação, seguida do sucesso de “Alladin”, mas também do decepcionante resultado de “Dumbo” de Tim Burton. E não para por aí já que o estúdio prepara para breve a adaptações de “Mulan” e “Malevola – A Dona do Mal”, sendo esta a sequência do mega sucesso estrelado por Angelina Jolie em 2014. Resta saber como o público de hoje vai reagir ao apelo dessa história que faz uso de animais personificando ambição, inveja, amor, lealdade e legado, atributos humanos destilados em uma narrativa que há 25 anos soube equilibrar humor e drama, com toques filosóficos capaz de nos fazer refletir sobre qual o nosso lugar no planeta que habitamos, abaixo de um sol cor de safira, como parte de um infinito ciclo, o ciclo da vida. A essa altura já é inevitável ouvir as notas do piano de Elton John a nos perguntar “Você pode sentir o amor esta noite?”. A resposta está nas telas a partir desta quinta dia 18 de julho.

GRANDE ESTREIA: TURMA DA MÔNICA LAÇOS

     turma-da-monica-lacos-divulgacao_widelg.jpg            Era dezembro de 1976; e lembro muito bem que, aos 7 anos, foi marcante ver Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali falando pela primeira vez no curta “Natal da Turma da Mônica”, exibido nos comerciais de Tv com patrocínio da CICA, empresa de conservas alimentícias já extinta. Imagine então o impacto hoje, mais de 40 anos depois, de ver os maravilhosos personagens criados por Maurício de Souza vividos pelos atores mirins Giulia Benitte, Kevin Vechiatto, Gabriel Moreira e Laura Rauseo no filme de Daniel Rezende “Turma da Mônica: Laços”, produzido por Fernando Fraiha e Bianca Villar responsáveis por “Os Homens São de Marte… e É Para Lá que Eu Vou” (2014) e “Divinas Divas” (2017).

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                O roteiro de Thiago Dottori explora a exata sensação de nos fazer sentir no fictício bairro do Limoeiro, das páginas das hqs originais, e consegue despertar a criança interior de todos que, como eu, há décadas acompanhamos os planos infalíveis do Cebolinha, as invenções malucas do Franjinha e aquelas inocentes confusões envolvendo a dentuça brigona, a menina gulosa e todo um elenco de personagens cativantes. A história do filme é uma adaptação da hq homônima, publicada em 2012, escrito e desenhado por Victor & Lu Cafaggi, como parte de uma série de álbuns (Graphic MSP) dedicados à releitura do universo de Mauricio de Souza. A história dos irmãos Cafaggi foi premiada com o 26º Troféu HQ Mix e ganhou uma sequência três anos depois intitulada “Turma da Mônica – Lições”, sendo esta uma possível sequência nas telas em breve.

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               A história de “Laços” gira em torno do sumiço do Floquinho, o cão do Cebolinha, que reúne sua turma para procurá-lo, encontrando um grupo rival. O título da obra salta aos olhos pelo foco na amizade que une o quarteto, lembra à primeira vista histórias como “Conta Comigo” e “Goonies”, mas tem personalidade própria graças ao encanto imbuído nesses personagens desde sua criação em 1959,  a princípio nas tirinhas de jornal, e depois em uma revista em quadrinhos. O cão Bidu, inspirado no animal de estimação de Maurício, foi seu primeiro personagem, seguido de Franjinha, Horácio, Astronauta e outros. Cebolinha, o menino que troca o “R” pelo “L” estreou como coadjuvante do Franjinha, baseado em um dos amigos de infância do autor, ainda na fase das tirinhas de jornal publicado na “Folha da Manhã”, publicação onde Maurício iniciou sua carreira como repórter policial. Cebolinha foi durante um tempo o principal personagem das histórias até perder o posto para a Mônica, criada em 1963, e inspirada em uma de suas filhas. Cascão surgiu em 1961 inspirado no amigo de um irmão de Maurício, e Magali, apaixonada por Melancias, aparece em 1964 também baseada em uma de suas filhas. A partir de 1970, as revistas da turma passaram a ser publicadas pela Editora Abril, em parceria com seu próprio estúdio, competindo com vários personagens estrangeiros, principalmente os da Disney, pela atenção do público infantil. Na segunda metade dos anos 80, a Editora Globo deu continuidade às publicações que já havia se diversificado em vários títulos, sendo que a Magali só ganharia seu título próprio em 1989, começando com um concurso aberto aos leitores para batizar o gato angorá da adorável comilona, que veio a ser Mingau. Na Editora Globo, os títulos dos Estúdios Maurício de Souza ampliaram ainda mais a linha editorial com almanaques e especiais editados até 2007, quando a Panini tornou-se a nova casa desses queridos personagens vindo ainda a ganhar uma versão mangá, a “Turma da Monica Jovem” com versões mais velhas da turminha.

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             Na década de 80 Mônica e seus amigos invadiram as telas do cinema pela primeira vez no longa animado “As Aventuras da Turma da Mônica” de 1982 reunindo quatro histórias apresentadas pelo nosso Walt Disney brasileiro, alcançando a impressionante marca de mais de um milhão de espectadores. Dois anos depois, a turma estreia nas telas uma história de 90 minutos intitulada “A Princesa & O Robô”, com claras referências a Star Wars, ao levar a turminha para um planeta cenoura onde enfrentam Lorde Coelhão, versão infantil de Darth Vader saído dos doces sonhos de quem correu pelo bairro do Limoeiro, um universo próprio habitado pela inocência e pela diversão, de onde também temos o alucinado Louco, personagem de Rodrigo Santoro que rouba a cena no filme “Laços”, mas que não aparece na história original dos irmãos Cafaggi. O filme tem até uma rápida aparição do próprio Maurício, tal qual Stan Lee nos filmes da Marvel, e que fará a alegria de muitos marmanjos como eu, rever esse gênio que marcou a infância de várias gerações, além de nos presentear com Chico Bento, Turma do Penadinho, Piteco, Horácio, Pelezinho entre outros tantos.  É inevitável criar nossos laços não somente com o filme, mas com cerca de 60 anos de doces lembranças “fluto de uma adolável memólia afetiva”, como diria Cebolinha, fazendo rir e emocionando a todos.

(DEDICO ESSE ARTIGO A RUBENS EWALD FILHO QUE FOI INSPIRAÇÃO, MENTOR E MEU AMIGO PESSOAL. OBRIGADO POR ACREDITAR SEMPRE EM MIM.)

IN MEMORIAM: RUBENS EWALD FILHO

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                         DIFÍCIL PARA MIM DIZER O QUE SINTO. ESSE HOMEM SEMPRE FOI UM EXEMPLO PARA MIM. SOU MUITO GRATO A DEUS POR TÊ-LO CONHECIDO, AINDA QUE A DISTÂNCIA. EU SEMPRE SENTIA QUE ERAMOS COMO ELTON JOHN E BERNIE TAUPIN, QUE SEMPRE COMPUNHAM CANÇÕES SEPARADOS FISICAMENTE, CADA UM EM SUA CASA. ASSIM ÉRAMOS RUBENS E EU. DESDE 2003 EU FALAVA COM ELE POR E-MAIL E DESDE 2011 ELE PASSOU A PUBLICAR MEUS ARTIGOS SOBRE FILMES, INICIALMENTE NO PORTAL R7, E DEPOIS EM SEU BLOG, NO SITE DVDMAGAZINE E NO TRIBUNAONLINE. MESMO QUE NEM SEMPRE ELE CONCORDASSE COM ALGUNS DOS MEUS PONTOS DE VISTA, ELE NUNCA DEIXOU DE APROVEITAR MEUS TEXTOS POSTADOS A MEDIDA QUE OS GRANDES BLOCKBUSTERS CHEGAVAM ÀS TELAS. DURANTE A TEMPORADA DE PREMIAÇÕES QUE COMEÇA EM JANEIRO E CULMINA NO OSCAR, ERAM OS COMENTÁRIOS DELE, E SUA MEMORIA PRODIGIOSA QUE ME MOVIAM A ACOMPANHAR OS EVENTOS. ASSIM COMO ELE, E POR CAUSA DELE, COMECEI TAMBÉM A ANOTAR OS FILMES ASSISTIDOS EM UM CADERNO E A DAR NOTA A ELES, COISA QUE DEPOIS PASSEI A FAZER PELO COMPUTADOR.

             TUDO COMEÇOU PARA MIM NO INICIO DOS ANOS 80 QUANDO EU VIA O RUBENS NA TV CULTURA ONDE APRESENTAVA O PROGRAMA “ISTO É HOLLYWOOD”, E DEPOIS NA REDE GLOBO ONDE COMENTAVA AS ESTREIAS NAS TELAS NO JORNAL HOJE. RUBENS ERA UM APAIXONADO PELAS ARTES CÊNICAS, DIRIGIU PEÇAS, ATUOU, ESCREVEU, VIVEU UMA VIDA INTENSA COM GENEROSIDADE E INTEGRIDADE. ATRAVÉS DE E-MAILS CONHECI UM POUCO UM LADO MAIS PESSOAL DELE, E POR TUDO ISSO SOU GRATO A DEUS. RUBENS FOI UMA INSPIRAÇÃO DE PROFISSIONALISMO QUE FEZ DE UM GAROTO DE 13 ANOS PRESTAR ATENÇÃO E SE APAIXONAR PELO QUE CINEMA, PELO QUE AS ARTES CÊNICAS TRAZEM. MUITO OBRIGADO MEU QUERIDO AMIGO POR TUDO. QUE SUA PASSAGEM SEJA DE LUZ.

GRANDE ESTREIA: MIB – HOMENS DE PRETO INTERNACIONAL

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MIB INTERNACIONAL. EUA 2019. DIR: F. GARY GRAY. COM CHRIS HEMSWORTH, TESSA THOMPSON, LIAM NEESON, EMMA THOMPSON, REBECCA FERGUSON. FICÇÃO CIENTIFICA / COMÉDIA.

                Há 22 anos fomos apresentados a uma organização secreta que monitora a atividade extraterrestre no mundo. Os agentes J (Tommy Lee Jones) e K (Will Smith) foram os personagens centrais por três filmes MIB de 1997 a 2012, uma parceria de opostos, o sisudo Jones e o falastrão Smith defenderam o planeta de ameaças alienígenas em uma criativa mistura de comédia e ficção cientifica. Natural que a franquia necessitasse de novos rumos com o desinteresse dos astros originais em retornar para seus papeis. A principio, no entanto, era que ambos reprisassem os papeis de J & K em um quarto filme. Falou-se até em um possível cross-over com “Anjos da Lei”  que seria chamado MIB 23 até que o estudio Sony decidiu fazer um spin-off, com ares de reboot disfarçado, elevando a agência a uma grau de atividade mais global e com dois novos agentes interpretados por Hemsworth e Thompson, Thor e Valquiria dos filmes do Universo Cinematico Marvel. Em tempos de empoderamento feminino nada mais compreensível que a nova dupla de MIB tenha um homem e uma mulher, sendo esta não uma escada para a figura masculina mas alguem tão ou, talvez, ainda mais importante que ele.

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                     A história do novo MIB mostra o experiente agente H (Hemsworth) treinando a novata agente M (Thompson), que teve uma experiência com extraterrestres quando criança, às voltas com a descoberta de um traidor entre eles. Claro que a nova aventura vem com referências aos filmes originais: Frank, o pug faz uma rápida aparição, e os agentes J e K aparecem em uma pintura no escritório londrino numa clara alusão aos eventos do primeiro filme. Tornou-se marca registrada dos filmes apontar celebridades  como alienígenas residentes no planeta. Assim foi com Elvis Presley, Michael Jackson, Steven Spielberg e Sylvester Stallone, desta vez Donald Glover e até Sergio Mallandro entraram para a lista.

men-in-black-01.jpg               Toda essa inventividade é uma adaptação das histórias em quadrinhos. “Homens de Preto” foi publicado pela primeira vez em 1990 pela Aircel Comics, depois vendida para a Malibu Comics,  que seria adquirida pela Marvel Comics. Nas histórias originais, escritas por Lowell Cunnigham, a organização que mistura o visual dos Irmãos Cara de Pau com o clima de Arquivo X investiga todo tipo de fenômenos, não apenas os de origem alienígenas, mas também sobrenatural e paranormal. Nas hqs, vampiros, zumbis e fantasmas também estão na mira e os agentes não medem esforços, chegando até mesmo a usar meios questionáveis para atingir seu objetivo de manter a população à margem de tudo.  

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                 O filme ainda traz em seu elenco de apoio Emma Thompson, que no filme anterior já fazia o papel da líder da organização, Liam Neeson e a bela Rebecca Ferguson da franquia “Missão Impossivel”. Se você é fã desses divertidos agentes da lei intergalatica, divirta-se com a trivia abaixo:

  1. Na época do primeiro filme os papeis de J & K foram inicialmente oferecidos a Clint Eastwood e Chris O’Donell.
  2. O primeiro filme, 1997, recebeu o Oscar de melhor maquiagem.
  3. Esse quarto filme é o primeiro filme da franquia não dirigido por Barry Sonnefield.
  4. Quando o segundo filme foi lançado, 2002, cenas que mostravam de longe o World Trade Center foram editadas devido ao ataque de 11 de Setembro.
  5. A hq original também foi adaptada para a Tv em uma série animada e para jogos de computador.

GRANDE ESTREIA: X MEN FÊNIX NEGRA

          Este ano o gênero super herói teve um excelente encerramento com “Vingadores Ultimato”. Esse novo filme dos heróis mutantes, o sétimo da franquia da FOX iniciada em 2000, não trilha o mesmo caminho por muitos motivos: A compra da FOX pela Disney, as refilmagens e adiamentos seguidos, a condensação de uma saga que caberia em uma trilogia dentro de cerca de 1 hora e 53 minutos de projeção e o fato de que é uma segunda adaptação.

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           Em 2006 Bryan Singer trocou o terceiro filme da franquia pela oportunidade de fazer “Superman Returns” para a Warner. Brett Ratner assumiu o comando do terceiro filme da equipe mutante que mistura elementos da saga da Fênix Negra com o arco de história “Surpreedentes XMen” onde cientistas encontram uma possível cura para a mutação genética. Praticamente eram dois arcos que poderiam ser abordados em filmes separados e com seus respectivos atrativos diluídos de tal forma que o resultado acabou sendo desastroso. O curioso é que o roteiro desse capítulo 3, batizado “The Last Stand”, foi escrito pelo mesmo Simon Kinberg que agora assina a história e a direção de “Dark Phoenix”. Parece pouco sensato revisitar a mesma história, insistindo no mesmo erro de aproveitar uma pequena premissa de uma história maior, e uma das melhores vinda dos quadrinhos desses populares heróis criados em 1963 por Stan Lee e Jack Kirby.

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        Para quem é leitor de longa data da Marvel sabe que a natureza dos personagens foi mudada em favor de estrategias do mercado cinematográfico. Mística aparece como a líder da equipe já que Jennifer Lawrence é uma estrela de primeira grandeza nas telas, e assim como a trilogia inicial, resta pouco ou quase nada para Ciclope ou Tempestade, até porque suas inserções no filme anterior “X Men Apocalipse” (2016) foram mal planejadas em um filme cheio de equivocos apesar de trazer no elenco James MacAvoy e Michael Fassbender, excelentes em seus papeis antagônicos de Xavier e Magneto.

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         Sophie Turner (que recentemente também se despediu de sua personagem de “Game of Thrones”) veste bem sua personagem, herdada de Famke Jansen, mas sofre com um roteiro que não aproveita nem 20 por cento da história original, uma saga com todos os elementos atrativos do gênero, que se fosse bem adaptada se iguala a saga de Thanos. Nos quadrinhos o arco começou quando Chris Claremont assume as histórias dos X Men em 1975, a principio com os desenhos de Dave Cockrum, e depois com o artista John Byrne. O que eles fizeram foi explorar todo o potencial de Jean Grey, a primeira heroína mutante, que a principio atendia pelo nome de Garota Marvel. Seus poderes mentais alcançam escala cósmica quando Jean salva os seus companheiros de equipe de uma aventura no espaço quando entra em contato com a força Fênix, uma entidade super poderosa. Transformada na Fênix, Jean salva o universo da destruição total por uma galáxia de neutrons, quando os mutantes são enviados à distante galáxia Shiar. Seu heroísmo acaba levando à premissa de que se o poder corrompe … bom, influenciada pelo Mestre Mental, membro do Clube do Inferno, uma sociedade secreta, Jean vai se tornando cada vez mais descontrolada até finalmente assumir-se como a Fênix Negra. Jean viaja para outra galáxia, mergulha em uma estrela consumindo-a, assim como toda a vida no setor. O que se segue é uma batalha épica aprofundada pelo dilema que questiona se a vida de um é mais importante que a vida de bilhões.

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             Impossível esquecer o impacto do arco de 1980 (Uncanny X Men #129 / #138)  que no Brasil chegou ao seu clímax nas páginas de “Grandes Heróis Marvel #7” , da Editora Abril em fevereiro de 1985. Lembro bem do choque em ver o corpo de Jean sem vida nos braços de seu amado Ciclope. Justamente por ter sido um arco longo os leitores se envolveram de tal forma que era impossível não sentir o pesar de Ciclope ou o desespero de Xavier para tentar salvar sua pupila, devidamente anunciada na época como a maior história de todos os tempos.

         No filme de Simon KInberg a trilha sonora ficou a cargo de Hans Zimmer, que foi responsável pelos temas de Batman, Superman, Homem Aranha e Mulher Maravilha. Zimmer já havia anunciado que não pretendia trabalhar mais com filmes de super herois mas foi convencido por Kinberg a voltar atrás. Curiosamente, o filme acontece no ano de 1992, mesmo ano de lançamento da série animada dos X Men, que fez melhor adaptação da saga da Fênix Negra. Não procurem por Wolverine pois o personagem não é usado já que Hugh Jackman já se aposentou oficialmente do papel depois de Logan (2017). Jessica Chastain faz o papel misterioso, aparentemente tentando influenciar Jean tal qual o Mestre Mental nas hqs originais. O filme será o último da franquia que certamente será rebootada pelo MCU dentro de alguns anos. Por isso, melhor se preparar para a despedida, para a morte de personagens, mas lembrando sempre que de acordo com a lenda, a Fênix renasce das cinzas.

GRANDE ESTREIA: ROCKET MAN

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          Mais de 300 milhões de discos vendidos no mundo, sete álbuns consecutivos em primeiro lugar nas paradas americanas, carreira premiada com Grammy, Brit Awards, Tony, Golden Globe, Oscar entre outras honrarias são tantos feitos e tantos sucessos que seu nome certamente há sempre de pairar alto como uma pipa, ou melhor dizendo como um foguete, nascido Reginald Kenneth Dwight mas seu talento o fez renascer como Elton John. O filme que estreia hoje nos cinema é um presente para seus fãs, mas também uma oportunidade para os que não são conhecerem a trajetoria desse ícone da música pop.

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          Depois do sucesso de “Bohemian Rhapsody”,  Dexter Fletcher – que finalizou o filme do Queen depois da saída de Bryan Singer – assumiu adaptar a vida de Elton John em um filme sem concessões, mostrando os baixos na vida pessoal e profissional do cantor, mesmo que com isso a classificação etária restringisse o alcançe do filme. O próprio Elton John garantiu que assim fosse, pois em suas própria palavras “Minha vida não foi aconselhável para menores”. Mesmo com cenas fortes mostrando sexo e drogas, o filme de Dexter Fletcher impressiona pelas cenas que mesclam fantasia e realidade na medida que mostra como um garotinho venceu a timidez, e outros obstáculos pessoais, para se tornar um artista de projeção internacional. No elenco de apoio Jamie Bell (Tintin) é Bernie Taupin, o parceiro de composições de Elton e Bryce Dallas Howard (Jurassic World) interpreta a mãe do músico que trazia um talento prodigio, iniciando sua carreira no final dos anos 60 e tornando-se uma estrelas ao longo da década seguinte, período em que o roteiro se concentra no recorte biográfico. A quantidade de hits preenche a tela e as cenas, assim como “Mamma Mia” fez com as canções do Abba, inserindo-as na representação de diversas passagens da vida do músico.

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         Sua carreira sempre esteve identificada com uma união harmoniosa entre imagem e som, seja nos figurinos extravagantes que usou diversas vezes em suas apresentações nos anos 70, tal qual um Liberace renascido no cenário pop, Capitão Fantástico, Pato Donald ou Mozart, com plumas, paetês, óculos e rock saltando das teclas de seu piano, movido por canções como “Bennie & The Jets”, “Crocodile Rock” ou baladas poéticas como “Don’t Let the Sun Go Down On Me”, ou “Your Song”, esta escolhida como uma das mais belas canções de amor, seu primeiro grande sucesso nos Estados Unidos em 1970, essência de toda uma discografia, grande parte da qual composta junto a Bernie Taupin. Desde o começo Elton na música e Bernie como letrista fizeram o mundo bailar e se apaixonar até mesmo visitando e revisitando a sétima arte como quando criaram “Candle in the Wind”, melodiosa canção que fala da musa Marilyn Monroe, ou quando nos levaram de volta ao mundo de Oz em “Goodbye Yellow Brick Road”, seu sétimo álbum de estúdio lançado em 1973, presente na lista dos maiores álbuns no Rock and Roll Hall of Fame. Em 1975 Elton John fez sua primeira aparição como ator em um filme, parte do elenco da opera rock “Tommy”, dirigido por Ken Russell, transformando-se na figura delirante do Pimball Wizard na canção de mesmo nome composta por Pete Townshend da banda “The Who”.

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        O talento da dupla Taupin & John é tão imagético que seus clips trazem uma identidade cinematográfica como a história de amantes separados pela guerra de “I guess that’s why they call it the blues” (1984), o amor de um ocidental e uma comunista em tempos de guerra fria em “Nikita” (1985) ou a arquitetura retro no cenário de “Believe” (1995). Com um lirismo que evoca o romantismo de Cole Porter, Elton John cria suas melodias separado de seu parceiro de longa data, o letrista Bernie Taupin mostrando que a soma das partes leva a uma resultado admirável em que letra e música criam uma dimensão sonora viva e contagiante como a clássica “Rocketman” (1972), que dá nome a sua cinebiografia, escrita a partir de um conto de Ray Bradbury que integra o livro “The Illustrated Man”, em uma época em que canções com temática espacial eram populares.

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          Elton John colaborou com a trilha sonora de vários filmes: a balada “Daniel” toca em “Alice Não Mora Mais Aqui” (1974) de Martin Scorcese, “Tiny Dancer” em “Quase Famosos” (2001) de Cameron Crowe, “You Gotta Love Someone” em “Dias de Trovão” (1990) de Tony Scott além de séries de Tv como “Glee” (2010-2013) e “Californication” (2009-2014). O cantor passou por altos e baixos que são facilmente identificáveis em várias das fases de sua carreira, mas sempre apoiou causas humanitárias. Depois da morte de Lady Di, reverteu a canção “Candle in the Wind” para homenagear sua amiga, a princesa a quem chamou de “English Rose”, e que se tornou o single mais vendido da história. Em 1985, mesmo ano em que participou do Live Aid, participou da gravação de “That’s What Friends Are For” junto a Dionne Warwick, Stevie Wonder e Gladys Knight, que teve o lucro revertido para as pesquisas da “American Foundation For AIDS Research”. Sete anos depois o cantor deu seu nome para a criação da “Elton John AIDs Foundation”, organização que apoia além de diversas causas humanitárias.

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        Sempre muito pessoal em suas composições, ele fez sozinho a instrumental “Song for Guy” (1978) para um amigo que morrera tragicamente e em meio a seus acordes desperta uma experiência espiritual encerrada com versos que dizem “Life isn’t everything” ( A Vida não é tudo). Lançou “Empty Garden” dois anos depois da morte de John Lennon, de quem era grande amigo, além de ser padrinho do segundo filho do ex Beatle. O homem foguete da música pop chegou à década de 90 compondo, junto a Tim Rice, as canções “Circle Of Life” e “Can You feel The Love Tonight?” da trilha sonora da animação “O Rei Leão”, um dos maiores triunfos dos Estudios Disney, que lhe deu o Oscar da Academia. Alguns anos depois voltou a trabalhar com Rice para a trilha de “O Caminho para Eldorado” da Dreamworks, em que sua voz também serviu de narrador da história.  Com a própria produtora a “Rocket Pictures”, fez de suas canções o fio condutor da animação “Gnomeu & Julieta” (2011), que ganhou sequência em 2016 embalando uma nova geração com sucessos como “Don’t Go Breaking My Heart” , “Philadelphia Freedom” e “I’m Still Standing”. Em 2017, interpretou a ele mesmo em “Kingsman; Circulo Dourado”, curiosamente protagonizado por Taron Egerton, que interpreta Elton na cinebiografia “Rocketman”.

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             Esse prodígio que aos 4 anos já dedilhava no piano, que já foi dono de um time de futebol inglês, outra de suas paixões, sobreviveu a todos os excessos que um astro atravessa como drogas e álcool, além de ter lutado contra a bulimia durante vários anos. Também sobreviveu a tentativas de suicídio e com conflitos gerados por sua sexualidade, a princípio escondida e depois assumida. Hoje casado e feliz com o empresário David Furnish e com dois filhos, Zachary de 9 anos e Elijah de 6 anos, esse fantástico artista ainda esbanja vitalidade e criatividade, já tendo se apresentado no Brasil três vezes, anuncia sua aposentadoria após o final da atual turnê batizada de “Farewell Yellow Brick Road”. Elton é um sobrevivente, mas ainda de pé, depois de todo esse tempo conquistou uma vida plena com muitos fãs, incluindo este que escreve, que ao aprender inglês, traduziu como primeira canção a melodiosa “Skyline Pidgeon”, que no Brasil foi parte da trilha sonora da novela “Carinhoso” (1973). Foi amor a primeira vista, ou melhor à primeira audição, comprovando o que letra de “Sad Songs” diz, que canções romântica sempre tem muito a dizer, e certamente Elton sempre teve.

 

 

GRANDE ESTREIA: GODZILLA O REI DOS MONSTROS

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          Desde tempos imemoriais a crença em monstros tem feito parte do folclore de várias civilizações. Como a figura do Kraken (uma espécie de lula gigante) que aterrorizou os antigos gregos. Na época das grandes navegações, eram incontáveis os relatos de serpentes marinhas. E até hoje, turistas viajam a Escócia à procura de algum sinal do lendário monstro de Loch Ness. Por isso é lógico que a ideia de um animal de proporções colossais que destrói tudo por onde passa seja explorada pelo cinema.

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            A estreia da nova versão de Godzilla em 2014 coincidiu com os 60 anos do personagem. No filme original, um gigantesco lagarto pré-histórico cujo hálito pode cuspir fogo foi despertado pela ação de testes com armas nucleares que provocaram uma mutação em sua natureza jurássica. O rastro de destruição que acompanha seus passos acaba com Tóquio até que o sacrifício de um cientista põe um fim na marcha mortífera da criatura. Dirigido por Ishiro Honda, Godzilla representou para a terra do sol nascente um demônio a ser exorcizado: a radiação nuclear e a queda da bomba atômica em Hiroshima & Nagasaki eram como um flagelo incutido na memória coletiva do povo japonês e personificado na figura de Godzilla, ou no original Gojira, aglutinação de duas palavras nipônicas : Gorira (gorila) e Kujira (baleia). O filme da Toho Company chegou a ser indicado para melhor filme pela Japanese Academy Awards, mas perdeu o prêmio para Os Sete Samurais de Akira Kurosawa. Curiosamente, os efeitos especiais não receberam a mesma honraria, apesar da competência do técnico Eiji Tsuburaya, o mesmo que anos depois criaria o herói Ultraman para a TV. Tsuburaya se recusou a empregar a técnica de stop-motion (usada no clássico King Kong, por exemplo) e fez uso do que foi depois chamado de suitmotion, ou seja, um ator usa uma fantasia especial se movimentando com auxílio de aparatos mecânicos por um cenário de miniaturas e maquetes mescladas a cenas de multidão. A roupa de Godzilla pesava em torno de 90 kilos e o ator que a vestia, Haruo Nakajima, se movimentava com grande dificuldade pelos cenários, não conseguindo andar mais que 9 metros com a vestimenta.

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             A ideia de um universo compartilhado de monstros, que a Warner vem desenvolvendo, não é uma novidade exatamente, apenas há agora o investimento de uma superprodução e o melhor da tecnologia para dar vida a Godzilla, Mothra, Rodan, King Ghidorah e outras criaturas que tiveram filmes B extremamente populares, chegando até a enfrentar Godzilla.  Vejamos alguns: Em 1956, o mesmo Ishiro Honda dirigiu Rodan, o Monstro do Espaço (Sora no daikaju Radon) em que um pterosauro mutante aterroriza Tóquio. Primeiro filme japonês de monstro a cores, o pterosauro teve o nome modificado no ocidente, do original Radon (redução no Japão para puteranodon) para Rodan porque havia nos Estados Unidos um sabonete com o mesmo nome. Outra mudança na versão americana foi a voz do Professor Kashiwagi que foi redublado (embora sem ter sido creditado por isso) por George Takei, o Sr.Sulu de Jornada nas Estrelas. Mudanças como esta se tornaram comuns para a ocidentalização dos monstros japoneses. Sendo assim, a mariposa gigante Mosura do filme de 1961 virou Mothra, a Deusa Selvagem, novamente dirigida por Ishiro Honda, nesta altura já reconhecido em sua terra como um especialista em Kaiju Eiga ou Daikaiju Eiga como são chamados no Japão os filmes de monstros. Mothra foi o primeiro filme japonês de monstro em que a criatura surge não como um avatar do mal, mas com uma divindade idolatrada pelos habitantes da ilha Beiru, onde cientistas exploram a região e sequestram duas mulheres nativas, despertando assim a ira de Mothra que parte em seu resgate. Sua popularidade não demorou para que os produtores a colocassem em um mesmo filme que Godzilla. Não demoraria também para que além da Toho, outro estúdio se interessasse pelo gênero. Em 1965, os estúdios Daiei lançam Gamera, uma tartaruga gigantesca vinda do ártico para destruir Tóquio, último filme do gênero no Japão a ser filmado em preto e branco. O sucesso dele também seria seguido por uma série de outros filmes.

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           Alegorias da mente humana, defensores ou destruidores, essas criaturas ganharam imensa popularidade a medida que expurgavam os fantasmas da radiação atômica que atormentavam os japoneses. No ocidente a aparição dessas criaturas, bem como de alienígenas, espelhavam seus outros medos, mais adequados ao temor da guerra fria. Té a Inglaterra também embarcou no gênero e criou seu próprio lagarto gigante em Gorgo (1961) de Eugene Lourie, praticamente uma cópia britânica de Godzilla com Londres no lugar de Tokio. O mesmo diretor já havia filmado em 1953 O Monstro do Mar (The Beast from 20000 Fathoms) , baseado em uma história curta de Ray Bradbury, e que trazia a mesma premissa de Godzilla: a do monstro pré-histórico despertado por testes atômicos no Atlântico Norte e que vem a atacar a cidade de Nova York. Por ter sido feito um ano antes de Godzilla, muitos o consideram a inspiração para o filme de Ishiro Honda.

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          O sucesso e a popularidade de Godzilla sempre foi superior a dos demais tendo retornado em diversas continuações, e refilmagens em um total de 30 filmes, sendo que 7 deles tiveram a direção de Honda incluindo os curiosos King Kong vs. Godzilla(1962), Mothra vs. Godzilla (1964), Ghidrah, o Monstro Tricefálo (1964) que também trazia Rodan, A Guerra dos Monstros (1965) e Terror Contra Mechagodzilla (1975). Com exceção do primeiro Godzilla de 1954, o lagartão com barbatanas dorsais e pele cinzenta e áspera que deu vida aos pesadelos dos japoneses deixou de ser seu algoz para ser defensor da humanidade nas sequências feitas, entrando em combate com outros monstros, e até com alienígenas, para salvar a Terra. Dessa forma, Godzilla tornou-se um fenômeno popular tanto no oriente quanto no ocidente onde foi americanizado com uma nova versão dois anos depois de seu lançamento original. O filme de Ishiro Honda foi remontado para lançamento internacional e com acréscimo de um novo personagem, o repórter Steve Martin (Raymond Burr) que é enviado ao Japão para cobrir o ataque de Godzilla. O processo que incluía dublagem das vozes originais se repetiu constantemente com Mothra e os demais filmes do gênero que ganhariam lançamento internacional.

           Mesmo que na década de 70 e 80, o gênero já estivesse desgastado na América; no Japão o rei dos monstros é recriado para uma nova geração em The Return of Godzilla (1984), muito antes que o reboots se tornassem comum. Dirigido por Koji Hahimoto, esse filme recupera a figura da fera como vilão. O ator Akhiko Hirata, que no filme original interpretou o Dr. Serizawa, que cria a fórmula usada para matar Godzilla, foi quase incluído nesse novo filme, mas infelizmente um câncer de garganta o matou antes. O filme, contudo, não teve um impacto tão grande assim apesar de outros exemplares continuarem a ser feitos no Japão. Uma nova tentativa de  ocidentalizar o monstro foi feita em 1998 pelo diretor Rolland Emmerich, que havia realizado o blockbuster de sucesso Independence Day. Emmerich aceitou recriar Godzilla depois de garantir a liberdade de promover as mudanças que desejasse, incluindo no visual da criatura já que admitira na época nunca ter sido fã do personagem. Apesar do bom elenco que incluía Matthew Broderick e Jean Reno, o resultado foi insatisfatório com um roteiro que mais parecia um amálgama de toda a série Jurassic Park. A perseguição dos filhotes de Godzilla no estádio, por exemplo,  lembrava a perseguição dos velociraptores.  Embora em termos financeiros o filme não tenha sido ao contrário do que se pensou desastroso, não agradou ao público e muito menos a critica. As sequências de ação não empolgavam e abusavam demais do bom senso como Godzilla desfilando por entre os edifícios de Nova York , a perseguição na ponte suspensa ou a criatura cavando tuneis, todas extremamente exageradas para um animal de tais dimensões. A decepção com o resultado desestimulou os planos do estúdio para continuações. Em 2000, o Japão retomou o personagem ignorando o filme de Emmerich em Godzilla 2000, que teve lançamento internacional, mas não o impacto esperado. A fórmula do grande monstro, no entanto,  nunca se esgotou no cinema sendo ocasionalmente revisitada como J. J.Abraams em Cloverfield (2008) ou Guilhermo del Toro em Círculo de Fogo (2012).

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           O novo filme, que agora dá sequência ao filme de 2014, traz um elenco de nomes que inclui Vera Farmiga (de “Invocação do Mal”) e Milli Bobby Brown (a Eleven de “Stranger Things”), mas o elenco humano não tem muito o que fazer, por mais que haja a nítida intenção de dramatizar quando o que todos querem assistir é o embate de monstros já que é disto que se trata o gênero Kaiju, como é chamado na terra do sol nascente. Não espere, no entanto, que este seja o ultimo filme pois a Warner já planeja para o ano que vem “Godzilla Vs Kong“, e não saiam da sala antes de ver a cena pós-crédito. A popularidade de ambos os monstros sempre garantiu seu lugar na cultura pop, o que ganhou espaço em animações e HQs. No imaginário popular, todos aprendemos a temer e a adorar o monstrengo, e por isso mesmo justifica-se sua alcunha de “Rei dos Monstros”

ALADDIN – MAIS QUE MIL & UMA NOITES

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TEXTO DE AGATHA MATTOS DE CARVALHO SANTOS & ADILSON DE CARVALHO SANTOS

É COM MUITO ORGULHO QUE PUBLICO ABAIXO O PRIMEIRO ARTIGO ESCRITO A QUATRO MÃOS, COM A COLABORAÇÃO DE MINHA FILHA AGATHA. NÃO A TOA O TEMA DO FILME É A MÁGICA, AFINAL DE CONTAS ELA REALIZA MÁGICAS EM MINHA VIDA.

        “Dez mil anos ali dentro te deixam com um terrível torcicolo”, foi com essa frase bem irônica que um gênio azul se apresenta na fantástica animação da Disney de 1992. Um triunfo dirigido por John Musker e Ron Clements com auxilio de um time de animadores e técnicos que mesclaram as técnicas tradicionais do gênero com o melhor em computação gráfica disponível então. O apelo dessa história atravessa gerações, fixa em nosso imaginário valores de amor, lealdade e bravura como nas palavras de uma criança  :

      “A história de Aladim surgiu na antiga Pérsia mostrando um rapaz humilde que se apaixona pela princesa Jasmine, mas eles não podiam ficar juntos porque Jasmine era filha do Sultão, rica, e Aladim era plebeu. Ele encontra uma lâmpada mágica que trazia um gênio capaz de realizar três desejos. Assim, Aladim chama a atenção do Sultão, enfrenta o malvado Jafar e conquista o coração de Jasmine. Aladim é jovem e corajoso pois enfrenta todos os perigos da caverna das maravilhas, e ainda os planos do maligno Jafar para se apossar do reino. Jasmine não tinha liberdade para escolher seu destino, mas mesmo que triste não se permite ter medo de Jafar. O gênio é piadista, falante, divertido e como Aladim e Jasmine, também tem um sonho, a sua liberdade. Juntos esse trio vive mil e uma aventuras e, assim, é o melhor filme da Disney com melodia emocionante. Muito legal a mensagem de que precisamos acreditar em nossos sonhos, nossos desejos, mesmo não tendo na vida real um gênio de verdade ao nosso lado”.

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ANIMAÇÃO E LIVE ACTION

          Pois esta história compõe uma coletânea que remonta tempos imemoriais levadas ao ocidente pelo francês Antoine Galland por volta de 1704. Este reuniu diversas histórias atribuídas à figura da Rainha Sherazade, esposa do rei Shariar que matava todas as mulheres com quem casava desde que fora traído por sua primeira esposa. Ao casar-se com o rei, Sherazade passou a contar-lhe uma série de histórias (dentre elas Ali Babá e os 40 ladrões, Simbad o marujo entre outras) cuja inventividade e desenrolar mantiveram o rei entretido por mil e uma noites, ao final dos quais o rei abandonou sua sede de matança. Sherazade tornou-se um ícone como poder feminino já que usou o poder de suas palavras para mudar um reino. Sua façanha é mencionada em manuscritos datados do século IX e em diversas variações literárias reunindo contos folclóricos provenientes da Índia, do Oriente Médio e outras regiões próximas. A própria história original de Aladim se passa na China, e muitos historiadores acreditam que Galland modificou e acrescentou vários elementos por conta própria.

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O ALADDIN DO CINEMA MUDO COM ATORES INFANTIS

            A reconstrução do conto em uma cidade árabe já aparece em “Aladdin and the magical lamp”, adaptação de 1917. Nela, assim como no conto, a princesa não se chama Jasmine, mas Badr al-badur, e tanto ela quanto Aladim são interpretados por crianças. Em 1924, uma variação do mesmo conto das mil e uma noites gerou “O Ladrão de Bagda” (The Thief of Bagda) veículo para o estrelato de Douglas Fairbanks que impressionou as plateias do passado ao levitar sobre o tapete mágico. Em 1940, o mesmo foi refilmado com o ator indiano Sabu no papel do ladrão Abu que substitui Aladim como o bravo herói a desafiar o grão-vizir Jafar. O filme ganhou três Oscars: Melhor fotografia, direção de arte e efeitos especiais, estes de fato triunfantes ao mostrar Rex Ingram no papel do gênio. Em 1945, a Columbia Pictures realizou uma versão ainda mais livre do conto em “Aladim & A Princesa de Bagda” (A Thousand & One Nights) fazendo de Aladim um cantor sedutor que se apaixona pela princesa Armina (Adele Jergens). Entre as liberdades tomadas, o gênio é uma mulher (Evelyn Keyes) e Aladim ganha a companhia de um amigo trambiqueiro, Abdullah, interpretado por Phil Silvers, comediante de língua ferina extremamente popular nos anos 40 e 50. Silvers faz um personagem descolado e anacrônico portando óculos que ainda não tinham sido inventados e disparando a todo momento o irônico comentário de que nasceu mais de 1000 anos antes de seu tempo. Essa versão acabou se tornando uma pérola da antiga Hollywood.

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NA VERSÃO DE 1945 O GÊNIO É A ATRIZ EVELYN KEYES MAS É O COMEDIANTE PHIL SILVERS QUEM ROUBA A CENA COM SEU HUMOR FALASTRÃO

                Ainda tivemos uma versão brasileira da lenda estrelada por Renato Aragão e Dedé Santana em 1974 e dirigido pelo saudoso J.B Tanko. Entitulada “Aladim & A Lâmpada Maravilhosa”, o filme foi gravado no Rio de Janeiro e São Paulo e alcançou uma das dez maiores bilheterias nacionais. Outra versão livre intitulada simplesmente foi “Aladdin” de 1986 que teve Bud Spencer (da hoje esquecida dupla Trinity) no papel do gênio e com a ação transferida de Badga para a Miami oitentista.

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RENATO ARAGÃO, DEDÉ SANTANA & MONIQUE LAFOND NA VERSÃO BRASILEIRA DE ALADDIN

               Foi, no entanto, a versão de Disney de 1992 que se beneficiou do talento de um dos astros mais queridos do cinema americano, o ator Robin Williams, que roubou a cena no papel do gênio. A presença de Williams, maior que a tela, fez do gênio um dos pontos mais altos da animação, improvisando a maior parte de suas falas. Ainda que o público brasileiro tenha ouvido a excelente dublagem de Marcio Simões para o gênio, a personalidade histriônica de Robin Williams é contagiante. O ator, infelizmente, teve problemas posteriores com a Disney devido ao uso de sua imagem no personagem, mas é inegável que os animadores Ward Kimball e Freddie Moore souberam explorar a figura de Williams adaptando seu talento com as cores e formas múltiplas que o gênio assume ao longo da história. Williams, falecido em 2014, deixou um enorme legado com sua capacidade de extrair emoção e risadas com sua presença em cena, e o gênio é um de seus maiores feitos. Para o desenho de Aladdin, os animadores usaram o rosto de Tom Cruise como inspiração e acrescentaram os trejeitos do então, igualmente popular, Michael J.Fox (De Volta Para o Futuro). O resultado, além de bilheteria milionária, foi a conquista do Oscar de melhor trilha sonora, e de melhor canção para “A Whole New World” .

Robin Williams dubla genio

ROBIN WILLIAMS O GÊNIO QUE FEZ UM GÊNIO

              A refilmagem que traz Will Smith no papel do gênio mostra a grande mágica dessa história que, há gerações, vem nos divertindo com uma mistura de ação, humor e emoção pois todos se sentem atraídos por histórias que exploram grandes desafios, lugares fantásticos perdidos no tempo e no espaço mas encontrados no imaginário popular, um lugar ideal onde a mágica nunca deixou de existir e tampouco ficou limitada a três desejos. Como nas palavras de Robin Williams, O gênio que fez UM gênio, “Sou história, não sou mitológico, não importa… ei sou livre !!!” Livre com o poder do talento e de uma imaginação que atravessa bem mais do que mil e uma noites.

DORIS DAY ETERNA

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É COM ESSE SORRISO QUE VOU ME LEMBRAR DELA. NADA A DIZER ALÉM SAUDADES DE UMA DAS MAIORES ESTRELAS DO CINEMA CUJA VOZ EMBALOU MINHA VIDA. RECENTEMENTE POSTEI EM 3 DE ABRIL UM TEXTO SOBRE MINHA DIVA QUE HOJE SE JUNTOU ÀS ESTRELAS.

GRANDE ESTREIA : CEMITÉRIO MALDITO

cemiterio maldito 2019

A ATUAL VERSÃO

                     Era obvio, desde o sucesso de “IT – A Coisa”, que Hollywood redescobriria o potencial de Stephen King, o prolífico escritor que desde a segunda metade dos anos 70 é recorrente em adaptações ora para o cinema ora para TV. Certamente que nem sempre o resultado dessas adaptações foi à altura da criatividade deste norte-americano de 71 anos, o que justifica até certo ponto que seja revisitado e refilmado ao gosto da nova geração.

                    “Cemitério Maldito(Pet Sematary) é o único livro que o próprio autor admitiu já tê-lo assustado. Escrito no curto período em que Stephen King alugou uma casa à beira de uma movimentada estrada onde morreu o gato de sua filha, Naomi;  King imaginou a história que veio a se tornar o livro, mas que demorou a publicar porque não acreditava na qualidade desta até que sua esposa o convenceu a publicá-lo. O livro acabou se tornando um campeão de vendas e um de seus trabalhos mais memoráveis, já tendo sido adaptado em 1989.

cemiteriio maldito 1989

O FILME ORIGINAL

                    A história é a de um casal que se muda com seus filhos para uma casa à beira de uma estrada. A floresta próxima guarda mistérios, como um antigo cemitério indígena onde quem é enterrado ressuscita, porém transformado em um ser maligno, sem alma ou coração. O filme de 1989 foi uma adaptação bem próxima do material original, com o terror criado a partir de uma premissa reflexiva, a de que há coisas piores que a morte. O livro fala da aceitação da brevidade da vida e de que se interferimos na ordem natural das coisas, pagamos um preço terrível por isso. Embalado pela trilha sonora que inclui a banda “Ramones”, a favorita do autor, “Cemitério Maldito” está entre as melhores adaptações de King, e entre as mais assustadoras obras do gênero. Difícil não tremer quando o menino Cage é subitamente atropelado por um caminhão. Essa e outras passagens da história criam um clima de angustia crescente tanto nas páginas do livro quanto nas cenas que se desenrolam à medida que a família Creed (Dale Midkiff e Denise Crosby) se desesperam e vão às últimas consequências para recriar sua família. Com orçamento modesto de cerca de US$11 milhões, o filme dirigido por Mary Lambert foi um sucesso quando lançado nos cinemas em outubro de 1989.

                 Na nova versão teremos algumas modificações além do elenco que inclui o sempre excelente John Lightgow no papel de Judd Crandall, o homem solitário que conhece os segredos do cemitério de animais. No filme de 1989, o papel foi vivido por Fred Gwynne, o Herman da clássica série “Os Monstros” da década de 60. O novo filme também mostra sequências que haviam sido cortadas da primeira versão mostrando o Wendigo, a criatura sobrenatural que habita as florestas e provoca sustos na narrativa do livro. Outro triunfo para quem curte as histórias do autor é a sua habilidade de conectar suas histórias. Muito antes que se falasse em universo compartilhado, King sempre que escrevia histórias novas incluía referências a outros de seus sucessos. Em “Cemitério Maldito”, o livro, encontra-se menções ao cão Cujo e à cidade de Jerusalem, respectivamente dos romances “Cujo” e “Salém’s Lot”. Este último, inclusive, ganhará nova versão em breve.

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           O filme de 1989 foi inclusive o primeiro de seus livros roteirizado pelo próprio King, que faz uma aparição em cena como um padre. Na nova versão os diretores Kevin Kolsh e Dennis Widmyer aproveitam detalhes deixados de lado no filme de 1989, faz algumas modificações mas mantém o clima das páginas que fizeram de Stephen King um rei do gênero. Sem spoilers, saibam que a nova versão não uma repetição quadro a quadro do filme original, mas uma releitura, recriando o final e acertando em não se render ao susto fácil, mesmo sem que seja um primor comparado a outras adaptações de King, o filme cumpre a promessa de assustar e provar que a morte não é um fim, mas seria melhor que fosse, ao menos nesse caso.